Problemas ao ver este e-mail?
Veja no browser

 
 
  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #2101  
  26/04 a 29/04/2024  
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 26/04: 117.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1803, milhares de fragmentos de meteoros caem sobre os céus de L'Aigle, França; o evento convence a ciência europeia da existência dos meteoros.
Em 1920 decorria o debate Shapley-Curtis sobre a natureza e distância das "nebulosas" espirais, na Academia Nacional de Ciências em Washington, D.C.. Shapley acreditava que a Via Láctea era todo o Universo, enquanto Curtis apoiava a teoria de um "universo-ilha".
Em 1933 nascia Arno Penzias, que ganhou o prémio Nobel pelo seu contributo na descoberta da radiação cósmica de fundo.
Em 1962, a sonda Ranger 4 da NASA colide com a Lua.

Em 1993, o vaivém espacial Columbia parte na sua missão STS-55 para realizar experiências a bordo do módulo Spacelab.
Em 1994, físicos anunciam a primeira evidência da partícula subatómica T-quark.
HOJE, NO COSMOS:
Esta é a altura do ano em que, ao lusco-fusco, a pequena Ursa Menor estende-se para a direita da Estrela Polar. Bem acima das estrelas da "frigideira" da Ursa Menor, estão as estrelas da "frigideira" da Ursa Maior.

 

DIA 27/04: 118.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1999, passagem do asteroide 1989 ML pela Terra (0,2520 UA).
Em 2002, última telemetria bem sucedida da Pioneer 10.

Em 2013, o satélite Fermi avistou uma erupção de alta-energia na direção da constelação de Leão, com uma energia de pelo menos 94 GeV, cerca de 35 mil milhões de vezes a energia da luz visível, cerca de 3 vezes superior ao recorde anterior.
HOJE, NO COSMOS:
Antes do amanhecer, aviste a constelação de Escorpião baixa a sul-sudoeste. A Lua encontra-se para a esquerda de Antares, o "coração" de Escorpião.

 

DIA 28/04: 119.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1900, nascia Jan Oort, astrónomo holandês pioneiro no campo da radioastronomia, que quantificou as características da rotação da Via Láctea e propôs um vasto reservatório de cometas em redor do Sol que se estende até quase metade da distância às estrelas mais próximas.

nuvem de Oort tem o seu nome.
Em 1903, M. Wolf descobre o asteroide Iolanda (509).
Em 1906, nascia Bart Bok, astrónomo americano, natural da Holanda, conhecido pelo seu trabalho na estrutura e evolução da Via Láctea e pela descoberta dos glóbulos de Bok
Em 1913, G. Neujmin descobre o asteroide Faïna (751). J. Palisa descobre o asteroide Oskar (750).
Em 1916, M. Wolf descobre o asteroide Henrika (826).
Em 1924, J. Hartmann descobre o asteroide La Plata (1029).
Em 1928, nascia Eugene Shoemaker, geólogo americano e um dos fundadores da ciência planetária. É famoso pela sua descoberta do Cometa Shoemaker-Levy 9, juntamente com a sua esposa Carolyn Shoemaker e David Levy. 
Em 1932, C. Jackson descobre o asteroide Zambesia (1242)
Em 2001, o milionário Dennis Tito torna-se no primeiro turista espacial.
HOJE, NO COSMOS:
Nestas noites de primavera, a longa mas ténue serpente marinha, Hidra, desliza pelo céu a sul. Encontre a sua cabeça, um asterismo bem fraco com aproximadamente o tamanho do polegar à distância do braço esticado, para sudoeste (está para baixo e para a direita de Régulo, a cerca de dois punhos à distância do braço esticado. Também, uma linha de Castor, passando por Pollux, aponta para lá a cerca de 2,5 punhos à distância do braço esticado). Para baixo e para a esquerda está o coração de Hidra, a alaranjada Alphard. A cauda de Hidra estica-se até Balança a sudeste. "Transporta" as constelações de Taça e Corvo às suas costas. O padrão atual de Hidra, desde a cabeça até à ponta da cauda, mede 95º. É mais do que um-quarto da esfera celeste. Nenhuma outra constelação é tão longa. Até a figura do rio Erídano mede só 66º de ponta a ponta.

 

DIA 29/04: 120.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1715, John Flamsteed observa Úrano pela sexta vez.

Em 1861, R. Luther descobre o asteroide Leto (68).
Em 1872, nascia Forest Ray Moulton, astrónomo americano que, juntamente com Thomas Chamberlin, formulou a hipótese planetesimal Chamberlin-Moulton, que dizia que os planetas coalesceram a partir de corpos mais pequenos que chamaram planetesimais. A sua hipótese necessitava da passagem de uma outra estrela para despoletar esta condensação, um conceito que já caiu em desuso. Moulton também propôs que alguns dos satélites de Júpiter eram planetesimais capturados. Esta teoria foi bem aceite pelos astrónomos, bem como o termo planetesimal. 
Em 1902, M. Wolf descobre o asteroide Pittsburghia (484).
Em 1921, B. Jekhovsky descobre o asteroide Painleva (953).
Em 1930, C. Jackson descobre o asteroide Libya (1268).
Em 1985, lançamento da missão STS-51-B, do vaivém espacial Challenger
Em 1998 são realizadas as primeiras cirurgias bem-sucedidas no espaço, usando como pacientes ratinhos com três semanas a bordo do vaivém espacial Columbia, na missão STS-90.
HOJE, NO COSMOS:
Vega, a Estrela de Verão, de brilho idêntico ao de Arcturo, brilha agora baixa a nordeste após o cair da noite... dependendo da latitude do observador. Quanto mais para norte estiver o observador, mais alta estará.

 
 
   
Estrela morta ilumina galáxia próxima
 
Uma parte do céu medida pelo detetor de raios gama do satélite INTEGRAL da ESA. O céu contém muitas "manchas" azuis. Mas uma das manchas é muito mais brilhante do que as outras, sinal de um poderoso evento em raios gama. Determinou-se que o sinal era oriundo da galáxia M82. As inserções mostram imagens por outros telescópios que não detetaram qualquer sinal noutros comprimentos de onda, o que significa que a explosão de raios gama era proveniente de um magnetar.
Crédito: ESA/Integral, ESA/XMM-Newton, INAF/TNG, M. Rigoselli (INAF)
 

Enquanto o INTEGRAL da ESA observava o céu, este detetou subitamente uma explosão de raios gama provenientes da galáxia vizinha M82. Apenas algumas horas mais tarde, o XMM-Newton da ESA procurou o brilho remanescente da explosão, mas não o encontrou. Os astrónomos perceberam que a explosão deve ter sido uma erupção extragalática de um magnetar, uma jovem estrela de neutrões com um campo magnético excecionalmente forte.

Um sinal curioso de uma galáxia próxima

No passado mês de novembro de 2023, o INTEGRAL da ESA detetou uma súbita explosão de um objeto raro. Durante apenas um-décimo de segundo, uma curta explosão de raios gama energéticos surgiu na direção da brilhante galáxia M82.

Os dados do satélite foram recebidos no Centro de Dados Científicos INTEGRAL em Genebra, de onde foi enviado um alerta de explosão de raios gama para os astrónomos de todo o mundo, apenas 13 segundos após a sua deteção. O software IBAS (INTEGRAL Burst Alert System) deu uma localização automática que coincidia com a vizinha galáxia M82.

Agora cabia aos astrónomos descobrir o que tinha acontecido; seria esta uma das explosões de raios gama mais comuns ou uma rara ocasião de uma erupção gigante de um magnetar?

"Apercebemo-nos imediatamente de que se tratava de um alerta especial. As explosões de raios gama vêm de longe e de qualquer parte do céu, mas esta explosão veio de uma galáxia próxima e brilhante", explica Sandro Mereghetti do INAF-IASF (Istituto Nazionale di AstroFisica - Istituto di Astrofisica Spaziale e Fisica Cosmica) em Milão, Itália, autor principal de um artigo científico sobre esta descoberta.

A equipa solicitou ao telescópio espacial XMM-Newton da ESA que fizesse uma observação de seguimento da localização da explosão o mais rapidamente possível. Se se tratasse de uma explosão curta de raios gama, causada pela colisão de duas estrelas de neutrões, esta teria criado ondas gravitacionais e teria um brilho remanescente em raios X e no visível.

"As observações do XMM-Newton apenas mostraram o gás quente e as estrelas da galáxia. Se esta explosão tivesse sido uma curta explosão de raios gama, teríamos visto uma fonte de raios X a desvanecer-se nesta localização, mas este brilho remanescente não estava presente", acrescenta a coautora Michela Rigoselli do INAF.

"Utilizando telescópios óticos terrestres, incluindo o italiano TNG (Telescopio Nazionale Galileo) e o Observatório de Haute-Provence, na França, procurámos um sinal no visível, com início apenas algumas horas após a explosão, mas mais uma vez não encontrámos nada. Sem sinal em raios X e no visível, e sem ondas gravitacionais medidas por detetores na Terra (LIGO/VIRGO/KAGRA), temos a certeza de que o sinal veio de um magnetar", conclui Sandro.

Jan-Uwe Ness, cientista do projeto INTEGRAL da ESA, explica: "Quando observações inesperadas como esta são detetadas, o INTEGRAL e o XMM-Newton podem ser flexíveis nos seus horários, o que é essencial em descobertas cruciais em termos de tempo. Neste caso, se as observações tivessem sido realizadas apenas um dia mais tarde, não teríamos evidências tão fortes de que se tratava de um magnetar e não de uma explosão de raios gama."

Magnetares: mega-magnéticos, mortos recentemente

 
Impressão de artista de um magnetar.
Os magnetares são os objetos cósmicos com os mais fortes campos magnéticos alguma vez medidos no Universo. São pulsares extremamente magnetizados - os remanescentes quentes e densos de estrelas massivas que expelem radiação energética em surtos impulsivos e surtos mais longos em escalas de tempo de milissegundos a anos.
Crédito: ESA
 

Quando estrelas mais massivas do que oito sóis morrem, explodem numa supernova que deixa para trás um buraco negro ou uma estrela de neutrões. As estrelas de neutrões são remanescentes estelares muito compactos, com mais do que a massa do Sol comprimida numa esfera com o tamanho de uma cidade. Giram rapidamente e têm fortes campos magnéticos.

"Algumas estrelas de neutrões jovens têm campos magnéticos muito fortes, mais de 10.000 vezes superiores aos das estrelas de neutrões típicas. São os chamados magnetares. Emitem energia em erupções e, ocasionalmente, estas erupções são gigantescas", esclarece Ashley Chrimes, investigador da ESA.

No entanto, nos últimos 50 anos de observações de raios gama, só foram vistas três explosões gigantes de magnetares na nossa Galáxia. Estas explosões são muito fortes: uma, detetada em dezembro de 2004 e a uma distância de 30.000 anos-luz, foi suficientemente poderosa para afetar as camadas superiores da atmosfera da Terra. Como as erupções solares, que vêm de muito mais perto de nós, a influenciam.

"A erupção detetada pelo INTEGRAL é a primeira confirmação de um magnetar fora da Via Láctea. Suspeitamos que algumas das outras 'explosões curtas de raios gama' que o INTEGRAL e outros satélites revelaram são também explosões gigantes de magnetares," continua Sandro.

"Esta descoberta abre a nossa busca por outros magnetares extragaláticos. Se conseguirmos encontrar muitos mais, podemos começar a compreender a frequência com que estas explosões ocorrem e como é que estas estrelas perdem energia no processo", acrescenta Ashley.

"No entanto, explosões de tão curta duração só podem ser captadas por acaso, quando um observatório já está a apontar na direção certa. Isto faz com que o INTEGRAL, com o seu grande campo de visão, mais de 3000 vezes maior do que a área do céu coberta pela Lua, seja tão importante para estas deteções," sublinha Jan-Uwe.

M82 é uma galáxia brilhante onde ocorre formação estelar. Nestas regiões nascem estrelas massivas, têm uma vida curta e turbulenta e deixam para trás uma estrela de neutrões. A descoberta de um magnetar nesta região confirma que os magnetares são provavelmente jovens estrelas de neutrões. A procura de mais magnetares vai continuar noutras regiões de formação estelar, a fim de compreender estes extraordinários objetos astronómicos.

// ESA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Genebra (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
SPACE.com
ScienceDaily
PHYSORG
National Geographic
Reuters
SIC Notícias
Ars Technica

GRB:
Wikipedia

Magnetar:
Wikipedia
AstronomyOnline.org

Estrela de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Messier 82 (M82):
SEDS
Wikipedia

INTEGRAL (INTErnational Gamma-Ray Astrophysics Laboratory):
ESA
Wikipedia

Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia

TNG (Telescopio Nazionale Galileo):
INAF
Wikipedia

Observatório de Haute-Provence:
Página principal
Wikipedia

 
   
Novas observações do Telescópio Webb revelam que os buracos negros "desligam" rapidamente a formação estelar em galáxias massivas
 
Imagem, gerada por IA (inteligência artificial) de uma galáxia onde um buraco negro supermassivo impulsiona um fluxo de gás que retira a matéria-prima necessária para a formação estelar, levando à sua extinção.
Crédito: Image Creator - Copilot Designer
 

Uma nova investigação publicada na revista Nature apresenta novas observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST) que sugerem que os buracos negros impedem rapidamente a formação de estrelas em galáxias massivas, removendo de forma explosiva grandes quantidades de gás.

A equipa internacional descobriu que mais de 90% do vento galáctico é constituído por gás neutro, pelo que era praticamente invisível em estudos anteriores. Este trabalho é a primeira confirmação direta de que os buracos negros supermassivos são capazes de "desligar" as galáxias.

A diferença entre este novo estudo e os anteriores reside no tipo de gás observado: até agora só era possível detetar gás ionizado, que é quente, ao passo que o JWST conseguiu detetar também gás neutro, que é frio.

A Dra. Rebecca Davies, do Centro de Astrofísica e Supercomputação da Universidade de Tecnologia de Swinburne, liderou a equipa australiana por detrás desta descoberta e ajudou a encontrar o poderoso fluxo de gás impulsionado pelo buraco negro numa galáxia massiva distante com um nível muito baixo de formação estelar.

"O fluxo está a remover gás mais rapidamente do que o gás está a ser convertido em estrelas, o que indica que o fluxo é suscetível de ter um impacto muito significativo na evolução da galáxia. As nossas descobertas fornecem novas evidências que indicam que os fluxos de gás impulsionados por buracos negros são capazes de parar rapidamente ou 'extinguir' a formação estelar em galáxias massivas."

Quando a formação estelar é extinta, significa que uma galáxia deixou de formar estrelas. Representa a transformação entre uma galáxia que está ativamente a formar estrelas, permitindo-lhe crescer e mudar, e uma galáxia que está "morta" e estática. A extinção é, portanto, um processo fundamental no ciclo de vida das galáxias. No entanto, os astrónomos ainda não compreendem em pormenor o que leva as galáxias a deixarem de formar estrelas.

Juntamente com investigadores de renome internacional, nomeadamente o autor principal Sirio Belli da Universidade de Bolonha, a Dra. Davies estudou uma galáxia situada a uma enorme distância da Terra, cuja luz demorou mais de dez mil milhões de anos a chegar até nós.

Os núcleos galácticos ativos (NGAs) - buracos negros supermassivos que consomem grandes quantidades de gás - podem impulsionar fluxos nas galáxias. Os NGAs mais poderosos impulsionam fluxos de gás muito massivos que podem remover todo o gás das galáxias que os acolhem num período de tempo relativamente "curto" e provocar a cessação da formação estelar.

"O JWST permitiu-nos observar a fase de gás neutro e mais frio dos fluxos normais dos NGAs em galáxias distantes. Na galáxia estudada, descobrimos que a taxa de escoamento na fase neutra era cerca de 100 vezes maior do que a taxa de escoamento na fase ionizada, revelando assim uma grande quantidade de massa que era anteriormente invisível."

A Dra. Davies diz que o JWST pode ser usado para detetar uma fração muito maior dos fluxos, enquanto que as anteriores observações de gás ionizado só conseguiam detetar cerca de um por cento.

"Antes do JWST, estávamos apenas a ver a ponta do icebergue no que diz respeito à massa dos fluxos".

A equipa está entusiasmada com o que poderá descobrir ao analisar mais galáxias no futuro.

// Universidade de Tecnologia de Swinburne (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)

 


Quer saber mais?

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Extinção:
Wikipedia

Formação estelar:
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Programas DD-ERS do Webb (STScI)
Ciclo 2 GO do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
A descoberta de como o potássio é destruído nas estrelas é importante para a compreensão do Universo
 
Os enxames globulares, como NGC 2419, visível nesta imagem obtida pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, não são apenas bonitos, mas também fascinantes. São grupos esféricos de estrelas que orbitam o centro de uma galáxia; no caso de NGC 2419, essa galáxia é a Via Láctea. NGC 2419 encontra-se a cerca de 300.000 anos-luz do Sistema Solar, na direção da constelação do Lince.
Crédito: ESA/Hubble e NASA, S. Larsen et al.
 

Se quisermos saber de onde vêm os elementos químicos, há que olhar para as estrelas. Quase todos os elementos mais pesados que o hélio são formados através de reações nucleares nas estrelas. Mas que processos estelares são responsáveis por estes elementos? Será que podemos encontrar padrões na quantidade de cada elemento que observamos em diferentes ambientes astrofísicos, como estrelas, galáxias ou enxames globulares?

Recentemente, uma equipa de investigadores da Universidade do Estado da Carolina do Norte, nos EUA, focou-se no processo de destruição do potássio (K) em enxames globulares, analisando um enxame em particular: NGC 2419.

Os enxames globulares são grupos de estrelas ligadas gravitacionalmente. Os astrónomos observaram padrões claros nas quantidades relativas de diferentes elementos de estrela para estrela. Um desses padrões é entre o oxigénio e o sódio: as estrelas dos enxames globulares que têm mais sódio têm menos oxigénio, e vice-versa. Isto é conhecido como a anticorrelação sódio-oxigénio (Na-O). Foram também descobertas várias outras anticorrelações, o que indica que ocorrem processos únicos (por vezes desconhecidos) em enxames globulares específicos.

Em 2012, a primeira anticorrelação magnésio-potássio (Mg-K) foi descoberta num enxame globular específico, de nome NGC 2419. Um excedente global de potássio foi associado a reações de queima de hidrogénio a temperaturas entre 80 e 260 milhões K.

Mas o mais intrigante é que as estrelas do enxame que mostraram esta anticorrelação são estrelas gigantes vermelhas relativamente jovens. Os núcleos destas estrelas não deveriam ser suficientemente quentes para que as reações nucleares alterassem a quantidade de Mg e K. A principal teoria envolvia a mistura com K e Mg de estrelas antigas do enxame, mas o que permaneceu incerto foi a velocidade da reação de destruição do potássio.

Assim, a equipa tentou recriar a reação de destruição do potássio realizando uma experiência sobre uma reação nuclear semelhante (39K + 3He -> 40Ca + d), no TUNL (Triangle Universities Nuclear Laboratory). Não nos deixemos confundir por todas estas letras e números - passando a explicar.

Esta reação é uma reação de transferência de protões, em que um protão do hélio-3 (3He) é transferido para o potássio-39 (39K), formando cálcio-40 (40Ca). Esta reação experimental permite imitar a reação real que ocorre numa estrela onde o potássio é destruído.

Descobriu-se que o potássio não só pode ser destruído a temperaturas mais baixas, como é destruído 13 vezes mais depressa do que se pensava a essas temperaturas.

Esta descoberta poderá alterar a forma como modelamos a criação de elementos nas estrelas - não só para este caso específico de NGC 2419, mas também para outros modelos astrofísicos que incluam reações sobre o potássio.

// Universidade do Estado da Carolina do Norte (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Physical Review Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Nucleossíntese estelar:
Wikipedia

NGC 2419:
SEDS
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Novos filmes de Cassiopeia A e da Nebulosa do Caranguejo (via Chandra/Harvard)
Novos filmes de dois dos mais famosos objetos do céu - a Nebulosa do Caranguejo e Cassiopeia A - foram divulgados pelo Observatório de Raios X Chandra da NASA. Cada um deles inclui dados de raios X recolhidos pelo Chandra ao longo de cerca de duas décadas. Mostram mudanças dramáticas nos detritos e na radiação que restam após a explosão de duas estrelas massivas na nossa Galáxia. Ler fonte
     
  Investigadores detetam novas molécula no espaço (via MIT)
A molécula, 2-metoxietanol, foi detetada através de observações radiotelescópicas nas regiões de formação de estelar NGC 6334I e IRAS 16293-2422B. A equipa utilizou espetroscopia rotacional, analisando os padrões de luz únicos emitidos pelas moléculas à medida que giram no espaço, semelhantes a impressões digitais. Confirmaram a presença do 2-metoxietanol fazendo corresponder a sua assinatura espetral observada a partir da Terra com os dados recolhidos pelo telescópio ALMA. Esta descoberta lança luz sobre a complexidade molecular durante a formação estelar e fornece informações sobre os percursos da química interestelar. Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
Nebulosa de Emissão Bipolar Ovo de Dragão

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Rowan Prangley
 
Como é que uma estrela formou esta bela nebulosa? No meio da nebulosa de emissão NGC 6164 encontra-se uma estrela invulgarmente massiva. A estrela central tem sido comparada a uma pérola de ostra e a um ovo protegido pelos míticos dragões celestes de Ara. A estrela, visível no centro da imagem em destaque e catalogada como HD 148937, é tão quente que a luz ultravioleta que emite aquece o gás que a rodeia. Esse gás foi provavelmente expulso da estrela anteriormente, possivelmente como resultado de uma interação gravitacional com uma companheira estelar. O material expelido pode ter sido canalizado pelo campo magnético da estrela massiva, criando assim a forma simétrica da nebulosa bipolar. NGC 6164 estende-se por cerca de quatro anos-luz e está localizada a cerca de 3600 anos-luz de distância, na direção da constelação do hemisfério sul do Esquadro (Norma).
 
   
Arquivo | CCVAlg - Astronomia | Feed RSS | Contacte o Webmaster | Remover da lista
 
         
         
   
Centro Ciência Viva do Algarve
Rua Comandante Francisco Manuel
8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
Telemóvel: 962 422 093
E-mail: info@ccvalg.pt
Centro Ciência Viva de Tavira
Convento do Carmo
8800-311, Tavira
Portugal
Telefone: 281 326 231
Telemóvel: 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
   

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um caráter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML e classes CSS - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente de webmail suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook ou outras apps para leitura de mensagens eletrónicas.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve e do Centro Ciência Viva de Tavira. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando o webmaster.

Esta mensagem destina-se unicamente a informar e está de acordo com as normas europeias de proteção de dados (ver RGDP), conforme Declaração de Privacidade e Tratamento de dados pessoais.

2024 - Centro Ciência Viva do Algarve | Centro Ciência Viva de Tavira

ccvalg.pt cvtavira.pt