DIA 18/10: 292.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 320, Pappus de Alexandria, um filósofo grego, observa um eclipse do Sol e escreve um comentário no Almagest.
Em 1959, a sonda soviética Luna 3 envia as primeiras fotos do outro lado da Lua.
Em 1967, a sonda soviética Venera 4 entra na atmosfera de Vénus e torna-se na primeira a medir a atmosfera de outro planeta.
Em 1977, Charles Kowal descobre Quíron, o primeiro de uma população de pequenos objetos gelados, conhecida como centauros, que reside no Sistema Solar exterior.
Em 1989, a sonda Galileu era lançada a partir da missão STS-34.
Em 2019, as astronautas da NASA Jessica Meir e Christina Koch fazem o primeiro passeio espacial totalmente realizado por mulheres, quando se aventuram fora da Estação Espacial Internacional para substituir um controlador de energia. HOJE, NO COSMOS:
Depois da hora de jantar, o Grande Quadrado de Pégaso está bem alto a sudeste - e está a inclinar-se no sentido do movimento dos ponteiros do relógio para ficar mais nivelado como um quadrado. O outono está a avançar.
A aresta direita do Quadrado aponta para baixo até Fomalhaut, a cerca de quatro punhos à distância do braço esticado. A sua aresta esquerda aponta mais perto, mas não tão diretamente, para Beta Ceti (Diphda ou Deneb Kaitos). Fomalhaut é uma estrela de primeira magnitude, Beta Ceti de segunda.
DIA 19/10: 293.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1900, Max Planck descobre uma nova teoria quântica (lei de Planck).
A sua teoria revoluciona a ciência.
Em 1983, a Academia Real Sueca atribui o prémio Nobel da Física ao professor Subrahmanyan Chandrasekhar da Universidade de Chicago, EUA, pelos seus estudos teóricos dos processos físicos da estrutura e evolução das estrelas. O Professor William A. Fowler, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, por outro lado, recebe também o prémio pelos seus estudos teóricos e experimentais das reações nucleares e da importância da formação dos elementos químicos no Universo.
Em 2014, o cometa Siding Spring passa a 140.000 km de Marte. HOJE, NO COSMOS:
A Lua, agora a minguar, segue poucos graus atrás das delicadas estrelas do enxame das Plêiades à medida que viajam pelo céu esta noite. Use a ponta de um dedo para bloquear o brilho do nosso satélite natural.
Aldebarã e Júpiter seguem a Lua, um pouco mais para trás.
DIA 20/10: 294.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1891, nascia James Chadwick, físico inglês que em 1935 ganhou o Prémio Nobel da Física pela sua descoberta do neutrão (efetuada em 1932).
Em 2003, a Grande Muralha Sloan, que já foi a maior estrutura cósmica conhecida pela humanidade, é descoberta por estudantes da Universidade de Princeton. HOJE, NO COSMOS:
A chuva de meteoros das Oriónidas deve atingir o seu pico esta noite e amanhã, mas a Lua interfere bastante nas observações.
O radiante da chuva encontra-se a este da ténue moca de Orionte, entre Betelgeuse e os pés de Gémeos.
Mesmo que a chuva desaponte, pode certamente avistar Pollux, Marte e Procyon a formar uma linha reta, naquela ordem e a contar de cima à esquerda para baixo à direita. Os três astros têm brilhos mais ou menos idênticos: magnitudes 1,1, 0,3 e 0,4, respetivamente. Pollux está três vezes mais perto de Marte no céu do que Procyon. Marte está a mover-se rapidamente para este contra
o fundo estelar. Amanhã esta linha já não estará tão direita.
DIA 21/10: 295.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1959, o presidente norte-americano Dwight D. Eisenhower assina uma ordem executiva transferindo Wernher von Braun e outros cientistas alemães do Exército dos EUA para a NASA.
Em 1965, o cometa Ikeya-Seki aproxima-se do periélio, passando a 450.000 km do Sol.
Em 2003 foram tiradas as imagens do planeta anão Eris que conduziram à sua descoberta subsequente feita pelos astrónomos Michael E. Brown, Chad Trujillo e David L. Rabinowitz. HOJE, NO COSMOS:
Vem aí o "Halloween" e, assim sendo, Arcturo, a estrela que brilha baixa a oeste-noroeste ao anoitecer, está a tomar o seu lugar como o "Fantasma dos Sóis de Verão". O que é que isto significa? Ao longo de vários dias que rodeiam 25 de outubro, todos os anos, Arcturo ocupa um lugar muito especial acima do horizonte. Marca com grande precisão o local onde o Sol esteve à mesma hora, durante os quentes meses de junho e julho - em plena luz do dia, claro. Assim, com o aproximar do "Halloween", podemos ver Arcturo como o frio fantasma do Sol de verão.
Finalmente revelada a origem da maioria dos meteoritos
Ilustração de um asteroide da cintura principal de asteroides.
Crédito: Adobe Stock
Uma equipa internacional liderada por três investigadores do CNRS (Centre national de la recherche scientifique), do ESO e da Universidade Carlos de Praga (Chéquia) demonstrou com sucesso que 70% de todas as quedas de meteoritos conhecidas têm origem em apenas três famílias de asteroides jovens. Estas famílias foram produzidas por três colisões recentes que ocorreram na cintura principal de asteroides há 5,8, 7,5 e cerca de 40 milhões de anos. A equipa também revelou as fontes de outros tipos de meteoritos; com esta investigação, a origem de mais de 90% dos meteoritos foi agora identificada. Esta descoberta foi detalhada em três artigos científicos, um primeiro publicado dia 13 de setembro na revista Astronomy & Astrophysics e dois novos artigos científicos publicados dia 16 de outubro na revista Nature.
Uma equipa internacional de investigadores demonstrou que 70% de todas as quedas de meteoritos conhecidas têm origem em três famílias de asteroides jovens (famílias Karin, Koronis e Massalia) formadas por colisões na cintura principal de asteroides há 5,8, 7,5 e cerca de 40 milhões de anos. Em particular, a família Massalia foi identificada como a fonte de 37% dos meteoritos conhecidos.
Embora se conheçam mais de 70.000 meteoritos, apenas 6% foram claramente identificados pela sua composição (acondritos) como provenientes da Lua, Marte ou Vesta, um dos maiores asteroides da cintura principal. A fonte dos outros 94% dos meteoritos, a maioria dos quais são condritos comuns, permaneceu não identificada.
Porque é que estas três jovens famílias são a fonte de tantos meteoritos?
Isto pode ser explicado pelo ciclo de vida das famílias de asteroides. As famílias jovens são caracterizadas por uma abundância de pequenos fragmentos resultantes de colisões. Esta abundância aumenta o risco de colisões entre fragmentos e, associada à sua grande mobilidade, à sua fuga da cintura, possivelmente em direção à Terra. As famílias de asteroides produzidas por colisões mais antigas, por outro lado, são fontes "esgotadas" de meteoritos. A abundância de pequenos fragmentos que outrora as constituíam desgastou-se naturalmente e acabou por desaparecer após dezenas de milhões de anos de colisões sucessivas e da sua evolução dinâmica. Assim, Karin, Koronis e Massalia coexistirão inevitavelmente com novas fontes de meteoritos provenientes de colisões mais recentes e acabarão por lhes dar lugar.
O meteorito El Médano 128, um condrito comum (grupo L), encontrado no Deserto do Atacama em 2011.
Crédito: Jérôme Gattacceca, CNRS, CEREGE
Um método para rastrear a árvore genealógica dos meteoritos e dos asteroides
Esta descoberta histórica foi possível graças a um levantamento telescópico da composição de todas as principais famílias de asteroides da cintura principal, combinado com simulações computacionais de última geração da evolução colisional e dinâmica destas famílias principais. Esta abordagem foi alargada a todas as famílias de meteoritos, revelando as fontes primárias dos condritos carbonáceos e acondritos, que se juntam aos da Lua, Marte e Vesta.
Graças a esta investigação, foi possível identificar a origem de mais de 90% dos meteoritos. Permitiu igualmente identificar a origem de asteroides de dimensão quilométrica (tamanho que ameaça a vida na Terra). Estes objetos são foco de numerosas missões espaciais (NEAR Shoemaker, Hayabusa1, Chang'E 2, Hayabusa2, OSIRIS-Rex, DART, Hera, etc.). Em particular, parece que os asteroides Ryugu e Bennu, com amostras recentemente capturadas pelas missões Hayabusa2 (JAXA) e OSIRIS-REx (NASA), respetivamente, e estudados em laboratórios de todo o mundo, derivam do mesmo asteroide progenitor da família Polana.
A origem dos restantes 10% dos meteoritos conhecidos está ainda por determinar. Para remediar esta situação, a equipa planeia continuar a sua investigação, desta vez concentrando-se na caracterização de todas as famílias jovens que se formaram há menos de 50 milhões de anos.
São gémeas! Resolvido o mistério de uma famosa anã castanha
Esta ilustração destaca um par de anãs castanhas gémeas recentemente descobertas, designadas Gliese 229 Ba e Gliese 229 Bb. Gliese 229 B, descoberta em 1995, foi a primeira anã castanha confirmada, mas até agora os astrónomos pensavam estar a observar um único corpo e não dois. Novas observações do VLT (Very Large Telescope) do ESO, no Chile, revelaram que o objeto é afinal duas anãs castanhas que se orbitam uma à outra outra a cada 12 dias (como indicado pelas linhas orbitais laranja e azul), com uma separação apenas 16 vezes maior do que a distância entre a Terra e a Lua. O par de anãs castanhas orbita uma estrela anã M fria a cada 250 anos.
Crédito: K. Miller, R. Hurt (Caltech/IPAC)
Desde a sua descoberta em 1995, por investigadores do Caltech no Observatório Palomar, que já foram escritos centenas de artigos científicos acerca da primeira anã castanha conhecida, Gliese 229 B. Mas ainda persistia um mistério premente no que toca a este objeto: é demasiado fraca para a sua massa. As anãs castanhas são mais leves do que as estrelas e mais massivas do que os gigantes gasosos como Júpiter. E embora os astrónomos tenham medido a massa de Gliese 229 B como sendo cerca de 70 vezes superior à de Júpiter, um objeto com essa massa deveria brilhar mais do que o observado pelos telescópios.
Agora, uma equipa internacional de astrónomos liderada pelo Caltech resolveu finalmente esse mistério: a anã castanha é, na verdade, um par de anãs castanhas muito íntimas, com cerca de 38 e 34 vezes a massa de Júpiter, que giram em torno uma da outra a cada 12 dias. Os níveis de brilho observados no par correspondem ao que se espera de duas pequenas anãs castanhas ténues com esta massa.
"Gliese 229 B era considerada a anã castanha modelo", diz Jerry W. Xuan, estudante que trabalha com Dimitri Mawet, professor de astronomia. "E agora sabemos que estivemos sempre errados acerca da natureza do objeto. Não se trata de uma, mas de duas. Só que até agora não tínhamos sido capazes de sondar separações tão pequenas". Xuan é o autor principal de um novo estudo que relata as descobertas na revista Nature. Um outro estudo independente, publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, liderado por Sam Whitebook, estudante do Caltech, e Tim Brandt, astrónomo associado do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, EUA, também concluiu que Gliese 229 B é um par de anãs castanhas.
A descoberta leva a novas questões sobre a formação de pares de anãs castanhas tão unidos como este e sugere que anãs castanhas binárias semelhantes - ou mesmo exoplanetas binários - podem estar à espera de serem encontrados (um exoplaneta é um planeta que orbita uma estrela que não o nosso Sol).
"Esta descoberta de que Gliese 229 B é binária não só resolve a recente tensão observada entre a sua massa e luminosidade, mas também aprofunda significativamente a nossa compreensão das anãs castanhas, que se situam na linha entre estrelas e planetas gigantes", diz Mawet, que é também investigador no JPL.
Gliese 229 B foi descoberta em 1995 por uma equipa do Caltech que incluía Rebecca Oppenheimer, na altura estudante do Caltech; Shri Kulkarni, professor de astronomia e ciência planetária; Keith Matthews, especialista em instrumentos do Caltech; e outros colegas. Os astrónomos usaram o Observatório Palomar para descobrir que Gliese 229 B possuía metano na sua atmosfera - um fenómeno típico de gigantes gasosos como Júpiter, mas não de estrelas. Esta descoberta marcou a primeira deteção confirmada de uma classe de objetos frios semelhantes a estrelas, de nome anãs castanhas - o elo perdido entre planetas e estrelas - que tinha sido teorizada cerca de 30 anos antes.
"Ver o primeiro objeto mais pequeno do que uma estrela a orbitar outro sol foi emocionante", diz Oppenheimer, que participa no novo estudo e trabalha no Museu Americano de História Natural. "Na altura, deu início a uma 'indústria caseira' de pessoas que procuravam objetos estranhos como este, mas permaneceu um enigma durante décadas".
De facto, quase 30 anos após a sua descoberta e centenas de observações depois, Gliese 229 B continuava a intrigar os astrónomos com o seu inesperado brilho fraco. Os cientistas suspeitavam que Gliese 229 B pudesse ser um par de anãs castanhas, mas "para escapar à descoberta durante 30 anos, as duas anãs castanhas teriam de estar muito próximas uma da outra", diz Xuan.
Para resolver Gliese 229 B em dois objetos, a equipa utilizou dois instrumentos diferentes, ambos acoplados ao VLT (Very Large Telescope) do ESO, no Chile. Usaram o instrumento GRAVITY, um interferómetro que combina a luz de quatro telescópios diferentes, para resolver espacialmente o corpo em dois, e usaram o instrumento CRIRES+ (CRyogenic high-resolution InfraRed Echelle Spectrograph) para detetar assinaturas espetrais distintas dos dois objetos. O último método envolveu a medição do movimento (ou efeito Doppler) das moléculas na atmosfera das anãs castanhas, o que indicou que um corpo se dirigia na direção da Terra e o outro na direção oposta - e vice-versa, à medida que o par se orbitava um ao outro.
"É muito bom ver que, quase 30 anos depois, houve um novo desenvolvimento", diz Kulkarni, que não é autor do artigo científico atual. "Agora este sistema binário volta a surpreender".
Estas observações, feitas ao longo de cinco meses, mostraram que a dupla de anãs castanhas, agora com o nome Gliese 229 Ba e Gliese 229 Bb, orbitam-se uma à outra a cada 12 dias com uma separação apenas 16 vezes maior do que a distância entre a Terra e a Lua. O par ainda orbita uma estrela anã M (uma estrela mais pequena e mais vermelha do que o nosso Sol) de 250 em 250 anos.
"Estes dois mundos que giram à volta um do outro têm um raio mais pequeno do que o de Júpiter. Teriam um aspeto muito estranho no nosso céu noturno se tivéssemos algo semelhante no nosso Sistema Solar", diz Oppenheimer. "Esta é a mais excitante e fascinante descoberta na astrofísica subestelar das últimas décadas".
A forma como este par de objetos cósmicos rodopiantes surgiu é ainda um mistério. Algumas teorias dizem que os pares de anãs castanhas podem formar-se nos discos de matéria que rodeiam uma estrela em formação. O disco fragmentar-se-ia em duas "sementes" de anãs castanhas, que se ligariam gravitacionalmente após um encontro próximo. Resta saber se estes mesmos mecanismos de formação funcionam para formar pares de planetas à volta de outras estrelas.
No futuro, a equipa gostaria de procurar anãs castanhas binárias em órbitas ainda mais íntimas com instrumentos como o KPIC (Keck Planet Imager and Characterizer), que foi desenvolvido por uma equipa liderada por Mawet no Observatório W. M. Keck no Hawaii, bem como o futuro HISPEC (High-resolution Infrared SPectrograph for Exoplanet Characterization) do Observatório Keck, que está em construção no Caltech e noutros laboratórios por uma equipa liderada por Mawet.
"O facto da primeira anã castanha conhecida ser afinal um par de duas anãs castanhas é um bom presságio para os esforços que estão em curso para encontrar mais", diz Xuan.
Novas informações sobre a forma como Marte se tornou inabitável
Ilustração de um Marte antigo com água líquida (áreas azuis) à superfície. Regiões antigas de Marte apresentam sinais de água abundante - tais como características que se assemelham a vales e deltas, e minerais que só se formam na presença de água líquida. Os cientistas pensam que há milhares de milhões de anos atrás, a atmosfera de Marte era muito mais densa e quente o suficiente para formar rios, lagos e talvez até oceanos. À medida que o planeta arrefecia e perdia o seu campo magnético global, o vento solar e as tempestades solares corroeram para o espaço uma quantidade significativa da atmosfera do planeta, transformando Marte no deserto frio e árido que vemos hoje.
Crédito:
NASA/MAVEN/LPI
O rover Curiosity da NASA, que explora atualmente a cratera Gale em Marte, está a fornecer novos detalhes sobre como o antigo clima marciano passou de potencialmente adequado à vida - com evidências de água líquida generalizada à superfície - para uma superfície inóspita à vida tal como a conhecemos.
Embora a superfície de Marte seja frígida e hostil à vida hoje em dia, os exploradores robóticos da NASA em Marte estão à procura de pistas sobre se poderia ter suportado vida num passado distante. Os investigadores utilizaram instrumentos a bordo do Curiosity para medir a composição isotópica de minerais ricos em carbono (carbonatos) encontrados na cratera Gale e descobriram novas perspetivas sobre a forma como o antigo clima do Planeta Vermelho se transformou.
"Os valores isotópicos destes carbonatos apontam para quantidades extremas de evaporação, sugerindo que estes carbonatos se formaram provavelmente num clima que só podia suportar água líquida transiente", disse David Burtt do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, e autor principal de um artigo científico que descreve esta investigação publicado no passado dia 7 de outubro na revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences). "As nossas amostras não são consistentes com um ambiente antigo com vida (biosfera) na superfície de Marte, embora isto não exclua a possibilidade de uma biosfera subterrânea ou de uma biosfera à superfície que começou e terminou antes da formação destes carbonatos".
Os isótopos são versões de um elemento com massas diferentes. À medida que a água se evaporava, as versões leves de carbono e oxigénio tinham maior probabilidade de escapar para a atmosfera, enquanto as versões pesadas eram deixadas para trás com maior frequência, acumulando-se em abundâncias mais elevadas e, neste caso, acabando por ser incorporadas nas rochas carbonatadas. Os cientistas estão interessados nos carbonatos devido à sua capacidade comprovada de agirem como registos climáticos. Estes minerais podem reter assinaturas dos ambientes em que se formaram, incluindo a temperatura e a acidez da água, a composição da água e da atmosfera.
O artigo científico propõe dois mecanismos de formação para os carbonatos encontrados na cratera Gale. No primeiro cenário, os carbonatos são formados através de uma série de ciclos húmidos-secos na cratera Gale. No segundo, os carbonatos são formados em água muito salgada sob condições frias e de formação de gelo (criogénicas) na cratera Gale.
"Estes mecanismos de formação representam dois regimes climáticos diferentes que podem apresentar diferentes cenários de habitabilidade", disse Jennifer Stern do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, coautora do artigo científico. "O ciclo húmido-seco indicaria uma alternância entre ambientes mais e menos habitáveis, enquanto que as temperaturas criogénicas nas latitudes médias de Marte indicariam um ambiente menos habitável, onde a maior parte da água está presa no gelo e não está disponível para a química ou para a biologia, e a que existe é extremamente salgada e desagradável para a vida".
Estes cenários climáticos para um Marte antigo já tinham sido propostos anteriormente, com base na presença de certos minerais, em modelos à escala global e na identificação de formações rochosas. Este resultado é o primeiro a acrescentar evidências isotópicas de amostras de rocha para apoiar os cenários.
Os valores dos isótopos pesados nos carbonatos marcianos são significativamente mais elevados do que os observados na Terra para os minerais de carbonato e são os valores de isótopos de carbono e oxigénio mais pesados registados para quaisquer materiais em Marte. De facto, segundo a equipa, tanto o clima húmido-seco como o clima frio-salgado são necessários para formar carbonatos tão enriquecidos em carbono e oxigénio pesados.
"O facto de estes valores dos isótopos de carbono e oxigénio serem mais elevados do que qualquer outro valor medido na Terra ou em Marte aponta para um processo (ou processos) levado ao extremo", disse Burtt. "Embora a evaporação possa causar alterações significativas nos isótopos de oxigénio na Terra, as alterações medidas neste estudo foram duas a três vezes maiores. Isto significa duas coisas: 1) houve um grau extremo de evaporação que levou estes valores isotópicos a serem tão elevados, e 2) estes isótopos pesados foram preservados, pelo que quaisquer processos que criassem valores isotópicos mais leves devem ter sido significativamente menores em magnitude".
Esta descoberta foi feita utilizando os instrumentos SAM (Sample Analysis at Mars) e TLS (Tunable Laser Spectrometer) a bordo do rover Curiosity. O SAM aquece as amostras até cerca quase 900°C e depois o TLS é utilizado para analisar os gases que são produzidos durante essa fase de aquecimento.
Astrónomos detetam antigos quasares solitários com origens obscuras (via MIT)
Os astrónomos usaram o Telescópio Espacial James Webb (JWST) da NASA para recuar no tempo, mais de 13 mil milhões de anos, para estudar os arredores cósmicos de cinco antigos quasares. Encontraram uma variedade surpreendente nas suas vizinhanças, ou "campos de quasares". Enquanto alguns quasares residem em campos muito povoados, com mais de 50 galáxias vizinhas, como todos os modelos prevêem, os restantes quasares parecem estar à deriva em vazios, com apenas algumas galáxias dispersas na sua proximidade. Ler fonte
Hubble captura a intricada beleza de R Aquarii (via ESA/Hubble)
O Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA proporcionou um dramático e colorido olhar de perto para uma das estrelas mais turbulentas da nossa Galáxia, tecendo um enorme padrão espiral entre as estrelas. As imagens do Hubble captam os seus pormenores e a sua evolução é apresentada num vídeo de "timelapse" único. Situada apenas a cerca de 700 anos-luz da Terra, na direção da constelação de Aquário, R Aquarii é uma estrela binária simbiótica: um tipo de sistema estelar binário constituído por uma anã branca e uma gigante vermelha, rodeado por uma grande e dinâmica nebulosa. Ler fonte
Observe a "primeira página" do grande atlas cósmico do Euclid (via ESA)
No passado dia 15 de outubro de 2024, a missão espacial Euclid da ESA revelou a primeira parte do seu grande mapa do Universo, que mostra milhões de estrelas e galáxias. Este primeiro pedaço do mapa, que é um enorme mosaico de 208 gigapixéis, foi revelado no Congresso Internacional de Astronáutica em Milão, Itália. O mosaico contém 260 observações efetuadas entre 25 de março e 8 de abril de 2024. Em apenas duas semanas, o Euclid cobriu 132 graus quadrados do céu do hemisfério sul com um pormenor imaculado, mais de 500 vezes a área da Lua Cheia. Ler fonte
Crescimento de galáxias de "dentro para fora" observado no Universo primitivo (via Universidade de Cambridge)
Os astrónomos utilizaram o Telescópio Espacial James Webb (JWST) da NASA/ESA para observar o crescimento de "dentro para fora" de uma galáxia no início do Universo, apenas 700 milhões de anos após o Big Bang. Esta galáxia é cem vezes mais pequena do que a Via Láctea, mas é surpreendentemente madura para um período tão precoce do Universo. Tal como uma grande cidade, esta galáxia tem uma densa coleção de estrelas no seu núcleo, mas torna-se menos densa nos "subúrbios" galácticos. E, tal como uma grande cidade, esta galáxia está a começar a expandir-se, com a formação estelar a acelerar nos arredores. Ler fonte
Centro Ciência Viva do Algarve
Rua Comandante Francisco Manuel
8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
Telemóvel: 962 422 093
E-mail: info@ccvalg.pt
Centro Ciência Viva de Tavira
Convento do Carmo
8800-311, Tavira
Portugal
Telefone: 281 326 231
Telemóvel: 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um caráter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML e classes CSS - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente de webmail suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook ou outras apps para leitura de mensagens eletrónicas.
Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve e do Centro Ciência Viva de Tavira. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando o webmaster.