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  Astroboletim #2170  
  24/12 a 26/12/2024  
     
boas festas
     
 
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EFEMÉRIDES

DIA 24/12: 359.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1761 nascia Jean-Louis Pons, astrónomo francês, o maior descobridor visual de cometas: entre 1801 e 1827, descobriu 37 cometas, mais do que qualquer pessoa na História.
Em 1818, nascia James Prescott Joule, físico inglês que estudou a natureza do calor e descobriu a sua relação com a mecânica. Isto levou à lei da conservação da energia, o que por sua vez levou ao desenvolvimento da primeira lei da termodinâmica. A unidade SI da energia, joule, tem o seu nome.
Em 1968, os astronautas da Apollo 8 tornam-se nos primeiros humanos a entrar em órbita da Lua.
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Completam 10 órbitas lunares e enviam imagens televisivas que se tornam na famosa transmissão de Véspera de Natal, um dos programas mais vistos na História.
Em 1979, lançamento do primeiro foguetão europeu Ariane.
HOJE, NO COSMOS:
Ao final do lusco-fusco, vire-se para norte e olhe para cima. Cassiopeia é agora um "M" achatado inclinado num ângulo, o seu lado esquerdo mais alto (dependendo de onde o observador vive). Apenas duas horas mais tarde, o "M" está horizontal! As constelações que passa perto do zénite parecem girar mais depressa em relação à direção "cima".

 

DIA 25/12: 360.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1642, nascia Isaac Newton (de acordo com o calendário juliano), físico e matemático inglês, largamente considerado um dos cientistas mais influentes de todos os tempos e uma figura-chave da revolução científica.
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O seu livro "Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica", publicado pela primeira vez em 1687, estabelece as fundações da mecânica clássica.
Em 1968, a Apollo 8 faz a primeira manobra TEI (Trans Earth Injection), enviando a tripulação e a nave de volta à Terra desde órbita lunar.
Em 2003, a infeliz Beagle 2, libertada da sonda Mars Express no dia 19 de dezembro, desaparece pouco antes da sua prevista aterragem. No dia 16 de janeiro de 2015, mais de onze anos depois do seu desaparecimento, a sonda MRO localiza-a no solo marciano. 
Em 2004, a Cassini liberta a sonda Huygens, que aterra em Titã a 14 de janeiro do ano seguinte.
Em 2021, era lançado o Telescópio Espacial James Webb, a bordo de um foguetão Ariane 5 e a partir da Guiana Francesa.
HOJE, NO COSMOS:
Feliz dia do Sol Invicto! Esta data era celebrada no final da época dos Romanos porque era quando o Sol começava a recuperar do seu longo declínio com a promessa, no frio e na escuridão, da vinda de uma nova primavera e verão.
M45 (Plêiades) brilha muito alta a sudeste depois da hora de jantar, não muito maior do que a ponta do seu dedo à distância do braço esticado. Quantas estrelas das Plêiades consegue contar à vista desarmada? A maioria das pessoas conta 6. Com uma boa visão, um bom céu escuro e paciência, provavelmente conseguirá contar 8 ou 9.

 

DIA 26/12: 361.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1973, a Soyuz 13 voltava à Terra.
Em 1974 era lançada a Salyut 4.
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HOJE, NO COSMOS:
Bem acima de Orionte brilha a alaranjada Aldebarã com o largo enxame das Híades no plano de fundo. Os binóculos são instrumentos ideais para observar este enxame, tendo em conta o seu tamanho: as estrelas mais brilhantes (de quarta e quinta magnitudes) abrangem uma área com aproximadamente 4º de diâmetro. Mais acima, as Plêiades têm pouco mais de 1º de diâmetro, contando apenas as estrelas mais brilhantes. As estrelas principais das Híades formam um V. Está atualmente de lado, aberto para a esquerda. Aldebarã forma a mais baixa das duas pontas do V. Com binóculos, siga o ramo inferior do V para a direita de Aldebarã. A primeira "coisa" a que chega é o asterismo da Casa: um padrão de estrelas parecido a um desenho de uma criança de uma casa com um telhado. A casa está atualmente direita e inclinada para a direita como se tivesse sido empurrada. A Casa inclui três estrelas duplas binoculares que formam um triângulo equilátero, com cada par virado para o centro. O par mais brilhante é Theta1 e Theta2 Tauri. Talvez consiga resolver o par Theta à vista desarmada.

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Um buraco negro "de lado" recorrendo a dados antigos e novas técnicas
 
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A estrutura da galáxia NGC 5084, com dados do Observatório de raios X Chandra sobrepostos a uma imagem da galáxia no visível. Os dados do Chandra, em roxo, revelam quatro plumas de gás quente que emanam de um buraco negro supermassivo que gira "de lado" no núcleo da galáxia.
Crédito: raios X - NASA/CXC, A. S. Borlaff, P. Marcum et al.; imagem ótica - M. Pugh, B. Diaz; processamento - NASA/USRA/L. Proudfit
 

Investigadores da NASA descobriram um caso intrigante de um buraco negro que parece estar inclinado, girando numa direção inesperada em relação à galáxia que o rodeia. Essa galáxia, chamada NGC 5084, é conhecida há anos, mas o segredo lateral do seu buraco negro central estava escondido em antigos arquivos de dados. A descoberta foi possível graças a novas técnicas de análise de imagem desenvolvidas no Centro de Investigação Ames da NASA, em Silicon Valley, no estado norte-americano da Califórnia, para analisar dados de arquivo do Observatório de Raios X Chandra da agência espacial.

Usando os novos métodos, os astrónomos de Ames encontraram inesperadamente quatro longas plumas de plasma - gás quente e carregado - que emanam de NGC 5084. Um par de plumas estende-se para cima e para baixo do plano da galáxia. Um surpreendente segundo par, formando um "X" com o primeiro, encontra-se no plano da galáxia. As plumas de gás quente não são frequentemente observadas em galáxias e tipicamente apenas uma ou duas estão presentes.

O método que revela estas características inesperadas da galáxia NGC 5084 foi desenvolvido pelo investigador de Ames, Alejandro Serrano Borlaff, e colegas para detetar emissões de raios X de baixo brilho em dados do telescópio de raios X mais poderoso do mundo. O que viram nos dados do Chandra parecia tão estranho que procuraram imediatamente confirmá-lo, pesquisando nos arquivos de dados de outros telescópios e solicitando novas observações de dois poderosos observatórios terrestres.

O surpreendente segundo conjunto de plumas foi um forte indício de que esta galáxia albergava um buraco negro supermassivo, mas poderia ter havido outras explicações. Dados de arquivo do Telescópio Espacial Hubble da NASA e do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) no Chile revelaram então outra peculiaridade de NGC 5084: um pequeno disco interior, poeirento, a girar no centro da galáxia. Também este facto sugere a presença de um buraco negro e, surpreendentemente, este gira num ângulo de 90 graus em relação à rotação da galáxia; o disco e o buraco negro estão, de certa forma, orientados de lado.

As análises de acompanhamento de NGC 5084 permitiram aos investigadores examinar a mesma galáxia utilizando uma vasta gama do espetro eletromagnético - desde a luz visível, observada pelo Hubble, até aos comprimentos de onda mais longos observados pelo ALMA e pelo EVLA (Expanded Very Large Array) do NRAO (National Radio Astronomy Observatory), perto de Socorro, Novo México, EUA.

 
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Imagem, pelo Telescópio Espacial Hubble, do núcleo da galáxia NGC 5084. Uma linha escura e vertical perto do centro mostra a curva de um disco poeirento que orbita o núcleo, cuja presença sugere a existência de um buraco negro supermassivo no seu interior. O disco e o buraco negro partilham a mesma orientação, totalmente inclinados em relação à orientação horizontal da galáxia.
Crédito: NASA/STScI, M. A. Malkan, B. Boizelle, A.S. Borlaff; WFPC2 WFC3/IR/UVIS do Hubble
 

"Foi como ver uma cena do crime com múltiplos tipos de luz", disse Borlaff, que é também o primeiro autor do artigo científico que relata a descoberta. "Juntar todas as imagens revelou que NGC 5084 mudou muito no seu passado recente".

"A deteção de dois pares de plumas de raios X numa galáxia é excecional", acrescentou Pamela Marcum, astrofísica em Ames e coautora da descoberta. "A combinação da sua estrutura invulgar, em forma de cruz, com o disco poeirento orientado de lado, dá-nos uma visão única da história desta galáxia".

Normalmente, os astrónomos esperam que a energia de raios-X emitida por grandes galáxias seja distribuída uniformemente numa forma geralmente esférica. Quando isso não acontece, como quando se concentra num conjunto de plumas de raios X, os astrónomos sabem que um acontecimento importante perturbou a galáxia.

Possíveis momentos dramáticos na sua história, que poderiam explicar o buraco negro tombado e o duplo conjunto de plumas de NGC 5084, incluem uma colisão com outra galáxia e a formação de uma chaminé de gás superaquecido que se desprende da parte superior e inferior do plano galáctico.

Serão necessários mais estudos para determinar que evento ou eventos levaram à estranha estrutura atual desta galáxia. Mas é já claro que a arquitetura nunca antes vista de NGC 5084 só foi descoberta graças a dados de arquivo - alguns com quase três décadas - combinados com novas técnicas de análise.

O artigo científico que apresenta esta investigação foi publicado a 18 de dezembro na revista The Astrophysical Journal. O método de análise de imagem desenvolvido pela equipa - denominado SAUNAS (Selective Amplification of Ultra Noisy Astronomical Signal) - foi descrito na revista The Astrophysical Journal em maio de 2024.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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Universe Today
PHYSORG
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Buraco negro supermassivo:
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NGC 5084:
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Observatório de raios X Chandra:
NASA
Universidade de Harvard
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Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Arquivo de Ciências do eHST
Wikipedia

ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array):
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (ESO)
Wikipedia

VLA (Karl G. Jansky Very Large Array):
Página principal
NRAO
Wikipedia

 
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Astrónomos descobrem os asteroides mais pequenos alguma vez detetados na cintura principal
 
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Ilustração de artista do Telescópio Espacial James Webb revelando, no infravermelho, uma população de pequenos asteroides da cintura principal.
Crédito: Ella Maru e Julien de Wit
 

Estima-se que o asteroide que levou à extinção dos dinossauros tinha cerca de 10 quilómetros de diâmetro. Prevê-se que um objeto tão massivo atinja a Terra raramente, uma vez em cada 100 milhões a 500 milhões de anos.

Em contraste, asteroides muito mais pequenos, do tamanho de um autocarro, podem atingir a Terra com maior frequência, de poucos em poucos anos. Estes asteroides decamétricos, com apenas dezenas de metros de diâmetro, têm maior probabilidade de escapar à cintura principal de asteroides e migrar para se tornarem objetos próximos da Terra. Em caso de impacto, estas pequenas mas poderosas rochas espaciais podem provocar ondas de choque em regiões inteiras, como foi o caso do impacto de 1908 em Tunguska, na Sibéria, e do asteroide de 2013 que se fragmentou no céu sobre Chelyabinsk, nos Urais. A possibilidade de observar asteroides decamétricos da cintura principal forneceria uma janela para a origem dos meteoritos.

Agora, uma equipa internacional liderada por físicos do MIT (Massachusetts Institute of Technology) descobriu uma forma de detetar asteroides decamétricos na cintura principal - um campo de destroços entre Marte e Júpiter onde orbitam milhões de asteroides. Até agora, os asteroides mais pequenos que os cientistas conseguiam distinguir tinham cerca de um quilómetro de diâmetro. Com a nova abordagem da equipa, os cientistas podem agora detetar asteroides na cintura principal com apenas 10 metros de diâmetro.

Num artigo científico publicado dia 9 de dezembro na revista Nature, os investigadores referem que utilizaram a sua abordagem para detetar mais de 100 novos asteroides decamétricos na cintura principal. As rochas espaciais variam entre o tamanho de um autocarro e o de vários estádios, e são os asteroides mais pequenos da cintura principal detetados até à data.

Os investigadores preveem que esta abordagem possa ser utilizada para identificar e localizar asteroides suscetíveis de se aproximarem da Terra.

"Conseguimos detetar objetos próximos da Terra até 10 metros de tamanho quando estão muito próximos da Terra", afirma o autor principal do estudo, Artem Burdanov, investigador do Departamento de Ciências da Terra, Atmosféricas e Planetárias do MIT. "Temos agora uma forma de detetar estes pequenos asteroides quando estão muito mais longe, pelo que podemos fazer um seguimento orbital mais preciso, o que é fundamental para a defesa planetária".

Os coautores do estudo incluem os professores de ciência planetária do MIT Julien de Wit e Richard Binzel, juntamente com colaboradores de várias outras instituições, incluindo da Universidade de Liège na Bélgica, da Universidade Charles na Chéquia, da ESA e de instituições na Alemanha, incluindo o Instituto Max Planck para a Física Extraterrestre e a Universidade de Oldenburg.

Mudança de imagem

De Wit e a sua equipa concentram-se principalmente na procura e estudo de exoplanetas - mundos para lá do Sistema Solar que podem ser habitáveis. Os investigadores fazem parte do grupo que, em 2016, descobriu um sistema planetário em torno de TRAPPIST-1, uma estrela que se encontra a cerca de 40 anos-luz da Terra. Utilizando o TRAPPIST (Transiting Planets and Planetismals Small Telescope), no Chile, a equipa confirmou que a estrela alberga planetas rochosos do tamanho da Terra, vários dos quais se encontram na zona habitável.

Desde então, os cientistas têm treinado muitos telescópios, focados em vários comprimentos de onda, no sistema TRAPPIST-1 para caracterizar melhor os planetas e procurar sinais de vida. Com estas buscas, os astrónomos tiveram de escolher entre o "ruído" nas imagens dos telescópios, como qualquer gás, poeira e objetos planetários entre a Terra e a estrela, para decifrar mais claramente os planetas TRAPPIST-1. Muitas vezes, o ruído que descartam inclui asteroides passageiros.

"Para a maior parte dos astrónomos, os asteroides são vistos como os vermes do céu, no sentido em que atravessam o campo de visão e afetam os dados", diz De Wit.

De Wit e Burdanov perguntaram-se se os mesmos dados utilizados para procurar exoplanetas poderiam ser reciclados e explorados para encontrar asteroides no nosso próprio Sistema Solar. Para o fazer, recorreram à técnica de processamento de imagens "shift and stack", que começou a ser desenvolvida na década de 1990. O método consiste em utilizar várias imagens do mesmo campo de visão e "empilhá-las" para ver se um objeto ténue consegue ofuscar o ruído.

A aplicação deste método à procura de asteroides desconhecidos em imagens originalmente focadas em estrelas longínquas exigiria recursos computacionais significativos, uma vez que implicaria testar um grande número de cenários para a localização de um asteroide. Os investigadores teriam então de analisar milhares de imagens para cada cenário para verificar se um asteroide se encontra de facto onde se previa que estaria.

 
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Com a nova abordagem da equipa, os cientistas podem agora detetar asteroides na cintura principal com apenas 10 metros de diâmetro.
Crédito: Ella Maru/Julien de Wit
 

Há vários anos, Burdanov, de Wit e Samantha Hasler, aluna do MIT, descobriram que podiam fazer isso utilizando unidades de processamento gráfico de última geração que podem processar uma enorme quantidade de dados de imagem a alta velocidade.

Inicialmente, experimentaram a sua abordagem com os dados do levantamento SPECULOOS (Search for habitable Planets EClipsing ULtra-cOOl Stars) - um sistema de telescópios terrestres que capta muitas imagens de uma estrela ao longo do tempo. Este esforço, juntamente com uma segunda aplicação que utiliza dados de um telescópio na Antártida, mostrou que os investigadores podiam, de facto, detetar uma grande quantidade de novos asteroides na cintura principal.

"Um espaço inexplorado"

Para o novo estudo, os investigadores procuraram mais asteroides, até tamanhos mais pequenos, utilizando dados do observatório mais poderoso do mundo - o Telescópio Espacial James Webb da NASA, que é particularmente sensível ao infravermelho em vez da luz visível. Acontece que os asteroides que orbitam na cintura principal são muito mais brilhantes nos comprimentos de onda infravermelhos do que nos comprimentos de onda visíveis, pelo que são muito mais fáceis de detetar com as capacidades infravermelhas do JWST.

A equipa aplicou a sua abordagem às imagens JWST de TRAPPIST-1. Os dados incluíam mais de 10.000 imagens da estrela, que foram originalmente obtidas para procurar sinais de atmosferas à volta dos planetas interiores do sistema. Após o processamento das imagens, os investigadores conseguiram detetar oito asteroides conhecidos na cintura principal. Depois, foram mais longe e descobriram 138 novos asteroides na cintura principal, todos com dezenas de metros de diâmetro - os mais pequenos asteroides da cintura principal detetados até à data. Suspeitam que alguns asteroides estão a caminho de se tornarem objetos próximos da Terra, enquanto um é provavelmente um troiano - um asteroide que segue Júpiter.

"Pensávamos que iríamos detetar apenas alguns objetos novos, mas detetámos muitos mais do que o esperado, especialmente os mais pequenos", diz de Wit. "É um sinal de que estamos a sondar um novo regime populacional, em que muitos mais objetos pequenos se formam através de 'cascatas' de colisões que são muito eficientes na decomposição de asteroides com menos de 100 metros".

"As estatísticas destes asteroides decamétricos da cintura principal são fundamentais para os modelos", acrescenta Miroslav Broz, coautor da Universidade Charles de Praga, na Chéquia, e especialista nas várias populações de asteroides do Sistema Solar. "De facto, estes são os detritos expelidos durante as colisões de asteroides maiores, com quilómetros de tamanho, que são observáveis e que frequentemente exibem órbitas semelhantes em relação ao Sol, pelo que os agrupamos em 'famílias' de asteroides".

"Este é um espaço totalmente novo e inexplorado em que estamos a entrar, graças às tecnologias modernas", diz Burdanov. "É um bom exemplo do que podemos fazer quando olhamos para os dados de forma diferente. Por vezes, há grandes benefícios e este é um deles".

// MIT (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Liège (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (DSpace@MIT)

 


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Notícias relacionadas:
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ZME Science
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Asteroides:
The Nine Planets
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Cintura principal de asteroides:
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NEO ("Near-Earth Object"):
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Asteroides troianos:
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JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
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ESA/Webb
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Ciclo 3 GO do Webb (STScI)
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Ciclo 3 DDT do Webb (STScI)
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NIRCam (NASA)
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Levantamento SPECULOOS (Search for habitable Planets EClipsing ULtra-cOOl Stars):
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Telescópio TRAPPIST (Transiting Planets and Planetismals Small Telescope):
ESO
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A maior e mais antiga cratera da Lua é mais circular do que se pensava
 
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Um modelo topográfico da Lua utilizando uma escala de cores do roxo (baixo) ao vermelho (alto) com base em dados recolhidos pela LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA e pela Kaguya da JAXA. Esta é uma vista global que mostra a totalidade da bacia do Polo Sul-Aitken. Os triângulos assinalam as características montanhosas que se podem encontrar em toda a bacia.
Crédito: Hannes Bernhardt
 

A bacia do Polo Sul-Aitken é a maior e mais antiga cratera visível da Lua - uma enorme ferida geológica com quatro mil milhões de anos que preserva segredos sobre o início da história da Lua, tal como uma cápsula lunar do tempo.

Com base em algumas características da bacia, os investigadores pensaram que a cratera tinha a forma de uma oval ou elipse. Durante anos, os cientistas pensaram que esta enorme cratera tinha sido formada por um objeto que embateu na Lua a partir de um ângulo pouco profundo, possivelmente tão extremo como uma pedra a saltar sobre a água. De acordo com esta teoria, muito poucos detritos do impacto teriam sido espalhados pelo polo sul lunar, que é a região de aterragem das próximas missões Artemis para o regresso de humanos à superfície do nosso satélite natural.

Mas um novo estudo realizado pela Universidade de Maryland e publicado na revista Earth and Planetary Science Letters sugere que o impacto pode ter sido muito mais direto, dando origem a uma cratera muito mais redonda - uma descoberta que desafia a nossa atual compreensão da história da Lua, com implicações significativas para as futuras missões da NASA à Lua.

"É um desafio estudar a bacia do Polo Sul-Aitken de forma holística devido à sua enorme dimensão, razão pela qual os cientistas ainda estão a tentar conhecer a sua forma e tamanho. Além disso, passaram quatro mil milhões de anos desde que a bacia se formou originalmente e muitos outros impactos obscureceram o seu aspeto original", explicou o autor principal do estudo, Hannes Bernhardt, investigador assistente do Departamento de Geologia da Universidade de Maryland, EUA. "O nosso trabalho desafia muitas ideias existentes sobre a forma como este impacto massivo ocorreu e distribuiu os materiais, mas estamos agora um passo mais perto de compreender melhor a história inicial da Lua e a sua evolução ao longo do tempo".

Utilizando dados de alta resolução da LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA, Bernhardt e a sua equipa desenvolveram uma abordagem inovadora para compreender a estrutura complexa da bacia do Polo Sul-Aitken. Identificaram e analisaram mais de 200 formações montanhosas espalhadas pela bacia, características geológicas que a equipa suspeitava serem vestígios antigos do impacto original. A partir da distribuição e forma dessas características montanhosas, a equipa percebeu que o impacto deveria ter criado uma cratera mais circular, a partir da qual pedaços significativos de material de formação planetária foram dispersos pela superfície da Lua, incluindo a região do Polo Sul.

"Uma forma mais redonda e circular indica que um objeto atingiu a superfície da Lua num ângulo mais vertical, possivelmente semelhante a deixar cair uma pedra diretamente no chão", disse Bernhardt. "Este impacto circular implica que os detritos do impacto estão distribuídos de forma mais igual à sua volta do que se pensava inicialmente, o que significa que os astronautas da Artemis ou os robôs na região do polo sul poderão ser capazes de estudar de perto rochas das profundezas do manto ou da crosta lunar - materiais a que normalmente não temos acesso".

Estas rochas lunares podem fornecer informações cruciais sobre a composição química da Lua e ajudar a validar teorias sobre como a Lua pode ter sido formada a partir de uma colisão massiva entre a Terra e outro objeto de tamanho planetário. Recentemente, o rover indiano Chandrayaan-3 detetou minerais indicativos de detritos de impacto provenientes do manto perto do polo sul, apoiando a teoria da equipa da Universidade de Maryland sobre um impacto mais vertical formando uma bacia circular que seria necessária para pulverizar esse material nessa área.

Bernhardt pensa que a investigação da sua equipa fornece informações críticas para futuras missões à Lua, ajudando os planeadores de missões e os astronautas a identificar as áreas a explorar e os materiais que poderão encontrar. Uma camada espessa e rica em materiais da crosta inferior e do manto superior pode oferecer um acesso sem precedentes à complexa história geológica da Lua, podendo lançar luz não só sobre a formação da Lua, mas também sobre os eventos transformadores que moldaram o nosso Sistema Solar.

"Uma das implicações mais interessantes da nossa investigação é a sua aplicabilidade a missões à Lua e mais além", disse Bernhardt. "Os astronautas que exploram o polo sul lunar poderão ter acesso mais fácil a materiais lunares antigos que nos poderão ajudar a compreender como surgiu a Lua e o nosso Sistema Solar".

// Universidade de Maryland (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Earth and Planetary Science Letters)

 


Quer saber mais?

Bacia do Polo Sul-Aitken:
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Lua:
CCVAlg - Astronomia
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Lunar Reconnaissance Orbiter:
NASA
Wikipedia

Programa Artemis:
NASA
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Artemis I (NASA)
Artemis I (Wikipedia)
Artemis II (NASA)
Artemis II (Wikipedia)
Artemis III (Wikipedia)
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Chandrayaan-3:
ISRO
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Também em destaque
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  Supererupções uma vez por século (via Instituto Max Planck para a Pesquisa do Sistema Solar)
Estrelas semelhantes ao Sol produzem uma gigantesca explosão de radiação, em média, uma vez em cada cem anos [por estrela]. Estas supererupções libertam mais energia do que um trilião de bombas de hidrogénio e fazem com que todas as explosões solares registadas até agora sejam insignificantes. Esta estimativa baseia-se num inventário de 56.450 estrelas semelhantes ao Sol, que uma equipa internacional de investigadores liderada pelo Instituto Max Planck para a Pesquisa do Sistema Solar, na Alemanha, apresentou no dia 13 de dezembro de 2024, na revista Science. O estudo mostra que estudos anteriores subestimaram significativamente o potencial eruptivo destas estrelas. Os dados do telescópio espacial Kepler, da NASA, revelam que as estrelas semelhantes ao Sol, supereruptivas, podem ser encontradas dez a cem vezes mais frequentemente do que se supunha anteriormente. É provável que também o Sol seja capaz de erupções igualmente violentas. Ler fonte
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Álbum de fotografias
A Nuvem Local

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASASVSAdlerUniversidade de ChicagoWesleyan
 
As estrelas não estão sozinhas. No disco da nossa Galáxia, a Via Láctea, cerca de 10 por cento da matéria visível tem a forma de gás, o chamado meio interestelar. O meio interestelar não é uniforme e apresenta irregularidades mesmo perto do nosso Sol. Pode ser muito difícil detetar o meio interestelar local porque é muito ténue e emite muito pouca luz. Este gás, maioritariamente hidrogénio, absorve, no entanto, algumas cores muito específicas que podem ser detetadas na luz das estrelas mais próximas. Um mapa em construção do meio interestelar local, num raio de 20 anos-luz, baseado nas observações em curso e nas deteções de partículas do satélite IBEX (Interstellar Boundary Exporer), em órbita terrestre, pode ser visto na imagem em destaque. Estas observações indicam que o nosso Sol está a mover-se através de uma Nuvem Interestelar Local à medida que esta nuvem flui para fora da região de formação estelar da Associação Escorpião-Centauro. O nosso Sol pode sair da Nuvem Local, também chamada de "Fluff" Local, nos próximos 10.000 anos. Muito permanece desconhecido sobre o meio interestelar local, incluindo detalhes sobre a sua distribuição, a sua origem e a forma como afeta o Sol e a Terra. Inesperadamente, as medições da nave espacial IBEX indicam que a direção a partir da qual as partículas interestelares neutras fluem através do nosso Sistema Solar está a mudar.
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