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  Astroboletim #2177  
  17/01 a 20/01/2025  
     
 
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EFEMÉRIDES

DIA 17/01: 17.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 2003, um foguetão Delta II transportando um satélite GP IIR-1 explode 13 segundos depois do lançamento deixando 250 toneladas de resíduos queimados na plataforma de lançamento. 
Em 2016, floresce a primeira flor a bordo da Estação Espacial Internacional.
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HOJE, NO COSMOS:
A Estrela de Verão, Vega, ainda é visível baixa perto do horizonte a noroeste durante e após o cair da noite. Quanto mais para norte o observador estiver, mais alta estará.
Vénus e Saturno, a sudoeste durante e após o lusco-fusco, aparecem separados por apenas 2,2º. É o equivalente ao tamanho do polegar à distância do braço esticado. Saturno está para a esquerda de Vénus. Quão cedo consegue observá-los?

 

DIA 18/01: 18.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1896, H. L. Smith apresenta a primeira máquina capaz de gerar raios-X.
Em 1916, um meteorito condrito com 611 gramas atinge uma casa perto de Baxter em Stone County, no estado norte-americano do Missouri.
Em 2000, o meteorito do Lago Tagish colide com a Terra.
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No mesmo ano, a NASA termina as tentativas de comunicar com a Mars Polar Lander. Foi perdida no dia 3 de dezembro de 1999, durante a fase de aterragem da missão.
HOJE, NO COSMOS:
Vénus e Saturno estão hoje separados por 2,1º, um pouco mais próximos um do outro no céu em comparação com ontem. E Saturno está agora para baixo e para a esquerda de Vénus. Depois de hoje, estes dois planetas vão ficar cada vez mais longe um do outro no nosso céu noturno.
Do outro lado do céu, a sudeste, Sirius brilha por baixo de Orionte depois da hora de jantar. Por volta das 21 horas, dependendo da localização do observador, Sirius brilha precisamente para baixo de Betelgeuse, o ombro do Caçador. Quão precisamente consegue determinar a hora deste evento, talvez usando o lado de um prédio? Sirius lidera ao início da noite. Betelgeuse lidera mais tarde.

 

DIA 19/01: 19.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1747 nascia Johann Bode, autor da Lei de Titius-Bode, uma progressão quase geométrica das distâncias dos planetas a partir do Sol.
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Também determinou a órbita de Úrano e sugeriu o nome do planeta. 
Em 1851 nascia Jacobus Kapteyn, que estudou a distribuição e o movimento de meio milhão de estrelas e criou o primeiro modelo moderno do tamanho e estrutura da Via Láctea.
Em 2006, era lançada a sonda New Horizons, a primeira missão a Plutão. A maior aproximação ocorreu no dia 14 de julho de 2015, a 12.472 km da superfície.
Em 2024, a SLIM da JAXA aterra na Lua - o Japão torna-se na quinta nação a pousar uma nave no nosso satélite natural.
HOJE, NO COSMOS:
Depois do anoitecer, vire-se para este e olhe para cima. A brilhante estrela aí é Capella, da constelação de Cocheiro. Para a sua direita, a um par de dedos à distância do braço esticado, está um pequeno triângulo estreito de estrelas de terceira e quarta magnitudes conhecido como "as Crianças". Não são exatamente apelativas, mas formam um asterismo com Capella.

 

DIA 20/01: 20.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1573 nascia Simon Marius, astrónomo alemão que afirmou ter descoberto as luas de Júpiter dias antes de Galileu.
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De facto, a sua primeira observação foi na mesma data que Galileu. Mesmo assim, os nomes dos satélites galileanos são os dados por Simon Marius.
Em 1775 nascia André-Marie Ampère, físico e matemático francês que é geralmente reconhecido como um dos principais fundadores da ciência do eletromagnetismo clássico, que ele referia como "eletrodinâmica". A unidade SI da medição da corrente elétrica, o ampere, tem o seu nome. 
Em 1930, nascia Buzz Aldrin, astronauta americano e a segunda pessoa a pisar a Lua
Em 1961, a agência soviética Tass anunciava que a cadela Strelka, que havia tripulado a Spacecraft II em agosto de 1960, tinha dado à luz 6 cachorros.
Em 2016, investigadores do Caltech encontram evidências de um nono planeta a mover-se no que chamam de "órbita altamente alongada e bizarra" no Sistema Solar exterior.
HOJE, NO COSMOS:
A estrela de magnitude zero, Capella, bem alta no céu, e a igualmente brilhante estrela Rigel no pé de Orionte, têm quase a mesma ascensão reta. Isto significa que atravessam o meridiano do céu do observador quase exatamente à mesma hora: por volta das 22 horas, dependendo de quão para este ou oeste o observador vive. Assim sendo, sempre que Capella passa na sua posição mais alta, Rigel assinala sempre o sul verdadeiro, e vice-versa.

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Gaia termina as suas observações científicas
 
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Infografia que mostra os números da missão Gaia da ESA durante a sua fase de exploração do céu.
Crédito: ESA/Gaia/DPAC, representação da Via Láctea por Stefan Payne-Wardenaar
 

O observatório espacial Gaia da ESA completou a fase de varrimento do céu, acumulando mais de três biliões de observações de cerca de dois mil milhões de estrelas e outros objetos ao longo da última década, a fim de revolucionar a visão da nossa Galáxia natal e da vizinhança cósmica.

O depósito de combustível do Gaia está agora quase vazio - utiliza cerca de uma dúzia de gramas de gás frio por dia para se manter a girar com uma precisão exata. Mas isto está longe de ser o fim da missão. Estão programados testes tecnológicos para as próximas semanas, antes do Gaia ser transferido para a sua órbita de "reforma", e estão previstos dois lançamentos massivos de dados, para meados de 2026 e para o final desta década, respetivamente.

"O dia de hoje [15 de janeiro] marca o fim das observações científicas e estamos a celebrar esta incrível missão que excedeu todas as nossas expetativas, durando quase o dobro do tempo de vida inicialmente previsto", afirma Carole Mundell, Diretora Científica da ESA.

"O tesouro de dados recolhidos pelo Gaia deu-nos uma visão única sobre a origem e a evolução da nossa Via Láctea e também transformou a astrofísica e a ciência do Sistema Solar de uma forma que ainda não apreciámos plenamente. O Gaia baseou-se na excelência europeia única em astrometria e deixará um legado duradouro para as gerações futuras".

"Depois de 11 anos no espaço e de sobreviver a impactos de micrometeoritos e tempestades solares, o Gaia terminou a recolha de dados científicos. Agora todas as atenções estão viradas para a preparação dos próximos lançamentos de dados", afirma o cientista do projeto Gaia, Johannes Sahlmann.

"Estou muito satisfeito com o desempenho desta incrível missão e entusiasmado com as descobertas que nos esperam".

Gaia fornece o melhor mapa da Via Láctea

O Gaia tem estado a cartografar as posições, distâncias, movimentos, alterações de brilho, composição e várias outras características das estrelas, monitorizando-as com os seus três instrumentos muitas vezes ao longo da missão.

Isto permitiu ao Gaia cumprir o seu objetivo principal de construir o maior e mais preciso mapa da Via Láctea, mostrando-nos a nossa Galáxia natal como nenhuma outra missão o fez antes. Como tal, temos agora também a melhor visão reconstruída de como a nossa Galáxia poderia parecer a um observador exterior. Esta nova impressão artística da Via Láctea incorpora dados do Gaia provenientes de uma multiplicidade de estudos efetuados ao longo da última década.

 
Impressão de artista da nossa Galáxia, a Via Láctea, com base nos dados do telescópio espacial Gaia da ESA, vista de face. Veja aqui a imagem sem rótulos e aqui a imagem com rótulos.
Crédito: ESA/Gaia/DPAC, Stefan Payne-Wardenaar
 

"Contém grandes alterações em relação aos modelos anteriores, porque o Gaia mudou a nossa impressão da Via Láctea. Mesmo ideias básicas foram revistas, como a rotação da barra central da nossa Galáxia, a deformação do disco, a estrutura detalhada dos braços espirais e a poeira interestelar perto do Sol", diz Stefan Payne-Wardenaar, visualizador científico da Haus der Astronomie, Alemanha, e do Gabinete de Astronomia para a Educação da União Astronómica Internacional.

"Ainda assim, as partes distantes da Via Láctea continuam a ser palpites baseados em dados incompletos. Com a publicação dos novos dados do Gaia, a nossa visão da Via Láctea tornar-se-á ainda mais precisa".

A máquina de descobertas da década

As medições repetidas de distâncias, movimentos e características estelares feitas pelo Gaia são fundamentais para realizar a "arqueologia galáctica" da nossa Via Láctea, revelando elos em falta na complexa história da nossa Galáxia para assim nos ajudar a conhecer melhor as nossas origens. Desde a deteção de "fantasmas" de outras galáxias e de múltiplas correntes de estrelas antigas que se fundiram com a Via Láctea no início da sua história, até à descoberta de evidências de uma colisão em curso com a galáxia anã de Sagitário, o Gaia está a reescrever a história da Via Láctea e a fazer previsões sobre o seu futuro.

 
Impressão de artista da nossa Galáxia, a Via Láctea, com base nos dados do telescópio espacial Gaia da ESA, mas vista de lado.
Crédito: ESA/Gaia/DPAC, Stefan Payne-Wardenaar
 

Ao analisar as estrelas da nossa própria Galáxia, o Gaia também detetou outros objetos, desde asteroides no "quintal" do nosso Sistema Solar até galáxias e quasares - os centros brilhantes e ativos de galáxias alimentadas por buracos negros supermassivos - para lá da nossa Via Láctea.

Por exemplo, o Gaia forneceu órbitas exatas de mais de 150.000 asteroides e dispõe de medições de qualidade tão elevada que permitiu descobrir possíveis luas à volta de centenas deles. Criou também o maior mapa tridimensional de cerca de 1,3 milhões de quasares, sendo que os mais longínquos brilharam quando o Universo tinha apenas 1,5 mil milhões de anos.

O Gaia descobriu também uma nova espécie de buracos negros, incluindo um com uma massa quase 33 vezes superior à do Sol, escondido na constelação de Águia, a menos de 2000 anos-luz da Terra - a primeira vez que um buraco negro de origem estelar desta dimensão foi detetado na Via Láctea.

"É impressionante o facto destas descobertas se basearem apenas nos primeiros anos de dados do Gaia, e muitas delas foram feitas apenas no último ano. O Gaia tem sido a máquina de descobertas da década, uma tendência que deverá continuar", afirma Anthony Brown, presidente do DPAC (Data Processing and Analysis Consortium) do Gaia, sediado na Universidade de Leiden, nos Países Baixos.

Atenção! Mais ciência inovadora a caminho

As equipas científicas e de engenharia da missão já estão a trabalhar a todo o vapor nos preparativos para o DR4 (Data Release 4) do Gaia, previsto para 2026. O volume e a qualidade dos dados melhoram a cada lançamento e o DR4, com uma previsão de 500 TB de dados, não é exceção. Além disso, cobrirá os primeiros 5,5 anos da missão, o que corresponde à sua duração inicialmente prevista.

"Este é o lançamento de dados do Gaia que a comunidade tem estado à espera e é emocionante pensar que só cobre metade dos dados recolhidos", afirma Antonella Vallenari, Vice-Presidente do DPAC no INAF (Istituto Nazionale di Astrofisica), Observatório Astronómico de Pádua, Itália. "Apesar da missão ter agora parado de recolher dados, a nossa atividade continuará a ser normal durante muitos anos, à medida que preparamos estes incríveis conjuntos de dados para utilização".

O DR4 do Gaia vai alargar o seu catálogo de estrelas binárias, o maior catálogo deste tipo até à data. O Gaia tem uma capacidade única para detetar os pequenos movimentos de pares de objetos celestes que orbitam perto um do outro e já detetou companheiros anteriormente ocultos em torno de estrelas brilhantes.

A propósito, a última observação do Gaia, de 10 de janeiro, foi do par binário 61 Cygni. Esta estrela emblemática atraiu a atenção dos astrónomos do século XIX, tendo produzido algumas das primeiras medições de movimento próprio e de paralaxe, técnicas utilizadas pelo Gaia em cerca de dois mil milhões de estrelas.

As descobertas exoplanetárias do Gaia também deverão aumentar com os próximos conjuntos de dados, graças ao período de tempo mais longo das observações, que torna muito mais fácil detetar estrelas "oscilantes", suavemente puxadas por planetas em órbita.

"Durante os próximos meses continuaremos a transferir todos os dados do Gaia e, ao mesmo tempo, as equipas de processamento irão acelerar os preparativos para a quinta e última grande publicação de dados no final desta década, cobrindo a totalidade dos 10,5 anos de dados da missão", diz Rocio Guerra, chefe da equipa de operações científicas do Gaia, baseada no ESAC (European Space Astronomy Centre) da ESA, perto de Madrid, Espanha.

"Isto irá concluir um incrível esforço coordenado entre centenas de especialistas do centro de operações científicas aqui no ESAC, a equipa de operações da missão que controla o Gaia a partir do Centro Europeu de Operações Espaciais da ESA na Alemanha, e o enorme consórcio de especialistas em processamento de dados, que juntos asseguraram o bom funcionamento desta bela missão durante tanto tempo".

O plano de reforma do Gaia

 
Ilustração do satélite Gaia da ESA a observar a Via Láctea. A imagem de fundo do céu é compilada a partir de dados de mais de 1,8 mil milhões de estrelas. Mostra o brilho total e a cor das estrelas observadas pelo Gaia, divulgados como parte do EDR3 (Early Data Release 3) do Gaia em dezembro de 2020.
Crédito: satélite - ESA/ATG medialab; Via Láctea - ESA/Gaia/DPAC; reconhecimento - A. Moitinho
 

Embora as observações científicas tenham chegado ao fim, começa agora um curto período de testes tecnológicos. Os testes têm o potencial de melhorar ainda mais as calibrações do Gaia, aprender mais sobre o comportamento de certas tecnologias após dez anos no espaço e até ajudar no design de futuras missões espaciais.

Após várias semanas de testes, o Gaia deixará a sua órbita atual em torno do ponto L2 de Lagrange, a 1,5 milhões de km da Terra na direção oposta ao Sol, para ser colocado na sua órbita heliocêntrica final, longe da esfera de influência da Terra. A nave espacial será desativada no dia 27 de março de 2025, para evitar qualquer dano ou interferência com outras naves espaciais.

Diga adeus ao observatório Gaia

Durante os testes tecnológicos, a orientação do Gaia será alterada, o que significa que se tornará temporariamente várias magnitudes mais brilhante, facilitando em muito as observações através de pequenos telescópios (não será visível a olho nu). Foi criado um guia para localizar o Gaia e os astrónomos amadores estão convidados a partilhar as suas observações.

"O Gaia vai presentear-nos com esta última surpresa quando nos despedirmos, brilhando entre as estrelas antes da sua merecida reforma", conclui Uwe Lammers, gestor da missão Gaia. "É um momento para celebrar esta missão transformadora e agradecer a todas as equipas por mais de uma década de trabalho árduo a operar o Gaia, a planear as suas observações e a garantir que os seus preciosos dados são transmitidos sem problemas para a Terra".

// ESA (comunicado de imprensa)
// Localize o Gaia (guia da ESA para astrónomos amadores)
// Os testes de tecnologia do Gaia (ESA)
// A melhor animação da Via Láctea, pelo Gaia (ESA via YouTube)

 


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13/08/2024 - Gaia deteta possíveis luas em redor de centenas de asteroides
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02/11/2018 - Astrónomos descobrem o gigante que moldou os primórdios da Via Láctea

Gaia:
ESA
Página da ESA para a comunidade científica
Arquivo de dados do Gaia (ESA)
Wikipedia

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

Anã de Sagitário:
SolStation.com
Wikipedia

Gaia-Salsicha-Encélado:
Wikipedia

Gaia BH1:
Simbad
Wikipedia

Gaia BH2:
Simbad
Wikipedia

Gaia BH3:
Simbad
Wikipedia

Buracos negros:
Wikipedia
Buraco negro de massa estelar (Wikipedia)

61 Cygni:
Wikipedia

 
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Classe recém-descoberta de galáxias pode indicar um crescimento precoce dos buracos negros
 
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Uma equipa de astrónomos analisou dados do Telescópio Espacial James Webb provenientes de vários levantamentos para compilar uma das maiores amostras de "pequenos pontos vermelhos" até à data. A partir da sua amostra, descobriram que estes misteriosos objetos vermelhos que parecem pequenos no céu surgem em grande número cerca de 600 milhões de anos após o Big Bang e sofrem um rápido declínio em quantidade cerca de 1,5 mil milhões de anos após o Big Bang.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, Dale Kocevski (Colby College)
 

Em dezembro de 2022, menos de seis meses após o início das operações científicas do Telescópio Espacial James Webb da NASA, este revelou algo nunca antes visto: vários objetos vermelhos que parecem pequenos no céu, que os cientistas logo chamaram de LRDs (sigla inglesa de "little red dots", "pequenos pontos vermelhos" em português). Embora estes pontos sejam bastante abundantes, os investigadores estão perplexos com a sua natureza, a razão das suas cores únicas e o que contam acerca do Universo primitivo.

Uma equipa de astrónomos compilou recentemente uma das maiores amostras de LRDs até à data, quase todos existentes nos primeiros 1,5 mil milhões de anos após o Big Bang. Descobriram que uma grande fração dos LRDs da sua amostra apresentava sinais de conter buracos negros supermassivos em crescimento.

"Estamos intrigados com esta nova população de objetos que o Webb encontrou. Não vemos análogos em desvios para o vermelho mais baixos, razão pela qual não os tínhamos observado antes do Webb", disse Dale Kocevski do Colby College em Waterville, no estado norte-americano do Maine, e principal autor do estudo. "Há uma quantidade substancial de trabalho a ser feito para tentar determinar a natureza destes pequenos pontos vermelhos e se a sua luz é dominada por buracos negros em acreção".

Uma potencial espreitadela ao crescimento inicial dos buracos negros

Um fator que contribuiu significativamente para a grande dimensão da amostra de LRDs da equipa foi a utilização de dados Webb publicamente disponíveis. Para começar, a equipa procurou estas fontes vermelhas no levantamento CEERS (Cosmic Evolution Early Release Science) antes de alargar o seu âmbito a outros campos extragalácticos, incluindo o JADES (JWST Advanced Deep Extragalactic Survey) e o NGDEEP (Next Generation Deep Extragalactic Exploratory Public).

A metodologia utilizada para identificar estes objetos também difere de estudos anteriores, resultando num censo que abrange uma vasta gama de desvios para o vermelho. A distribuição que descobriram é intrigante: os LRDs surgem em grande número cerca de 600 milhões de anos após o Big Bang e sofrem um rápido declínio em quantidade cerca de 1,5 mil milhões de anos após o Big Bang.

A equipa utilizou o levantamento RUBIES (Red Unknowns: Bright Infrared Extragalactic Survey) para obter dados espetroscópicos sobre alguns dos LRDs da sua amostra. Descobriram que cerca de 70 por cento dos alvos mostravam evidências de gás a orbitar rapidamente a 1000 quilómetros por segundo - um sinal de um disco de acreção em torno de um buraco negro supermassivo. Isto sugere que muitos LRDs são buracos negros em acreção, também conhecidos como NGAs (núcleos galácticos ativos).

"A coisa mais excitante para mim é a distribuição dos desvios para o vermelho. Estas fontes realmente vermelhas e de elevado desvio para o vermelho deixam basicamente de existir num determinado ponto após o Big Bang", disse Steven Finkelstein, coautor do estudo da Universidade do Texas em Austin, EUA. "Se forem buracos negros em crescimento, e pensamos que pelo menos 70 por cento deles o são, isto indica uma era de crescimento obscuro de buracos negros no Universo primitivo".

Ao contrário do que dizem as manchetes, a cosmologia não está "avariada"

Quando os LRDs foram descobertos pela primeira vez, houve quem sugerisse que a cosmologia estava "avariada". Se toda a luz proveniente destes objetos fosse proveniente de estrelas, isso implicava que algumas galáxias tinham crescido tanto e tão rapidamente que as teorias não as conseguiam explicar.

A investigação da equipa apoia o argumento de que grande parte da luz destes objetos provém de buracos negros em acreção e não de estrelas. Menos estrelas significa galáxias mais pequenas e mais leves que podem ser compreendidas pelas teorias existentes.

"É assim que se resolve o problema da 'avaria' do Universo", disse Anthony Taylor, coautor do estudo da Universidade do Texas em Austin.

Cada vez mais curioso

Ainda há muito em debate, uma vez que os LRDs parecem suscitar ainda mais questões. Por exemplo, continua em aberto a questão de saber porque é que os LRDs não aparecem em desvios para o vermelho mais baixos. Uma resposta possível é o crescimento de dentro para fora: à medida que a formação estelar dentro de uma galáxia se expande para fora do núcleo, menos gás é depositado pelas supernovas perto do buraco negro em acreção, e este torna-se menos obscurecido. Neste caso, o buraco negro perde o seu casulo de gás, torna-se mais azul e menos vermelho, e perde o seu estatuto de LRD.

Para além disso, os LRDs não são brilhantes em raios X, o que contrasta com a maioria dos buracos negros em desvios para o vermelho mais baixos. No entanto, os astrónomos sabem que, em certas densidades de gás, os fotões de raios X podem ficar presos, reduzindo a quantidade de emissão de raios X. Assim, esta qualidade dos LRDs poderia apoiar a teoria de que se trata de buracos negros fortemente obscurecidos.

A equipa está a adotar várias abordagens para compreender a natureza dos LRDs, incluindo a análise das propriedades da sua amostra no infravermelho médio e a procura alargada de buracos negros em acreção para ver quantos se enquadram nos critérios dos LRDs. A obtenção de espetroscopia mais profunda e observações de acompanhamento selecionadas também serão benéficas para resolver este "caso em aberto" dos LRDs.

"Há sempre duas ou mais formas potenciais de explicar as propriedades intrigantes dos pequenos pontos vermelhos", disse Kocevski. "É uma troca contínua entre modelos e observações, encontrando um equilíbrio entre o que se alinha bem entre os dois e o que entra em conflito".

Estes resultados foram apresentados numa conferência de imprensa na 245.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana em National Harbor, no estado de Maryland, e foram submetidos para publicação na revista The Astrophysical Journal.

// NASA (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv)

 


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LRDs (Little red dots):
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

NGAs (Núcleos Galácticos Ativos):
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
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Blog do JWST (NASA)
Ciclo 3 GO do Webb (STScI)
Ciclo 3 GTO do Webb (STScI)
Ciclo 3 DDT do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

Levantamento CEERS (Cosmic Evolution Early Release Science):
Página principal

JADES (JWST Advanced Deep Extragalactic Survey):
ESA
Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian
GitHub

RUBIES (Red Unknowns: Bright Infrared Extragalactic Survey):
GitHub

 
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Estudo ajuda a determinar quantos buracos negros estão escondidos
 
Um buraco negro supermassivo rodeado por um toro de gás e poeira é aqui representado em quatro comprimentos de onda diferentes na ilustração. A luz visível (em cima à direita) e os raios X de baixa energia (em baixo à esquerda) são bloqueados pelo toro; a radiação infravermelha (em cima à esquerda) é dispersa e reemitida; e alguns raios X altamente energéticos (em baixo à direita) conseguem penetrar no toro.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Vários telescópios da NASA ajudaram recentemente os cientistas a procurar buracos negros supermassivos - aqueles que são milhares de milhões de vezes mais massivos do que o Sol. O novo levantamento é único, porque é tão provável encontrar buracos negros massivos que estão escondidos atrás de nuvens espessas de gás e poeira como aqueles que não estão.

Os astrónomos pensam que todas as grandes galáxias do Universo têm um buraco negro supermassivo no seu centro. Mas é difícil testar esta hipótese porque os investigadores não podem contar os milhares de milhões ou mesmo biliões de buracos negros supermassivos que se pensa existirem no Universo. Ao invés, têm de extrapolar a partir de amostras mais pequenas para conhecer a população maior. Assim, medir com precisão o rácio de buracos negros supermassivos ocultos numa determinada amostra ajuda os cientistas a estimar melhor o número total de buracos negros supermassivos no Universo.

O novo estudo publicado na revista The Astrophysical Journal descobriu que cerca de 35% dos buracos negros supermassivos estão fortemente obscurecidos, o que significa que as nuvens de gás e poeira que os rodeiam são tão espessas que bloqueiam até os raios X de baixa energia. Pesquisas comparáveis revelaram anteriormente que menos de 15% dos buracos negros supermassivos estão assim tão obscurecidos. Os cientistas pensam que o verdadeiro rácio deve estar mais próximo dos 50/50, com base em modelos de como as galáxias crescem. Se as observações continuarem a indicar que menos de metade dos buracos negros supermassivos estão escondidos, os cientistas terão de ajustar algumas ideias-chave que têm sobre estes objetos e o papel que desempenham na formação das galáxias.

Tesouro escondido

Embora os buracos negros sejam inerentemente escuros - nem mesmo a luz consegue escapar à sua gravidade - podem também ser alguns dos objetos mais brilhantes do Universo: quando o gás é puxado para a órbita de um buraco negro supermassivo, tal como a água em torno de um ralo, a gravidade extrema cria uma fricção e um calor tão intensos que o gás atinge centenas de milhares de graus e irradia uma luminosidade tão intensa que pode ofuscar todas as estrelas da galáxia circundante.

As nuvens de gás e poeira que rodeiam e reabastecem o disco central brilhante podem ter a forma aproximada de um toro, ou donut. Se o buraco do donut estiver virado para a Terra, o disco central brilhante no seu interior é visível; se o donut for visto de lado, o disco fica obscurecido.

A maioria dos telescópios consegue identificar facilmente buracos negros supermassivos virados para a Terra, mas não aqueles vistos de lado. Mas há uma exceção a esta regra que os autores do novo artigo científico tiraram proveito: o toro absorve a luz da fonte central e reemite luz de baixa energia na gama do infravermelho (comprimentos de onda ligeiramente superiores aos que os olhos humanos conseguem detetar). Essencialmente, os donuts brilham no infravermelho.

Estes comprimentos de onda foram detetados pelo IRAS (Infrared Astronomical Satellite) da NASA, que funcionou durante 10 meses em 1983 e foi gerido pelo JPL da NASA, no sul do estado norte-americano da Califórnia. O IRAS realizou um levantamento de todo o céu e conseguiu ver as emissões infravermelhas das nuvens que rodeiam os buracos negros supermassivos. O mais importante é que conseguiu detetar igualmente bem os buracos negros vistos de face e os vistos de lado.

O IRAS detetou centenas de alvos iniciais. Alguns deles acabaram por não ser buracos negros fortemente obscurecidos, mas galáxias com elevados ritmos de formação estelar que emitem um brilho infravermelho semelhante. Assim, os autores do novo estudo utilizaram telescópios óticos terrestres para identificar essas galáxias e separá-las dos buracos negros escondidos.

Para confirmar a existência de buracos negros altamente escondidos vistos de lado, os investigadores recorreram ao NuSTAR (Nuclear Spectroscopic Telescope Array) da NASA, um observatório de raios X também gerido pelo JPL. Os raios X são irradiados por alguns dos materiais mais quentes em redor do buraco negro. Os raios X de menor energia são absorvidos pelas nuvens de gás e poeira que os rodeiam, enquanto os raios X mais energéticos observados pelo NuSTAR conseguem penetrar e dispersar-se nas nuvens. A observação e deteção destes raios X pode demorar horas, pelo que os cientistas que trabalham com o NuSTAR precisam primeiro de um telescópio como o IRAS para lhes dizer onde procurar.

 
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O NuSTAR da NASA, nesta ilustração, ajudou os astrónomos a ter uma melhor noção de quantos buracos negros supermassivos estão escondidos por espessas nuvens de gás e poeira que os rodeiam.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

"Surpreende-me como o IRAS e o NuSTAR foram úteis para este projeto, especialmente tendo em conta que o IRAS esteve operacional há mais de 40 anos", disse o líder do estudo Peter Boorman, astrofísico do Caltech em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "Penso que isto mostra o valor dos arquivos dos telescópios e a vantagem de utilizar vários instrumentos e comprimentos de onda em conjunto".

Vantagem numérica

A determinação do número de buracos negros ocultos em comparação com os não ocultos pode ajudar os cientistas a compreender como é que estes buracos negros se tornam tão grandes. Se crescerem consumindo material, então um número significativo de buracos negros deve estar rodeado de nuvens espessas e potencialmente obscurecido. Boorman e os seus coautores afirmam que o seu estudo apoia esta hipótese.

Além disso, os buracos negros influenciam as galáxias em que vivem, sobretudo através do impacto que têm na forma como as galáxias crescem. Isto acontece porque os buracos negros rodeados por enormes nuvens de gás e poeira podem consumir grandes - mas não infinitas - quantidades de material. Se uma quantidade excessiva cair de uma só vez na direção de um buraco negro, este começa a "tossir" o excesso e a lançá-lo de volta para a galáxia. Isso pode dispersar as nuvens de gás dentro da galáxia onde as estrelas se estão a formar, abrandando o ritmo de formação estelar.

"Se não existissem buracos negros, as galáxias seriam muito maiores", afirmou Poshak Gandhi, professor de astrofísica na Universidade de Southampton, no Reino Unido, coautor do novo estudo. "Por isso, se não tivéssemos um buraco negro supermassivo na nossa Galáxia, a Via Láctea, poderia haver muito mais estrelas no céu. Este é apenas um exemplo de como os buracos negros podem influenciar a evolução de uma galáxia".

// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Southampton (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)

 


Quer saber mais?

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

NGAs (Núcleos Galácticos Ativos):
Wikipedia

IRAS (Infrared Astronomical Satellite):
Caltech
Wikipedia

NuSTAR (Nuclear Spectroscopic Telescope Array):
NASA
Caltech
Wikipedia

 
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Utilizando o Telescópio Espacial James Webb, uma equipa de cientistas detetou, pela primeira vez, uma erupção no infravermelho médio do buraco negro supermassivo no coração da Via Láctea. Em observações simultâneas, a equipa encontrou um homólogo surto de rádio, "atrasado" em relação ao primeiro. Ler fonte
     
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Álbum de fotografias
Lua "Engole" Marte

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(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Imran Sultan
 
Será que a Lua alguma vez "engole" Marte? Sim, mas apenas no sentido em que se desloca à sua frente no nosso céu, o que acontece em raras ocasiões. Tal aconteceu no passado dia 14 de janeiro, visto de alguns locais da América do Norte e da África Ocidental. Esta ocultação foi notável não só porque a Lua estava completamente iluminada, mas também porque Marte estava perto da sua oposição - o ponto mais próximo da Terra na sua órbita. A ocultação dura normalmente cerca de uma hora. A imagem em destaque foi obtida perto de Chicago, Illinois, EUA, exatamente no momento em que o maior satélite da Terra se estava a afastar angularmente do muito mais distante Planeta Vermelho. A nossa Lua move-se ocasionalmente em frente de todos os planetas do Sistema Solar. Dado o alinhamento temporário dos planos orbitais, a próxima vez que a nossa Lua vai eclipsar Marte será no dia 9 de fevereiro (não visível de Portugal).
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