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  Astroboletim #2181  
  31/01 a 03/02/2025  
     
 
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EFEMÉRIDES

DIA 31/01: 31.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1862, Alvan Graham Clark Jr. descobre a ténue companheira de Sirius, de nome Sirius B, durante testes de um refrator de 18 polegadas que estava a ser construído para o Observatório Dearborn pelo seu pai, irmão, e por ele próprio. Friedrich Bessel propôs a existência de uma companheira invisível em 1844.
Em 1961, era lançada a Mercury-Redstone 2 - com o chimpanzé Ham a bordo.
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Foi o primeiro hominídeo no espaço.
Em 1966, lançamento da soviética Luna 9. Realizou a primeira aterragem com sucesso noutro corpo planetário.
Em 1971, lançamento da Apollo 14, a terceira missão tripulada à Lua. 
Em 1996, era descoberto o cometa Hyakutake pelo astrónomo amador japonês, Yuji Hiakutake.
HOJE, NO COSMOS:
A fina Lua Crescente brilha esta noite por baixo de Saturno, que tem magnitude 1,1. Vénus, mais de 200 vezes mais brilhante do que Saturno, com magnitude -4,8, encontra-se mais para cima do par.

 

DIA 01/02: 32.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1958, era lançado o Explorer I, o primeiro satélite artificial americano. Transmitiu dados sobre micrometeoritos e radiação cósmica durante 105 dias. A missão resultou na descoberta das cinturas de radiação Van Allen por James Van Allen.
Em 1999, voo rasante n.º 19 da sonda Galileu por Europa.
Em 2003, o vaivém espacial Columbia desintegra-se durante a sua reentrada na atmosfera terrestre, matando os sete astronautas a bordo: Rick D. Husband, William C. McCool, Michael P. Anderson, Ilan Ramon, Kalpana Chawla, David M. Brown e Laurel Clark. 
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HOJE, NO COSMOS:
Agora é a vez de Vénus "hospedar" o convidado lunar. Mas não estão tão juntos quanto parecem. Vénus, atualmente a 4 minutos-luz de distância, está cerca de 200 vezes mais longe do que a atual distância de 1,2 segundos-luz do nosso satélite natural.
A lua de Júpiter, Io, entra na face do planeta pelas 23:41, na direção este. O trânsito de Io acaba pelas 01:53 (já de dia 2). A sombra de Io também transita o planeta das 00:50 às 03:02 (já de dia 2).

 

DIA 02/02: 33.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1964, a sonda norte-americana Ranger 6 chegava à Lua. 
Em 2004 é detetado pela primeira vez oxigénio e carbono na atmosfera de um exoplaneta, HD 209458b.
No mesmo ano, os picos de Columbia Hills em Marte recebem os nomes dos sete astronautas que morreram no desastre do Columbia (STS-107) de 1 de fevereiro de 2003.
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O rover Spirit passou vários anos a explorar Columbia Hills até deixar de funcionar em 2010.
HOJE, NO COSMOS:
O maior asterismo do céu (padrão informal de estrelas) - pelo menos o maior largamente reconhecido - é o Hexágono de Inverno. Preenche o céu a este e sul por estas noites. Comece com a brilhante Sirius em baixo. No sentido dos ponteiros do relógio, prossiga até Procyon, Pollux e Castor, Menkalinan e Capella bem alto, descendo por Aldebarã, Rigel no pé de Orionte e finalmente de volta a Sirius. Betelgeuse brilha dentro do Hexágono, um pouco fora do centro.

 

DIA 03/02: 34.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1966, a sonda soviética Luna 9, não tripulada, faz a primeira aterragem assistida com motores na Lua e, por isso, a primeira em qualquer outro corpo planetário que não a Terra.
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Em 1984, lançamento da missão STS-41-B do vaivém espacial Challenger.
Em 1994, lançamento da STS-60, do vaivém Discovery, com o primeiro cosmonauta russo a bordo desta nave americana. Foi também a primeira missão do programa Shuttle-Mir
Em 1995, a astronauta Eileen Collins torna-se na primeira mulher a pilotar o vaivém espacial na missão STS-63, a partir do Centro Espacial Kennedy na Flórida, EUA.
Em 2005, o novo olho sensível do AreciboAlfalfa, começa a fazer um gigantesco levantamento do céu.
Em 2006, a equipa da Deep Impact da NASA divulga as primeiras evidências de gelo cometário. 
HOJE, NO COSMOS:
Sirius brilha intensamente a sul depois da hora de jantar. Para baixo e para a esquerda de Sirius, a cerca de um punho à distância do braço esticado, está o triângulo composto por Adhara, Wezen e Aludra (da direita para a esquerda). Formam a parte traseira da constelação de Cão Maior. Ou alternativamente, a parte interior e "pega" do asterismo do Cutelo.

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Amostra do asteroide Bennu revela uma mistura de ingredientes para a vida
 
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Nesta imagem, Jason Dworkin segura um frasco que contém parte da amostra do asteroide Bennu entregue à Terra pela missão OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, and Security – Regolith Explorer) da NASA em 2023. Dworkin é cientista do projeto desta missão no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.
Crédito: NASA/James Tralie
 

Estudos de rocha e poeira do asteroide Bennu, entregues à Terra pela nave espacial OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification and Security-Regolith Explorer) da NASA, revelaram moléculas que, no nosso planeta, são fundamentais para a vida, bem como um historial de água salgada que poderia ter servido de "caldo" para estas substâncias interagirem e se combinarem.

As descobertas não mostram evidências da existência de vida, mas sugerem que as condições necessárias para o aparecimento da vida estavam espalhadas por todo o Sistema Solar primitivo, aumentando as probabilidades da vida se ter formado noutros planetas e luas.

"A missão OSIRIS-REx da NASA já está a reescrever o manual do que compreendemos acerca dos primórdios do nosso Sistema Solar", disse Nicky Fox, administradora associada do Diretorado de Missões Científicas na sede da NASA em Washington, EUA. "Os asteroides fornecem uma cápsula do tempo para a história do nosso planeta e as amostras de Bennu são fundamentais para a nossa compreensão dos ingredientes do nosso Sistema Solar que existiam antes do início da vida na Terra".

Num conjunto de artigos científicos publicados na passada quarta-feira nas revistas Nature e Nature Astronomy, cientistas da NASA e de outras instituições partilharam os resultados das primeiras análises pormenorizadas dos minerais e moléculas das amostras de Bennu, que a OSIRIS-REx entregou à Terra em 2023.

Detalhados no artigo científico da Nature Astronomy, entre as deteções mais convincentes estavam os aminoácidos - 14 dos 20 que a vida na Terra usa para fazer proteínas - e todas as cinco nucleobases que a vida na Terra usa para armazenar e transmitir instruções genéticas em biomoléculas terrestres mais complexas, como o ADN e o ARN, incluindo a forma de organizar os aminoácidos em proteínas.

Os cientistas também descreveram abundâncias excecionalmente elevadas de amoníaco nas amostras de Bennu. O amoníaco é importante para a biologia porque pode reagir com o formaldeído, que também foi detetado nas amostras, para formar moléculas complexas, como os aminoácidos - dadas as condições adequadas. Quando os aminoácidos se ligam em cadeias longas, formam as proteínas, que são responsáveis por quase todas as funções biológicas.

Estes blocos de construção da vida detetados nas amostras de Bennu já foram encontrados anteriormente em rochas extraterrestres. No entanto, a sua identificação numa amostra imaculada recolhida no espaço apoia a ideia de que os objetos que se formaram longe do Sol podem ter sido uma fonte importante dos ingredientes precursores da vida em todo o Sistema Solar.

"As pistas que procuramos são tão minúsculas e tão facilmente destruídas ou alteradas pela exposição ao ambiente terrestre", disse Danny Glavin, cientista sénior de amostras no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, e coautor principal do artigo científico publicado na Nature Astronomy. "É por isso que algumas destas novas descobertas não seriam possíveis sem uma missão de entrega de amostras, medidas meticulosas de controlo de contaminação e uma cuidadosa conservação e armazenamento deste precioso material de Bennu".

Enquanto a equipa de Glavin analisava as amostras de Bennu em busca de indícios de substâncias relacionadas com a vida, os seus colegas, liderados por Tim McCoy, curador de meteoritos do Museu Nacional de História Natural do Smithsonian, em Washington, e Sara Russell, mineralogista cósmica do Museu de História Natural de Londres, procuravam pistas sobre o ambiente em que estas moléculas se teriam formado. Na revista Nature, os cientistas descrevem ainda evidências de um ambiente antigo bem adequado para dar início à química da vida.

Desde calcite a halite e a silvite, os cientistas identificaram vestígios de 11 minerais na amostra de Bennu que se formam quando a água, contendo sais dissolvidos, se evapora durante longos períodos de tempo, deixando para trás os sais sob a forma de cristais sólidos.

Salmouras semelhantes foram detetadas ou sugeridas em todo o Sistema Solar, incluindo no planeta anão Ceres e na lua de Saturno, Encélado.

Embora os cientistas tenham detetado anteriormente vários evaporitos em meteoritos que caem para a superfície da Terra, nunca tinham visto um conjunto completo que preservasse um processo de evaporação que poderia ter durado milhares de anos ou mais. Alguns minerais encontrados em Bennu, como o trona, foram descobertos pela primeira vez em amostras extraterrestres.

"Estes artigos científicos andam realmente de mãos dadas na tentativa de explicar como é que os ingredientes da vida se juntaram para fazer o que vemos neste asteroide aquosamente alterado", disse McCoy.

Apesar de todas as respostas que a amostra de Bennu forneceu, subsistem várias questões. Muitos aminoácidos podem ser criados em duas versões espelhadas, como um par de mãos esquerda e direita. A vida na Terra produz quase exclusivamente a variedade "canhota", mas as amostras de Bennu contêm uma mistura igual de ambas. Isto significa que, na Terra primitiva, os aminoácidos também podem ter começado numa mistura igual. A razão pela qual a vida "virou à esquerda" em vez de "virar à direita" continua a ser um mistério.

"A OSIRIS-REx tem sido uma missão muito bem-sucedida", disse Jason Dworkin, cientista do projeto OSIRIS-REx no Centro Espacial Goddard da NASA e coautor principal do artigo científico da Nature Astronomy. "Os dados da OSIRIS-REx acrescentam 'pinceladas' importantes a um quadro de um Sistema Solar repleto de potencial para a vida. Porque é que, até agora, só vemos vida na Terra e não noutros locais, essa é a questão verdadeiramente fascinante".

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico #1 (Nature Astronomy)
// Artigo científico #2 (Nature)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
01/10/2024 - OSIRIS-REx, 1 ano depois: amostra de asteroide continua a fornecer pistas sobre o início do Sistema Solar e as origens da vida na Terra
28/06/2024 - Descoberta surpreendente de fosfato nas amostras do asteroide Bennu recolhidas pela OSIRIS-REx
13/10/2023 - Amostra do asteroide Bennu contém carbono e água

Asteroide Bennu:
NASA
NASA - 2 
Wikipedia

OSIRIS-REx:
Página oficial
NASA
Facebook
YouTube
Instagram
Wikipedia

Amoníaco:
Wikipedia
Ocorrência extraterrestre (Wikipedia)

Calcite:
Wikipedia

Halite:
Wikipedia

Silvite:
Wikipedia

Evaporito:
Wikipedia

Trona:
Wikipedia

Quiralidade (na química):
Wikipedia
Quiralidade na bioquímica (Wikipedia)

 
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Confirmada a existência de uma super-Terra na zona habitável de uma estrela próxima semelhante ao Sol
 
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Impressão de artista do recém-descoberto exoplaneta HD 20794 d em órbita da sua estrela, HD 20794. São visíveis os outros dois planetas do sistema, HD 20794 b e HD 20794 c. (ver animação aqui)
Crédito: Gabriel Pérez Dias (IAC)
 

O IAC (Instituto de Astrofísica de Canarias) e a ULL (Universidad de La Laguna) confirmaram a descoberta de uma super-Terra a orbitar na zona habitável de HD 20794, uma estrela próxima semelhante ao Sol. Esta descoberta, resultado de mais de duas décadas de observações, abre uma janela para futuros estudos de atmosferas planetárias semelhantes à da Terra.

A procura de planetas na zona habitável de estrelas semelhantes ao Sol é crucial para compreender a possibilidade de vida para além da Terra e para estudar condições semelhantes às que permitiram o desenvolvimento de vida no nosso próprio planeta. Neste contexto, HD 20794, uma estrela com uma massa ligeiramente inferior à do Sol e localizada a apenas 20 anos-luz de distância, sempre foi de grande interesse científico. O planeta recém-descoberto é o terceiro planeta identificado no sistema, após a descoberta de duas super-Terras publicada há mais de uma década.

O nome do novo exoplaneta é HD 20794 d e é uma super-Terra com uma massa seis vezes superior à do nosso planeta, demorando 647 dias a completar uma órbita à volta da sua estrela, menos 40 dias do que Marte. Esta órbita coloca-o dentro da zona habitável do sistema, o que significa que está à distância ideal da sua estrela para sustentar água líquida à superfície, um dos ingredientes chave para a vida tal como a conhecemos.

É precisamente a combinação da distância do planeta à sua estrela e a proximidade do sistema que o torna particularmente atrativo, um candidato perfeito para observações com o ELT, o telescópio de 40 metros do ESO, ou futuras missões espaciais da ESA e da NASA. "Este é o tipo perfeito de planeta para caracterizar as atmosferas de planetas terrestres com instrumentos e missões de próxima geração", explica Nicola Nari, investigador da Lightbridges S.L., estudante de doutoramento na ULL e autor principal do estudo, publicado na revista Astronomy & Astrophysics. "De facto, conhecemos muito poucos planetas semelhantes", observa Alejandro Suárez Mascareño, investigador do IAC e coautor do trabalho. "Este será certamente um dos primeiros que poderemos estudar", acrescenta.

 
Recriação do planeta HD 20794 d e da sua órbita em torno da estrela hospedeira.
Crédito: Gabriel Pérez (IAC)
 

Esta descoberta foi possível graças a mais de 20 anos de medições de velocidade radial efetuadas pelos espetrógrafos ESPRESSO e HARPS, ambos instalados nos observatórios do ESO no Chile. Estes instrumentos, entre os mais avançados do mundo, podem medir as pequenas variações na velocidade estelar causadas pela atração gravitacional dos planetas num sistema. "Muito poucos instrumentos no mundo conseguem atingir o nível de precisão necessário para uma descoberta como esta", explica Nicola Nari.

Para ir ainda mais longe, a equipa aplicou técnicas sofisticadas de processamento aos espetros obtidos. "Trabalhámos durante anos na análise dos dados, analisando e eliminando progressivamente todas as possíveis fontes de contaminação", explica Michael Cretignier, coautor do estudo e investigador da Universidade de Oxford. Esta análise meticulosa revelou a presença de um sinal candidato identificado em 2022. A equipa lançou imediatamente uma nova campanha de observação para o confirmar. "Após dois anos a adicionar novas medições, podemos confirmar que temos uma deteção robusta", acrescenta Nathan Hara, investigador do Laboratório de Astrofísica de Marselha.

Embora o planeta esteja localizado na zona habitável do sistema, é demasiado cedo para dizer se tem potencial para albergar vida. A sua elevada massa e órbita excêntrica fazem dele um mundo muito diferente do nosso. Ao contrário da maioria dos planetas do Sistema Solar, a órbita de HD 20794 d não é circular, mas elíptica. A sua distância à estrela muda significativamente, fazendo com que o planeta se desloque do exterior da zona habitável para o seu limite interior ao longo do ano. "HD 20794 d não é uma segunda casa para a humanidade, mas a sua posição e órbita peculiar dão-nos uma oportunidade única de estudar como as condições de habitabilidade variam ao longo do tempo e como estas variações podem influenciar a evolução da atmosfera do planeta", diz Alejandro Suárez Mascareño, investigador do IAC e coautor do trabalho.

// IAC (comunicado de imprensa)
// ULL (comunicado de imprensa)
// Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (comunicado de imprensa)
// Universidade do Porto (comunicado de imprensa)
// Universidade de Oxford (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// A órbita do exoplaneta HD 20794 d (Alejandro Suarez Mascareño via Universidade de Oxford no YouTube)

 


Quer saber mais?

HD 20794:
IPAC
Wikipedia
HD 20794 d (Exoplanet.eu)

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

VLT (Very Large Telescope):
ESO
Wikipedia
Espetrógrafo ESPRESSO (ESO)

Observatório de La Silla:
ESO
Wikipedia
HARPS (ESO)
HARPS (Wikipedia)

ELT (Extremely Large Telescope):
ESO
ESO - 2
Wikipedia

 
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Estudo do Chandra revela que os buracos negros podem "cozinhar" por eles próprios
 
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Imagens, lado a lado, de dois enxames de galáxias, cada um com um buraco negro central rodeado por manchas e filamentos de gás. Os enxames de galáxias, conhecidos como Perseu e Centauro, são dois dos sete enxames de galáxias observados no âmbito de um estudo internacional liderado pela Universidade de Santiago do Chile.
As manchas roxas representam gás quente de raios X e as veias cor-de-rosa neon representam filamentos de gás quente. De acordo com o modelo publicado no estudo, os jatos dos buracos negros atingem o gás quente de raios X. Este gás arrefece em filamentos quentes, com algum gás quente a fluir de volta para o buraco negro. O fluxo de retorno do gás quente faz com que os jatos arrefeçam novamente o gás quente, desencadeando o ciclo mais uma vez.
Crédito: Enxame de Perseu - raios X - NASA/CXC/SAO/V. Olivares et al.; ótico/infravermelho - DSS; H-alfa - CFHT/SITELLE; Enxame de Centauro - raios X - NASA/CXC/SAO/V. Olivaresi et al.; ótico/infravermelho - NASA/ESA/STSCI; H-alfa - ESO/VLT/MUSE; processamento de imagem - NASA/CXC/SAO/N. Wolk
 

Os astrónomos deram um passo crucial para demonstrar que os buracos negros mais massivos do Universo podem criar as suas próprias refeições. Dados do Observatório de raios X Chandra da NASA e do VLT (Very Large Telescope) fornecem novas evidências de que as erupções dos buracos negros podem ajudar a arrefecer gás para se alimentarem.

Este estudo baseou-se em observações de sete enxames de galáxias. Os centros dos enxames de galáxias contêm as galáxias mais massivas do Universo, que albergam enormes buracos negros com massas que variam entre milhões e dezenas de milhares de milhões de vezes a massa do Sol. Os jatos destes buracos negros são impulsionados pelo seu consumo de gás.

Estas imagens mostram dois dos enxames de galáxias do estudo, o Enxame de Perseu e o Enxame de Centauro. Os dados do Chandra representados a azul revelam raios X de filamentos de gás quente e os dados do VLT, um telescópio ótico no Chile, mostram filamentos mais frios a vermelho.

Os resultados apoiam um modelo em que as erupções dos buracos negros fazem com que o gás quente arrefeça e forme filamentos estreitos de gás quente. A turbulência no gás também desempenha um papel importante neste processo de ativação.

De acordo com este modelo, parte do gás quente nestes filamentos deveria então fluir para o centro das galáxias para alimentar os buracos negros, causando uma erupção. A explosão faz com que mais gás arrefeça e alimente os buracos negros, levando a novos surtos.

Este modelo prevê a existência de uma relação entre o brilho dos filamentos de gás quente e morno nos centros dos enxames de galáxias. Mais especificamente, nas regiões onde o gás quente é mais brilhante, o gás morno também deverá ser mais brilhante. A equipa de astrónomos descobriu, pela primeira vez, essa relação, dando um apoio fundamental ao modelo.

Este resultado também fornece uma nova compreensão destes filamentos cheios de gás, que são importantes não só para alimentar os buracos negros, mas também para provocar a formação de novas estrelas. Este avanço foi possível graças a uma técnica inovadora que isola os filamentos quentes nos dados de raios X do Chandra de outras estruturas, incluindo grandes cavidades no gás quente criadas pelos jatos dos buracos negros.

A relação recém-descoberta para estes filamentos mostra uma semelhança notável com a encontrada nas caudas das galáxias medusas, que tiveram o seu gás retirado à medida que viajavam através do gás circundante, formando longas caudas. Esta semelhança revela uma ligação cósmica inesperada entre os dois objetos e implica que um processo semelhante está a ocorrer neles.

Este trabalho foi liderado por Valeria Olivares, da Universidade de Santiago do Chile, e foi publicado na passada segunda-feira na revista Nature Astronomy.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Chandra/Harvard (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Olhar rápido: estudo do Chandra revela que os buracos negros podem "cozinhar" por eles próprios

 


Quer saber mais?

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Enxame Galáctico de Perseu:
Wikipedia

Enxame Galáctico de Centauro:
Wikipedia

Galáxia Medusa:
Wikipedia

Observatório de raios X Chandra:
NASA
Universidade de Harvard
Wikipedia

VLT (Very Large Telescope):
ESO
Wikipedia

 
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Também em destaque
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exemplo   Experiências corroboram teoria sobre como Titã mantém a sua atmosfera (via SwRI)
Instituições realizaram experiências laboratoriais para compreender melhor como é que a lua de Saturno, Titã, consegue manter a sua atmosfera única, rica em azoto. Titã é a segunda maior lua do nosso Sistema Solar e a única que tem uma atmosfera significativa. Ler fonte
     
  VLA contribui com uma peça crucial para o puzzle de um peculiar transiente altamente energético (via NRAO)
Os sinais transientes de alta energia são mais frequentemente determinados como explosões de raios gama, mas a recém-lançada Einstein Probe expandiu a capacidade dos astrónomos para responder rapidamente a sinais semelhantes que ocorrem em comprimentos de onda de raios X. Agora, um estudo multi-comprimento de onda de EP240408a conclui que, embora muitas das características do sinal possam levar à conclusão de que se trata de uma explosão de raios gama, a não deteção em comprimentos de onda de rádio exclui essa possibilidade. Em vez disso, a equipa internacional de astrónomos sugere que EP240408a é um raro evento de perturbação de maré com jato ou, talvez, um tipo inteiramente novo de fenómeno astronómico. Este fenómeno foi descoberto apenas nos primeiros dois meses da fase de comissionamento. Ler fonte
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Álbum de fotografias
NGC 7841: A Galáxia do Pequeno Sombrero

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Mike Selby
 
Aponte o seu telescópio para a constelação de Pégaso e poderá encontrar esta extensão de estrelas da Via Láctea e galáxias distantes. NGC 7814 está centrada no bonito campo de visão que quase seria coberto pela Lua Cheia. NGC 7814 é às vezes chamada de Pequeno Sombrero devido à sua semelhança com a mais brilhante e famosa M104, a Galáxia do Sombrero. Tanto a Sombrero quanto a Pequeno Sombrero são galáxias espirais vistas de lado, e ambas têm halos extensos e bojos centrais cortados por um disco fino com correntes de poeira mais finas em silhueta. De facto, NGC 7814 está a cerca de 40 milhões de anos-luz de distância e tem aproximadamente 60.000 anos-luz de diâmetro. Na verdade, isso faz com que a galáxia do Pequeno Sombrero seja do mesmo tamanho da sua homónima mais conhecida, parecendo mais pequena e mais fraca apenas porque está mais longe.
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