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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
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  Astroboletim #2240  
  26/08 a 28/08/2025  
     
 
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Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva de Tavira

Observação noturna do céu na praia do Barril
Local: Praia do Barril
29/08/2025, 21:00
(não requer inscrição)

A Lua sobre a ponte
Local: Ponte romana - Tavira
02/09/2025, 20:00
(não requer inscrição)

Observação solar na praia do Barril
Local: Praia do Barril
05/09/2025, 10:00
(não requer inscrição)

Observação solar na Ilha de Tavira
Local: perto dos restaurantes da ilha da Tavira
12/09/2025, 10:00
(não requer inscrição)

 

Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva do Algarve

Astronomia junto ao Castelo de Paderne
Local: Castelo de Paderne
01/09/2025, 21:00 - Data esgotada - Lista de espera

Eclipse lunar na Ilha de Faro
Local: Centro Náutico da Praia de Faro
07/09/2025, 19:45 - Data esgotada - Lista de espera

Programa em atualização
Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, duração da iniciativa, etc., e para fazer a sua inscrição caso seja obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão

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EFEMÉRIDES

DIA 26/08: 238.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1978, Sigmund Jähn torna-se no primeiro cosmonauta alemão, a bordo da Soyuz 31.
Em 1999 são registadas as primeiras imagens de calibração do telescópio de raios-X mais poderoso do mundo, o Observatório Chandra da NASA.
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Estas incluem os espetaculares remanescentes de uma supernova, Cassiopeia A, que explodiu há 300 anos atrás, uma concha de gás quente com 10 anos-luz de diâmetro e temperaturas de 50 milhões de graus, com um ponto de luz que pode ser uma estrela de neutrões no centro da explosão estelar. Outra imagem que fascinou os observadores foi o grande jato energético do quasar PKS 0637-752 a 6 mil milhões de anos-luz. O Chandra continuou com as suas calibrações nas semanas seguintes.
Em 2003, a comissão que investigava o acidente do vaivém Columbia anuncia o seu relatório final.
HOJE, NO COSMOS:
Aviste uma fina Lua muito baixa a oeste-sudoeste ao anoitecer. O planeta Marte é o ponto brilhante para a direita e um pouco para cima.

 

DIA 27/08: 239.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1962 era lançada com êxito a sonda Mariner 2 a partir de Cabo Canaveral com destino Vénus, onde chegou 15 semanas depois.
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A 14 de dezembro de 1962 tornou-se na primeira sonda a passar com sucesso por Vénus, sendo a sua aproximação máxima 34.773 km. Encontra-se agora numa órbita solar. 
Em 1985, lançamento da missão STS-51-I
Em 1999 é encontrada água extraterrestre num meteorito. Usando várias formas de análise, os cientistas do JSC encontram água nos cristais de halite de um meteorito que caiu na Terra (Texas) a 22 de março de 1998. A água capturada nos cristais pode ser mais antiga do que o Sol e do que os planetas.
Em 2003, Marte faz a sua maior aproximação à Terra em quase 60.000 anos, passando a 55.758.005 km de distância.
HOJE, NO COSMOS:
Uma antevisão de inverno - olhe para o céu pouco antes do amanhecer esta semana e, além de Vénus e Júpiter a este, o céu mostrará o mesmo panorama estrelado que conseguirá observar à hora de jantar em janeiro. Orionte está a sudeste, com Aldebarã e as Plêiades para cima. Sirius brilha para baixo de Orionte. Os Gémeos estão de lado a este, embora de momento as suas cabeças, Pollux e Castor, sejam superadas por Júpiter e Vénus. No inverno, a configuração planetária já será diferente.

 

DIA 28/08: 240.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1789 Herschel descobria a lua de SaturnoEncélado.
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Em 1859, uma tempestade geomagnética provoca auroras boreais tão fortes que puderam ser claramente observadas em partes dos EUA, Europa e até Japão.
Em 1993, "flyby" da sonda Galileu por Ida e Dactyl.
Em 1999, a missão espacial russa Soyuz TM-29 chega ao fim, terminando quase 10 anos de ocupação contínua da estação espacial Mir, à medida que esta se aproxima do final da sua vida.
Em 2009, lançamento da missão STS-128 do vaivém espacial Discovery.
HOJE, NO COSMOS:
Uma das estrelas variáveis cefeidas mais brilhantes do céu - uma estrela visível a olho nu, que pode ser observada com um simples olhar para cima - é Eta Aquilae. Já ouviu falar dela? Está localizada 8º para sul de Altair e pulsa de magnitude 4,3 para 3,4 e vice-versa a cada 7,18 dias. É um pouco mais do dobro do seu brilho. O seu aumento até ao máximo é mais veloz do que o seu escurecimento até o mínimo, como acontece com outras cefeidas clássicas. O seu período é tão próximo de uma semana que pode notar que o comportamento se repete nos mesmos dias da semana durante um ou dois meses seguidos.

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Estrutura poeirenta explica o quase desaparecimento de uma estrela distante
 
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Ilustração, criada por inteligência artificial, do possível aspeto do sistema ASASSN-24fw.
Crédito: Microsoft Designer
 

As estrelas morrem e desaparecem de vista a toda a hora, mas os astrónomos ficaram intrigados quando uma estrela que se tinha mantido estável durante mais de uma década quase desapareceu durante oito meses.

Entre o final de 2024 e o início de 2025, uma estrela da nossa Galáxia, designada por ASASSN-24fw, diminuiu o seu brilho em cerca de 97%, antes de aumentar novamente. Desde então, os cientistas têm vindo a trocar teorias sobre o que estará por detrás deste acontecimento raro e excitante.

Agora, uma equipa internacional liderada por cientistas da Universidade do Estado do Ohio, EUA, poderá ter encontrado uma resposta para o mistério. Num novo estudo recentemente publicado na revista The Open Journal of Astrophysics, os astrónomos sugerem que, uma vez que a cor da luz da estrela permaneceu inalterada durante o seu escurecimento, o evento não foi causado por uma qualquer evolução da estrela, mas sim por uma grande nuvem de poeira e gás em torno da estrela que ocultou a visão da Terra.

"Explorámos três cenários diferentes para o que poderia estar a acontecer", disse Raquel Forés-Toribio, autora principal do estudo e investigadora pós-doutorada em astronomia. "As evidências sugerem que é provável que exista uma nuvem de poeira em forma de disco à sua volta".

ASASSN-24fw é uma estrela de classe F - uma estrela um pouco mais massiva do que o nosso Sol e com cerca do dobro do tamanho - e está localizada a cerca de 3000 anos-luz da Terra. Os investigadores estimam que a nuvem em forma de disco que a rodeia tem cerca de 1,3 unidades astronómicas (UA) de diâmetro, uma distância ainda maior do que a que separa o Sol do nosso planeta (1 UA é a distância entre o centro da Terra e o centro do Sol).

Os investigadores sugerem que este disco também é provavelmente constituído por grandes aglomerados de carbono ou água gelada, com dimensões próximas das de um grande grão de poeira encontrado na Terra. Este material é suficientemente semelhante aos discos de formação planetária para que o seu estudo possa dar aos astrónomos novos conhecimentos sobre a formação e evolução estelar.

No entanto, estas descobertas por si só não explicam todas as anomalias do sistema, disse Forés-Toribio. Ao invés, os investigadores pensam que uma estrela mais pequena e mais fria pode também orbitar ASASSN-24fw, o que faria dele um sistema binário oculto.

"Neste momento, com os dados que temos, o que propomos é que haja duas estrelas juntas num sistema binário", disse Forés-Toribio. "A segunda estrela, que é muito mais fraca e menos massiva, pode estar a provocar as mudanças na geometria que levam aos eclipses".

Embora sistemas obscurantes como o que a equipa viu sejam escassos, este eclipse raro foi especialmente dramático, disse Chris Kochanek, coautor do estudo e professor de astronomia, pois quando os investigadores procuraram objetos semelhantes, não conseguiram encontrar nenhum que se encaixasse exatamente no mesmo padrão.

"Esperávamos encontrar algumas semelhanças e não encontrámos muitas, o que é interessante por si só", disse Kochanek. "Mas a esperança é que, à medida que formos encontrando mais no futuro, alguns padrões possam eventualmente ser revelados".

O sistema foi descoberto no âmbito do projeto ASAS-SN (All-Sky Automated Survey for Supernovae), uma rede de pequenos telescópios que monitorizam todo o céu noturno visível. Desde a sua criação, há mais de uma década, que o ASAS-SN já recolheu cerca de 14 milhões de imagens do cosmos.

"A capacidade do Universo em nos surpreender é contínua", disse Krzysztof Stanek, outro coautor do estudo e professor de astronomia. "Mesmo com pequenos telescópios no solo e grandes telescópios no espaço, sempre que temos uma nova capacidade, continuamos a descobrir coisas novas".

De acordo com a equipa, o sistema ASASSN-24fw deverá passar por um eclipse aproximadamente a cada 43,8 anos, sendo que o próximo só deverá ocorrer por volta de 2068. Embora alguns membros da equipa não esperem estar por perto para estudar esse evento, esperam que o trabalho que deixaram no desenvolvimento destes levantamentos do céu a longo prazo dê aos futuros cientistas uma base para fazer todo o tipo de novas e excitantes descobertas.

"Queremos que os nossos dados estejam acessíveis daqui a cem anos, mesmo que não estejamos cá", disse Stanek. "O principal objetivo do ASAS-SN é que, se algo acontecer no céu, teremos dados históricos sobre isso".

Entretanto, a equipa quer utilizar telescópios maiores, como o Telescópio Espacial James Webb e o LBT (Large Binocular Telescope), para fazer observações mais completas do sistema à medida que este regressa ao brilho total.

"Este estudo é um exemplo particularmente interessante de uma classe mais vasta de objetos ainda muito estranhos", disse Stanek. "Aprendemos mais sobre astrofísica quando encontramos coisas que são invulgares, porque isso põe à prova as nossas teorias".

// Universidade do Estado do Ohio (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Open Journal of Astrophysics)

 


Quer saber mais?

Estrela de classe F:
Wikipedia

ASAS-SN (All-Sky Automated Survey for Supernovae):
Universidade do Estado do Ohio
Universidade do Estado do Ohio #2
Wikipedia

 
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Astrónomos seguiram a evolução de uma estrela moribunda ao longo de 130 anos
 
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Imagem a cores falsas de IC 418, obtida pelo Telescópio Espacial Hubble em 1999.
Crédito: NASA, equipa do Legado Hubble (STScI/AURA)
 

Pela primeira vez, os cientistas seguiram diretamente a lenta transformação de uma estrela moribunda ao longo de mais de um século - revelando que está a aquecer mais depressa do que qualquer outra estrela típica alguma vez observada.

A investigação, publicada na revista The Astrophysical Journal Letters, rastreia 130 anos de mudanças na nebulosa planetária IC 418, também conhecida como a Nebulosa do Espirógrafo - uma concha brilhante de gás e poeira expelida por uma estrela moribunda a cerca de 4000 anos-luz da Terra.

Reunindo observações que remontam a 1893, quando os astrónomos registaram pela primeira vez a nebulosa através de um telescópio, até aos dias de hoje, os cientistas descobriram que a característica luz verde da nebulosa, emitida pelos átomos de oxigénio, se tornou cerca de 2,5 vezes mais forte desde que os astrónomos vitorianos a estudaram pela primeira vez.

Esta mudança está a ser impulsionada pela subida da temperatura da estrela central, que aumentou cerca de 3000° C desde 1893, ou seja, aproximadamente 1000° C a cada 40 anos. Para comparação, o Sol aumentou o mesmo valor durante a sua formação, mas demorou 10 milhões de anos a fazê-lo.

No entanto, embora a estrela esteja a aquecer mais depressa do que alguma vez se tinha observado, continua a ser mais lentamente do que os modelos mais recentes previam. Isto desafia as teorias atuais sobre a forma como as estrelas envelhecem e morrem, e pode forçar os astrónomos a repensar as massas das estrelas capazes de produzir carbono - o elemento essencial para a vida.

"Muitas vezes ignoramos dados científicos obtidos há muito tempo. Neste caso, estes dados revelaram a evolução mais rápida de uma estrela típica que foi observada diretamente. O passado mostra que os céus não são tão imutáveis quanto pensamos", disse o investigador principal, o professor Albert Zijlstra da Universidade de Manchester.

Uma nebulosa planetária assinala uma das fases finais da vida de uma estrela. À medida que o núcleo da estrela se torna instável, liberta as suas camadas exteriores para o espaço. O núcleo remanescente aquece rapidamente, energizando o gás e a poeira circundantes para formar belas estruturas. No caso de IC 418, isto cria uma estrutura intrincada e rodopiante, que lhe valeu a alcunha de "Nebulosa do Espirógrafo". O nosso Sol terá o mesmo destino daqui a cerca de 5 mil milhões de anos.

Ao passo que as nebulosas planetárias normalmente evoluem de forma lenta, os investigadores descobriram que IC 418 está a evoluir depressa o suficiente para ser seguida durante uma vida humana.

Isto faz com que seja a transformação mais prolongada e rápida alguma vez registada numa nebulosa planetária, e possivelmente em qualquer estrela.

A equipa examinou 130 anos de observações de uma vasta gama de telescópios - desde medições a olho humano no final do século XIX até às tecnologias avançadas de hoje. Verificaram, calibraram e combinaram os dados antes de os compararem com modelos detalhados de evolução estelar. Isto permitiu-lhes medir o ritmo de aquecimento da estrela, determinar a sua massa atual e até estimar a massa da estrela antes de começar a sua transformação.

As descobertas oferecem uma visão rara de como as nebulosas planetárias evoluem e sugerem que o céu noturno pode mudar muito mais depressa do que normalmente pensamos.

O professor Quentin Parker, da Universidade de Hong Kong e coautor do artigo científico, afirmou: "Pensamos que esta investigação é importante porque oferece evidências únicas e diretas da evolução das estrelas centrais das nebulosas planetárias. Vai levar-nos a repensar alguns dos nossos modelos atuais dos ciclos de vida estelares.

"Tem sido um grande esforço conjunto - recolher, verificar e analisar cuidadosamente mais de um século de dados astronómicos e depois combiná-los com modelos de evolução estelar. É um processo exigente que vai muito além da simples observação e estamos gratos pela oportunidade de contribuir para o nosso campo desta forma".

// Universidade de Manchester (comunicado de imprensa)
// Universidade de Hong Kong (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

 


Quer saber mais?

IC 418:
Wikipedia

Nebulosa planetária:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

 
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Dois tipos diferentes de asteroides podem ter a mesma história de origem
 
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Quatro instantâneos de uma animação que mostra como um asteroide apareceria durante diferentes fases, dependendo da sua localização em relação ao Sol, à semelhança das fases da Lua. Ver aqui a animação.
Crédito: Caltech/IPAC/K. Miller
 

Um artigo científico recentemente publicado fornece evidências de que dois tipos de asteroides provavelmente se formaram nas mesmas regiões durante o início do nosso Sistema Solar.

O nosso Sistema Solar foi formado há cerca de 4,6 mil milhões de anos a partir de um enorme disco de gás e poeira que orbitava o nosso Sol. Os asteroides que vemos hoje são alguns dos artefactos mais completos desta formação que nos restam para observar, tal como parafusos, excedentes e outros detritos que sobram de uma obra. Os cientistas podem estudar estas cápsulas do tempo flutuantes e examinar a sua composição, forma e composição da superfície para inferir como o nosso Sistema Solar era quando nasceu.

Os asteroides estão organizados pelos investigadores em categorias baseadas em características semelhantes, e um artigo científico recente publicado na revista The Planetary Science Journal, liderado pelo cientista Joe Masiero do IPAC (Infrared Processing and Analysis Center), relata evidências de que dois tipos distintos de asteroides podem ter partilhado o mesmo cruel passado.

"Os asteroides oferecem-nos a oportunidade de observar o que se passava nos primórdios do Sistema Solar, como um instantâneo das condições que existiam quando os primeiros objetos sólidos se formaram", afirmou Masiero.

Utilizando dados do Observatório Palomar do Caltech, a investigação de Masiero centra-se em duas categorias de asteroides, uma rica em metais e outra composta por uma mistura de silicatos e outros materiais. Embora tenham composições completamente diferentes, as duas categorias partilham uma camada poeirenta única de um material feito de ferro e enxofre, chamado troilite.

"A troilite é muito pouco comum, por isso podemos usá-la como uma impressão digital que liga estes dois tipos diferentes de objetos entre si", disse Masiero.

"É só uma fase"

Os asteroides são separados em diferentes classes com base no espetro de luz refletido da sua superfície, denotado por letras como M, K, C, entre outras. Os espetros podem mostrar a presença de carbono, silicatos ou metais no rególito, a poeira à superfície do asteroide.

Neste estudo, Masiero analisou asteroides do tipo M e K. Os asteroides do tipo M são ricos em metais, enquanto os do tipo K são compostos por silicatos e outros materiais e pensa-se que estejam ligados a uma antiga colisão gigante entre asteroides. Cerca de 95 por cento da crosta e do manto da Terra são constituídos por silicatos.

Mas os mesmos materiais nos asteroides podem aparecer de modo diferente, dependendo da forma do asteroide, do tamanho do rególito (poeira, seixos, pedregulhos) e do ângulo de fase do asteroide em relação ao Sol.

Os asteroides do nosso Sistema Solar estão em constante movimento: orbitam o Sol e giram sobre o seu próprio eixo, e por isso, tal como a Lua tem fases, os asteroides também têm. O ângulo de fase é o ângulo entre o Sol, o asteroide e a Terra.

"Embora os espetros indiquem que existem diferentes minerais na superfície destes objetos, estamos a tentar descobrir quão diferentes são estes corpos", disse Masiero. "Queremos recuar no tempo para saber quando se formaram e em que condições se formaram no início do Sistema Solar".

Os mesmos asteroides; novas técnicas

Masiero voltou-se para a polarização, particularmente no infravermelho próximo, como um método para estudar os asteroides. Ao medir a polarização da luz refletida nos asteroides de tipo M e K que estava a estudar, Masiero mostra que as duas classes espetrais de asteroides, anteriormente discretas, podem na realidade estar ligadas através da composição da sua superfície.

A polarização descreve a direção das ondas que constituem a luz, tal como o brilho é uma medida do número de fotões existentes ou a cor é uma medida do comprimento de onda. Diferentes minerais de superfície têm diferentes respostas de polarização quando refletem a luz, da mesma forma que podem ter cores diferentes.

As alterações no ângulo de fase de um asteroide podem afetar significativamente a polarização e esta resposta é o resultado da variedade de materiais na superfície. Masiero utilizou a forma como o grau de polarização muda com o ângulo de fase para investigar a composição das superfícies dos asteroides. Esta técnica pode sondar a composição mesmo quando os minerais não mostram qualquer cor ou resposta espetral.

"A polarização dá-nos uma visão dos minerais dos asteroides que não conseguimos obter através da forma como o asteroide reflete a luz solar ou do espetro da luz refletida", disse Masiero. "A polarização dá-nos um terceiro eixo para fazer perguntas sobre a mineralogia da superfície que é independente do brilho ou da informação espetral".

Masiero usou o instrumento WIRC+Pol no Observatório Palomar do Caltech, nas montanhas acima de San Diego, Califórnia, EUA.

"O Palomar é uma instalação fabulosa. É ótimo interagir com a equipa de observação; os operadores do telescópio e os astrónomos de apoio são realmente prestáveis para garantir a obtenção dos melhores dados possíveis", disse Masiero. "Para os dados de polarização no infravermelho de que necessitava, não há outro instrumento que consiga obter dados tão profundos. Esta é uma vantagem única do Palomar".

Quando a poeira assenta

Após os estudos de polarização, Masiero conclui que tanto os asteroides do tipo M como os do tipo K partilham a mesma superfície poeirenta de troilite, um material de sulfeto de ferro.

Masiero argumenta que a evidência de troilite é um sinal de que estes dois tipos de asteroides vieram de tipos semelhantes de objetos originais maiores que mais tarde se separaram para criar os asteroides que vemos hoje.

As diferentes composições gerais dos asteroides podem estar relacionadas com as diferentes camadas dentro dos grandes objetos originais. Tal como a Terra tem um núcleo, manto e crosta feitos de materiais diferentes, estes tipos de asteroides podem ter origem nas diferentes camadas.

A poeira de troilite pode ter sido abundante num objeto original antes de se partir, ou pode ter sido uma nuvem de poeira que cobriu tudo depois de se ter fragmentado, mas as suas raízes são ainda desconhecidas.

"Não podemos rasgar a Terra para ver o que está lá dentro, mas podemos olhar para os asteroides - os pedaços que sobraram, os componentes não utilizados da formação do Sistema Solar - e usá-los para ver como os nossos planetas foram construídos", disse Masiero.

// IPAC (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Planetary Science Journal)

 


Quer saber mais?

Asteroides:
The Nine Planets
Wikipedia
Asteroides do tipo M (Wikipedia)
Asteroides do tipo K (Wikipedia)

Troilite:
Wikipedia

Formação e evolução do Sistema Solar:
Wikipedia

Observatório Palomar:
Página principal
Wikipedia

 
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Também em destaque
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exemplo   Amostras de Bennu revelam origens complexas e transformações dramáticas (via NASA)
O asteroide Bennu, do qual a missão OSIRIS-REx da NASA recolheu amostras em 2020, é uma mistura de poeira que se formou no nosso Sistema Solar, matéria orgânica do espaço interestelar e poeira estelar do sistema pré-solar. O seu conteúdo único e variado foi dramaticamente transformado ao longo do tempo por interações com a água e pela exposição ao ambiente espacial rigoroso. Ler fonte
     
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Álbum de fotografias
Um Conto de Duas Nebulosas

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Kent Biggs
 
Esta vista telescópica colorida, na direção da constelação musical do hemisfério norte de Lira, revela os halos exteriores ténues e a região central mais brilhante em forma de anel de M57, popularmente conhecida como a Nebulosa do Anel. Para os astrónomos modernos, M57 é uma nebulosa planetária bem conhecida. Com um anel central com cerca de um ano-luz de diâmetro, M57 definitivamente não é um planeta, mas sim o invólucro gasoso de uma das estrelas moribundas da Via Láctea, parecidas com o Sol. Com aproximadamente o mesmo tamanho aparente que M57, a galáxia espiral barrada à esquerda, mais ténue e mais frequentemente negligenciada, é IC 1296. De facto, há mais de 100 anos atrás, IC 1296 teria sido conhecida como uma nebulosa espiral. Por acaso, o par está no mesmo campo de visão e, embora pareçam ter tamanhos semelhantes, estão de facto muito distantes. A uma distância de apenas 2000 anos-luz, M57 está bem dentro da nossa Galáxia, a Via Láctea. A extragalática IC 1296 (também conhecida como PGC62532) está a mais de 200.000.000 anos-luz de distância. Isto é cerca de 100.000 vezes mais longe do que M57, mas como parecem ter dimensões semelhantes, a antiga nebulosa espiral IC 1296 também deve ser cerca de 100.000 vezes maior do que a nebulosa planetária M57. Observe atentamente a imagem nítida do século XXI para detetar galáxias de fundo ainda mais distantes, espalhadas pela imagem.
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