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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 237
12 de Junho de 2006
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CONVERGÊNCIA DE DUAS GRANDES TEMPESTADES

As duas maiores tempestades do Sistema Solar estão prestes a passar uma pela outra, mesmo numa posição privilegiada para os astrónomos amadores.

A tempestade #1 é a Grande Mancha Vermelha, com o dobro do tamanho da Terra, e com ventos que sopram a 560 km/h. O gigante percorre a atmosfera de Júpiter há já centenas de anos.

A tempestade #2 é Oval BA, também conhecida como "Vermelha Júnior", uma tempestade jovem com apenas 6 anos de idade. Comparada com a Grande Mancha Vermelha, tem metade do tamanho, com a capacidade de engolir a Terra apenas uma vez, mas mesmo assim sopra tanto como a sua prima mais velha.

As duas estão a convergir. Maior aproximação: 4 de Julho, de acordo com Amy Simon-Miller do Centro Espacial Goddard que tem estudado as tempestades usando o Telescópio Espacial Hubble.

"Não haverá nenhuma colisão frontal," diz. "A Grande Mancha Vermelha não vai 'comer' Oval BA nem nada parecido." Mas as bandas exteriores das tempestades irão passar bem perto umas das outras - e ninguém sabe exactamente o que irá acontecer.

Os astrónomos amadores estão já a acompanhar o evento. Christopher Go das Filipinas tirou esta imagem usando o seu telescópio de 11 polegadas no dia 28 de Maio:


Manchas vermelhas em Júpiter, fotografadas pelo astrónomo Christopher Go a 28 de Maio.
Crédito: Christopher Go
(clique na imagem para ver versão maior)

"A distância entre as tempestades está diminuindo visivelmente a cada noite," diz.

Encontros similares já aconteceram antes, nota Glenn Or ton, do JPL, colega de Simon-Miller. "Oval BA e a Grande Mancha Vermelha passam uma pela outra aproximadamente a cada dois anos." Os encontros prévios em 2002 e 2004 foram anti-climáticos. Além de "rasparem" os limites, ambas as tempestades sobreviveram aparentemente sem alterações.

Desta vez poderá ser diferente. Simon-Miller e Orton pensam que a Vermelha Júnior poderá perder a sua cor, ironicamente, ao passar perto demais da Grande Mancha Vermelha.

A Vermelha Júnior/Oval BA nem sempre foi vermelha. Durante cinco anos, entre 2000 e 2005, a tempestade tinha uma cor branca, tal como muitas outras que circulam o planeta. Em 2006 os astrónomos notaram uma mudança: um vórtice vermelho havia-se formado dentro da tempestade, a mesma cor que a poderosa Grande Mancha Vermelha. Isto era um sinal, acreditam os cientistas, que Oval BA estava a ganhar força.


Oval BA fotografada por astrónomos usando o Telescópio Hubble em Abril de 2006.
Crédito: NASA

A cor da própria Grande Mancha Vermelha é um mistério. Uma teoria popular diz que a tempestade recolhe material de bem dentro da atmosfera de Júpiter, fazendo-o subir até às nuvens mais altas onde os raios ultravioletas o transforma em "cromóforos" (compostos que mudam de cor) vermelhos. Oval BA ficou vermelha quando se tornou poderosa o suficiente para fazer o mesmo truque.

Passar pela Grande Mancha Vermelha, no entanto, poderá enfraquecer Oval BA, tornando-a outra vez branca. Simon-Miller explica: "Acreditamos que a Grande Mancha Vermelha irá puxar Oval BA para uma corrente gasosa mais a Sul, que percorre Júpiter no sentido contrário à rotação de Oval BA." Isto poderá fazer diminuir a sua velocidade, possivelmente invertendo o processo que a tornou vermelha.

O que irá realmente acontecer? "Veremos," diz ela. É para isso que servem os telescópios.

Nota para os observadores: Júpiter é fácil de encontrar. É visível ao princípio da noite como o ponto mais brilhante do céu. Procure-o a Sudeste ao pôr-do-Sol.

Links:

Notícias relacionadas:
YubaNet
Universe Today
SPACE.com

Jupiter:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Wikipedia
Onde se encontra no céu

Oval BA:
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Galáxia NGC 5866 - Crédito: NASA, ESA, and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA)
Porque é esta galáxia tão fina? Muitos discos galácticos são na realidade tão finos como NGC 5866, na imagem do lado, mas não vistos de perfil a partir do nosso ponto de vista. Uma galáxia considerada de perfil é a nossa própria Via Láctea. Classificada como uma galáxia lenticular, NGC 5866 tem inúmeras e complexas correntes de poeira aparecendo escuras e vermelhas, enquanto muitas das estrelas brilhantes no disco dão-lhe um tom mais azulado. O disco azul de jovens estrelas pode ser visto passando para lá da poeira no extremamente fino plano galáctico, enquanto o bojo no centro do disco parece mais alaranjado devido às mais velhas e vermelhas estrelas que provavelmente lá existem. Embora semelhante em massa à nossa Via Láctea, a luz demora cerca de 60,000 anos-luz a atravessar NGC 5866, cerca de 30% menos que na nossa Galáxia. No geral, os discos galácticos são muito finos devido ao gás que os formaram ter colidido com ele próprio à medida que rodava em torno do centro galáctico. A galáxia NGC 5866 situa-se a cerca de 44 milhões de anos-luz de distância na direcção da constelação de Dragão.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
  ESPAÇO ABERTO  
 

Observação astronómica, dia 17 de Junho, na açoteia do CCVAlg, às 21:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuita.
Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 13/06: 164º dia do  calendário gregoriano.
HISTÓRIA: Em 1983 a sonda Pioneer 10 torna-se o primeiro artefacto humano a abandonar o sistema planetário solar.
OBSERVAÇÕES: Um pequeno telescópio irá sempre mostrar Titã, a maior e mais extraordinária lua de Saturno. Esta noite e amanhã, Titã encontra-se a 3 ou 4 diâmetros anulares para Oeste de Saturno.

Dia 14/06: 165º dia do calendário gregoriano.
HISTÓRIA: Em 1967 era lançada a Mariner 5 (EUA): missão de voo rasante por Vénus (3,900 km a 19 de Outubro de 1967).
Em 1975 era lançada a Venera 10 (USSR). Alcançou Vénus a 25 de Outubro de 1975. Transmitiu imagens a preto e branco da superfície venusiana.
OBSERVAÇÕES: Se observar Júpiter esta noite, verá a sombra de Europa projectada na sua atmosfera.

Dia 15/06: 166º dia do  calendário gregoriano.
HISTÓRIA: Em 2000, cientistas descobrem açúcar no espaço. A descoberta da molécula de açúcar, glicoaldeído, numa nuvem gigante de gás e poeira perto do centro da nossa Via Láctea, foi feita por cientistas usando o telescópio de 12 metros de Kitt Peak, no Arizona.
OBSERVAÇÕES: Marte encontra-se esta noite no meio do enxame do Presépio (M44). Mas, claro, só parece ser assim. Marte encontra-se a 19 minutos-luz da Terra esta semana, enquanto que M44 está a 600 anos-luz.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Desde 1957 (ano em que foi lançado o Sputnik) foram lançadas mais de 4,000 missões, ficando resíduos de cada uma delas em órbita em torno do planeta.
 
 
  PERGUNTE AO ASTRÓNOMO:  
 
Tem alguma dúvida sobre Astronomia no geral que gostaria de ver esclarecida? Pergunte-nos! Tentaremos responder à sua questão da melhor maneira possível.
 
 
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