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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 271
11 de Outubro de 2006
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HUBBLE EXAMINA PLANETA EXTRASOLAR MAIS PRÓXIMO

O Telescópio Espacial Hubble da NASA, em colaboração com observatórios terrestres, providenciou evidências definitivas da existência do planeta extrasolar mais próximo do nosso Sistema Solar.

O mundo com o tamanho de Júpiter orbita a estrela tipo-Sol Epsilon Eridani, situada a apenas 10.5 anos-luz de distância (9.93355483x1013 km). O planeta está tão próximo que poderá ser observável pelo Hubble e por outros grandes telescópios na Terra no fim de 2007, quando o planeta fizer a sua maior aproximação a Epsilon Eridani durante a sua órbita de 6.9 anos.


Concepção de artista do exoplaneta mais próximo do nosso Sistema Solar.
Crédito: NASA, ESA, e G. Bacon (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)

As observações do Hubble foram levadas a cabo por uma equipa liderada por G. Fritz Benedict e Barbara E. McArthur da Universidade do Texas em Austin. As observações revelam a verdadeira massa do planeta, que a equipa calculou ser 1.5 vezes a massa de Júpiter.

O Hubble também descobriu que a órbita do planeta está inclinada 30 graus de acordo com o nosso ponto de vista, que é a mesma inclinação de um disco de poeira e gás que também circula Epsilon Eridani. Este é um resultado particularmente excitante porque, embora há já muito tempo que se infira que os planetas se formam a partir de tais discos, é a primeira vez que os dois objectos são observados em torno da mesma estrela.

A equipa de pesquisa salienta que o alinhamento da órbita do planeta com o disco de poeira providencia provas directas que os planetas se formam a partir de discos de gás e detritos de poeira em torno de estrelas.

Os planetas do nosso Sistema Solar partilham um alinhamento comum, prova que foram criados à mesma altura no Disco Solar. Mas o Sol é uma estrela de idade-média - com cerca de 4.5 mil milhões de anos - e o seu disco de detritos há muito que se dissipou. Epsilon Eridani, no entanto, ainda retém o seu disco porque é jovem, tendo apenas 800 milhões de anos.


A inclinação de Epsilon Eridani.
Crédito: NASA, ESA, e A. Feild (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)

McArthur originalmente detectou o planeta em 2000 através de medições que foram interpretadas como uma oscilação rítmica em Epsilon Eridani provocadas pelo puxo gravitacional de um planeta não observado. No entanto, alguns astrónomos interrogaram-se se este movimento turbulento da atmosfera da estrela não estaria a imitar os efeitos da estrela sendo "acotovelada" pelo puxo gravitacional do planeta.

As observações do Hubble desfazem quaisquer dúvidas. A equipa de Benedict-McArthur calculou a massa do planeta e a sua órbita fazendo medições extremamente precisas das mudanças subtis na localização da estrela no céu, uma técnica chamada astrometria. As ligeiras variações são inequivocamente provocadas pelo puxo gravitacional do objecto companheiro não observado. A equipa de Benedict estudou mais de um milhar de observações astrométricas do Hubble recolhidas ao longo de três anos.

"Não podemos observar a oscilação induzida pelo planeta a olho nu," disse Benedict. "Mas os bons sensores de orientação do Hubble são tão precisos que podemos medir esta oscilação. Nós basicamente observámos durante três anos uma dança de quase sete, em que a estrela e o seu parceiro invisível, o planeta, navegam em torno das suas órbitas. Os sensores mediram uma pequena mudança na posição da estrela, o equivalente ao tamanho de uma moeda de cinco cêntimos a 1200 km de distância."

Os astrónomos combinaram estes dados com outras observações astrométricas feitas pelo Observatório Allegheny da Universidade de Pittsburgh. De seguida adicionaram estas medições às centenas de medições da velocidade radial de telescópios terrestres levadas a cabo nos últimos 25 anos no Observatório McDonald da Universidade do Texas, no Observatório Lick na Universidade da Califórnia, no Telescópio do Canadá-França-Hawaii no Hawaii, e no Observatório Europeu do Sul no Chile. Esta combinação permitiu a determinação precisa da massa do planeta através da dedução da inclinação da sua órbita.

Embora o Hubble e outros telescópios não consigam fotografar o gigante gasoso por agora, poderão ser capazes de o fazer em 2007, quando a sua órbita estiver mais próxima de Epsilon Eridani. O planeta pode ser brilhante o suficiente para ser observado pelo Hubble, outras câmaras espaciais, e grandes telescópios terrestres.

Os resultados irão ser divulgados na edição de Novembro do "Astronomical Journal".

Links:

Notícias relacionadas:
Comunicado de imprensa (NASA)
Monsters & Critics
SPACE.com
Cosmos
PHYSORG.com
Astrobiology Magazine
Space Daily
Universe Today

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA
STScI
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Título da imagem - Crédito: T. Rector (U. Alaska Anchorage), H. Schweiker, NOAO, AURA, NSF
No vasto complexo que é a Grande Nuvem Molecular de Orionte, algumas brilhantes nebulosas azuis são particularmente aparentes. Na imagem do lado estão duas das mais proeminentes nebulosas de reflexão - nuvens de poeira iluminadas pela luz de estrelas brilhantes. A nebulosa mais famosa é M78, perto do centro da imagem, catalogada há mais de 200 anos atrás. Para cima e para a esquerda está a menos conhecida NGC 2071. A imagem foi tirada com o telescópio Mayall de 4 metros em Kitt Peak, Arizona, EUA. Os astrónomos continuam a estudar estas nebulosas de reflexão para melhor compreender como as estrelas no seu interior se formam. O complexo de Orionte fica situado a cerca de 1500 anos-luz de distância, contém a nebulosa de Orionte e a Nebulosa Cabeça de Cavalo, e cobre muito da constelação de Orionte.
Ver imagem em alta-resolução
 
  ASTRONOMY & ASTROPHYSICS RESEARCH IN PORTUGAL: IT'S IMPACT AND FUTURE PERSPECTIVES  
 

Decorrerá no próximo dia 13 de Outubro em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, um Encontro, promovido pela Sociedade Portuguesa de Astronomia, sobre a Astronomia e a Astrofísica em Portugal, o seu impacto e perspectivas futuras. Neste encontro, intitulado “Astronomy & Astrophysics research in Portugal - Its impact and future perspectives” será ainda divulgado o Livro Branco da Astronomia e Astrofísica.

O encontro contará com a presença confirmada dos Professores Doutores Chaterine Cesarsky (Directora do ESO), Joachim Krautter (Presidente da Sociedade Europeia de Astronomia), Alvaro Gimenez (Director do Departamento de Apoio Cientifico da ESA) e João Santieiro (Presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia) para além de outras individualidades.  

A Sociedade Portuguesa de Astronomia espera ainda a presença do Senhor Ministro da Ciência Tecnologia e Ensino Superior, Professor Doutor Mariano Gago, cuja presença não se encontra ainda confirmada.

Mais informações relativamente ao Encontro podem ser encontradas na página web do encontro.
 
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 11/10: 284º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1968, lançamento da Apollo 7, a primeira missão tripulada do programa Apollo.
Em 1984, a astronauta Kathryn D. Sullivan, da missão STS-41G, torna-se na primeira mulher a fazer um passeio espacial.
Em 2000, lançamento da missão STS-92 do vaivém Discovery.
Observações: O grande Triângulo de Verão brilha bem alto a Oeste este mês. Vega, de magnitude 0, é a estrela mais brilhante a Oeste; Deneb está ainda mais alta, perto do zénite; Altair brilha para a esquerda de Vega, alta a Sudoeste. Mesmo pelo meio do Triângulo de Verão corre a Via Láctea.

Dia 12/10: 285º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, lançamento do Voskhod 1.
Em 1994, destruição da Magalhães na atmosfera de Vénus.

Dia 13/10: 286º dia do  calendário gregoriano.
História: Criação da Sociedade Interplanetária Britânica.
Lançamento da Cassini. Chegou a Saturno em Junho de 2004.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Desde Leonardo da Vinci que se sabe que o brilho da Terra ilumina a Lua com um brilho 50 vezes superior ao da Lua Cheia. Isso explica porque é que nos dias logo após a Lua Nova a parte escura da Lua apresenta um brilho acinzentado (saber mais).
 
 
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