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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 346
5 de Setembro de 2007
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500 DIAS EM VÉNUS

A Venus Express orbita o gémeo da Terra há já 500 dias terrestres, completando o mesmo número de órbitas. Enquanto o satélite se mantém estável e com uma performance excelente, o planeta continua a surpreender e a espantar.

Embora se encontre num ambiente algo provocador, a Venus Express está em excelente condições. Recebe quatro vezes mais radiação solar que a sua sonda gémea, Mars Express, mas as modificações ao desenho da sonda funcionaram como planeado e as operações têm decorrido de um modo muito estável.

Muitas actividades diferentes transpiram a bordo a cada órbita: os instrumentos são ligados e desligados, os seus modos de operação são alterados, tal como os seus alvos, e a sonda testa e monitoriza os seus sub-sistemas de um modo mais ou menos contínuo. As poucas anomalias que ocorreram foram rapidamente resolvidas por controladores vigilantes.


Impressão de aritsta da Venus Express em torno de Vénus.
Crédito: ESA
(clique na imagem para ver versão maior)

A 18 de Agosto, Vénus encontrava-se na mais curta distância da Terra. O planeta estava também alinhado com a Terra e com o Sol. Dada a curta distância, todos os instrumentos e o sistema de comunicações funcionaram à máxima velocidade. Aqui na Terra, o download dos dados foi feito sem dificuldade.

Esta situação é muito diferente quando Vénus se encontra no outro lado do Sol. Devido à grande distância, a velocidade de envio dos dados baixa para 22 kbps, um décimo do máximo. Nestas alturas, a competição entre os instrumentos pode ser bastante dura. Mesmo assim, uma quantidade impressionante de dados - cerca de 1 Terabit, 10^12 bits - foi transmitido para a Terra durante os primeiros 500 dias.

Håkan Svedhem, cientista do projecto Venus Express, diz: "Os cientistas analisando os dados têm uma tarefa difícil mas excitante à sua frente." Terão que arquivar os dados e extraír os detalhes mais importantes desta imensa colecção de imagens, espectros e perfis de temperatura, pressão e composição química.

As primeiras análises detalhadas estão agora a ser terminadas e dentro em breve serão publicadas em revistas científicas. Entre muitos outros achados que surpreenderam os cientistas, está o facto da atmosfera de Vénus parecer extremamente instável. Observações recentes com o Espectómetro Visível e Infravermelho (VIRTIS), mostraram que a estrutura atmosférica de Vénus muda rapidamente, de dia para dia.

Giuseppe Piccioni, investigador co-principal do VIRTIS a bordo da Venus Express, diz: "Parece que nas latitudes médias se forma uma espécie de região de transição com fluxos na sua maioria laminares. Movendo-se na direcção do equador, existem mais fluxos convectivos na atmosfera, ao passo que as regiões polares são dominadas por enormes vórtices.


Imagens nocturnas tiradas em oitos órbitas consecutivas em Fevereiro de 2007. Cores intensas e brilhantes mostram áreas com menos nuvens. Isto é devido à radiação ser originária de regiões mais quentes por baixo das nuvens, que é bloqueada para nuvens mais espessas.
Crédito: ESA/ VIRTIS/ INAF-IASF/ Obs. de Paris - LESIA
(clique na imagem para ver versão maior)

A meteorologia do planeta, incluindo a sua atmosfera profunda, é altamente variável. "Embora a configuração do fluxo seja similar, a instensidade da turbulência muda significativamente de uma órbita para outra," acrescenta Pierre Drossart, investigador co-principal do VIRTIS.

A região polar ou o 'buraco negro' visto em imagens é onde o dipólo polar domina. O dipólo polar é o nome dado ao duplo-vortex gigante, cada um com cerca de 2000 km de diâmetro, semelhante ao olho de um furacão. O duplo-vortex foi visto em ambos os pólos, rodando em direcções opostas (no sentido dos ponteiros do relógio no pólo Norte e ao contrário no pólo Sul). As observações com a Venus Express mostram que o vortex no pólo Sul também muda de forma rapidamente, de uma órbita para outra.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Space Daily
PhysOrg.com
Núcleo de Astronomia do CCVAlg

Venus Express:
Página da ESA
NSSDC (NASA)
Wikipedia

Vénus:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
 

"CHOVE" VAPOR DE ÁGUA EM JOVEM SISTEMA ESTELAR

O Telescópio Espacial Spitzer da NASA detectou vapor de água suficiente para encher cinco vezes os oceanos da Terra dentro de um ninho colapsante, uma região de formação estelar. Os astrónomos dizem que o vapor de água está caíndo a partir da nuvem natal do sistema e colidindo com um disco de poeira onde se pensa que os planetas se formam.

Estas observações providenciam o primeiro olhar directo de como a água, um ingrediente essencial para a vida tal como a conhecemos, começa a se dirigir para os planetas, possivelmente até para planetas rochosos como o nosso.


O Spitzer observou um jovem sistema estelar como o exemplificado na imagem, e descobriu no seu interior vapor de água em quantidades suficientes para encher os oceanos da Terra cinco vezes.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)

"Pela primeira vez, estamos a ver água sendo entregue à região onde os planetas provavelmente se formam," disse Dan Watson da Universidade de Rochester, Nova Iorque. Watson é o autor de um artigo sobre este sistema estelar jovem e "vaporoso", presente na edição de 30 de Agosto da revista Nature.

O sistema estelar, com o nome NGC 1333-IRAS 4B, está ainda crescendo dentro um casulo frio de gás e poeira. Dentro deste casulo, orbitando em torno da estrela embriónica, está um rebento morno em forma de disco, composto por materiais de formação planetária. Os novos dados do Spitzer indicam que o gelo do casulo exterior do embrião estelar está a cair na direcção da estrela em formação e a transformar-se em vapor à medida que colide com o disco.


Este diagrama ilustra as viagens que a água toma num jovem sistema estelar.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)

"Aqui na Terra, a água chegou na forma de asteróides e cometas gelados. A água também existe maioritariamente como gelo nas densas nuvens que formam as estrelas," disse Watson. "Agora observámos que a água, caíndo como gelo a partir do invólucro de um jovem sistema estelar até ao seu disco, na realidade é vaporizado à chegada. Este vapor de água irá mais tarde congelar novamente e formar asteróides e cometas."

A água é abundante no Universo. Foi detectada na forma de gelo ou gás em torno de vários tipos de estrela, no espaço entre as estrelas, e mais recentemente o Spitzer detectou a primeira assinatura de vapor de água num planeta quente e gasoso fora do nosso Sistema Solar, de nome HD 189733b.


Esta imagem tirada pelo Spitzer mostra o berçário estelar, de nome NGC 1333, que contém o jovem sistema estelar, IRAS 4B.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Harvard-Smithsonian CfA
(clique na imagem para ver versão maior)

No novo trabalho do Spitzer, a água também desempenha um papel importante no estudo de detalhes do processo de formação planetária há muito procurados. Ao analisar o que está acontecendo à água em NGC 1333-IRAS 4B, os astrónomos estão aprendendo mais sobre o seu disco. Por exemplo, calcularam a densidade do disco (pelo menos 10 mil milhões de moléculas de hidrogénio por centímetro cúbico); as suas dimensões (um raio maior que a distância média entre a Terra e Plutão); e a sua temperatura (170 Kelvin, ou -103 graus Celsius).

"A água é mais fácil de detectar que outras moléculas, por isso podemos usá-la como sonda para estudar outros discos recém-formados e estudar a sua física e química," disse Watson. "Isto irá ensinar-nos muito mais sobre como os planetas se formam."

Watson e seus colegas estudaram 30 dos mais jovens embriões estelares usando o espectógrafo infravermelho do Spitzer, um instrumento que abre a radiação infravermelha num arco-íris de comprimentos de onda, revelando "impressões digitais" de moléculas. Dos 30 embriões estelares, encontraram apenas um, NGC 1333-IRAS 4B, com uma colossal assinatura de vapor de água. Este vapor é facilmente detectado pelo Spitzer, pois à medida que o gelo colide com o disco de formação planetária do embrião estelar, aquece muito rapidamente e brilha no infravermelho.


Gráfico de dados infravermelhos, que mostra a forte assinatura de vapor de água dentro do núcleo do um sistema estelar embriónico.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade de Rochester
(clique no diagrama para ver versão maior)

Porque é que apenas um entre 30 embriões estelares mostra sinais de água? Os astrónomos dizem que é muito provavelmente porque NGC 1333-IRAS 4B tem mesmo a orientação desejada para o Spitzer observar o seu núcleo denso. Também, porque esta fase aguada na vida de uma estrela é pequena e difícil de apanhar.

"Capturámos uma fase única na evolução de uma jovem estrela, quando os constituintes da vida se estão movendo dinamicamente para um ambiente de formação planetária," disse Michael Werner, cientista da missão Spitzer no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia.

NGC 1333-IRAS 4B está localizado numa linda região de formação estelar a aproximadamente 1000 anos-luz de distância na constelação de Perseu. O seu embrião estelar central está ainda a "alimentar-se" do material colapsando à sua volta e a crescer em tamanho. Nesta fase, os astrónomos não conseguem ainda determinar quão grande se tornará esta estrela.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Revista Nature (requer subscrição)
Universidade de Rochester
New Scientist
Astronomy Magazine
SPACE.com
Science Daily
Universe Today
Astrobiology Magazine
Time
BBC News
MSNBC
The Register
National Geographic
Reuters
Monsters & Critics
Vídeo da reportagem do canal 13 WHAM.com

Formação de sistemas estelares:
Animação da 1.ª imagem do artigo (formato Quicktime)
Evolução estelar (Wikipedia)
Formação e evolução do Sistema Solar (Wikipedia)

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial
Centro Espacial Spitzer
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Um caminho para Victória - Crédito: Mars Exploration Rover Mission, Cornell, JPL, NASA; Reconhecimento: Eduardo Tesheiner
O que se encontra dentro da Cratera Victória? Agora que a poeira das tempestades de areia regionais de Marte acalmou, imobilizando os rovers marcianos, a tarefa seguinte torna-se clara. A Opportunity era para ter seguido para a base da cratera o mês passado quando as tempestades aumentaram de força. A imagem do lado foi tirada a semana passada pelo rover Opportunity, situado numa encosta que lhe dá acesso à cratera de 750 metros. A Cratera Victória é a maior cratera que qualquer dos dois rovers marcianos já encontraram durante as suas explorações. As paredes da cratera podem esconder pistas da superfície marciana antes do tremendo impacto que criou Victória.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
Até 15 de Setembro, todos os dias excepto às segundas-feiras, na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve.
Observações dependentes das condições atmosféricas.
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 05/09: 248º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1977 arrancava o programa Voyager com o lançamento da sonda Voyager 1.
Em 1984, O Space Shuttle Discovery fazia o seu voo inaugural.
Observações: Já alguma vez observou os objectos de céu profundo de Vulpécula (ou Raposa)? Pista: é mesmo para Sul de Albireu.

Dia 06/09: 249º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1899, era fundada a Sociedade Astronómica e Astrofísica da América, agora com o nome Sociedade Astronómica Americana.
Observações: Com a chegada de Setembro, Cassiopeia está cada vez mais alta a Nordeste durante a noite. Tem uma forma de W, com o lado direito do W (o lado mais brilhante) inclinado para cima. Observe para baixo de Cassiopeia, e um pouco para a esquerda, de modo a encontrar a brilhante Capella lentamente subindo acima do horizonte depois das 22:15.

Dia 07/09: 250º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1997 era descoberta a primeira lua irregular de Urano, Caliban, por Brett J. Galdman (Instituto Canadiano para a Astrofísica Teórica), Philip D. Nicholson (Universidade de Cornell), Joseph A. Burns (Universidade de Cornell) e JJ Kavelaars (Universidade McMaster). Estavam usando o telescópio Hale de 5 metros do monte Palomar. Urano tem 27 luas.
Observações: Durante o amanhecer, a fina Lua Minguante situa-se para cima de Vénus. Use Vénus para se guiar com uns binóculos até Saturno e Régulo.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Se um asteróide atingisse a Terra, o efeito seria semelhante à detonação de TODAS as armas nucleares do mundo ao mesmo tempo e no mesmo local.
 
 
  PERGUNTE AO ASTRÓNOMO:  
 
Tem alguma dúvida sobre Astronomia no geral que gostaria de ver esclarecida? Pergunte-nos! Tentaremos responder à sua questão da melhor maneira possível.
 
 
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