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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 384
De 30/01 a 01/02/2008
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  COMETA WILD 2 MAIS PARECIDO COM ASTERÓIDES
   

A missão Stardust da NASA lembrou-nos - pela segunda vez - que não sabemos tanto sobre cometas como pensávamos.

Pensa-se que os cometas sejam relíquias quase inalteradas da formação do Sistema Solar, e o alvo da Stardust, o cometa 81P/Wild 2, era considerado um alvo perfeito. Hoje em dia, o Wild 2 aventura-se para bem mais perto do Sol (apenas um pouco para lá da órbita de Marte). Mas antes da sua passagem próxima por Júpiter em 1974, a sua órbita era muito mais distante.


A cápsula que continha amostras do Cometa Wild 2.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)

Por isso os cosmoquímicos devem ter apostado (e quem sabe até a dinheiro) que a poeira e gás que o Wild 2 libertava quando a Stardust por lá passou em 2004, libertados do seu casulo congelado ao fim de 4 mil milhões e meio de anos, seriam a chave para desvendar a formação do Sistema Solar.

Ao que parece, teriam perdido a aposta. Pouco tempo depois da Stardust ter regressado à Terra em Janeiro de 2006, com a sua preciosa carga, tornou-se claro que alguns destes materiais vieram de uma espécie de "forno" ultra-quente. Os cientistas descobriram uma rede de minerais que se formaram a temperaturas de pelo menos 1100º C. Não são exactamente condições gélidas!

Agora, a Stardust confundiu os cientistas outra vez. Na edição de 25 de Janeiro da revista Science, uma equipa liderada por Hope Ishii, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, anuncia que os grãos cometários capturados são mais parecidos com "um asteróide do Sistema Solar interior do que com um cometa do Sistema Solar exterior com poeira primitiva inalterada."


O primeiro olhar ao reservatório de aerogel da Stardust.
Crédito: NASA

Por outras palavras, os minerais de silicato que se formaram perto do Sol foram, por qualquer processo, tranportados para o Sistema Solar exterior, onde se misturaram com os gelos para criar o Cometa Wild 2. Não existem enxames de minerais intocados desde que o Sol nasceu, nenhumas infusões de isótopos exóticos de supernovas distantes - se não fosse tão dinamicamente improvável, podia-se até assumir que o Cometa Wild 2 evadiu-se da cintura de asteróides.

Mas será que todos os cometas se formaram desta maneira? Provavelmente não. Jactos que voam a alta-altitude já capturaram grandes quantidades de partículas de poeira interplanetária, à deriva na nossa atmosfera, oriundos do espaço. Estes pequenos tesouros têm o tipo de composições primitivas e misturas isotópicas únicas que os cientistas esperavam encontrar nas amostras da Stardust.

Por isso talvez precisemos de retirar amostras de outro cometa (a Rosetta, uma sonda europeia, irá fazê-lo em 2014). Ou talvez as nossas teorias sobre a formação do Sistema Solar precisem de ajustes. Qualquer que seja a razão, a Stardust colocou imensos cosmoquímicos a coçar as suas cabeças coletivas.

Links:

Notícias relacionadas:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg (17/01/06)
Núcleo de Astronomia do CCVAlg (24/01/06)
Science (requer subscrição)
Nature
Reuters

SPACE.com
Wired
Discovery Channel
Scientific American
Science Daily

Stardust:
NASA
Wikipedia
Stardust@Home

Cometa Wild 2:
NASA
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Panorama da Spirit em Marte - Crédito: Mars Exploration Rover Mission, Cornell, JPL, NASA
Como é Marte visto daqui? Em Setembro passado, antes de percorrer terreno rugoso e escorregadio para alcançar o seu ponto de hibernação para o Inverno marciano, o rover Spirit subiu uma pequena planície conhecida como Home Plate e capturou esta espectacular vista aqui à esquerda. Parte do curioso topo liso de Home Plate é visível à medida que a paisagem é colorida pela luz no panorama. Na parte esquerda da imagem, visível a oito quilómetros de distância, está o Monte Grissom, enquanto mais para o pano da frente encontra-se o cume Tsiolkovski. À direita, a uns 800 metros, está o Monte Husband, uma característica já explorada pela Spirit, na imagem o ponto mais alto visível no panorama para Oeste. No recorte à esquerda está uma ampliação do que parece ser a forma de uma mulher. A Spirit alcançou com sucesso o seu lugar de descanso para este Inverno em Dezembro passado.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 30/01: 30.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, era lançada a sonda RANGER 6 pela NASA.

A sua missão era filmar televisivamente a Lua até se despenhar sobre ela.
Observações: Marte pára o seu movimento retrógrado e começa a mover-se para Este novamente, por entre as estrelas de Touro.

Dia 31/01: 31.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1862, Alvan Graham Clark Jr. descobre a ténue companheira de Sirius, de nome Sirius B, durante testes de um refractor de 18 polegadas que estava a ser construído para o Observatório Dearborn pelo seu pai, irmão, e por ele próprio. Friedrich Bessel propôs a existência de uma companheira invisível em 1844.
Em 1958, era lançado o Explorer I, o primeiro satélite artificial americano. Transmitiu dados sobre micrometeoritos e radiação cósmica durante 105 dias. A missão resultou na descoberta das cinturas de radiação Van Allen.
Em 1966, lançamento da soviética Luna 9. Realizou a primeira aterragem com sucesso noutro corpo planetário.
Em 1971, lançamento da Apollo 14, a terceira aterragem tripulada na Lua.

Dia 01/02: 32.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, voo rasante n.º 19 da sonda Galileu por Europa.

Observações: Vénus e Júpiter, os dois planetas mais brilhantes, estão numa próxima conjunção hoje ao amanhecer. O arco da Lua Minguante, para a direita, aponta o caminho; se fosse um arco estaria a disparar a sua flecha directamente aos dois planetas. Já agora: consegue observar Antares, brilhando perto da Lua?

 
 
CURIOSIDADES:

Vénus é o único planeta do Sistema Solar que tem um movimento de rotação retrógrado, pois visto do Norte, roda no sentido dos ponteiros do relógio. Este movimento é tanto mais curioso se considerarmos que o período de rotação (243,0 dias) é maior que o período de translação (224.7 dias). A associação dos dois movimentos faz com que Vénus tenha um dia de 117 dias terrestres em que o Sol nasce a Oeste e se põe a Leste.
 
 
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