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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 405
De 12/04 a 15/04/2008
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  MRO CAPTURA IMAGENS DE LUA DE MARTE, A CORES E EM 3D
   


A câmara HiRISE a bordo da sonda MRO da NASA tirou duas imagens da maior das duas luas de Marte, Phobos, com 10 minutos de intervalo, no passado dia 23 de Março. Esta é a primeira, tirada a uma distância de 6800 km.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Uinversidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior e em cores mais falsas)

Novas imagens de Phobos, a maior e mais interior das duas pequenas luas de Marte, foram capturadas por uma sonda da NASA em órbita de Marte. A câmara HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment) a bordo da Mars Reconnaissance Orbiter tirou duas imagens de Phobos com 10 minutos de diferença no passado dia 23 de Março. Os cientistas combinaram então as duas imagens para uma imagem em stereo.

"Phobos é de grande interesse porque pode ser rico em água gelada e em materiais ricos em carbono," disse Alfred McEwen, investigador principal para a HiRISE no Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona em Tucson, EUA.

Sondas anteriores, especialmente a Mars Global Surveyor, tiraram imagens de mais alta-resolução de Phobos porque passaram mais perto da lua, disse Nathan Bridges, membro da equipa HiRISE no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. Mas as imagens da HiRISE são de maior qualidade, o que torna alguns dos novos dados os melhores até agora para Phobos," disse Bridges. "As novas imagens ajudar-nos-ão a compreender a origem e evolução desta lua."

Ao combinar informação obtida pelos filtros azul-verde, vermelho e perto do infravermelho da câmara, os cientistas confirmaram que o material em torno do limite da maior característica à superfície de Phobos, a cratera Stickney, aparece mais azul que o resto de Phobos. Pensa-se que o impacto que escavou a cratera Stickney com 9 km de diâmetro quase destruiu a lua. "Com base na analogia com material da nossa própria lua, a cor azulada pode significar que o material é mais recente, ou não foi exposto ao espaço tanto tempo quanto o resto da superfície de Phobos," disse Bridges.


Esta é a segunda imagem de Phobos, tirada a uma distância de aproximadamente 5800 km. É apresentada a cores através da combinação de dados a partir dos filtros azul-verde, vermelho e perto do infravermelho da câmara.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Uinversidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior e em cores mais falsas)

As novas imagens mostram desmoronamentos ao longo das paredes de Stickney e de outras grandes crateras: espectaculares sulcos e cadeias de crateras à superfície de Phobos; e crateras escondidas no lado escuro da lua, iluminado pelo brilho de Marte. O brilho de Marte é luz solar reflectida por Marte até à Lua. O fenómeno é parecido com o brilho da Terra, no qual o nosso planeta reflecte a luz solar e ilumina o lado escuro do nosso satélite natural. Tal a Lua da Terra, as luas de Marte, Phobos e Deimos, mostram sempre o mesmo lado da superfície ao planeta que orbitam.


Imagem que assinala o local onde Phobos é iluminada pelo brilho de Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Uinversidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)

As imagens estão entre outras novas imagens da câmara HiRISE. Incluem um anáglifo, ou imagem tridimensional de Phobos, que pode ser observada com óculos vermelhos-azuis.


Duas imagens tiradas pela MRO com 10 minutos de intervalo mostram basicamente as mesmas características. Os cientistas combinaram os dois ângulos para produzir esta ilusão de uma imagem a 3D.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Uinversidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)

A Mars Reconnaissance Orbiter viaja a cerca de 12.500 km/h, entre 250 e 316 quilómetros acima da superfície de Marte. Phobos estava a 6800 km de distância quando a câmara HiRISE tirou a primeira fotografia. A essa distância, a câmara foi capaz de resolver a superfície a uma escala de 6,8 metros por pixel e observar características com um tamanho de 20 metros. Phobos estava a 5800 km de distância quando a câmara HiRISE tirou a segunda fotografia minutos depois. A essa distância, a câmara foi capaz de resolver características com um tamanho de 15 metros.

Phobos, com apenas 22 km de diâmetro, tem menos de um milésimo da gravidade da Terra. Não é suficiente para a gravidade torná-la numa esfera, por isso é alongada. A segunda lua de Marte, Deimos, é ainda mais pequena, com cerca de 12 km de diâmetro. As pequenas e escuras luas podem ser asteróides capturados a partir da mais longe e rica em carbono, cintura de asteróides entre Marte e Júpiter.

O instrumento CRISM (Compact Reconnaissance Imaging Spectrometer for Mars) da MRO observou ambas as luas o ano passado. Ao combinar esses dados com os dados da HiRISE de Phobos, os cientistas podem mapear os minerais e os diferentes tipos de solo nas luas.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
New Scientist
Sky & Telescope
National Geographic
Wired
Discovery Channel
BBC News
The Register
Science Daily
MSNBC

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Google Mars

Phobos:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

MRO:
Página oficial da NASA
Página oficial do JPL
HiRISE
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
À primeira vista, não conseguia ver a Lua - Crédito: Laurent Laveder (PixHeaven.net / TWAN)
À primeira vista, não a conseguia ver, mas ao procurar com binóculos através das nuvens perto do horizonte, a oeste e ao pôr-do-Sol, o fotógrafo Laurent Laveder finalmente avistou um delicado crescente lunar. Capturada nesta dramática imagem registada a 6 de Abril a partir de Bretagne, França, a Lua tinha apenas 15 horas e 38 minutos. O seu fino e iluminado arco está situado mesmo por cima de uma escura nuvem perto do centro da imagem. Claro, uma Lua Crescente no céu depois do anoitecer é uma bonita imagem regularmente observada por muitos. Mas encontrar a Lua neste finíssimo Crescente, quando passa menos de 24 horas da Lua Nova, geralmente requer uma precisão cuidada e algum planeamento, um projecto algo desafiador para observadores com experiência. Nesta imagem, apenas 0,8% do disco da Lua aparece iluminado. Laveder nota que esta é a mais jovem Lua que observou nos seus últimos 20 anos de observação e também oferece esta animação (em Flash ou em formato gif) com base em imagens desta tantalizante cena celeste.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 12/04: 98.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1849, de Gasparis descobre o asteróide Hygiea.
Em 1961, o cosmonauta Yuri Alekseyevich Gagarin torna-se no primeiro homem no espaço.

Orbita a Terra apenas uma vez a bordo da nave Vostok 1. O voo dura 1 hora e 48 minutos, num percurso elíptico com um apogeu de 327 km e um perigeu de 180 km.
Em 1981, começa a era do Vaivém espacial. Lançamento da missão STS-1 do vaivém Columbia, adiado desde 10 de Abril. O comandante John Young e o piloto Robert Crippen orbitam a Terra 37 vezes durante dois dias antes de regressarem. Os objectivos principais do voo inaugural eram testar os sistemas principais, completar uma ascensão até órbita com sucesso, e regressar à Terra em segurança.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 19:32.

Dia 13/04: 99.º dia do calendário gregoriano.
História: "Houston, we have a problem". Foram estas as palavras que o astronauta Jack Swigert disse ao controlo da missão em Houston no ano de 1970 depois do tanque de oxigénio n.º 2 do módulo de serviço da nave Apollo 13 ter explodido.

Os astronautas Swigert, Jim Lovell e Fred Haise movem-se então para o módulo lunar, que permaneceu sem danos. O voo continuou até e em volta da Lua e até à Terra. Todo o mundo observava com atenção à medida que a equipa terrestre e a tripulação da Apollo 13 ultrapassavam os obstáculos de salvar os astronautas. Estes conseguiram regressar em segurança à Terra.
Observações: Ao anoitecer, aponte os seus binóculos ou o telescópio para a Lua. Ela eclipsa grande parte das estrelas do famoso enxame do Presépio, ou M44, em Caranguejo.

Dia 14/04: 100.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1629 nascia Christian Huygens, físico holandês e astrónomo, um dos cientistas mais proeminentes do século XVII.

Descobriu o anel e o quarto satélite (Titã) de Saturno (1655), e patenteou o primeiro relógio de pêndulo (1656). Na óptica propôs a teoria ondulatória da luz e descobriu a polarização. A sonda que há algum tempo aterrou em Titã tem o seu nome.
Em 1991 era lançado o Observatório de Raios-Gama Compton (GRO).
Em 2000, astrónomos detectam as primeiras provas observacionais dos restos de uma hipernova, explosões cem vezes mais energéticas que as supernovas e uma possível fonte dos poderosos GRB's (explosões de raios-gama), os eventos mais energéticos de todo o Universo conhecido, além do Big-Bang.

Dia 15/04: 101.º dia do calendário gregoriano.
Observações:
Com saudades de observar Júpiter? Não tem problema, apenas tem que se levantar cedinho, pelas 5 da manhã, e observá-lo baixo a Sudeste, na constelação de Sagitário.

 
 
CURIOSIDADES:

Durante a descolagem do vaivém espacial, os dois propulsores juntamente com os três motores principais actuam apenas durante dois minutos. Isto dá ao vaivém o seu primeiro impulso durante a primeira etapa da ascensão. Quando os propulsores gastam o seu combustível, separam-se e caem no oceano de pára quedas. A segunda etapa continua com os três motores principais. Passados quase 9 minutos, os motores desligam-se e o tanque externo é libertado. Este reentra na atmosfera, onde se desintegra e cai no Oceano Pacífico ou Índico.
 
 
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