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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 479
De 27/12 a 30/12/2008
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  2009 CHEGA COM UM SEGUNDO DE ATRASO
   

Espere um segundo. O começo do próximo ano será adiado por circunstâncias para lá do nosso controlo. O tempo irá parar por um segundo na Véspera de Ano Novo, enquanto damos as boas-vindas a 2009 naquela noite de Quarta-Feira. Como resultado, terá um segundo a mais para celebrar porque será adicionado um "Segundo Intercalar" a 2008 para deixar a Terra alcançar os relógios super-precisos.

Por acordo internacional, para os relógios atómicos oficiais ficarem em sintonia com a rotação irregular mas gradualmente mais lenta do planeta Terra, decretou-se que seria adicionado um segundo extra entre 2008 e 2009.


Imagem do relógio atómico de césio NIST-F1, que serve a hora americana e de padrão de frequência, com uma incerteza de 5x10-16 (desde 2005).
Crédito: National Institute of Standards and Technology - Physics Laboratory: Time and Frequency Division; Wikipedia

Este segundo a mais, ordenado pela organização que gere o tempo mundial, a IERS (International Earth Rotation and Reference Systems Service ou Serviço Internacional de Sistemas de Referência e Rotação da Terra), será oficialmente marcado durante as badaladas da meia-noite de Quarta para Quinta-feira em Greenwich, Inglaterra, o lar do que é normalmente conhecido como a Hora Média de Greenwich (GMT) - o Tempo Universal Coordenado (UTC) para os mais tecnicamente inclinados -, a hora padrão para o planeta.

Por isso, precisamente às 23:59:60 de Greenwich, Inglaterra, na Passagem de Ano, haverá um intervalo de um segundo antes do início do ano novo. Este será o 24.º "Segundo Intercalar" necessário desde que esta prática foi iniciada em 1972, e será o primeiro em três anos.

Por todo o mundo, para satisfazer as necessidades dos navegadores, das organizações de comunicações e grupos científicos, cerca de 200 relógios atómicos em mais de 50 laboratórios nacionais por todo o mundo serão ajustados em horas locais correspondendo à meia-noite para a hora local em Greenwich. Em Portugal, é o Observatório Astronómico de Lisboa que tem a incumbência legal de manter e distribuir a Hora Legal. Sendo assim, a passagem do ano em Portugal deverá ser ajustada às 23:59:60 GMT, dado que o nosso fuso horário corresponde ao mesmo de Greenwich. Já para o Observatório Naval dos EUA, por exemplo, o seu segundo a mais será às 6:59:60 p.m. EST, correspondente à mesma hora no fuso horário GMT.

Este segundo a mais é necessário para que os relógios mundiais fiquem em sincronia com a rotação do planeta. O tempo medido pela rotação da Terra não é uniforme quando comparado com o tempo medido pelos relógios atómicos. Os relógios atómicos de hoje em dia têm um erro de menos de um segundo em 200 milhões de anos.

Mas por várias razões - a "tareia" do núcleo líquido da Terra, a ondulação dos oceanos, o derreter do gelo polar e os efeitos da gravidade solar e lunar - o nosso planeta gira em torno do seu eixo a velocidades irregulares, e em média tem ficado para trás em relação à hora atómica cerca de 2 milissegundos por dia. Está agora atrasado cerca de 6-décimas de segundo em relação ao relógio oficial.

Como resultado desta diferença, os relógios atómicos ficam dessincronizados com a Terra e periodicamente precisam de ser ajustados. Dado que são os relógios atómicos os usados para acertar todos os outros relógios, este Segundo Intercalar tem que ser acrescentado de vez em quando para compensar a diferença.

Ao acrescentar o segundo 60 entre as 23:59:59 de 31 de Dezembro e as 00:00:00 de 1 de Janeiro, a Mãe Natureza ficará adiantada 4-décimas de segundo em relação ao relógio atómico, um pequeno avanço no começo de 2009. Quem disse que o cavalheirismo está morto?

Hoje em dia, fabricantes publicitam os seus relógios de rádio como "relógios atómicos" (não confundir com os normais rádio-relógios ou despertadores); embora os sinais de rádio que recebem geralmente vêm dos verdadeiros relógios atómicos, não são relógios atómicos propriamente ditos. Os típicos "relógios atómicos" de rádio precisam de estar colocados num local atmosférico relativamente desobstruído em relação ao transmissor, de sincronizar uma vez por dia durante a noite, e precisam de condições atmosféricas razoáveis para receber os sinais das horas.

Se possui tal aparelho, poderá querer observar o que o seu relógio mostra mesmo antes das 0 horas GMT, de 1 de Janeiro. O minuto final de 2008 terá 61 segundos (0-60). Quando o Segundo Intercalar foi adicionado em 2005, em muitos desses relógios, quando o segundo final foi alcançado, o 59.º segundo piscou não uma, mas duas vezes!

Se não possui um destes relógios (em princípio um GPS deverá servir), pode seguir para o site do Observatório Astronómico de Lisboa e observar a Hora Legal de Portugal, no canto superior direito da página: http://www.oal.ul.pt e observar o valor 60 na casa dos segundos.

3..., 2..., 1..., 1... Feliz Ano Novo!

Links:

Notícias relacionadas:
Sky & Telescope
New Scientist
MSNBC
Associated Press
UPI
Observatório de Lisboa

Hora média de Greenwich:
Página oficial
Wikipedia
Observatório de Lisboa

Relógio Atómico:
Wikipedia

Relógios de rádio:
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
A Tromba de Elefante em IC 1396 - Crédito: Gordon Haynes
Nesta imagem, a Nebulosa Tromba de Elefante atravessa a nebulosa de emissão e o jovem enxame estelar IC 1396, na alta e longínqua constelação de Cefeu. Claro, esta tromba de elefante cósmica tem mais de 20 anos-luz de comprimento. Esta composição em cores falsas foi registada com filtros de banda-estreita que transmitem a luz dos átomos de hidrogénio (verde), enxofre (vermelho) e oxigénio (azul) da região. A imagem resultante realça os limites brilhantes em torno das regiões escuras de poeira e gás interestelar frio. Tais nuvens embebidas, escuras e longas contêm o material bruto da formação estelar e escondem proto-estrelas dentro da nuvem cósmica. A quase 3000 anos-luz de distância, a relativamente ténue região IC 1396 cobre uma grande área no céu que se prolonga mais de 5 graus. Esta dramática ampliação cobre um campo com 2 graus, cerca de 4 Luas Cheias.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 27/12: 362.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1571, nascia Johannes Kepler.

Observações: Lua Nova, pelas 12:24.
Vénus forma um bonito triângulo com Delta (Deneb Algiedi) e Gamma Capricorni (Nashira), de magnitudes 2,8 e 3,7 respectivamente. Ambas as estrelas estão a pouco mais de 1º de Vénus.
Entretanto, Neptuno, o mais ténue dos planetas principais, tem magnitude 7,9 e situa-se a Norte-Noroeste (direita) do espectacular Vénus, com magnitude -4,4. É uma diferença de brilho de 80.000 vezes entre eles. Se tiver um telescópio de campo-largo e de baixa ampliação, consegue vê-los ao mesmo tempo? Ou tem que colocar Vénus fora do seu campo de visão?

Dia 28/12: 363.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1882, nascia Arthur Eddington, astrofísico que confirmaria a previsão de Einstein de encurvamento do espaço-tempo no célebre eclipse de 1919 observado na ilha de Príncipe (portuguesa nessa época).

Foi quem desenvolveu o modelo da pulsação das cefeidas e trabalhou a par de Einstein na tentativa de unificação das forças fundamentais.
Observações: Mesmo a seguir ao pôr-do-Sol, procure por cima do horizonte, a Oeste, uma finíssima Lua por baixo de Mercúrio e Júpiter.

Dia 29/12: 364.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Então e hoje, já consegue discernir a Lua? Encontra-se para cima e para a esquerda do par Mercúrio-Júpiter após o pôr-do-Sol.

Dia 30/12: 365.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2000, dá-se a passagem das sondas acopladas Cassini-Huygens por Júpiter.

Passam a 9,721,846 km do topo das nuvens de Júpiter à medida que recebem um impulso gravitacional para a última parte da viagem até Saturno.
Observações: Com o Inverno no Hemisfério Norte já a caminho, Orionte encontra-se baixo a Este-Sudeste ao início da noite. Se estiver oculto por árvores ou prédios, para onde poderá vê-lo a emergir? Desenhe uma linha a partir das Plêiades até Aldebarã e continue para baixo; a linha aponta para a parte de Norte de Orionte.

 
 
CURIOSIDADES:

A Lua tem sempre a mesma face virada para a Terra, o que faz com que muitas pessoas digam que a Lua não roda. O que de facto acontece é que o período de rotação da Lua é síncrono com o de translação, o que faz com que o observador da Terra veja sempre a mesma face da Lua; Se estivéssemos no exterior da órbita da Lua vê-la-íamos rodar dando exactamente uma volta em torno do seu eixo no mesmo tempo que dá uma volta em redor da Terra.
 
 
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