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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 510
De 13/03 a 15/03/2009
 
 
 

Dia 13/03: 72.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1781, William Herschel descobre Urano.
Em 1855, nascia Percival Lowell, astrónomo americano que alimentou a especulação da existência de canais em Marte, construídos por marcianos.
Em 1969, a missão Apollo 9 regressava à Terra após testar o módulo lunar.
Em 2000, foram descobertos buracos negros solitários à deriva na Galáxia.

Observações: Com a luz da Lua ao anoitecer de "férias" por duas semanas, procure a luz zodiacal ao lusco-fusco. Precisará de um céu limpo e sem poluição luminosa. A luz zodiacal é uma pirâmide inclinada, grande e estreita, brilhando desde o horizonte a Oeste para a esquerda, percorrendo as constelações do zodíaco. O que está a observar é a poeira interplanetária no plano do Sistema Solar, iluminada pela luz solar.

Dia 14/03: 73.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1835, nascia Giovanni Schiaparelli, astrónomo italiano que observou Marte e afirmou que via grandes sistemas de canais em Marte. Foi também o primeiro a demonstrar que as Perseídas e as Leónidas estavam associadas com os cometas, e descobriu o asteróide 69 Hesperia.
Em 1879, nascia Albert Einstein.

Mundialmente famoso pela sua teoria da relatividade, e especificamente pela equivalência massa-energia. Recebeu em 1921 o Nobel da Física, graças à descoberta do efeito fotoeléctrico.
Em 1995, o astronauta Norman Thagard torna-se o primeiro americano a ir para o espaço a bordo de um veículo de lançamento russo.
Observações: Esta é a altura do ano em que Sirius, a estrela mais brilhante do céu a seguir ao Sol, se situa na sua mais alta posição a Sul ao anoitecer. Sirius forma o canto de baixo do grande e equilátero, Triângulo de Inverno. Os outros dois cantos do triângulo são Betelgeuse para cima e para a direita, e Procyon para cima e para a esquerda.

Dia 15/03: 74.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1713 nascia Nicolas Lacaille, cujas medições confirmaram o bojo equatorial da Terra; deu nome a 14 constelações do Hemisfério Sul.

Em 1972, a NASA anunciava o seu programa do Vaivém Espacial.
Em 2004, foi anunciada a descoberta de 90377 Sedna, o objecto natural mais longínquo já observado no Sistema Solar.
Observações: À medida que o Inverno se torna em Primavera, a Cintura de Orionte fica horizontal no céu a Sudoeste depois do anoitecer.

 
 
 
Os maiores e mais poderosos telescópios da Terra mostram que existem 500.000 crateras no lado da Lua virado para a Terra. Uma pessoa demoraria mais de 400 horas, ininterruptamente, a contá-las todas (sem contar com as do outro lado da Lua, que nós não conseguimos observar)...
 
 
 
 
AIA 2009
 
 
  HUBBLE E VLT PROVIDENCIAM VISÕES 3-D ÚNICAS DE GALÁXIAS DISTANTES  
 

Os astrónomos obtiveram excepcionais imagens tridimensionais de galáxias distantes, observadas quando o Universo tinha metade da sua idade actual, ao combinar as forças gémeas do poderoso olho do Telescópio Espacial Hubble da NASA, com a capacidade do VLT (Very Large Telescope) do ESO de estudar os movimentos de gás em pequenos objectos. Ao espreitar este "livro de história" sem paralelo do nosso Univservo, numa época em que o Sol e a Terra ainda não existiam, os cientistas esperam resolver o puzzle de como as galáxias se formaram no remoto passado.

Uma imagem tridimensional de galáxias distantes.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Durante décadas, as galáxias distantes que emitiram a sua luz há seis mil milhões de anos atrás, não foram mais do que pequenos pontos de luz no céu. Com o lançamento do Telescópio Espacial Hubble no início da década de 90, os astrónomos foram capazes de examinar, pela primeira vez e em detalhe, a estrutura de galáxias distantes. Sob os esplêndidos céus de Paranal, o espectógrafo FLAMES/GIRAFFE do VLT - que obtém simultaneamente espectros de pequenas áreas de objectos relativamente grandes - pode agora observar os movimentos do gás nestas distantes galáxias.

"Esta preciosa combinação entre o Hubble e o VLT permite-nos modelar galáxias distantes quase tão bem como galáxias mais próximas," diz François Hammer, que lidera e quipa. "Em efeito, o FLAMES/GIRAFFE agora permite-nos medir a velocidade do gás em vários locais nestes objectos. Isto significa que podemos ver como o gás se move, o que nos fornece uma visão tridimensional de galáxias com metade da idade do Universo."

A equipa empreendeu a tarefa herculeana de reconstituir a história de aproximadamente uma centena de galáxias remotas, observadas com o Hubble e com o GIRAFFE no VLT. Os primeiros resultados estão a chegar e já providenciaram informações úteis de três galáxias.

Medindo os movimentos em 3 distantes galáxias.
Crédito: ESO/Hammer et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Numa das galáxias, o espectógrafo GIRAFFE revelou uma região cheia de gás ionizado, isto é, gás quente composto de átomos a quem foram retirados um ou vários electrões. Isto é normalmente devido à presença de estrelas jovens e muito quentes. No entanto, mesmo após observar a região durante mais de 11 dias, o Hubble não detectou quaisquer estrelas! "Claramente esta galáxia invulgar tem alguns segredos por desvendar," afirma Mathieu Puech, autor principal de um dos artigos deste estudo. As comparações com simulações computacionais sugerem que a explicação reporta-se à colisão de duas galáxias espirais, muito ricas em gás. O calor produzido pela colisão teria ionizado o gás, tornando-o demasiado quente para a formação estelar.

Outra galáxia que os astrónomos estudaram mostra o efeito contrário. Aí, descobriram uma região central azulada, rodeada por um disco avermelhado, quase completamente obscurecido por poeira. "Os modelos indicam que o gás e as estrelas podem estar a espiralar rapidamente para dentro," diz Hammer. Este pode ser o primeiro exemplo da reconstrução de um disco após uma grande fusão.

Finalmente, numa terceira galáxia, os astrónomos identificaram uma estrutura alongada, extremamente azul, muito invulgar - uma barra - composta por estrelas jovens e massivas, raramente observadas em galáxias vizinhas. As comparações com as simulações computacionais mostraram aos astrónomos que as propriedades deste objecto são bem reproduzidas por uma colisão entre duas galáxias de massa desigual.

"A combinação única do Hubble com o FLAMES/GIRAFFE do VLT torna possível a modelação de galáxias distantes em grande detalhe, e o alcançar de um consenso acerca do papel crucial das colisões galácticas sobre a formação de estrelas num passado remoto," diz Puech. "Devido a agora sermos capazes de observar como o gás se move, conseguimos traçar a massa e as órbitas de galáxias ancestrais com relativamente alguma precisão. O Hubble e o VLT são verdadeiras 'máquinas do tempo' para o estudo da história do Universo," acrescenta Sébastien Peirani, autor principal de outro artigo acerca deste estudo.

Os astrónomos estão agora a alargar a sua análise para a totalidade da amostra de galáxias observadas. "O próximo passo será a comparação destas galáxias com galáxias mais próximas, para tentar obter uma imagem da evolução das galáxias ao longo dos últimos seis a oito mil milhões de anos, isto é, mais de metade da idade do Universo," conclui Hammer.

Links:

Notícias relacionadas:
Comunicado de imprensa (ESO)
Universe Today
Science Daily
Space Daily
PHYSORG.com
SpaceInfo News
Softpedia
EurekAlert!
Sify News

Galáxias:
Wikipedia
CCVAlg - O que são as galáxias
CCVAlg - A descoberta das galáxias
CCVAlg - Galáxias espirais
CCVAlg - Galáxias espiral-barradas

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA
STScI
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
     
 
 
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  O Capacete de Thor (NGC 2359) - Crédito: Rogelio Bernal Andreo, Ray Gralak  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

À direita, o Capacete de Thor (NGC 2359) parece olhar na direcção de um lindo campo estelar. A própria e grande paisagem cósmica cobre cerca de 1,5 graus ou 3 Luas Cheias na direcção da constelação de Cão Maior. Um olhar mais atento ao canto inferior esquerdo da imagem poderá mostrar o ténue objecto de uma nebulosa redonda. Heroicamente grande, até para um deus, o Capacete de Thor mede cerca de 30 anos-luz de diâmetro. O capacete é na realidade mais como uma bolha interestelar, soprada como um vento veloz a partir da massiva estrela brilhante perto do centro da bolha. Conhecida como uma estrela Wolf-Rayet, a estrela central é uma gigante extremamente quente, que se pensa estar numa breve fase de evolução em pré-supernova. Em contraste, a nebulosa ténue e redonda é uma nebulosa planetária, o manto gasoso de uma moribunda estrela de massa menor. A distância até NGC 2359 está estimada em aproximadamente 15.000 anos-luz.

 


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