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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 531
De 01/05 a 03/05/2009
 
 
 

Dia 01/05: 121.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1930, o planeta anão Plutão recebe o seu nome oficial.
Em 1949, Gerard Kuiper descobria Nereida.

É o segundo satélite de Neptuno, o mais exterior e terceiro maior dos satélites conhecidos deste planeta.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 21:44.

Dia 02/05: 122.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Vénus, no céu da manhã, encontra-se na sua maior extensão iluminada: quando a área iluminada pelo Sol parece ser maior, vista por um telescópio (a sua maior área superficial iluminada). É por esta altura que Vénus tem a sua maior magnitude.
A Lua brilha a cerca de 5º Régulo esta noite.

Dia 03/05: 123.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1715, durante um eclipse na Inglaterra, Edmond Halley é o primeiro a registar o fenómeno mais tarde conhecido por Contas de Baily (há quem diga que Francis Baily foi o primeiro a notar estes efeitos mais tarde em 1836, daí o seu nome).

Também observa vermelhas e brilhantes proeminências e a assimetria este-oeste na coroa, a que atribui a uma atmosfera na Lua ou no Sol.
Observações: A "estrela" brilhante para a esquerda da Lua, na realidade não é uma estrela, mas sim o planeta Saturno. Aproveite para o observar telescopicamente. Consegue discernir alguns dos seus satélites?

 
 
 
Hidra é a maior (em área) das constelações modernas.
 
 
 
AIA 2009
 
 
  PORTUGAL PÕE TELESCÓPIOS AO SOL  
 

Já lá vai o tempo da roupa estendida nas açoteias algarvias. Este fim-de-semana, o Centro de Ciência Viva do Algarve vai dar corpo a uma nova modalidade de exposição solar. E os telescópios são as estrelas.

A tradição já não é o que era nos típicos terraços do Algarve. Que o diga o Centro de Ciência Viva (CCVAlg) do Algarve, que este fim-de-semana vai dar início a mais uma maratona de observações astronómicas de uma forma sui generis. No dia 3 de Maio (domingo), dia Internacional do Sol, a organização do Ano Internacional da Astronomia (AIA 2009) desafia os curiosos a juntarem-se na açoteia do CCV algarvio para observarem o Sol através de telescópios especiais. A iniciativa terá lugar das 11h30 às 12h30.

Faro marca assim o arranque de mais um ciclo de observações do Sol e de Saturno e dos seus anéis, procurando recriar as observações que o famoso astrónomo Galileu Galilei fez há precisamente quatro séculos. A iniciativa faz parte do mega-projecto do Ano Internacional da Astronomia "E agora eu sou Galileu".

Depois de Faro, os olhos portugueses voltam a centrar-se no Sol no dia 13 de Maio às 11 horas, desta feita no MadeiraShopping, no Funchal, uma cortesia da Universidade da Madeira. No dia 17 de Maio às 16 horas, é a vez do NUCLIO, Núcleo Interativo de Astronomia, apontar os telescópios à estrela mais próxima da Terra, no Centro de Interpretação Ambiental da Ponta do Sal, em Cascais.

Depois do Sol, é a vez de Saturno e os seus anéis desfilarem perante os telescópios nacionais. A 16, a 29 e a 30 de Maio, o segundo maior planeta do Sistema Solar é a estrela das observações da iniciativa "E agora eu sou Galileu", que se realizam em Lisboa, na Praça do Império, em frente ao Planetário Calouste Gulbenkian (sempre às 21 horas, uma organização da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores), e na Tapada da Ajuda (dias 16 e 30 de Maio, às 20h30, da responsabilidade do Observatório Astronómico de Lisboa).

Nos mesmos dias, Saturno e os seus anéis estarão ainda sob a mira nocturna dos telescópios de Mira, no Jardim do Visconde (excepto no dia 29), e de Coimbra, no Parque Verde do Mondego. As duas iniciativas estarão respectivamente a cargo do Observatório Astronómico de Mira e do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.

As lentes insulares também estarão de olhos postos no planeta gigante. A Universidade da Madeira organiza uma sessão de observação de Saturno no dia 29 de Maio às 22 horas na freguesia dos Prazeres, na Calheta.

A Sul, a açoteia do CCV de Faro volta também a ser invadida pelos telescópios no dia 23 de Maio. Desta vez, Saturno será o principal protagonista da observação nocturna.

Ao longo do mês, os interessados são convidados a consultar a página do AIA 2009 (http://www.astronomia2009.org) para actualização das datas e locais destas iniciativas, que deverão continuar a multiplicar-se de Norte a Sul do país.

O Ano Internacional de Astronomia é organizado em Portugal pela Sociedade Portuguesa de Astronomia, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), da Fundação Calouste Gulbenkian, do Ciência Viva, do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra e da European Astronomical Society (EAS).

Links:

Ano Internacional da Astronomia:
AIA2009 (Portugal)
AIA 2009 (Página UNESCO/IAU)

 
     
 
 
  CENTENAS DE BURACOS NEGROS ERRANTES PODEM VAGUEAR PELA VIA LÁCTEA  
 

De acordo com novos cálculos, centenas de buracos negros massivos, deixados para trás desde o princípio do Universo, poderão vaguear pela Via Láctea.

Estes buracos negros solitários pensa-se que estavam originalmente no centro de galáxias pequenas e leves. Ao longo de milhares de milhões de anos, estas galáxias anãs colidiram umas com as outras para formar galáxias gigantescas como a Via Láctea.

A ideia de tais buracos negros errantes já foi anteriormente sugerida, mas uma nova simulação computacional calculou que centenas devem ter sido deixados para trás, e pensa-se que possam estar rodeados por pequenos enxames estelares.

"Estes buracos negros são relíquias do passado da Via Láctea," disse o investigador Avi Loeb do Centro Harvard-Smithsonian para a Astrofísica. "Poder-se-á dizer que somos arquéologos estudando estes tesouros, a aprender mais sobre a história da nossa Galáxia e a história da formação dos buracos negros no princípio do Universo."

Impressão de artista que mostra um buraco negro errante flutuando perto de um enxame globular nos confins da Via Láctea.
Crédito: David A. Aguilar (CfA)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Parece que a Terra está segura. O buraco negro errante mais próximo deverá residir a milhares de anos-luz de distância.

Os astrónomos estão ansiosos de os localizar, com o objectivo de obter pistas acerca da formação da Via Láctea, pois pensa-se que datem dos dias da formação galáctica do Universo.

Nessa altura, quando duas jovens galáxias com buracos centrais colidiam, os seus buracos negros fundiam-se e formavam um único buraco negro. No caos da fusão, o buraco negro seria expelido para os limites da galáxia, mostra o novo modelo computacional.

Este prevê que centenas de tais buracos negros possam ainda existir nos confins da Via Láctea, cada um contendo entre 1000 e 100.000 massas solares. Seriam difíceis de avistar sozinhos, dado que não são visíveis. Podem, no entanto, ser detectados quando a matéria que estão prestes a "engolir" é superaquecida à medida que acelera para dentro.

Outro sinal tantalizante que pode marcar um buraco negro vagabundo: um enxame estelar que o rodeia, atraído desde uma galáxia anã quando o buraco negro escapou. Apenas as estrelas mais próximas do buraco negro seriam apanhadas, por isso o enxame teria que ser muito compacto.

Estes enxames são tão pequenos que cada um parece, vistos à distância, apenas uma única estrela. Por isso, os astrónomos terão que usar truques para os distinguir, tal como separar a luz dos enxames nos seus componentes principais, para descobrir aí estrelas individuais escondidas.

"O enxame estelar que rodeia o buraco negro actua como uma espécie de farol de aviso que aponta para recifes perigosos," disse Ryan O'Leary, do mesmo centro. "Sem as brilhantes estrelas, os buracos negros seriam impossíveis de descobrir."

O número de buracos negros que vagueiam pela nossa Galáxia depende de quantas galáxias, que deram origem à nossa actual, continham buracos negros nos seus núcleos, e como estas proto-galáxias se fundiram para formar a Via Láctea. A sua descoberta e estudo poderia providenciar novas pistas acerca da história da nossa Galáxia.

A localização dos tais enxames estelares pode ser relativamente simples.

"Até agora, os astrónomos não procuravam por uma população desse género de enxames estelares altamente compactos no halo da Via Láctea," disse Loeb. "Agora que sabemos o que esperar, podemos examinar estudos estelares actuais em busca desta nova classe de objectos."

Links:

Notícias relacionadas:
Artigo científico (formato PDF)
CfA (comunicado de imprensa)
Universe Today
SPACE.com
PHYSORG.com

Buracos negros:
Wikipedia
O puxo dos buracos negros - Hubblesite
Tudo sobre buracos negros - SPACE.com

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Absolute Astronomy
SEDS

 
     
 
 
  OPPORTUNITY ENCONTRA JOVEM CRATERA EM MARTE  
 

Os dois rovers marcianos já viram muitas crateras nos seus cinco anos de presença no Planeta Vermelho. O Opportunity está actualmente a percorrer Meridiani Planum a caminho da Cratera Endeavour, um gigantesco e antigo buraco no chão com 22 km de diâmetro. Mas recentemente encontrou a cratera mais jovem já vista pelos dois veículos. Esta cratera é "jovem", em termos relativos; os cientistas dizem que esta pequena cratera denominada "Resolution" formou-se algures nos últimos 100.000 anos. A maioria das características estudadas pelo Opportunity são muito mais velhas, incluindo rochas com mais de 3 mil milhões de anos. Em contraste, a Resolution é apenas bebé.

Uma nova cratera em Marte. Porção do panorama Navcam (Sol 1825; PIA 1185).
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Ao contrário da pele macia de um bebé, uma cratera recém-nascida começa áspera, e vai ficando macia com o passar do tempo. À medida que as crateras envelhecem, os ventos marcianos provocam erosão nas rochas durante a formação da cratera e preenchem-na com areia. Os sinais da juventude da cratera incluem rochas "frescas" no limite da cratera e um buraco vazio. Esta nova cratera também se situa por cima de dunas vizinhas mais antigas. A descoberta da juventude tem as suas vantagens: os cientistas podem comparar a Resolution com crateras mais antigas, para aprender quão depressa o vento muda a superfície de Marte com o passar do tempo.

Em outras notícias, o Spirit registou um aumento de energia disponível após a limpeza por ventos marcianos. A energia acumulada diariamente atinge agora os 371 watts/hora por sol, em contraste com os 250 watts/hora de Janeiro. Há 550 sols que não estavam tão limpos. Isto são boas notícias, porque o Spirit precisa de toda a energia que consegue arranjar, enquanto lida com uns alguns problemas recentes de memória.

Monte Von Braun em Marte.
Crédito: NASA/JPL
 

A imagem acima é a vista actual do Spirit, um monte à esquerda chamado "Von Braun" que poderá ser um local de investigação por parte do rover nos próximos meses. A partir do local onde se encontrava aquando da fotografia, Von Braun encontra-se a cerca de 160 metros.

Links:

Notícias relacionadas:
JPL (NASA)
JPL (NASA - comunicado de imprensa)

Rovers marcianos da NASA:
Página oficial
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Google Mars
As descobertas em Marte

 
     
 
 
TAMBÉM EM DESTAQUE
 

Astrónomos resolvem o misterioso brilho em raios-X da Via Láctea (via Universe Today)
O mapa detalha a emissão raios-X da Galáxia, detectada pela primeira vez há 25 anos atrás e observada recentemente pelo observatório RXTE (Rossi X-ray Timing Explorer) da NASA. A imagem mais pequena mostra uma ampliação pelo Chandra, perto do centro da Galáxia. A misteriosa fonte de raios-X - e anteriormente desfocada - confundiu os astrónomos durante um quarto de um século, mas um novo artigo científico publicado pela revista Nature ajudou a esclarecer a questão. [Ler fonte]

Sal nos geysers de Encelado aponta para oceano líquido à subsuperfície (via New Scientist)
As plumas geladas libertadas pela lua gelada de Saturno, Encelado, são quase de certeza originárias de um oceano subsuperficial de água líquida. A sonda Cassini passou por uma pluma e mediu o peso molecular dos químicos no gelo. Aí descobriram traços de sódio na forma de sal e bicarbonato de sódio. [Ler fonte]

 
     
 
     
  Prometeu Cria Correntes nos Anéis de Saturno - Crédito: Equipa de Imagem da Cassini, ISS, JPL, ESA, NASA  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

O que provoca aqueles riscos estranhos e escuros nos anéis de Saturno? Prometeu. Especificamente, uma dança orbital envolvendo a lua de Saturno, Prometeu, que cria luz irregular e correntes escuras no anel-F de Saturno. Prometeu orbita Saturno mesmo dentro do fino anel-F, mas aventura-se para o seu limite interior a cada 15 horas. A gravidade de Prometeu então puxa as partículas anulares mais próximas na direcção da lua de 100 km. O resultado não só é uma corrente brilhante de partículas anulares, mas também uma fita escura onde as partículas do anel se encontravam. Dado que Prometeu orbita mais depressa que as partículas anulares, a lua gelada puxa uma nova corrente a cada passagem. Por vezes, podem ser observadas várias correntes de uma só vez. A imagem acima foi tirada em meados de Janeiro pela sonda Cassini em órbita de Saturno. A lua alongada, Prometeu, é visível à esquerda da imagem.

 


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