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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 567
De 31/07 a 02/08/2009
 
 
 
 

Dia 31/07: 212.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, a Ranger 7 envia as primeiras imagens detalhadas da Lua, 1000 vezes melhores do que quaisquer imagens telescópicas da altura.
Em 1971, os astronautas da Apollo 15, David Scott e James Irwin, conduzem o primeiro rover lunar.

Em 1976, eram apresentadas as primeiras fotos de Marte da sonda Viking 1.
Em 1999, despenhava-se intencionalmente sobre a Lua a sonda Lunar Prospector, que pretendia encontrar água sob a crosta da Lua.
Observações: Observe a Lua um pouco para a direita de Antares

Dia 01/08: 213.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1774, o elemento oxigénio é descoberto pela terceira (e última) vez.
Em 1818 nascia Maria Mitchell, a primeira mulher eleita como astrónoma pela Academia Americana de Artes e Ciências.

Ganhou notoriedade mundial pela descoberta de um cometa brilhante em 1847.
Observações: A Nebulosa da Águia em Serpente tornou-se num ícone astronómico com uma imagem do Hubble, anunciada em 1995, dos seus "Pilares da Criação". A nebulosa e o seu enxame associado são muito diferentes quando observados por um telescópio. Muitas outras nebulosas e enxames estão espalhadas pela sua vizinhança.

Dia 02/08: 214.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Marte tem passado não muito longe de Aldebarã no céu antes do amanhecer.

 
 
 
A NASA lançou um site para comunicar acerca da existência de quaisquer objectos que se aproximem da Terra, o "Asteroid Watch".
 
 
 
AIA 2009
 
 
  DESCOBERTA MANCHA BRILHANTE EM VÉNUS  
 

Uma estranha mancha emergiu a semana passada em Vénus, e os astrónomos não têm certeza do que a provocou. Esperam que futuras observações revelem se o culpado foi a actividade vulcânica, a turbulência na atmosfera do planeta, ou partículas carregadas do Sol.

O astrónomo amador Frank Melillo de Holtsville, Nova Iorque, foi o primeiro a avistar a nova característica, que é mais brilhante que os seus arredores no ultravioleta, no hemisfério Sul do planeta a 19 de Julho. Nesse mesmo dia, um observador amador na Austrália descobriu uma mancha escura em Júpiter que foi provocada pelo impacto de meteoróide.

A mancha de Vénus também já foi confirmada por outros observadores, e as imagens da Venus Express, a única sonda em órbita do planeta, mais tarde revelaram que a mancha tinha aparecido pelo menos 4 dias antes de ser descoberta por Melillo.

Uma nova e brilhante mancha nas nuvens de Vénus foi descoberta pelo astrónomo amador Frank Melillo no dia 19 de Julho.
Crédito: Melillo/Maxson/ESA/Universidade de Wisconsin-Madison/ALPO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As observações mostram que a mancha cresceu em tamanho até ao final da semana passada, e os astrónomos esperam, por enquanto, observações mais recentes da Venus Express.

A mancha torna-se brilhante em comprimentos de onda ultravioletas, o que pode ir contra o impacto de um meteoróide. Isto é porque os corpos rochosos, à excepção de objectos muito ricos em água gelada, deveriam fazer com que o local de impacto ficasse mais escuro no ultravioleta à medida que é preenchido com detritos que absorvem tal radiação, diz Sanjay Limaye da Universidade de Wisconsin-Madison, e membro da equipa da Venus Express.

Outra possibilidade é que uma corrente de partículas carregadas do Sol possa ter criado o brilho ao energizar uma zona superior da atmosfera. Alternativamente, ondas na atmosfera, que despoletam turbulência e que se pensa transportarem material em direcções verticais, podem ter concentrado material brilhante para criar a mancha.

Uma erupção vulcânica é outro suspeito. Vénus tem mais vulcões que qualquer outro planeta no Sistema Solar, e quase 90% da sua superfície está coberta por fluxos basálticos de lava, embora não tenha ainda sido descoberto nenhum vestígio de actividade vulcânica actual. Mas a erupção teria que ter sido muito poderosa para passar a espessa atmosfera de Vénus e criar a mancha a uns 65, 70 km acima da superfície do planeta.

"Podemos dizer que aconteceu algo invulgar em Vénus. Infelizmente, não sabemos o que é," disse Limaye.

Dois espectómetros a bordo da Venus Express podem ajudar a revelar o culpado. Um mede directamente o espectro de luz emanada pelo planeta, enquanto o outro pode medir traços constituintes na atmosfera ao estudar como os gases aí absorvem luz solar.

Estes instrumentos podem revelar mudanças na distribuição do tamanho das partículas na atmosfera e concentrações mais altas de moléculas, tais como o dióxido de enxofre, que pode sugerir uma erupção vulcânica.

Se um vulcão for realmente o culpado, prová-lo será difícil. Mesmo que a Venus Express descubra níveis de dióxido de enxofre acima da média na atmosfera, a observação será explicada por processos não-vulcânicos, acautela Limaye. A luz solar pode quebrar o ácido sulfúrico nas nuvens de Vénus para criar dióxido de enxofre, que pode não estar bem espalhado pela atmosfera do planeta.

Esta não é a primeira vez que os astrónomos avistam características brilhantes na atmosfera de Vénus. Já há décadas que se observam estas manchas brilhantes da Terra, embora sem nenhuma explicação clara, realça Limaye.

O aumento de brilho mais dramático e recente ocorreu em Janeiro de 2007, quando áreas nos hemisférios norte e sul do planeta aumentaram de brilho. Porque esta está apenas localizada num local, parece diferente, mas é também misteriosa.

"Isto só mostra o quanto não sabemos acerca de Vénus," salienta Limaye. De certo modo, Vénus pode ser mais simples que a Terra - não tem oceanos e devido ao seu eixo de rotação praticamente vertical, não tem estações, acrescenta.

Mas os cientistas planetários ainda não compreendem o que faz com que a atmosfera do planeta rode 60 vezes mais depressa que o próprio planeta. E um estranho vórtice duplo no pólo sul do planeta ainda está por explicar.

Links:

Notícias relacionadas:
Astronomy Now

Venus Express:
Página da ESA
NSSDC (NASA)
Wikipedia

Vénus:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
     
 
 
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