E-mail em HTML com imagens e propriedades CSS. Caso não o consiga visualizar correctamente, clique aqui.
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Página PrincipalRSS Sindicação RSSRemover da lista

ASTROBOLETIM N.º 580
De 07/09 a 08/09/2009
 
 
 
 

Dia 07/08: 220.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959 o Explorer 6 com uma massa de 64.4 kg, torna-se no primeiro satélite a enviar fotos da Terra de órbita.

Em 2000, uma equipa internacional de pesquisa planetária descobre em Epsilon Eridani, a apenas 10.5 anos-luz da Terra, um novo planeta gasoso.
Observações: Os enxames globulares gémeos, M10 e M12, da constelação de Ofíuco, cabem no campo de visão de uns binóculos. Utilize este mapa para os descobrir no céu.

Dia 08/08: 221.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1989 era lançado o STS-28. A quarta missão secreta do Departamento de Defesa americano. Tempo de duração: 5 dias, 1 hora, 0 minutos e 8 segundos.

Observações: A grande mancha vermelha de Júpiter será visível (trânsito) cerca das 02h37 (Tempo Universal).

 
 
  A maior galáxia conhecida reside no interior do enxame Abell 2029, a 1,07 mil milhões de anos-luz de distância, na constelação de Serpens. Recebendo a designação de IC 1101, a monstruosa galáxia elíptica gigante mede 6 milhões de anos luz de diâmetro (em comparação com os 100.000 anos-luz da Via Láctea) e terá, pelo menos, 60 vezes a dimensão da Via Láctea. Além disso, contém cerca de 100 biliões (milhões de milhões) de estrelas (muito mais que os 200-400 milhões de estrelas da Via Láctea).  
 
 
AIA 2009
 
 
  XMM-NEWTON DESCOBRE "PEDRA DE ROSETA" DAS SUPERNOVAS TIPO Ia  
 

O telescópio de raios-X XMM-Newton, em órbita em torno da Terra, descobriu a primeira estrela anã branca que poderá explodir como uma supernova do tipo Ia dentro de alguns milhões de anos. Isto é relativamente próximo à escala de tempo cósmico e, embora esta anã branca e sua companheira, a estrela HD 49798, que a orbita, estejam longe o suficiente para não representarem qualquer perigo para a Terra, estão suficientemente perto para que o fenómeno celeste possa ser espetacular visto da Terra. Os cálculos sugerem que terá inicialmente a intensidade da lua cheia e que será tão brilhante que será visto no céu durante o dia a olho nu. Mas não há que preocupar, ainda vai demorar algum tempo!

Exemplo de fotografia e respectiva legenda

Impressão de artista da anã branca e da sua companheira HD 49798.
Crédito:ESA
(clique na imagem para ver versão maior)

Os astrónomos têm vindo a observar este objecto misterioso desde 1997, quando se descobriu que estava a emitir raios-X, na vizinhança da brilhante estrela HD 49798. Agora, graças à alta sensibilidade do XMM-Newton, o objecto misterioso foi monitorizado ao longo da sua órbita. A observação revelou que é uma anã branca, o coração morto de uma estrela, emitindo raios-X para o espaço.

Sandro Mereghetti, INAF-IASF Milano, Itália, e os seus colaboradores também descobriram que esta não é uma anã branca vulgar. Eles mediram a sua massa e descobriram que era superior ao dobro do que estavam à espera. A maioria das anãs brancas tem cerca de 0,6 massas solares sendo objectos do tamanho da Terra.

Esta anã branca especial tem, pelo menos, o dobro de massa, mas tem um diâmetro de apenas metade do diâmetro da Terra. Ela também gira uma vez a cada 13 segundos, mais rápido que qualquer anã branca conhecida até agora.

A determinação da massa é relativamente segura porque a monitorização de dados do XMM-Newton permitiu aos astrónomos utilizar o método mais sólido para "pesar" uma estrela, um método que usa a física gravitacional desenvolvida por Isaac Newton no século 17. Muito provavelmente, a anã branca atingiu a sua massa invulgar por "roubar" gás da sua estrela companheira, um processo conhecido como acreção. Com 1,3 massas solares, a anã branca está agora perto de um limite perigoso.

Quando uma anã branca atinge uma massa superior a mais do que 1,4 massas solares (limite de Chandrasekhar) torna-se instável e explode ou colapsa para formar um objecto ainda mais compacto chamado estrela de neutrões. A explosão de uma anã branca é a explicação principal para "as supernovas tipo Ia, eventos luminosos, que são utilizados pelos astrónomos como calibradores padrão de distância para medir a expansão do Universo. Até agora, os astrónomos não tinham sido capazes de encontrar uma anã branca com acreção num sistema binário em que a massa pudesse ser determinada com tanta precisão.

"Esta é a pedra de Rosetta das anãs brancas em sistemas binários. A nossa determinação precisa das massas das duas estrelas, é crucial. Podemos agora estudar ainda mais e tentar reconstruir o passado, para que possamos calcular o seu futuro ", diz Mereghetti.

Pode começar a contar aos seus descendentes este facto, para que prestem atenção ao show espectacular que ocorrerá daqui a alguns milhões de anos.

Nota do autor: esperemos que esta notícia não se transforme numa corrente de e-mails como uns que correm a internet, avisando que será possível ver Marte do tamanho da Lua Cheia. Ter a mesma intensidade que a Lua Cheia, não significa que tenha o mesmo tamanho, apenas que por unidade de área do céu atravessa a mesma quantidade de luz. Como se sabe a face iluminada da Lua é visível de dia, pelo que também este evento será visível.

Links:

Notícia original :
ESA (Press release)

Notícias relacionadas:
Universe Today

 
 
TAMBÉM EM DESTAQUE
 

Mínimo de manchas solares cada vez mais estranho (via NASA Science)
O sol está no maior mínimo solar em quase um século. Passam-se semanas, por vezes meses por inteiro, sem uma única mancha solar minúscula que consiga ver-se. Esta situação mantém-se há mais de dois anos, o que levou alguns observadores a pensar: será que as manchas solares estão a desaparecer? [Ler fonte]

 
     
 
     
  Dipolo CMBR-A alta velocidade pelo Universo - Crédito: DMR, COBE, NASA, Four-Year Sky Map  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

A Terra não está em repouso. A Terra move-se em torno do sol. O Sol orbita o centro da Via Láctea. A Via Láctea orbita o Grupo Local de Galáxias. O Grupo Local cai para o enxame de galáxias de Virgem. Mas as velocidades a que estes fenómenos ocorrem são menores do que a velocidade a que todos estes objectos juntos se movem em relação à radiação cósmica de fundo (CBMR). Na imagem acima, um mapa do céu obtida a partir do satélite COBE, da radiação cósmica de fundo que se desloca em direcção oposta à do movimento da Terra, aparece desviada para o azul (blueshifted) e, consequentemente, parecendo o Universo mais quente, enquanto a radiação no lado oposto do céu aparece desviada para o vermelho ( redshifted) e, consequentemente, parecendo o Universo mais frio. O mapa indica que o grupo local se move a cerca de 600 quilómetros por segundo em relação à radiação primordial. Esta alta velocidade foi inicialmente inesperada e sua dimensão ainda não é totalmente explicável. Por que estamos a mover-nos tão rápido? O que está lá fora?

 


Centro Ciência Viva do Algarve
Arquivo de Astroboletins Observações Astronómicas Fórum de discussão CCVAlg.pt