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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 710
De 24/12 a 27/12/2010
 
O NÚCLEO DE ASTRONOMIA DO CCVALG DESEJA A TODOS UM FELIZ NATAL!!
 
 
 

Dia 24/12: 358.º dia do calendário gregoriano.
História: A tripulação da Apollo 8 entra em órbita da Lua, os primeiros humanos a fazê-lo.

Orbitam o nosso satélite natural 10 vezes e enviam de volta imagens televisivas, programa este que se tornou num dos mais vistos na História.
Em 1979, lançamento do primeiro Ariane.
Observações: A estrela de Natal, Sirius, a mais brilhante do céu nocturno, nasce por volta das 20 horas. A cintura de Orionte aponta quase na direcção de Sirius, mostrando para onde olhar. Quando Sirius está baixo regularmente pisca em cores vívidas, um efeito que um par de binóculos facilmente revela de modo especial.

Dia 25/12: 359.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1642, nascia Isaac Newton (de acordo com o calendário juliano).

Em 1968, a Apollo 8 faz primeira manobra TEI (Trans Earth Injection), enviado a tripulação e a nave de volta à Terra desde órbita lunar.
Em 2003, a infeliz Beagle 2, libertada da sonda Mars Expressno dia 19 de Dezembro, desaparece pouco antes da sua prevista aterragem. 
Em 2004, a Cassini liberta a sonda Huygens, que aterra em Titã a 14 de Janeiro do ano seguinte.
Observações: Na última parte do Império Romano, o dia 25 de Dezembro assinalava o nascimento do Sol inconquistável - celebrando a sobrevivência do Sol a seguir a um escuro solstício com a promessa de luz e calor na Primavera e Verão vindouros. Esta temporada festiva, com o seu simbolismo, foi eventualmente substituída pelo Natal cristão no século IV.

Dia 26/12: 360.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1972, a Apollo 17, a última missão lunar tripulada regressava à Terra.
Em 1973, o cometa Kohoutekatingia o periélio. 

No mesmo dia a Soyuz 13 voltava à Terra.
Em 1974 era lançada a Salyut 4.
Observações: O Natal marca a altura do ano em que a icónica constelação de Orionte sobe acima do horizonte e brilha com todo o seu esplendor mesmo após o lusco-fusco.

Dia 27/12: 361.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1571, nascia Johannes Kepler

Em 1968, a Apollo 8 aterra no Oceano Pacífico, terminando a primeira missão tripulada à Lua.
Em 2004, radiação de uma explosão no magnetar SGR 1806-20 alcança a Terra. É o evento extrasolar mais brilhante alguma vez observado. 
Observações: Note cuidadosamente o ponto do pôr-do-Sol no seu horizonte, de dia para dia. Consegue discernir que já começou a sua viagem para Norte?

 
 
 
O maior telescópio óptico do mundo é, desde 2009, o Gran Telescopio das Ilhas canárias (10,4 metros).
 
 
  OBSERVE ORIONTE E SEUS VIZINHOS ESTE NATAL  
 

A seguir à Ursa Maior, provavelmente o grupo de estrelas mais conhecido no céu é a constelação de Orionte.

Situada no equador celeste, Orionte é uma constelação de "oportunidade igual", isto é, visível de todas as partes do mundo à excepção das regiões polares extremas.

Orionte é constituída por um grande rectângulo de estrelas - incluindo as estrelas de primeira magnitude Betelgeuse e Rigel em cantos opostos - com uma esplêndida linha de três estrelas igualmente brilhantes que formam a cintura de Orionte no centro. A partir da cintura de Orionte "penduram-se" outras três estrelas, formando a espada de Orionte.

Que Orionte seja o seu guia para as estrelas de Inverno (ou Verão, se está a sul do equador).

A constelação de Orionte e constelações vizinhas.
Crédito: Miguel Montes, Starry Night
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Olhe para Sul por estas frias noites de Inverno e avistará depressa Orionte. Procure primeiro o estranho rectângulo com a avermelhada Betelgeuse num canto e a azulada Rigel no canto oposto. No meio das duas estão as três estrelas da cintura de Orionte.

Estas três estrelas apontam na direcção da alaranjada/avermelhada Aldebarã na constelação de Touro e do enxame das Plêiades, bem como da azulada Sirius, a estrela mais brilhante do céu e da constelação de Cão Maior na direcção oposta.

A linha que passa por Rigel e Betelgeuse vai dar à constelação de Gémeos, que tem as estrelas gémeas Castor e Pollux. Para sul de Gémeos está a brilhante estrela Procyon. Se tem acesso a céus escuros, poderá avistar alguns dos companheiros mais ténues de Orionte. Unicórnio é o lar de alguns dos mais ricos enxames estelares da Via Láctea. A constelação de Erídano contém muitas galáxias ténues à medida que viaja para sul na direcção de Canopus, a segunda estrela mais brilhante do céu.

A constelação Orionte em detalhe.
Crédito: Miguel Montes, Stellarium
 

Com um céu despoluído pode ver mais da constelação de Orionte. Numa mão o caçador segura no seu escudo com que se protege do furioso Touro. Na outra ele tem uma moca com que ameaça os seus inimigos.

Mesmo para sul da cintura de Orionte está a sua espada. Se olhar cuidadosamente com binóculos, consegue ver que cada estrela na espada é na realidade um enxame estelar ou estrelas múltiplas, sendo a "estrela" do centro a maior jóia do céu, a Nebulosa de Orionte. A olho nu é um bocado enevoada, com binóculos ainda mais.

Mesmo o mais pequeno telescópio revela a sua verdadeira natureza: é uma nebulosa, uma nuvem de gás e poeira, um esplêndido berçário onde nascem estrelas. São facilmente visíveis nuvens de gás em torno do brilhante conjunto de estrelas, o Trapézio, no seu núcleo.

Quantas estrelas consegue ver no Trapézio? Os pequenos telescópios mostram quatro, mas os maiores conseguem revelar mais estrelas, todas rodeadas pelo brilho da nebulosa.

Se tiver um telescópio com quatro polegadas de abertura ou mais, observe cuidadosamente Rigel. É um lindo binário: a sua brilhante estrela primária é acompanhada por uma pequena estrela secundária.

Links:

Orionte:
Wikipedia

Nebulosa de Orionte (M42):
Wikipedia
SEDS
Alien Worlds

 
     
 
 
     
  Eclipse Parcial do Sol - visto de Marte - Crédito: NASA/JPL-Caltech/Cornell/Texas A&M  
  Foto  
  (clique na imagem para ver vídeo)  
     
 

Um novo vídeo obtido pelo "rover" Opportunity da NASA em Marte, mostra a silhueta da lua Phobos a passar em frente do Sol. As duas luas marcianas são demasiado pequenas para cobrir totalmente a face do Sol, a partir da perspectiva da superfície de Marte, por isso este eclipse parcial parece muito diferente de um eclipse visto na Terra. O vídeo é composto por várias exposições tiradas em intervalos de quatro segundos e então combinadas neste vídeo com 30 segundos (o vídeo está aproximadamente em tempo real). Cientificamente, imagens com anos de diferença que mostram a posição de Phobos em relação ao Sol num dado momento no tempo ajudam ao estudo das pequenas alterações na órbita da lua. Isto, por sua vez, fornece informação acerca do interior de Marte. O Opportunity e o seu gémeo, Spirit, já enviaram mais de 250.000 imagens de Marte desde que aí chegaram em Janeiro de 2004.

 


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