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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 723
De 08/02 a 10/02/2011
 
 
 

Dia 08/02: 39.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1974, após 84 dias no espaço, a tripulação da primeira estação espacial americana, a Skylab, regressa à Terra.
Em 1986 regressava o cometa Halley.

Observações: Poderá já conhecer o bonito enxame M41, visível com binóculos para Sul de Sirius. Mas conhece M50? Siga a linha de Sirius até à ponta do nariz de Cão Maior (Theta Canis Majoris), continue exactamente na mesma direcção e encontrará o enxame. Tem magnitude 5,9, mais ténue que M41 com magnitude 4,5.

Dia 09/02: 40.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971, o módulo lunar da missão Apollo 14 faz a sua aterragem após ter colocado homens na Lua pela 3ª vez.
Alan Shepard em Fra Mauro (Crédito: NASA)
Em 1975, a Soyuz 17 regressa à Terra.
Observações: Por volta das 22 horas, a Ursa Maior estará mais ou menos à mesma altura a Nordeste que a Cassiopeia a Noroeste. Entre as duas constelações está a Estrela Polar.

Dia 10/02: 41.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1992, a sonda espacial Ulysses usa a gravidade de Júpiter para poder explorar os pólos do Sol.
Crédito: NASA
Observações: Aproveite os minutos antes e durante o amanhecer para observar Vénus, baixo a Sudeste.

 
 
 
Vega, na constelação de Lira, é a quinta estrela mais brilhante do céu nocturno.
 
 
  UMA FOTOGRAFIA PERFEITA DE UMA GALÁXIA DE DISCO PURO  
 

A galáxia brilhante NGC 3621, capturada com o instrumento Wide Field Imager montado no telescópio de 2,2 metros, instalado no Observatório do ESO de La Silla, Chile, parece ser um exemplar perfeito de uma espiral clássica. No entanto, é bastante invulgar: esta galáxia não tem bojo central e é por isso descrita como uma galáxia de disco puro.

Imagem obtida pelo instrumento WFI da galáxia NGC 3621.
Crédito: ESO, Joe DePasquale
(clique na imagem para ver versão maior)
 

NGC 3621 é uma galáxia espiral situada a cerca de 22 milhões de anos-luz de distância na constelação da Hidra. É relativamente brilhante e pode ser observada com um telescópio de tamanho médio. Esta imagem foi obtida com o instrumento WFI (Wide Field Imager) acoplado ao telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, instalado no Observatório do ESO de La Silla, Chile. Os dados foram seleccionados, a partir de arquivo ESO, por Joe DePasquale, que participou no concurso Tesouros Escondidos. A imagem de NGC 3621 submetida por Joe ao concurso valeu-lhe o quinto lugar nesta competição.

A galáxia tem a forma de uma panqueca achatada, o que indica que ainda não interagiu de forma directa com outra galáxia, sofrendo por exemplo uma colisão galáctica, o que teria perturbado o fino disco de estrelas e criado um pequeno bojo no seu centro. A maioria dos astrónomos pensa que as galáxias crescem por fusão com outras galáxias, num processo chamado formação hierárquica de galáxias. Com o tempo este processo deverá criar bojos grandes no centro das espirais. Investigações recentes sugeriram, no entanto, que galáxias espirais sem bojo, ou de disco puro, como NGC 3621, são na realidade bastante comuns.

Esta galáxia torna-se igualmente interessante na medida em que, encontrando-se relativamente próxima, permite-nos estudar uma grande variedade de objectos astronómicos que se encontram no seu interior, incluindo maternidades estelares, nuvens de poeira e estrelas pulsantes, as chamadas variáveis Cefeidas. Estas últimas são utilizadas como marcos de distância no Universo. Nos finais dos anos 90, NGC 3621 foi uma das 18 galáxias seleccionadas para um Programa Chave do Telescópio Espacial Hubble: observar variáveis Cefeidas e medir a taxa de expansão do Universo com uma precisão maior do que a conseguida até então. Neste projecto, que correu bastante bem, foram observadas, apenas nesta galáxia, 69 Cefeidas.

Múltiplas imagens monocromáticas obtidas através de quatro filtros de cor diferentes foram combinadas para obter esta fotografia. Imagens obtidas com o filtro azul aparecem-nos a azul, imagens tiradas através do filtro amarelo-verde estão a verde e imagens obtidas através do filtro vermelho são laranja escuro. Adicionalmente, imagens tiradas através de um filtro que isola o brilho do gás de hidrogénio apresentam-se vermelhas. Os tempos de exposição totais por filtro foram de 30, 40, 40 e 40 minutos, respectivamente.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Science Daily
Science Centric
Discovery News
UPI.com

NGC 3621:
Wikipedia

Cefeidas:
Wikipedia
SEDS

ESO:
Página oficial
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

 
     
 
     
  Apollo 14: Vista da Antares - Crédito: Edgar MitchellApollo 14NASAMosaico - Eric M. Jones  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

quarenta anos atrás, enquanto olhava pela janela do Módulo Lunar Antares da Apollo 14, o astronauta Ed Mitchell capturou uma série de fotos da superfície lunar, compostas neste mosaico detalhado pelo editor da revista Apollo Lunar Surface, Eric Jones. A vista é das terras altas Fra Mauro, para Noroeste do local de aterragem, após os astronautas da Apollo 14 terem completado o seu segundo e último passeio na Lua. No pano da frente está o dispositivo MET (Modular Equipment Transporter), uma espécie de carrinho com duas rodas usado para transportar ferramentas e amostras. Perto do horizonte no topo do centro está uma grande rocha com 1,5 metros, denominada Tartaruga. Na cratera lisa por baixo da rocha Tartaruga está a longa pega de um instrumento de recolha de amostras, atirado para lá por Mitchell. O colega de Mitchell, Alan Shepard, que foi o primeiro americano no espaço, usou também um taco de golfe para atirar duas bolas de golfe. Uma das bolas é visível como uma mancha branca perto do instrumento atirado por Mitchell.

 


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