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Edição n.º 780
26/08 a 29/08/2011
 
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EFEMÉRIDES

Dia 26/08: 238.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1978, Sigmund Jähn torna-se no primeiro cosmonauta alemão, a bordo da Soyuz 31.
Em 1999 são registadas as primeiras imagens de calibração do telescópio de raios-X mais poderoso do mundo, o Observatório Chandrada NASA.

Estas incluem os espectaculares restos de uma supernova, Cassiopeia A, que explodiu há 300 anos atrás, uma concha de gás quente com 10 anos-luz de diâmetro e temperaturas de 50 milhões de graus, com um ponto de luz que pode ser uma estrela de neutrões ou um buraco negro no centro de uma explosão estelar. Outra imagem que fascinou os observadores foi o grande jacto energético do quasar PKS 0637-752 a 6 mil milhões de anos-luz. O Chandra continuou com as suas calibrações nas semanas seguintes.
Em 2003, a comissão que investigava o acidente do vaivém Columbia anuncia o seu relatório final. 
Observações: Aproveite a noite para observar as constelações do Sul (Escorpião e Sagitário) escrutinando o centro da Via Láctea.

Dia 27/08: 239.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962 era lançada com êxito a sonda Mariner 2 de Cabo Canaveral com destino a Vénus, 15 semanas depois.

A 14 de Dezembro de 1962 tornou-se na primeira sonda a passar com sucesso por Vénus, sendo a sua aproximação máxima 34,833 km. Encontra-se agora numa órbita solar. 
Em 1999 é encontrada água extraterrestre num meteorito. Usando várias formas de análise, os cientistas do JSC encontram água nos cristais de halite de um meteorito que caiu na Terra (Texas) a 22 de Março de 1998. A água capturada nos cristais pode ser mais antiga que o Sol e que os planetas.
Em 2003, Marte faz a sua maior aproximação da Terra em quase 60.000 anos, passando a 55.758.005 km de distância.  
Observações: Antes do amanhecer, observe telescopicamente Júpiter para avistar a sombra de Io muito perto da Grande Mancha Vermelha.

Dia 28/08: 240.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1789 Herscheldescobria a lua de Saturno Encelado.

Em 1859, uma tempestade geomagnética provoca auroras boreais tão fortes que puderam ser claramente observadas em partes dos EUA, Europa e até Japão.
Observações: Vega é a estrela brilhante por cima das nossas cabeças após o anoitecer esta semana. Arcturo é a igualmente brilhante estrela a Oeste. A um terço do caminho entre Vega e Arcturo encontrará a constelação de Hércules. A dois-terços do caminho está o semicírculo da Coroa Boreal.

Dia 29/08: 241.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Lua Nova, pelas 04:06.

 
CURIOSIDADES


Se gritar durante 8 anos, 7 meses e 6 dias, a energia libertada é igual à necessária para aquecer uma chávena de café.

 
CINCO ANOS DEPOIS, DESPROMOÇÃO DE PLUTÃO É AINDA CONTROVERSA

No dia 24 de Agosto de 2006, Plutão - que até à data era conhecido como o nono planeta do Sistema Solar desde a sua descoberta em 1930 - foi despromovido para a recém-criada categoria de "planeta anão". A decisão foi controversa, com alguns cientistas a discordar dos argumentos por trás da mesma. Também transtornou e confundiu muitos leigos, que achavam que os nove planetas eram objectos permanentes no céu - pedra fulcral para o seu conhecimento do Cosmos e do seu lugar nele.

Mas a reclassificação de Plutão mostra que o conhecimento acerca do que nos rodeia está sempre a mudar, que as verdades científicas não são herdadas dos céus. E esta lembrança pode ser o maior legado do debate acerca do estatuto de Plutão como planeta. "Este debate mostra às pessoas, especialmente aos miúdos, que a Ciência está em constante evolução, e isso é excitante," afirma Scott Sheppard, cientista planetário do Instituto Carnegie em Washington, que procura planetas anões nos confins do Sistema Solar. "E que nos devemos envolver com a Ciência, porque há muito mais para aprender."

Quanto Plutão foi descoberto em 1930, foi visto como um objecto excêntrico, e essa percepção permaneceu durante as seis décadas seguintes. Afinal de contas, Plutão é muito mais pequeno que os oito planetas "tradicionais", e a sua órbita altamente elíptica é consideravelmente fora do normal. Plutão também está muito mais longe, rodando em torno do Sol a uma distância média de 5,87 mil milhões de quilómetros. Mas na década de 90 os astrónomos começaram a aperceber-se que Plutão não é nada extravagante. Começaram a descobrir muitos outros grandes objectos no domínio de Plutão, o anel de corpos gelados para lá de Neptuno conhecido como Cintura de Kuiper.

Impressão de artista de Plutão e Caronte, vistos de outra lua.
Crédito: David Aguilar/CfA
 

As novas descobertas levaram alguns cientistas a reexaminar o seu conhecimento básico da estrutura do Sistema Solar, incluindo o modo como tinham classificado os seus grandes corpos. Como deveríamos chamar estes corpos longínquos e gelados? Se Plutão é um planeta, deveriam então ser também todos planetas? Este repensar sofreu um choque em 2005, quando o astrónomo Mike Brown anunciou a descoberta de Eris, um objecto na Cintura de Kuiper que parecia ser até maior que Plutão. E pouco tempo depois, a UAI (União Astronómica Internacional) entrava na discussão.

Em 2006, a UAI delineou a seguinte definição oficial para "planeta": Um corpo que orbita o Sol sem ser satélite de outro objecto, que é grande o suficiente para ter forma redonda devido à sua própria gravidade (mas não tão grande para começar a fusão nuclear, como uma estrela) e que "limpou a sua vizinhança" de grande parte dos outros corpos perto da sua órbita. Dado que Plutão partilha a Cintura de Kuiper com muitos outros objectos grandes, falhou ao preencher o terceiro critério e sendo assim foi despromovido. Ao invés, a UAI reclassificou Plutão e Eris como "planetas anões".

Os cientistas planetários no geral concordaram com a nova classificação, afirmando que Plutão, Eris e outros corpos da Cintura de Kuiper não pertencem à mesma categoria dos oito planetas "originais". Os longínquos objectos gelados, dizem, são demasiado diferentes - nos seus tamanhos, composições, órbitas e histórias evolucionárias. "O que importa é a sua classificação. A classificação é o primeiro passo para a compreensão," afirma Brown. "Se falhamos na classificação mais básica do todo do Sistema Solar ao não definir a diferença entre os oito grandes planetas e tudo o resto - se falhamos isso, falhamos todo o Sistema Solar."

Além do mais, o termo "planeta" é tão fundamental, tão central para quaisquer tentativas de ensinar o público acerca do Sistema Solar, que a sua definição apropriada é crucial, acrescenta Brown. "Se dissermos que existem oito planetas e depois montes de planetas anões, essa é uma boa descrição do que o Sistema Solar realmente é," afirma Brown. "Mas se disséssemos, 'Uau, temos aqui um sistema planetário e existem 20.000 planetas. Ah, e oito destes são significativamente maiores que os outros' - esta não é uma classificação nada útil."

Impressão de artista de Eris, cuja descoberta foi anunciada em Julho de 2005 por Mike Brown do Caltech. É mais massivo que Plutão. O Sol está no fundo da imagem.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Outros cientistas, no entanto, não estão nada satisfeitos com a definição de planeta pela UAI, apelidando-a de imperfeita e de nada científica. "Penso que a UAI devia estar embaraçada com esta sua definição," afirma Alan Stern do Instituto de Pesquisa do Sudoeste em Boulder, Colorado, EUA. Stern lidera a missão New Horizons da NASA, que está a enviar uma sonda para estudar Plutão de perto. "Criaram um problema para eles próprios e para a astronomia. [A definição] Criou um algoritmo impraticável para decidir o que é ou não um planeta.

Sterm discorda particularmente do critério da "limpeza da vizinhança". "Em nenhum outro ramo científico conheço algo tão absurdo," afirma Stern. "Um rio é um rio, independentemente de existirem outros rios na vizinhança. Na Ciência, chamamos às coisas o que são com base nos seus atributos, e não com base nos seus vizinhos." Mais, afirma Stern, o critério levanta padrões diferentes para os planetas a diferentes distâncias do Sol. Isto é porque quanto mais longe do Sol está um planeta, maior precisa de ser para limpar a sua zona. Se a Terra orbitasse o Sol na órbita de Plutão, por exemplo, segundo a UAI não seria classificado como planeta principal. "Eu diria que qualquer definição que produz um resultado onde a Terra não é um planeta sob qualquer circunstância é imediatamente rotulada como ridícula, porque todos podemos concordar num ponto - que a Terra é um planeta," afirma Stern.

Stern não tem problema com o termo "planeta anão". Ele apenas acha que os anões deviam também ser planetas "verdadeiros" como os terrestres e os gigantes gasosos. A exclusão dos anões da lista oficial não é mais do que uma gestão económica do número de planetas, acrescenta. "Este não é um modo muito científico de fazer as coisas, dado que temos inúmeras estrelas, galáxias, asteróides e muitos mais outros objectos," afirma Stern.

Imagens do planeta anão Plutão obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble.
Crédito: NASA, ESA e M. Buie (Instituto de Pesquisa do Sudoeste)
 

Enquanto cientistas como Brown e Stern discordam acerca da classificação de Plutão como planeta, concordam que as duas últimas décadas trouxeram um oceano de mudança à compreensão do Sistema Solar. Por exemplo, sabemos agora que os cantos mais longínquos do Sistema Solar estão repletos de objectos interessantes e grandes. O primeiro corpo da Cintura de Kuiper, além de Plutão, foi descoberto apenas em 1992, mas Brown especula que possam existir até cerca de 2000 planetas anões nestas zonas.

E muitos outros podem estar até mais longe. Actualmente, os astrónomos conhecem um provável e misterioso planeta anão, chamado Sedna, que habita na região para lá da Cintura de Kuiper. Mas esta zona distante - que é muito difícil de estudar com os instrumentos de hoje - pode albergar até 20.000 planetas anões, afirma Brown. Por isso Plutão é agora apenas um entre muitos outros corpos gelados, grandes e diversos que orbitam o Sol àquela distância incrível.

"Passámos da quase completa ignorância acerca deste género de corpos para uma incrível riqueza, e estamos a tentar compreender como funcionam estes pequenos mundos," afirma Brown. Stern expressou sentimentos semelhantes, salientando que as recentes descobertas mostram planetas - anões ou não, no nosso Sistema Solar e para lá - fantasticamente diversos.

"É o que descobrimos na ciência planetária, como resultado não só da Cintura de Kuiper mas também de descobertas de planetas extrasolares," afirma Stern. "Existem planetas com a densidade da madeira balsa, e planetas mais escuros que o carvão, e Júpiteres quentes e super-Terras. Suspeito que estamos apenas a arranhar a superfície da diversidade - tanto na Cintura de Kuiper como em torno das outras estrelas."

O debate acerca de Plutão é resultado desta vasto aumento no conhecimento, desta revolução no modo como vemos a nossa vizinhança cósmica. E serve como lembrança de que a Ciência não é um conjunto rígido de factos mas sim um processo, um modo de aprendermos o máximo possível sobre nós próprios e sobre o meio que nos rodeia. "Mostra que estamos constantemente a expandir o nosso conhecimento do Sistema Solar e do nosso lugar no Universo," afirma Sheppard. "A Ciência está em constante evolução, e estamos sempre a descobrir coisas novas."

Links:

Notícias relacionadas:
SPACE.com
National Geographic

União Astronómica Internacional:
Página oficial
Centro de Planetas Menores

Plutão:
Wikipedia
Nine Planets
NASA

New Horizons:
Página oficial
Wikipedia

Eris:
Wikipedia
Michael Brown

 
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