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Edição n.º 847
17/04 a 19/04/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 17/04: 108.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1598 nascia Giovanni Riccioli, astrónomo italiano que estudou extensivamente a Lua e foi a primeira pessoa a medir a aceleração de um corpo em queda livre.
Em 1970, após dias de aflição, a Apollo 13 regressava a salvo à Terra.

Observações: Tem estado(a) atento(a) à brilhante estrela Sirius a Sudoeste, e a Orionte a Oeste, ao anoitecer? Conseguem ainda ser observados mas descendo para cada vez mais baixo diariamente. Quanto tempo mais consegue observá-los?

Dia 18/04: 109.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1955, falecia Albert Einstein.

Observações: Maior elongação Oeste de Mercúrio, pelas 18 horas.

Dia 19/04: 110.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971, lançamento da Salyut 1, a primeira estação espacial.
Em 1975, lançamento do primeiro satélite da Índia, o Aryabhata.

Observações: A brilhante Vega está agora visível baixa a nordeste a partir das 21:30-22 horas (dependendo do que está a tapar o horizonte). Arcturo domina o céu alto a Este. A um-terço do caminho entre Arcturo e Vega está a ténue constelação da Coroa Boreal, com a sua única estrela de brilho moderado, Alphecca. A dois-terços entre Arcturo e Vega está a constelação de Hércules.

 
CURIOSIDADES


A cerca de 150 milhões de quilómetros, a luz do Sol demora aproximadamente 8 minutos a chegar à Terra.

 
ALMA REVELA FUNCIONAMENTO DE SISTEMA PLANETÁRIO PRÓXIMO

Um novo observatório ainda em construção forneceu aos astrónomos importantes pistas na compreensão de um sistema planetário próximo, no sentido de sabermos como é que estes sistemas se formam e evoluem. Os astrónomos utilizaram o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) e descobriram que os planetas que orbitam a estrela Fomalhaut são muito mais pequenos do que o inicialmente suposto. Este é o primeiro resultado científico publicado correspondente ao primeiro período de observações científicas do ALMA abertas aos astrónomos de todo o mundo.

A descoberta tornou-se possível graças às imagens ALMA extremamente nítidas de um disco, ou anel, de poeira que orbita Fomalhaut, situada a cerca de 25 anos-luz da Terra, e ajuda a resolver uma controvérsia que se gerou entre os primeiros observadores deste sistema. As imagens ALMA mostram que tanto os limites interiores como exteriores do disco de poeira fino estão muito bem delineados. Este facto, combinado com simulações de computador, levou os cientistas a concluir que as partículas de poeira permanecem no interior do disco devido ao efeito gravitacional de dois planetas - um mais próximo da estrela do que o disco e outro mais distante.

Os seus cálculos também indicam o tamanho provável dos planetas - maiores que Marte mas não maiores que algumas vezes o tamanho da Terra. Estes valores são muito mais pequenos do que os astrónomos tinham inicialmente pensado. Em 2008, o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA revelou o planeta interior, que na altura se pensou ser maior que Saturno, o segundo maior planeta do Sistema Solar. No entanto, observações posteriores com telescópios infravermelhos não conseguiram detectar o planeta.

Esta é uma nova imagem do anel de poeira em torno da brilhante estrela Fomalhaut obtida pelo ALMA. As partes azuis mostram uma imagem mais antiga obtida pelo telescópio espacial Hubble. A nova imagem do ALMA deu aos astrónomos um olhar bem mais detalhado sobre este sistema planetário vizinho e pistas acerca de como tais sistemas se formam e evoluem. Note que o ALMA até agora só observou parte do anel.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO). Imagem visível: telescópio Hubble da NASA/ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Esta não detecção levou alguns astrónomos a duvidarem da presença do planeta na imagem Hubble. Não ajudou também o facto da imagem visível do Hubble ter detectado muitos grãos de poeira pequenos empurrados para o exterior pela radiação estelar, portanto tornando pouco nítida a estrutura do disco de poeira. As observações do ALMA, a comprimentos de onda maiores que o visível, traçam os grãos de poeira maiores - com cerca de 1 milímetro de diâmetro - que não são deslocados pela radiação estelar. Estes grãos revelam de modo claro os limites nítidos do disco e a sua estrutura anelar, indicadores do efeito gravitacional dos dois planetas.

"Combinando as observações ALMA da estrutura anelar com modelos computacionais, podemos impor limites apertados à massa e à órbita de qualquer planeta que se encontre próximo do anel," disse Aaron Boley (Sagan Fellow, Universidade da Flórida, EUA), que liderou este estudo. "As massas destes planetas devem ser pequenas; caso contrário os planetas destruiriam o anel," acrescentou. O tamanho pequeno dos planetas explica por que é que não foram detectados anteriormente pelas observações infravermelhas, disse o cientista.

O estudo ALMA mostra que a largura do anel é mais ou menos 16 vezes a distância entre o Sol e a Terra, e a sua espessura é apenas um sétimo da largura. " O anel é ainda mais estreito e fino do que o que se pensava anteriormente," disse Matthew Payne, também da Universidade da Flórida.

O anel encontra-se a uma distância da estrela de cerca de 140 vezes a distância Terra-Sol. No nosso Sistema Solar, Plutão encontra-se cerca de 40 vezes mais afastado do Sol do que a Terra. "Devido ao pequeno tamanho dos planetas próximos do anel e à sua grande distância à estrela hospedeira, estes são dos planetas mais frios alguma vez encontrados a orbitar uma estrela normal," acrescentou Aaron Boley.

Os cientistas observaram o sistema Fomalhaut em Setembro e Outubro de 2011, quando apenas um quarto das 66 antenas do ALMA estavam disponíveis. Quando a construção estiver completa no próximo ano, o sistema total será muito mais poderoso. No entanto, ainda na sua fase científica inicial, o ALMA teve já capacidade suficiente para revelar uma estrutura que eludiu anteriores observadores em ondas milimétricas.

"O ALMA pode estar ainda em construção, mas é já o telescópio mais poderoso do seu tipo. Este é apenas o início de uma nova e excitante era no estudo de discos e formação de planetas em torno de outras estrelas," conclui Bill Dent (ALMA, Chile), astrónomo do ESO e membro da equipa.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
24/06/2005 - A "Cintura de Kuiper" de Fomalhaut
15/11/2008 - Grandes descobertas: primeiras imagens de planetas em torno de outras estrelas
27/09/2011 - Descuido exoplanetário levanta dúvidas

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Universe Today
Science 2.0
Astronomy Now Online
Space Daily
Astrobiology Magazine
PHYSORG

Fomalhaut:
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Nebulosa da Águia
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: T. A. Rector e B. A. Wolpa, NOAOAURA
 
De longe e como num todo, parece uma águia. Mas com um olhar mais pormenorizado sobre a Nebulosa da Águia, esta região brilhante é na realidade uma janela para o centro de uma maior concha escura de poeira. Através desta abertura, aparece uma fábrica bem iluminada onde um enxame aberto inteiro está a ser fabricado. Nesta cavidade, pilares gigantes e glóbulos redondos de poeira escura e gás molecular situam-se no local de formação das estrelas. Já estão visíveis algumas jovens, brilhantes e azuis estrelas cuja luz e ventos queimam e empurram os filamentos que restam das muralhas de gás e poeira. A nebulosa de emissão da Águia, ou M16, está situada a cerca de 6500 anos-luz de distância, prolonga-se por aproximadamente 20 anos-luz, e é visível com binóculos na direcção da constelação de Serpente. Esta imagem combina três cores específicas e foi obtida com o telescópio de 0,9 metros em Kitt Peak, no estado americano do Arizona.
 

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