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Edição n.º 938
01/03 a 04/03/2013
 
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EFEMÉRIDES

Dia 01/03: 60.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1927, nascimento de George Abell, que catalogou 2712 enxames galácticos e determinou os números relativos de galáxias com vários brilhos intrínsecos. Morreu em 1983.
Em 1966, a sonda soviética Venera 3 colide com o planeta Vénus, tornando-se na primeira a aterrar na superfície de outro planeta.
Em 1980, a sonda Voyager 1confirma a existência de Jano, uma lua de Saturno. 
Em 1982, a soviética Venera 13 envia as primeiras fotografias a cores de Vénus (a Venera 14 seguiu-a 4 dias depois).

Foi lançada a 30 de Outubro de 1981 e a Venera 14 a 4 de Novembro de 1981.
Em 2002, lançamento da missão STS-109, com objectivo de manutenção do Telescópio Espacial Hubble. No mesmo ano, o satélite ambiental Envisat alcança com sucesso uma órbita de 800 km por cima da Terra no seu 11.º lançamento, transportando a carga mais pesada até à data, de 8500 quilogramas.
Observações: Pelas 21:25, Ganimedes passa em frente de Júpiter. Reaparece no outro lado do planeta pelas 23:40.
A partir das 23:00, a Lua nasce com Saturno uns poucos graus para a sua esquerda e para baixo. O par permanece perto um do outro o resto da noite.

Dia 02/03: 61.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1972, a sonda americana Pioneer 10 é lançada. Torna-se na primeira a passar pela cintura de asteróides e a alcançar o planeta Júpiter (em 1973).

Torna-se na primeira sonda a sair do Sistema Solar. A Pioneer 10 transporta uma placa desenhada para identificar a sua origem caso seja encontrada à deriva pela Via Láctea. Em 2003, após 31 anos, a Pioneer 10 deixa finalmente de se ouvir.
Em 1978, o astronauta checo Vladimir Remek torna-se no primeiro não-russo ou não-americano a ir ao espaço, a bordo da Soyuz 28.
Em 1998, dados enviados pela sonda Galileu indicam que a lua de Júpiter, Europa, tem um oceano líquido por baixo de uma espessa superfície de gelo.
Observações: Agora que começou Março, é a vez de Sirius estar o mais alto a Sul pouco depois do anoitecer.
Aproveite a noite de hoje para observar o enxame M44 (Presépio) na constelação do Caranguejo, utilizando uns binóculos.

Dia 03/03: 62.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1915, é fundada a NACA, antecessora da NASA.
Em 1959, lançamento da sonda Pioneer 4, a primeira missão à Lua com êxito.

Falhou a Lua por 59.500 km em vez dos esperados 32.000 km, pelo que não conseguiu testar as câmaras, mas enviou dados excelentes sobre a radiação através dos seus contadores Geiger. 
Em 1969, lançamento da Apollo 9, com o objectivo de testar o módulo lunar.
Observações: A partir das 21:25, Europa desaparece por trás de Júpiter. Reaparece no outro lado do planeta a partir das 23:55.

Dia 04/03: 63.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1675, John Flamsteed é nomeado o primeiro Astrónomo Real de Inglaterra.

Em 1979, a sonda Voyager 1descobre os anéis de Júpiter
Em 1986, a sonda soviética Vega 1 começa a enviar imagens do Cometa Halley, e as primeiras imagens de sempre do seu núcleo. 
Em 1994, a missão STS-62 do vaivém espacial (Columbia 16) é lançada para órbita. 
Em 1999, voo rasante do asteróide 1998 VD35 pela Terra (0,169 UA).
Em 2006, última tentativa de contacto com a Pioneer 10, pela Deep Space Network. Nenhuma resposta foi recebida.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 21:53.

 
CURIOSIDADES


Número de planetas extra-solares descobertos até agora: 861.

 
O NASCIMENTO DE UM PLANETA GIGANTE?

Astrónomos utilizaram o VLT (Very Large Telescope) do ESO e obtiveram o que é, muito provavelmente, a primeira observação directa de um planeta em formação, ainda envolvido por um espesso disco de gás e poeira. A ser confirmada, esta descoberta ajudará a melhor compreender como se formam os planetas, uma vez que será possível testar as teorias actuais contra um alvo observável.

Uma equipa internacional liderada por Sascha Quanz (ETH Zürich, Suíça) estudou o disco de gás e poeira em torno da jovem estrela HD100546, uma estrela relativamente próxima situada a 335 anos-luz de distância da Terra. A equipa ficou surpreendida ao descobrir o que parece ser um planeta em formação, ainda envolvido no disco de material que rodeia a estrela. O candidato a planeta será um gigante gasoso semelhante a Júpiter.

"Até agora, a formação de planetas tem sido um tópico desenvolvido essencialmente por simulações de computador," diz Sascha Quanz. "Se se confirmar que a nossa descoberta é efectivamente um planeta em formação, então pela primeira vez os cientistas poderão estudar de forma empírica o processo de formação planetária e a interacção entre um planeta em formação e o seu meio circundante, desde a fase primordial."

Impressão de artista de um planeta gigante gasoso a formar-se no disco que rodeia a jovem estrela HD100546.
Crédito: ESO/L. Calçada
(clique na imagem para ver versão maior)

 

A estrela HD100546 tem sido muito estudada e foi já sugerida a existência de um planeta gigante situado cerca de sete vezes mais longe da estrela do que a Terra se encontra do Sol. O candidato a planeta agora descoberto situa-se na região exterior do sistema, cerca de dez vezes mais longe.

O possível protoplaneta foi detectado como uma ténue mancha situada no disco circunstelar, revelada graças ao instrumento de óptica adaptativa NACO, montado no VLT do ESO, e à técnica inovadora de análise de dados. As observações foram obtidas com o coronógrafo do NACO, que opera nos comprimentos de onda do infravermelho, suprimindo a intensa radiação emitida pela estrela na região onde se encontra o candidato a protoplaneta.

De acordo com as teorias actuais, os planetas gigantes crescem ao capturar algum do gás e poeira que restam após a formação da estrela. Os astrónomos descobriram várias características na nova imagem do disco em torno de HD100546, que apoiam esta hipótese de formação protoplanetária. Estruturas existentes no disco circunstelar poeirento, que poderiam ser causadas por interacções entre o planeta e o disco, apareceram próximo do protoplaneta detectado. Existem também indícios de que as regiões em volta do protoplaneta estejam a ser aquecidas pelo processo de formação.

Imagens do VLT e do Hubble do sistema protoplanetário HD100546.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Adam Amara, outro membro da equipa, está entusiasmado com a descoberta. "A investigação sobre exoplanetas é uma das novas fronteiras da astronomia mais excitantes e a obtenção de imagens directas de planetas é algo ainda muito recente, que só agora começa a ser explorado, beneficiando imenso das recentes inovações nos instrumentos e nos métodos de análise de dados. Neste trabalho usámos técnicas de análise de dados desenvolvidas especificamente para a investigação cosmológica, o que mostra que a partilha de ideias entre diferentes campos pode levar a progressos extraordinários."

Embora a explicação mais provável para as observações obtidas seja a existência de um protoplaneta, os resultados deste estudo requerem observações suplementares para se confirmar a existência do planeta e invalidar outros cenários menos prováveis mas também plausíveis. Entre outras explicações possíveis, o sinal detectado pode estar a ser emitido por uma fonte de fundo. É igualmente possível que o objecto detectado não seja um protoplaneta, mas sim um planeta completamente formado, que tenha sido expelido da sua órbita original, próximo da estrela. Quando se confirmar que o novo objecto em torno de HD100546 é, de facto, um planeta em formação, envolvido ainda pelo disco de gás e poeira, teremos então um laboratório único para estudar o processo de formação de um novo sistema planetário.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
PHYSORG.com
Universe Today
SPACE.com

HD100546:
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
BURACOS NEGROS RÁPIDOS DETÊM HISTÓRIA DE GALÁXIAS

Foi descoberto um buraco negro supermassivo de rápida rotação no coração de uma galáxia espiral pelos observatórios espaciais XMM-Newton da ESA e NuSTAR da NASA, abrindo uma nova janela sobre como as galáxias crescem.

Pensa-se que buracos negros supermassivos se escondam no centro de quase todas as grandes galáxias, e os cientistas acreditam que a evolução de uma galáxia está intrinsecamente relacionada com a evolução do seu buraco negro.

Pensa-se também que a velocidade de rotação de um buraco negro reflecte a história da sua formação. Com estes dados em mente, um buraco negro que cresce de forma constante, alimentado por um fluxo uniforme de matéria que espirala na sua direcção, deverá girar rapidamente. A rápida rotação pode também ser o resultado da fusão de dois buracos negros mais pequenos.

Esta impressão de artista ilustra um buraco negro supermassivo com milhões a milhares de milhões de vezes a massa do nosso Sol. Os buracos negros supermassivos são objectos imensamente densos enterrados no coração das galáxias.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Por outro lado, um buraco negro fustigado por pequenos aglomerados de material que o atinge de todas as direcções vai acabar por rodar de maneira relativamente lenta.

Estes cenários espelham a formação da própria galáxia, uma vez que uma fracção de toda a matéria arrastada para a galáxia encontra o seu caminho para o buraco negro. Devido a isto, os astrónomos estão ansiosos por medir as velocidades de rotação dos buracos negros no coração das galáxias.

Uma maneira de alcançar este objectivo é observar raios-X emitidos fora do 'horizonte de eventos', a fronteira em torno de um buraco negro além do qual nada, incluindo a luz, consegue escapar.

Em particular, os átomos quentes de ferro produzem uma forte assinatura de raios-X numa energia específica, a qual é espalhada para fora devido à rotação do buraco negro. A natureza desta mancha pode então ser usada para inferir a velocidade de rotação.

Usando esta técnica, observações anteriores sugeriram a existência de buracos negros com rotação extremamente rápida nalgumas galáxias. No entanto, a confirmação da taxa de rotação tem sido muito difícil, porque o espectro de raios-X pode também ser espalhado através da absorção de nuvens de gás que se encontram perto do disco. Até agora, a distinção entre os dois cenários era impossível.

Durante cerca de 36 horas em Julho de 2012, o XMM-Newton da ESA e o NuSTAR da NASA (Nuclear Spectroscopic Telescope Array) observaram simultaneamente a galáxia espiral NGC 1365. O XMM-Newton capturou raios-X de menor energia, e o NuSTAR dados mais elevados de energia.

Os dados combinados provaram ser a chave para desvendar o enigma. Um modelo de buraco negro em rotação é uma previsão clara para o rácio de raios-X altamente energéticos e raios-X de baixa energia. O mesmo é verdade para uma nuvem de absorção de gás.

Cientistas medem a velocidade de rotação dos buracos negros supermassivos ao espalhar raios-X em níveis diferentes de energia.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Mas sobretudo, as previsões são diferentes e os novos dados concordam apenas com um buraco negro em rápida rotação. Isto sugere que a galáxia tem crescido constantemente com o tempo, com o material fluindo de modo uniforme para dentro do buraco negro.

No entanto, os astrónomos não podem ainda descartar um único grande evento onde duas galáxias e os seus buracos negros posteriormente se fundem, produzindo uma aceleração súbita do buraco negro supermassivo resultante.

"Mas podemos descartar por completo o modelo de absorção," afirma Guido Risaliti, no INAF - Observatório Astrofísico de Arcetri, na Itália, que liderou a investigação.

"Agora que sabemos com certeza como medir as taxas de rotação dos buracos negros, temos mais confiança em usá-los para inferir a evolução das suas galáxias-mãe."

A medição da rotação de um buraco negro também faculta uma nova maneira de testar a relatividade geral. Publicada em 1915, a relatividade geral é a descrição de Albert Einstein da gravidade. Prevê efeitos que são mais facilmente vistos em campos gravitacionais extremamente fortes, como aqueles encontrados perto de buracos negros, e o buraco negro de NGC 1365 gira tão rápido quanto a teoria da gravidade de Einstein permite.

"Tanto a física como a astrofísica beneficiam deste resultado," afirma Dr. Risaliti, que está já aplicar a técnica de medição em raios-X para diferentes galáxias.

"O resultado é um excelente exemplo da sinergia que pode ser obtida quando missões espaciais se complementam. Teria sido impossível atingir este resultado sem os dois observatórios espaciais trabalhando em conjunto," afirma Norbert Schartel, cientista do projecto XMM-Newton da ESA.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
Universe Today
PHYSORG
Sky & Telescope
SPACE.com
Space Daily
redOrbit
Discovery News
BBC News
Forbes
io9
The Verge

Buracos negros supermassivos:
Wikipedia

Buracos negros:
Wikipedia

Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia

NuSTAR:
NASA
Caltech
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Panorama e Auto-Retrato do Curiosity
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAJPL-CaltechMSSS - Panorama por Andrew Bodrov
 
Este notável auto-retrato do rover Curiosity da NASA inclui uma ampla vista panorâmica da sua actual posição na região de Yellowknife Bay na Cratera Gale em Marte. O "poleiro" plano e rochoso do rover, conhecido como "John Klein", serviu de local para a primeira perfuração do Curiosity. Perto da roda dianteira do orgulhoso rover, um buraco raso de teste e um buraco de recolha de amostras têm 1,6 cm em diâmetro. O impressionante mosaico foi construído usando imagens obtidas pelos instrumentos MAHLI (Mars Hand Lens Imager) e Mastcam. Usada para criar as imagens do panorama, a Mastcam está situada bem alto no mastro do rover. Mas o MAHLI, destinado para trabalhos de perto, está montado no fim do braço robótico. As imagens do MAHLI usadas para criar o auto-retrato do Curiosity excluem as secções que mostram o próprio braço e assim sendo o MAHLI e o braço robótico não foram por ele próprio fotografado. Aproveite também para ver esta espectacular versão interactiva do auto-retrato e panorama do Curiosity.
 

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