TESS DETERMINA IDADE DE ANTIGA COLISÃO COM A VIA LÁCTEA 21 de janeiro de 2020
Impressão de artista do TESS.
Crédito: NASA
Uma única estrela brilhante na constelação de Índio, visível no hemisfério sul, revelou novas informações sobre uma antiga colisão que a nossa Via Láctea sofreu com outra galáxia mais pequena chamada Gaia-Encélado, no início da sua história.
Uma equipa internacional de cientistas liderada pela Universidade de Birmingham adotou a nova abordagem de aplicar a caracterização forense de uma única estrela antiga e brilhante chamada v Indi como uma sonda da história da Via Láctea. As estrelas contêm "registos fósseis" das suas histórias e, portanto, dos ambientes em que se formam. A equipa usou dados de satélites e de telescópios terrestres para desbloquear estas informações de v Indi. Os seus resultados foram publicados na revista Nature Astronomy.
Foi determinada a idade da estrela - cerca de 11 mil milhões de anos - usando as suas oscilações naturais (sismologia estelar), detetadas em dados recolhidos pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA. Lançado em 2018, o TESS está a estudar estrelas por todo o céu e a procurar planetas em órbita. Quando combinados com dados da missão Gaia da ESA, a história de detetive revelou que esta estrela antiga nasceu cedo na vida da Via Láctea, mas a colisão Gaia-Encélado alterou o seu movimento pela Galáxia.
Bill Chaplin, professor de astrofísica na Universidade de Birmingham e autor principal do estudo, disse: "Tendo em conta que o movimento de v Indi foi afetado pela colisão de Gaia-Encélado, esta deve ter ocorrido depois da formação da estrela. Foi assim que conseguimos usar a idade determinada asterossismicamente para estabelecer novos limites de quando o evento Gaia-Encélado ocorreu."
Se dermos "tempo ao tempo" para a fusão se propagar pela Galáxia, isto significa que a colisão deverá ter tido início há 11,6-13,2 mil milhões de anos (68% e 95% de confiança, respetivamente).
O coautor Ted Mackereth, também de Birmingham, salientou: "Dado que vemos tantas estrelas de Gaia-Encélado, pensamos que deve ter tido um grande impacto na evolução da nossa Galáxia. Compreender isso é agora um tópico muito relevante na astronomia e este estudo é um passo importante para entender quando essa colisão ocorreu."
Bill Chaplin acrescentou: "Este estudo demonstra o potencial da asterossismologia com o TESS e o que é possível quando temos uma variedade de dados de ponta disponíveis para uma única estrela brilhante."
A investigação mostra claramente o forte potencial do programa TESS para reunir novas e ricas ideias sobre as estrelas mais próximas do Sol na Via Láctea.
Imagens, pelo TESS, de parte do céu do hemisfério sul que mostram a posição da estrela v Indi (círculo azul), o plano da Via Láctea (em baixo e à esquerda) e do polo sul da eclíptica (topo). Estes instantâneos vêm de dados recolhidos nos sectores 1, 12 e 13 do TESS.
Crédito: J. T. Mackereth