A sonda espacial Lucy da NASA está a poucos dias e a apenas alguns milhões de quilómetros de distância do seu segundo encontro com um asteroide; desta vez, o pequeno asteroide da cintura principal Donaldjohanson.
Este evento representa um "ensaio geral" para a missão principal da Lucy na próxima década: a exploração de múltiplos asteroides troianos que partilham a órbita de Júpiter em torno do Sol. O primeiro encontro da Lucy com um asteroide - um "flyby" pelo pequeno asteroide da cintura principal, Dinkinesh, e do seu satélite, Selam, a 1 de novembro de 2023 - deu à equipa a oportunidade de testar os sistemas que serão utilizados na próxima passagem.
A maior aproximação da Lucy a Donaldjohanson ocorrerá às 18:51 (hora portuguesa) de 20 de abril, a uma distância de 960 km. Cerca de 30 minutos antes da maior aproximação, a Lucy orientar-se-á para seguir o asteroide, durante os quais a sua antena de alto ganho ficará virada para longe da Terra, suspendendo as comunicações. Guiada pelo seu sistema de rastreio, a Lucy girará autonomamente para manter os seus "olhos" fixos em Donaldjohanson. Ao fazê-lo, a Lucy irá efetuar uma sequência de observação mais complicada do que a utilizada em Dinkinesh. Os três instrumentos científicos - a sua câmara em escala de cinzentos L'LORRI (Long Range Reconnaissance Imager), a câmara a cores e o espetrómetro infravermelho, de nome L'Ralph, e o espetrómetro de infravermelhos longínquos, chamado L'TES (Thermal Emission Spectrometer) - realizarão sequências de observação muito semelhantes às que ocorrerão nos asteroides troianos.
No entanto, ao contrário do que aconteceu com Dinkinesh, a Lucy deixará de seguir Donaldjohanson 40 segundos antes da maior aproximação, para proteger os seus sensíveis instrumentos da intensa luz solar.
"Se estivéssemos sentados no asteroide a observar a aproximação da nave Lucy, teríamos de proteger os olhos, ao olhar para o Sol, enquanto esperávamos que a Lucy emergisse do brilho. Depois da Lucy passar pelo asteroide, as posições invertem-se, pelo que temos de proteger os instrumentos da mesma forma", disse o responsável pela fase de encontro, Michael Vincent, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado. "Estes instrumentos foram concebidos para fotografar objetos iluminados por uma luz solar 25 vezes mais fraca do que na Terra, pelo que olhar para o Sol poderia danificar as nossas câmaras".
Felizmente, este é o único dos sete encontros da Lucy com asteroides com esta geometria desafiante. Durante os encontros com os troianos, tal como com Dinkinesh, a nave espacial poderá recolher dados na totalidade.
Após a maior aproximação, a sonda irá "inclinar-se", reorientando os seus painéis solares na direção do Sol. Cerca de uma hora depois, a nave espacial restabelecerá a comunicação com a Terra.
"Uma das coisas mais estranhas que temos de entender nestas missões ao espaço profundo é quão lenta a velocidade da luz realmente é", continuou Vincent. "A Lucy está a 12,5 minutos-luz de distância da Terra, o que significa que é preciso esse tempo para que qualquer sinal que enviemos chegue à nave espacial. Depois são precisos mais 12,5 minutos para recebermos a resposta da Lucy a dizer-nos que fomos ouvidos. Assim, quando comandarmos a reprodução de dados após a maior aproximação, serão precisos 25 minutos desde o momento em que pedimos para ver as imagens até que estas cheguem ao solo".
Uma vez confirmada a saúde da nave espacial, os engenheiros darão ordens à Lucy para transmitir os dados científicos do encontro para a Terra, um processo que demorará vários dias.
Donaldjohanson é um fragmento de uma colisão ocorrida há 150 milhões de anos, o que faz dele um dos mais jovens asteroides da cintura principal alguma vez visitados por uma nave espacial.
"Cada asteroide tem uma história diferente para contar e estas histórias entrelaçam-se para pintar a do nosso Sistema Solar", disse Tom Statler, cientista do programa da missão Lucy na sede da NASA em Washington. "O facto de cada novo asteroide que visitamos nos deixar boquiabertos significa que estamos apenas a começar a compreender a profundidade e a riqueza dessa história. As observações telescópicas estão a sugerir que Donaldjohanson tem uma história interessante, e eu espero ser surpreendido - outra vez".
// NASA (comunicado de imprensa)
// SwRI (comunicado de imprensa)
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Asteroide 52246 Donaldjohanson (1981 EQ5):
NASA
AstDyS-2
Wikipedia
Asteroide 152830 Dinkinesh (1999 VD57):
NASA
AstDyS-2
Wikipedia
Selam, lua de Dinkinesh (Wikipedia)
Asteroides troianos:
Wikipedia
Missão Lucy:
NASA
SwRI
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