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Edição n.º 1021
20/12 a 23/12/2013
 
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ACTIVIDADES

27.12.13 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 23:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio.
Público: Público em geral, local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu noturno com telescópio (dependente de meteorologia favorável)

28.12.13 - DESCOBRINDO O SOL 15:30 – 16:30 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Observação do Sol em segurança para conhecer um pouco melhor alguns aspectos da nossa estrela. Público: Público em geral, local: CCVAlg

 
EFEMÉRIDES

Dia 20/12: 354.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1904, era fundado o Observatório Solar do Mt. Wilson

Em 1996, morria Carl Sagan, considerado por muitos o maior divulgador da história da Astronomia.
Observações: Trânsito da sombra de Io, entre as 04:54 e as 07:10.
Trânsito de Io, entre as 05:18 e as 07:38.
Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 22:06 e as 01:29 (já de dia 21).
Trânsito de Ganimedes, entre as 23:44 e as 03:07 (já de dia 21).

Dia 21/12: 355.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968, lançamento da Apollo 8William A. Anders, James A. Lovell Jr. e Frank Borman tornaram-se nos primeiros seres humanos a sair da órbita da Terra.

Esta missão teve como objectivo a alcançar a órbita da Lua, observar a sua superfície e o seu lado escuro. Duração da missão: 6 dias, 3 horas, 0 minutos e 42 segundos. 
Em 1984 era lançada a sonda soviética Vega 2.
Observações: Hoje é o dia mais pequeno do ano para o Hemisfério Norte, e o dia mais longo para o Hemisfério Sul. Começa o Inverno no Norte e o solstício ocorre pelas 17:11.
Se há alguma constelação que todos devíamos conhecer durante esta altura do ano, é Orionte, que sobe a Este-Sudeste. Como sempre, quando Orionte sobe, a sua cintura composta por três estrelas, no meio da constelação, encontra-se quase na vertical. Mostre Orionte a quem quiser esta semana e eles sabê-la-ão para o resto das suas vidas.
Trânsito da sombra de Io, entre as 23:23 e as 01:40 (já de dia 22).

Dia 22/12: 356.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1891, o asteróide 323 Brucia torna-se no primeiro asteróide descoberto usando astrofotografia.
Observações: Trânsito da sombra de Europa, entre as 05:21 e as 08:11.
Trânsito de Europa, entre as 06:08 e as 08:56.

Dia 23/12: 357.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1672, Giovanni Cassini descobre a lua de SaturnoReia

Observações: Durante a época natalícia, Sirius nasce a Este-Sudeste, bem para baixo de Orionte por volta das 20 horas. Enquanto Sirius estiver ainda baixa, os binóculos mostram que pisca com cores vívidas. Todas as estrelas fazem-nos quando estão perto do horizonte, mas Sirius é a estrela mais brilhante do céu nocturno, o que realça mais este efeito.

 
CURIOSIDADES


A Grande Muralha de Hércules-Coroa Boreal é uma imensa superestrutura de galáxias que mede mais de 10 mil milhões de anos-luz. É a maior e mais massiva estrutura conhecida no Universo observável. Foi descoberta o mês passado através do mapeamento de explosões de raios-gama que ocorrem no Universo distante.

 
LANÇAMENTO DO OBSERVATÓRIO GAIA
Lançamento do Gaia, a bordo de um foguetão Soyuz VS06, a partir da Guiana Francesa.
Crédito: ESA-S. Corvaja, 2013
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A missão Gaia da ESA levantou voo ontem a bordo de um foguetão Soyuz, a partir do Porto Espacial Europeu em Kourou, na Guiana Francesa, com o emocionante objectivo de estudar mil milhões de sóis. O Gaia está destinado a criar o mapa mais detalhado da Via Láctea. Ao fazer medições precisas das posições e movimentos de 1% da população total das cerca de 100 mil milhões de estrelas, vai responder a perguntas sobre a origem e evolução da nossa Galáxia.

O foguetão Soyuz, operado pela Arianespace, levantou voo às 09:12 (hora portuguesa). Cerca de dez minutos depois, após a separação dos primeiros três estágios, o estágio superior Fregat colocou o observatório espacial numa órbita temporária a uma altitude de 175 km. Onze minutos depois, um segundo disparo do Fregat levou o Gaia até à sua órbita de transferência, seguida por uma separação do estágio superior 42 minutos após a descolagem. A telemetria e o controlo de altitude foram estabelecidos pelos controladores no centro de operações da ESA em Darmstadt, Alemanha, e a nave espacial começou a activar os seus sistemas.

O escudo solar, que mantém o Gaia na sua temperatura de funcionamento e transporta células solares para alimentar o satélite, foi aberto numa sequência automática de 10 minutos, completada cerca de 88 minutos após o lançamento. O Gaia vai agora a caminho de uma órbita em torno do ponto virtual no espaço, gravitacionalmente estável, chamado L2, a cerca de 1,5 milhões de quilómetros para lá da Terra a partir da perspectiva do Sol.

Hoje, os engenheiros vão enviar comandos para o Gaia realizar o primeiro de dois disparos críticos dos seus propulsores de modo a garantir que se encontra na trajectória certa em direcção à sua órbita em L2. A fase de comissionamento de quatro meses vai começar a caminho de L2, durante a qual todos os sistemas e instrumentos serão ligados, verificados e calibrados. O Gaia estará então pronto a começar sua missão científica de cinco anos. O escudo solar do Gaia vai bloquear o calor e a luz do Sol e da Terra, proporcionando o ambiente estável necessário para os seus instrumentos sofisticados recolherem um censo extraordinariamente sensível e preciso das estrelas da Via Láctea.

O Gaia vai mapear as estrelas da Via Láctea.
Crédito: ESA/ATG medialab; fundo: ESO/S. Brunier
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"O Gaia promete construir sobre o legado da primeira missão de mapeamento estelar da ESA, Hiparco, lançada em 1989, para revelar a história da galáxia em que vivemos," afirma Jean-Jacques Dordain, Director-Geral da ESA. "Esta missão de próxima geração está verdadeiramente a caminho de fazer descobertas revolucionárias sobre a nossa Via Láctea, e isso deve-se ao conhecimento da indústria espacial europeia e à comunidade científica."

Varrendo repetidamente o céu, o Gaia vai observar cada uma das mil milhões de estrelas, em média, 70 vezes ao longo dos próximos cinco anos. Vai medir a posição e as propriedades físicas de cada estrela, incluindo o brilho, temperatura e composição química.

Tirando proveito da ligeira mudança de perspectiva que ocorre à medida que o Gaia orbita o Sol durante um ano (a chamada paralaxe), vai medir as distâncias das estrelas e, ao observá-las pacientemente ao longo de toda a missão, os seus movimentos no céu. A posição, movimento e propriedades de cada estrela fornece pistas sobre a sua história, e o enorme censo do Gaia permitirá aos cientistas reunir uma "árvore genealógica" da nossa Galáxia. Os movimentos das estrelas podem ser colocados em "retrocesso" para saber mais sobre de onde vieram e como a Via Láctea foi montada ao longo dos milhares de milhões de anos a partir da fusão de galáxias mais pequenas, e também "avançar rapidamente no futuro" para aprender mais sobre o seu destino final.

"O Gaia representa um sonho de astrónomos ao longo da História, desde as observações pioneiras do astrónomo grego Hiparco, que catalogou as posições relativas de aproximadamente mil estrelas a olho nu e com simples geometria," comenta Alvaro Giménez, Director de Ciência e Exploração Robótica da ESA. "Mais de 2000 anos depois, o Gaia não só irá produzir um censo estelar incomparável, mas ao longo do caminho tem o potencial para descobrir novos asteróides, planetas e estrelas moribundas."

Ao comparar os seus estudos repetidos do céu, o Gaia também vai descobrir dezenas de milhares de supernovas, os gritos de morte de estrelas à medida que chegam ao final das suas vidas e explodem. E pequenas oscilações periódicas nas posições de algumas estrelas devem revelar a presença de planetas em órbita, à medida que puxam as estrelas de lado a lado. O Gaia vai também descobrir novos asteróides no nosso Sistema Solar, refinar as órbitas daqueles já conhecidos e fazer testes precisos da famosa teoria da Relatividade Geral de Einstein.

O escudo solar do Gaia durante um teste na Guiana Francesa, no dia 10 de Outubro de 2013.
Crédito: ESA-M. Pedoussaut, 2013
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Após os cinco anos, o arquivo de dados será superior a 1 Petabyte ou 1 milhão de Gigabytes, o equivalente a aproximadamente 200.000 DVDs. A tarefa de processar e analisar esta quantidade avassaladora de dados será da responsabilidade do Consórcio de Processamento de Dados e Análise do Gaia, que envolve mais de 400 indivíduos pertencentes a institutos científicos de toda a Europa.

"O observatório espacial Hiparco catalogou 120.000 estrelas, e o Gaia irá analisar quase 10.000 vezes mais e com uma precisão cerca de 40 vezes superior," acrescenta Timo Prusti, cientista do projecto Gaia da ESA. "Juntamente com dezenas de milhares de outros objectos celestes e planetários, este vasto tesouro dar-nos-á uma nova visão da nossa vizinhança cósmica e da sua história, permitindo-nos explorar as propriedades fundamentais do nosso Sistema Solar e da Via Láctea e o nosso lugar no Universo mais amplo.

"Depois de anos de determinação e trabalho árduo de todos os envolvidos na missão, estamos muito satisfeitos por ver a nossa máquina da descoberta a caminho de L2, onde vai continuar a nobre tradição europeia de mapear as estrelas e decifrar a história da Via Láctea," conclui Giuseppe Sarri, gestor do projecto Gaia da ESA.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Vídeo do lançamento (ESA)
Gaia: desde o lançamento até órbita (ESA)
PHYSORG
SPACE.com
Sky & Telescope
Space Daily
spaceref
Spaceflight Now
redOrbit
BBC News
BBC News - 2
RT
Euronews
Jornal de Notícias
Diário de Notícias
Público

Gaia:
ESA
ESA - 2
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

Ponto L2 de Lagrange:
Wikipedia

 
PRIMEIRA DETECÇÃO DE UM EXOPLANETA "INVISÍVEL" COM BASE EM PREVISÕES TEÓRICAS

Uma equipa de astrónomos europeus, incluindo o português Alexandre Santerne (Centro de Astrofísica da Universidade do Porto), membro da EXOEarths, usou o espectrógrafo SOPHIE no Observatório de Alta Provença (França) para confirmar a presença de Kepler-88 c, um planeta invisível anteriormente previsto graças à perturbação gravitacional que provoca no seu irmão, Kepler-88 b, planeta este que transita em frente da estrela hospedeira.

O objectivo principal do telescópio espacial Kepler era procurar trânsitos periódicos em centenas de milhares de estrelas. Foram descobertos mais de 3500 destes trânsitos periódicos durante os 4 anos da missão. No entanto, nem todos os planetas localizados no campo de visão do Kepler transitam a sua estrela-mãe. Na verdade, se o seu plano orbital está ligeiramente desalinhado (nem que seja por apenas poucos graus) com a linha de visão da Terra, o planeta não passa em frente da estrela e, portanto, é "invisível" ao Kepler.

Os planetas que partilham a mesma estrela hospedeira interagem gravitacionalmente uns com os outros. Esta interacção entre planetas pode provocar perturbações nos tempos previstos para os trânsitos em sistemas multi-planetários. "A isto chamamos Variações no Tempo de Trânsito (TTV - Transit Timing Variations)," explica a primeira autora do artigo, Susana Barros, investigadora no LAM (Laboratoire d'Astrophysique de Marseille).

Impressão artística do sistema Kepler-88.
Crédito: Alexandre Santerne (CAUP)/ESO/Serge Brunier
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A técnica TTV é sensível a planetas em sistemas múltiplos até à massa da Terra e, portanto, pode ser usada para revelar a existência de planetas [que não transitam] que causam perturbações no movimento orbital de planetas em trânsito.

Este é o caso do sistema Kepler-88, que alberga um planeta em trânsito (Kepler-88 b), descoberto pelo Kepler da NASA e que é fortemente perturbado por um planeta que não transita (Kepler-88 c). "Este sistema apresenta interacções tão fortes que ganhou o apelido de rei das variações de trânsito", acrescenta Rodrigo Diaz, pesquisador que trabalha no Observatório de Genebra (OAUG).

Uma análise cuidadosa da interacção dinâmica entre os planetas, previamente realizada por uma equipa liderada por David Nesvorny (SwRI - Southwest Research Institute ou Instituto de Pesquisa do Sudoeste), previu que este sistema tinha dois planetas perto de uma ressonância de 2 para 1 (o período orbital do planeta exterior invisível é exactamente duas vezes mais longo que o planeta interior em trânsito). Esta configuração é semelhante à da Terra e Marte no nosso Sistema Solar, em que Marte orbita o Sol quase a cada 2 anos.

Usando o SOPHIE, a equipa mediu independentemente a massa de Kepler-88 c. "O SOPHIE é um instrumento capaz de medir a velocidade de estrelas com uma precisão equivalente à de medir a velocidade de uma bicicleta. Até agora foi usado para caracterizar quase 20 dos planetas do Kepler", realça Alexandre Santerne do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP), responsável pela observação dos alvos do Kepler com o SOPHIE.

Fotografia da cúpula do telescópio de 1,93 m do Observatório de Haute-Provence, a casa do espectrógrafo SOPHIE, com o campo de visão do Kepler.
Crédito: Alexandre Santerne (CAUP)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A massa inferida para o planeta invisível está em perfeito acordo com o valor previsto com o método TTV. "Esta é a primeira vez que a massa de um exoplaneta 'invisível', calculada com base em Variações no Tempo de Trânsito, é confirmada de forma independente por outra técnica," comenta Susana Barros. Assim, este resultado confirma o TTV como uma técnica válida para detectar planetas invisíveis e explorar sistemas multiplanetários. A TTV já foi usada para determinar a massa de mais de 120 exoplanetas detectados pelo Kepler, em torno de 47 sistemas planetários, planetas estes com até uma massa várias vezes superior à da Terra.

"Esta confirmação independente é uma contribuição muito importante para as análises estatísticas de sistemas multiplanetários do Kepler. Ajuda a melhor compreender as interacções dinâmicas e a formação de sistemas planetários. Permite também antecipar o futuro da exploração de sistemas de exoplanetas a partir do espaço com a missão PLATO," conclui Magali Deleuil, líder da equipa de exoplanetas do Laboratório de Astrofísica de Marselha.

Neptuno foi o primeiro planeta detectado com base na influência gravitacional que exercia sobre outro planeta (Úrano). O matemático francês Urbain Le Verrier calculou que as anomalias na órbita de Úrano eram devidas a uma ressonância de 2 para 1 de um planeta que ainda não tinha sido observado. Os seus cálculos levaram Johann Gottfried Galle a descobrir Neptuno a 23 de Setembro de 1846.

O artigo científico foi publicado na edição de 17 de Dezembro da revista Astronomy & Astrophysics.

Links:

Notícias relacionadas:
CAUP (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Astronomy & Astrophysics
Universe Today
PHYSORG
Space Daily
AstroPT
Público
Jornal de Notícias
porto24
VIVA!
tvi24

Sistema Kepler-88:
Wikipedia
Kepler-88 b (Exoplanet.eu)
Kepler-88 c (Exoplanet.eu)

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Descobertas planetárias do Kepler
Mapa das zonas de estudo do Kepler (formato PDF)
Wikipedia

 
PODE TER SIDO DESCOBERTA A PRIMEIRA EXOLUA

A primeira lua fora do nosso Sistema Solar pode ter sido descoberta. E parece mais estranha do que jamais poderíamos ter imaginado.

Há muito que se prevê a existência de exoluas - algumas podem até ser mundos habitáveis - mas até agora ninguém havia detectado uma. "Das pesquisas que conheço, este é o primeiro candidato sério," afirma o astrónomo David Kipping da Universidade de Harvard, que não esteve envolvido na descoberta.

Ao contrário das exoluas que aparecem nos filmes "Avatar" ou "O Regresso de Jedi", já para não falar dos satélites naturais no nosso próprio Sistema Solar, a nova lua e o seu exoplaneta parecem estar à deriva no cosmos, longe de qualquer estrela.

Impressão de artista de um exolua tipo-Terra em órbita de um gigante gasoso.
Crédito: "Avatar", 20th Century Fox
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Os dois novos objectos foram detectados usando um método invulgar. A maioria dos mais de 1000 planetas extrasolares descobertos até à data foram descobertos através da análise de alterações na luz da sua estrela, mas um grupo restrito de exoplanetas foram descobertos usando uma técnica chamada microlente gravitacional. Quando um objecto passa em frente de uma estrela distante, a partir da perspectiva da Terra, a gravidade do objecto dobra a luz da estrela de fundo, focando-a como uma lente - fazendo assim com que a estrela pareça temporariamente mais brilhante se observada de um ângulo particular.

Num artigo publicado online no início desta semana, David Bennett da Universidade de Notre Dame, no estado americano do Indiana, e colegas relatam que avistaram um evento de microlente em 2011, usando uma série de telescópios espalhados pelo mundo. Primeiro viram a luz da estrela distante ampliada 70 vezes. Uma hora depois surgiu um segundo aumento de brilho, embora menor que o primeiro.

Isto sugere que um grande objecto passou em frente da estrela, seguido por outro mais pequeno. No entanto, não está claro que estes dois objectos sejam um planeta e a sua lua, dado que a equipa apresentou dois cenários possíveis que encaixam nos dados de microlente.

Num deles, o par de objectos está relativamente perto do nosso Sistema Solar, a uma distância de mais ou menos 1800 anos-luz, e consiste de um planeta com quatro vezes a massa de Júpiter e uma lua com cerca de metade da massa da Terra - e, portanto, muitas vezes mais massiva que a nossa própria Lua. A ser verdade, então a equipa descobriu a primeira lua extrasolar.

No outro cenário, o par de objectos está muito mais longe e consiste de uma estrela muito pequena ou uma estrela falhada conhecida como anã castanha, com um planeta da massa de Neptuno em órbita.

Impressão de artista de uma exolua em órbita de um exoplaneta.
Crédito: Andy McLatchie
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Caso o cenário planeta-lua esteja correcto, será diferente de tudo o já previsto por teóricos ou autores de ficção científica.

De acordo com o modelo, para além de ser enorme, a exolua orbitaria a cerca de 20 milhões de quilómetros do seu planeta - uma distância enorme para os padrões do nosso Sistema Solar. A maior lua de Júpiter, Ganimedes, que é também a maior lua do Sistema Solar, está a cerca de 1 milhão de quilómetros do gigante gasoso - e tem apenas 2% da massa da Terra.

Talvez o aspecto mais estranho de todos, a lua e o planeta não se encontram perto de quaisquer outros objectos, e estão definitivamente demasiado longe da estrela usada na detecção para a orbitarem. Isto sugere que foram expulsos do seu sistema estelar original. Os astrónomos já descobriram vários destes planetas sem estrelas, mas nunca um que fosse acompanhado por uma lua.

É possível que o sistema planeta-lua tenha sido originalmente dois planetas expelidos de um sistema estelar duplo durante um acidente gravitacional. Um dos planetas poderá ter-se aproximado demasiado de uma das estrelas e sido arremessado para fora, e numa trajectória instável pode ter capturado outro planeta. "Quase que levanta a questão: será que devemos chamar 'luas' a estes objectos ou será que outro nome é mais apto," comenta Kipping.

Será que algum dia ficaremos a saber se o cenário lua-planeta é o correcto? Provavelmente não, porque não há nenhuma maneira de distinguir entre as duas soluções. Os eventos de microlente são orquestrados pela dança cósmica das estrelas e dos planetas, por isso provavelmente não teremos outra hipótese de observar novamente este sistema. No entanto, os autores afirmam que devemos estar atentos a outras oportunidades para detectar sistemas similares.

Mesmo que os astrónomos nunca confirmem esta lua, é uma visão emocionante do que está por vir. As exoluas em sistemas planetários mais normais podem até suportar vida, de modo que a prioridade é encontrar um sistema planeta-lua que transita, ou passa em frente, da sua estrela. "Então, poderemos acompanhar os objectos e medir as suas atmosferas, tamanho, características orbitais," afirma Kipping. "Nas detecções de microlente, vemos apenas um instantâneo e não podemos realizar o tipo de caracterização detalhada que gostaríamos."

Links:

Notícias relacionadas:
Artigo científico (formato PDF)
New Scientist

Exolua:
Wikipedia

Planetas interestelares, nómadas, flutuantes ou órfãos (sem estrela):
Wikipedia
16/11/2012 - Perdido no espaço: encontrado planeta solitário? (Núcleo de Astronomia do CCVAlg)
20/05/2011 - Planetas "flutuantes" podem ser mais comuns que estrelas (Núcleo de Astronomia do CCVAlg)

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Lua Às Cores
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: László Francsics
 
A Lua é normalmente vista em tons subtis de cinza ou amarelo. As pequenas mas mensuráveis diferenças de cor foram aqui exageradas para obter esta colorida paisagem lunar telescópica, capturada durante a fase de Lua Cheia. As diferentes cores correspondem a diferenças reais na composição química da superfície lunar. Os tons azulados revelam áreas ricas em titânio, enquanto os alaranjados e roxos mostram regiões relativamente pobres em titânio e ferro. A área azul no canto superior direito da imagem é o conhecido Mar da Tranquilidade. Linhas brancas irradiam através das terras altas cor-de-laranja a partir da cratera Tycho com 85 km de diâmetro, em baixo à esquerda. Por cima, raios mais escuros da cratera Copérnico estendem-se até ao Mar das Chuvas (Mare Imbrium). Calibradas graças a amostras de rochas das missões Apollo, imagens similares e coloridas, obtidas por naves espaciais, têm sido usadas para explorar a composição da superfície global da Lua.
 

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