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Edição n.º 1027
10/01 a 13/01/2014
 
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ACTIVIDADES

31.01.14 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 23:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio.
Público: Público em geral, local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu noturno com telescópio (dependente de meteorologia favorável)

01.02.14 - DESCOBRINDO O SOL
15:00 – 16:00 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Observação do Sol em segurança para conhecer um pouco melhor alguns aspectos da nossa estrela. Público: Público em geral, local: CCVAlg

 
EFEMÉRIDES

Dia 10/01: 10.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1926 nascia Robert Woodrow Wilson, astrónomo americano e laureado do prémio Nobel da Física em 1978. Juntamente com Arno Allan Penzias, descobriu em 1964 a radiação cósmica de fundo em microondas.
Em 1962, a NASA anuncia planos para construir o veículo de lançamento C-5.

Ficou mais conhecido pelo nome Saturno V, lançado com cada das missões Apollo. 
Em 1969, lançamento da Venera 6 (USSR). Alcançou Vénus a 17 de Maio de 1969. Enviou dados até 11 km da superfície, antes de ser despedaçada pela pressão do planeta.
Observações: Olhe para a esquerda da Lua ao cair da noite e encontra as Plêiades.
A brilhante Capella, bem alta no céu, e a brilhante Rigel, no pé de Orionte, têm ambas magnitude 0 e quase a mesma ascensão recta - por isso cruzam o meridiano norte-sul do céu quase à mesma hora. Capella atinge o seu zénite pelas 22:30. Assim sendo, a esta hora, Rigel marca o verdadeiro ponto cardeal Sul.

Dia 11/01: 11.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1787, William Herschel descobre Oberon e Titânia, os maiores satélites de Urano.

Em 1996, missão STS-72 do vaivém Endeavour, no seu 10.º voo.
Observações: Conjunção inferior de Vénus, pelas 12:19, passando a 5º N do Sol.
Aldebarã brilha por baixo da Lua ao anoitecer. Pelas 23 horas, está para a esquerda da Lua.

Dia 12/01: 12.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1820 é fundada a "British Royal Astronomical Society".
Em 1986, lançamento da STS-61-C, do vaivém Columbia. Foi a última missão antes do desastre do vaivém Challenger.
Em 2005 é lançada a partir de Cabo Canaveral a sonda Deep Impact.
Em 2007, o cometa C/2006 P1(McNaught) alcança o periélio e torna-se no cometa mais brilhante dos últimos 40 anos.

Observações: À medida que anoitece, olhe para baixo a Noroeste e encontre Vega. Para cima e para a sua esquerda, a dois ou três punhos à distância de um braço esticado, brilha Deneb. Deneb é a cauda da grande constelação de Cisne, que está agora de cabeça para baixo e que dentro de pouco tempo estará quase vertical, apoiado no horizonte a Noroeste (visto a partir de latitudes médias norte).

Dia 13/01: 13.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1610, Galileu Galileiobserva pela primeira vez todos os quatro satélites de Júpiter ao mesmo tempo.

Em 1993, lançamento da missão STS-54 do vaivém espacial Endeavour, o seu terceiro voo.
Em 2000, foram descobertos buracos negros solitários à deriva na Galáxia.
Observações: Trânsito de Io, entre as 23:21 e as 01:40 (já de dia 14).
Trânsito da sombra de Io, entre as 23:33 e as 01:52 (já de dia 14).

 
CURIOSIDADES


A Estação Espacial Internacional recebeu recentemente um alargamento das operações até pelo menos 2024.

 
SWIFT CAPTURA ACÇÃO EM RAIOS-X NO CENTRO DA VIA LÁCTEA

Observações recentes pelo Observatório Swift da NASA forneceram aos cientistas uma visão única sobre a actividade no centro da nossa Galáxia e levaram à descoberta de uma entidade celeste rara que pode ajudá-los a testar previsões da teoria da relatividade geral de Albert Einstein.

Esta semana, na reunião anual da Sociedade Astronómica Americana, cientistas apresentaram as suas pesquisas em imagens captadas pelo Swift, explicando como estas vão ajudar a decifrar a natureza física das explosões de raios-X e permitiram a descoberta de uma subclasse rara de estrela de neutrões.

A campanha de sete anos do Swift para monitorizar o centro da Via Láctea duplicou o número de imagens disponíveis aos cientistas das erupções brilhantes em raios-X que ocorrem no buraco negro central da Via Láctea, com o nome Sagitário A* (Sgr A*).

Sgr A* fica no centro da região mais interna da Via Láctea, a 26.000 anos-luz de distância na direcção da constelação de Sagitário. Tem uma massa pelo menos 4 milhões de vezes superior à do Sol. De acordo com um especialista, apesar do seu tamanho considerável, não é tão brilhante quanto podia ser caso fosse mais activo.

"Tendo em conta a sua dimensão, este buraco negro supermassivo é cerca de mil milhões de vezes mais ténue do que podia ser," realça Nathalie Degenaar, investigadora principal da campanha do Centro Galáctico do Swift e astrónoma da Universidade de Michigan em Ann Arbor, EUA. "Apesar de estar actualmente calmo, era bastante activo no passado e hoje em dia ainda produz regularmente breves explosões de raios-X".

Esta imagem em raios-X do Centro Galáctico combina observações do XRT do Swift ao longo de 2013. Sgr A* está no centro. Raios-X de baixa energia (300 a 1500 electrões-volt) são vistos a vermelho, de energia média (1500 a 3000 eV) a verde, e de altamente energéticos (3000 a 10000 eV) em azul. A exposição total é de 12,6 dias.
Crédito: NASA/Swift/N. Degenaar (Universidade do Michigan)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Para melhor compreender o comportamento do buraco negro ao longo do tempo, a equipa do Swift começou a fazer observações regulares do centro da Via Láctea em Fevereiro de 2006. A cada poucos dias, o Observatório Swift vira-se para a região mais interior da Galáxia e captura uma exposição de 17 minutos com o seu telescópio de raios-X (XRT).

Até à data, o XRT do Swift detectou seis brilhantes erupções durante as quais a emissão de raios-X do buraco negro foi até 150 vezes mais brilhante durante um par de horas. Estas novas detecções permitiram à equipa estimar que erupções semelhantes ocorrem a cada 5 a 10 dias. Os cientistas tentam ver as diferenças entre as explosões para decifrar a sua natureza física.

A equipa do XRT do Swift espera que 2014 seja um ano marcante para a campanha. Uma nuvem de gás frio chamada G2, com cerca de três vezes a massa da Terra, vai passar perto de Sgr A* e está já sendo afectada pelas marés do poderoso campo gravitacional do buraco negro. Os astrónomos esperam que G2 passe tão perto do buraco negro durante o segundo trimestre do ano, que aqueça até ao ponto de produzir raios-X.

Se parte do gás da nuvem realmente atingir Sgr A*, os astrónomos podem testemunhar um aumento significativo na actividade do buraco negro. O evento vai desenvolver-se ao longo dos próximos anos, dando aos cientistas um lugar de destaque para observar o fenómeno.

"Astrónomos de todo o mundo estão ansiosamente aguardando o primeiro sinal do começo desta interacção," afirma Jamie Kennea, membro da equipa da Universidade Estatal da Pensilvânia. "Com a ajuda inestimável do Swift, o nosso programa de acompanhamento pode muito bem prever esse indicador."

Os cientistas viram o que pensavam ser um sinal em Abril, quando o Swift detectou uma poderosa erupção de alta energia e um aumento dramático no brilho dos raios-X na região de Sgr A*. Ficaram animados ao descobrir que a actividade veio de uma fonte separada muito perto do buraco negro: uma subclasse rara de estrela de neutrões.

Uma estrela de neutrões é o núcleo esmagado de uma estrela destruída por uma explosão de supernova, com uma massa equivalente a meio milhão de Terras compactada numa esfera não muito maior que uma grande cidade. A estrela de neutrões, com o nome SGR J1745-29, é um magnetar, o que significa que o seu campo magnético é milhares de vezes superior ao de uma estrela de neutrões média. Até à data, apenas foram identificados 26 magnetares.

A descoberta de SGR J1745-29 pode ajudar os cientistas na sua exploração das importantes propriedades do buraco negro Sgr A*. À medida que gira, o magnetar emite pulsos regulares de raios-X e rádio. E à medida que orbita Sgr A*, os astrónomos podem detectar mudanças subtis no tempo de pulso devido ao campo gravitacional do buraco negro, uma previsão da teoria da relatividade geral de Einstein.

"Este programa de longo prazo já colheu muitas recompensas científicas, e graças à combinação da flexibilidade do observatório com a sensibilidade do seu telescópio de raios-X, o Swift é o único satélite capaz de levar a cabo tal campanha," afirma Neil Gehrels, investigador principal da missão no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado de Maryland.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade do Michigan (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Artigo científico - 2 (formato PDF)
Simulação da nuvem de gás G2 - ESO (via YouTube)
PHYSORG
PHYSORG - 2
redOrbit

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Sagitário A*:
Wikipedia

Buraco negro:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Estrela de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Magnetar:
Wikipedia
AstronomyOnline.org

Telescópio Swift:
NASA
Programa de Acompanhamento de Sgr A*
Wikipedia

 
MORTE POR BURACO NEGRO NUMA GALÁXIA ANÃ?

Um surto brilhante e de longa duração pode ser o primeiro evento registado de um buraco negro destruindo uma estrela numa galáxia anã. A evidência vem de dois estudos independentes usando dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA e de outros telescópios.

Como parte de uma busca contínua nos dados de arquivo do Chandra em busca de eventos que assinalam a perturbação de estrelas por buracos negros massivos, os astrónomos descobriram um candidato excelente. A partir de 1999, uma fonte de raios-X invulgarmente brilhante havia aparecido numa galáxia anã, depois desvanecendo até que deixou de ser detectada para lá de 2005.

"Não podemos ver a estrela sendo dilacerada pelo buraco negro," afirma Peter Maksym da Universidade do Alabama em Tuscaloosa, EUA, que liderou um dos estudos, "mas podemos seguir o que acontece aos restos da estrela, e comparar com outros eventos semelhantes. Este encaixa-se no perfil de 'morte por buraco negro'".

Uma galáxia anã localizada no enxame galáctico Abell 1795.
Crédito: raios-X: NASA/CXC/Univ. do Alabama/W. P. Maksym et al & NASA/CXC
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os cientistas prevêem que uma estrela que vagueia demasiado perto de um buraco negro gigante ou supermassivo possa ser despedaçada por forças de maré extremas. À medida que os destroços estelares caem na direcção do buraco negro, são aquecidos a milhões de graus e produzem raios-X intensos. Os raios-X diminuem de uma forma característica à medida que o gás quente espirala.

Nos últimos anos, o Chandra e outros satélites astronómicos identificaram vários casos suspeitos de um buraco negro supermassivo a rasgar uma estrela próxima. Este episódio recém-descoberto de violência cósmica induzida por um buraco negro é diferente porque foi associado com uma galáxia muito mais pequena que nos outros casos.

A galáxia anã está localizada no enxame galáctico Abell 1795, a cerca de 800 milhões de anos-luz da Terra. Contém cerca de 700 milhões de estrelas, bem menos que uma típica galáxia como a Via Láctea, que tem entre 200 e 400 mil milhões de estrelas.

Além disso, o buraco negro nesta galáxia anã pode ter apenas algumas centenas de milhares de vezes a massa do Sol, o que o torna dez vezes menos massivo que o buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea e coloca-o na categoria que os astrónomos apelidam de "buraco negro de massa intermédia".

"Os cientistas têm procurado estes buracos negros de massa intermédia ao longo das décadas," afirma Davide Donato do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano do Maryland, que liderou uma equipa separada de cientistas. "Temos muitas evidências de buracos negros pequenos e supermassivos, mas estes médios têm sido difíceis de detectar."

A evidência de uma estrela sendo despedaçada pelo buraco negro de uma galáxia anã veio do estudo de dados de arquivo do Chandra, obtidos ao longo de vários anos. Dado que Abell 1795 é um alvo que o Chandra observa regularmente para ajudar a calibrar os seus instrumentos, os investigadores tiveram acesso a um reservatório invulgarmente grande de dados sobre este objecto.

"Tivemos muita sorte em ter tantos dados sobre Abell 1795 durante um longo período de tempo," realça o co-autor de Donato, Brad Cenko, do mesmo centro da NASA. "Sem eles, nunca poderíamos ter descoberto este evento especial."

A localização da galáxia anã num enxame também a torna numa potencial vítima de outro tipo de violência cósmica. É possível que, tendo em conta que os enxames galácticos estão repletos de galáxias, um grande número de estrelas tenham sido expelidas da galáxia anã devido a interacções gravitacionais com outra galáxia no passado.

"Parece que as estrelas nesta galáxia não precisam apenas de se preocupar com o buraco negro no centro," afirma Melville Ulmer, co-autor de Makysm da Universidade Northwestern em Evanston, no estado americano do Illinois. "Também pode ser raptadas pela gravidade de uma galáxia próxima."

Os astrónomos acreditam que os buracos negros de massa intermédia podem ser as "sementes" que acabam por formar os buracos negros supermassivos nos centros de galáxias como a Via Láctea. Precisamos de encontrar mais exemplos próximos para aprender mais sobre como estas galáxias primordiais do Universo jovem cresceram e evoluíram ao longo do tempo cósmico.

Algumas das pistas adicionais deste ataque estelar vieram do EUVE (Extreme Ultraviolet Explorer) da NASA que detectou uma fonte ultravioleta muito brilhante em 1998, que pode ter marcado o momento logo após o início da destruição da estrela. Um surto de raios-X poderá também ter sido detectado com o satélite XMM-Newton da ESA em 2000.

Peter Maksym apresentou estes resultados anteontem na 223.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana em Washington, DC, em nome da sua equipa. Um artigo que descreve o seu trabalho está disponível online e foi publicado na edição de 1 de Novembro de 2013 da revista mensal da mesma organização. O artigo escrito por Davide Donato e colegas sobre o mesmo evento também está disponível online e foi aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Observatório Chandra
Artigo científico - D. Donato et al (formato PDF)
Artigo científico - W. P. Maksym et al (formato PDF)
Vídeo sobre o evento (via YouTube)
Universe Today
PHYSORG
redOrbit

Buraco negro:
Wikipedia

Buraco negro de massa intermédia:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

EUVE (Extreme Ultraviolet Explorer):
Berkeley
Wikipedia

 
ACHADOS MAIS RECENTES DO HUBBLE

O Telescópio Espacial Hubble está facultando uma nova perspectiva sobre o Universo remoto, incluindo novas imagens de galáxias jovens e distantes repletas de estrelas. Os cientistas descreveram os achados Terça-feira passada numa conferência de imprensa promovida pela Sociedade Astronómica Americana.

Foram destacadas três descobertas - quatro galáxias invulgarmente brilhantes, como apareciam há 13 mil milhões de anos atrás, a imagem mais profunda já obtida de um enxame galáctico, e uma amostra de galáxias que se pensa ser responsável pela maior parte das estrelas que vemos hoje.

As galáxias jovens e ultra-brilhantes, descobertas usando dados dos telescópios Hubble e Spitzer, estão "rebentando pelas costuras" com formação estelar, o que explica o seu brilho. A mais brilhante forma estrelas a um ritmo aproximadamente 50 vezes superior ao ritmo actual da nossa Via Láctea. Estas galáxias incipientes têm apenas um-vigésimo do tamanho da nossa Galáxia, mas provavelmente contêm cerca de mil milhões de estrelas amontoadas.

Embora o Hubble já tenha previamente identificado galáxias nesta época, os astrónomos ficaram surpresos ao encontrar objectos 10 a 20 vezes mais luminosos que qualquer outro visto anteriormente.

"Saltaram à vista porque são muito mais brilhantes do que prevíamos," explica Garth Illingworth da Universidade da Califórnia em Santa Cruz. "Acontecem coisas estranhas, independentemente das fontes. Subitamente vemos galáxias massivas e luminosas que se formam rapidamente num momento tão inesperado."

Esta composição de imagens do Hubble foi obtida no visível e no infravermelho próximo. Quatro objectos invulgarmente avermelhados (nos círculos) aparecem como eram apenas 500 milhões de anos depois do Big Bang.
Crédito: NASA/ESA/Illingworth, Oesch, UC-SC/Bouwens, Labb, Universidade de Leiden
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As galáxias foram detectadas pela primeira vez com o Hubble. As suas imagens nítidas são cruciais para encontrar estas galáxias distantes e permitiram aos astrónomos medir as suas taxas de formação estelar e tamanhos. Usando o Spitzer, os astrónomos conseguiram estimar as suas massas estelares ao medir a luminosidade estelar total das galáxias.

"Esta é a primeira vez que os cientistas foram capazes de medir a massa de um objecto a uma distância tão grande," afirma Pascal Oesch da Universidade de Yale, em New Haven, no estado americano do Connecticut. "É uma demonstração fabulosa da sinergia entre o Hubble e o Spitzer."

O resultado é um bom prenúncio para o Telescópio Espacial James Webb da NASA, actualmente em desenvolvimento. Os cientistas antecipam que o Webb olhe ainda mais para trás no tempo e que encontre jovens galáxias em crescimento que existiam apenas algumas centenas de milhões de anos após o começo do Universo.

Uma imagem do Universo distante sem precedentes vem de um ambicioso projecto de colaboração com o Hubble chamado "The Frontier Fields". É a exposição mais longa e profunda já obtida até à data de um enxame de galáxias, e mostra algumas das galáxias mais ténues e jovens já detectadas. A imagem mostra como várias centenas de galáxias eram há 3,5 mil milhões de anos.

Em primeiro plano está Abell 2744, um gigante aglomerado de galáxias localizado na constelação de Escultor. A imensa gravidade de Abell 2744 é usada como lente para dobrar o espaço e ampliar imagens de galáxias de fundo ainda mais distantes. Estas galáxias mais longínquas aparecem como eram há mais de 12 mil milhões de anos, não muito tempo depois do Big Bang.

Esta imagem de longa exposição obtida pelo Hubble do gigantesco enxame galáctico Abell 2744 (pano da frente) é a mais profunda jamais feita para qualquer aglomerado de galáxias. Mostra algumas das galáxias mais ténues e jovens já detectadas.
Crédito: NASA/ESA/J. Lotz, M. Mountain, A. Koekemoer/Equipa STScI HFF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A exposição do Hubble revela quase 3000 destas galáxias de fundo, intercaladas com imagens de centenas de galáxias do enxame em primeiro plano. As suas imagens não só aparecem mais brilhantes, como também manchadas, esticadas e duplicadas por todo o campo. Devido ao fenómeno de lente gravitacional, as galáxias de fundo são ampliadas e aparecem 10-20 vezes maiores do que normalmente apareceriam. Além disso, o mais fraco destes objectos altamente ampliados é 10 a 20 vezes mais fraco que qualquer galáxia observada anteriormente. Sem o impulso da lente gravitacional, as muitas galáxias de fundo seriam invisíveis.

A exposição do Hubble será combinada com imagens do Spitzer e do Observatório de Raios-X Chandra para proporcionar uma nova visão da origem e evolução de galáxias e dos seus buracos negros.

O Hubble também descobriu uma população substancial de 58 galáxias jovens e pequenas que os cientistas há muito suspeitavam serem responsáveis pela produção da maioria das estrelas agora presentes no cosmos durante os primeiros anos do Universo.

Exposições profundas no ultravioleta, feitas com o instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) do Hubble, revelaram uma amostra de galáxias que existiram há mais de 10 mil milhões de anos, quando o Universo tinha cerca de 3,4 mil milhões de anos. São, até à data, as galáxias mais pequenas e ténues já observadas no Universo remoto. Um censo de galáxias existentes nesse momento indica que estas galáxias fracas e pequenas são 100 vezes mais abundantes no Universo do que as suas primas mais massivas.

"Havia sempre a preocupação que só encontrávamos as mais brilhantes das galáxias distantes," afirma Brian Siana da Universidade da Califórnia em Riverside, EUA. "As galáxias brilhantes, no entanto, representam a ponta do iceberg. Acreditamos que a maioria das estrelas formadas no início do Universo nasceram em galáxias que, normalmente, não conseguimos ver. Agora encontrámos essas galáxias 'invisíveis', e estamos confiantes que estamos a ver o resto do iceberg."

Astrónomos usaram o Hubble e o poder de ampliação do gigante enxame de galáxias Abell 1689 para encontrar 58 galáxias remotas. São as galáxias mais ténues e pequenas já vistas no Universo remoto.
Crédito: NASA/ESA/B. Siana, A. Alavi, UC Riverside
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Normalmente demasiado fracas para o Hubble, estas galáxias foram reveladas através de lentes gravitacionais focadas num enorme enxame galáctico conhecido como Abell 1689 situado na constelação de Ursa Maior. O enxame ampliou a luz emitida pelas distantes galáxias de fundo, tornando-as maiores e mais brilhantes. Se esta amostra é representativa de toda a população na altura, então a maioria das novas estrelas formaram-se em galáxias pequenas e invisíveis deste género.

"Embora estas galáxias sejam muito ténues, o seu número significa que representam a maioria da formação estelar durante esta época," afirma Anahita Alavi, também da Universidade da Califórnia.

Os astrónomos ficaram surpresos ao descobrir que quanto mais longe observavam com o Hubble, mais galáxias fracas encontravam.

"O nosso objectivo com estas observações não era encontrar um grande número de galáxias, mas encontrar galáxias muito mais fracas," acrescenta Alavi.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Hubblesite - galáxias jovens ultra-brilhantes
Artigo científico sobre as galáxias jovens ultra-brilhantes (formato PDF)
Hubblesite - "The Frontier Fields" (Abell 2744)
ESA/Hubble - Abell 2744
Artigo científico sobre os "Frontier Fields" de Abell 2744 (formato PDF)
Hubblesite - Mar de Galáxias Ténues e Primordiais (Abell 1689)
Artigo científico sobre as galáxias gravitacionalmente ampliadas por Abell 1689 (formato PDF)
New Scientist
Nature
Universe Today
PHYSORG
PHYSORG - 2
PHYSORG - 3
SPACE.com
Astronomy
Astronomy - 2
redOrbit
redOrbit - 2
Discovery News
National Geographic
UPI
BBC News

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Wikipedia

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Mancha Solar ao Pôr-do-Sol
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Crédito: Jürg Alean
 
O pôr-do-Sol é provavelmente o evento celeste mais observado, mas ultimamente o pôr-do-Sol proporciona algo a mais. Uma mancha solar tão grande que é visível a olho nu foi capturada nos céus suíços nesta cena de dia 5 de Janeiro, deslocando-se da esquerda para a direita perto do centro do disco solar, enfraquecido e distorcido pela densa atmosfera da Terra. Observações detalhadas revelam uma grande região solar activa, composta por manchas solares, algumas maiores que o próprio planeta Terra. Catalogada como região AR 1944, no dia 7 de Janeiro produziu uma explosão solar substancial e uma ejecção de massa coronal, que se previa alcançar a Terra. A ejecção de massa coronal provocou tempestades geomagnéticas e auroras no dia 9 de Janeiro e talvez ocorram também no dia 10.
 

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