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Edição n.º 1033
31/01 a 03/02/2014
 
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ACTIVIDADES

31.01.14 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 23:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio.
Público: Público em geral, local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu noturno com telescópio (dependente de meteorologia favorável)

01.02.14 - DESCOBRINDO O SOL
15:00 – 16:00 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Observação do Sol em segurança para conhecer um pouco melhor alguns aspectos da nossa estrela. Público: Público em geral, local: CCVAlg

 
EFEMÉRIDES

Dia 31/01: 31.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1862, Alvan Graham Clark Jr. descobre a ténue companheira de Sirius, de nome Sirius B, durante testes de um refractor de 18 polegadas que estava a ser construído para o Observatório Dearborn pelo seu pai, irmão, e por ele próprio. Friedrich Bessel propôs a existência de uma companheira invisível em 1844.
Em 1958, era lançado o Explorer I, o primeiro satélite artificial americano.

Transmitiu dados sobre micrometeoritos e radiação cósmica durante 105 dias. A missão resultou na descoberta das cinturas de radiação Van Allen por James Van Allen.
Em 1961, era lançada a Mercury-Redstone 2 - com o chimpanzé Ham a bordo. Foi o primeiro hominídeo no espaço.
Em 1966, lançamento da soviética Luna 9. Realizou a primeira aterragem com sucesso noutro corpo planetário.
Em 1971, lançamento da Apollo 14, a terceira aterragem tripulada na Lua. 
Em 1996, era descoberto o cometa Hyakutake pelo astrónomo amador japonês, Yuji Hiakutake
Observações: Maior elongação Este de Mercúrio, pelas 10:00.
A Lua está de volta ao céu nocturno, com um finíssimo Crescente para baixo e para a direita de Mercúrio. Procure-os muito baixos a Oeste-Sudoeste ao lusco-fusco.

Dia 01/02: 32.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, voo rasante n.º 19 da sonda Galileu por Europa.
Em 2003, o vaivém espacial Columbia desintegra-se durante a sua reentrada na atmosfera terrestre, matando os sete astronautas a bordo: Rick D. Husband, William C. McCool, Michael P. Anderson, Ilan Ramon, Kalpana Chawla, David M. Brown e Laurel Clark. 

Observações: Mercúrio brilha por baixo da fina Lua Crescente, baixos a Oeste-Sudoeste após o pôr-do-Sol.
Trânsito de Ganimedes, entre as 19:26 e as 22:47.
Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 22:02 e as 01:31 (já de dia 2).

Dia 02/02: 33.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, a sonda norte-americana Ranger 6 chegava à Lua. 

Observações: Trânsito de Europa, entre as 19:40 e as 22:27.
Trânsito da sombra de Europa, entre as 21:00 e as 23:49.
Se o seu céu for escuro o suficiente, consegue ver a Galáxia de Andrómeda? Está mesmo perto do joelho da figura de Andrómeda. A parte mais brilhante do "W" de Cassiopeia aponta para M31.

Dia 03/02: 34.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1966, a sonda soviética Luna 9, não tripulada, faz a primeira aterragem assistida com motores na Lua, e, por isso, a primeira em qualquer outro corpo planetário que não a Terra.

Em 1984, lançamento da missão STS-41-B do vaivém espacial Challenger.
Em 1995, a astronauta Eileen Collins torna-se na primeira mulher a pilotar o vaivém espacial na missão STS-63, a partir do Centro Espacial Kennedyna Flórida, EUA. 
Observações: Aproveite a noite para observar com binóculos o espectacular enxame duplo de Perseu: h e chi Persei, ou NGC 869 e 884, respectivamente.
E já que está a usar binóculos, quer tentar avistar o planeta Urano com a ajuda da Lua? Ambos estão perto um do outro no céu [esta noite] e cabem no campo de visão de uns binóculos. Urano encontra-se a pouco mais de 2º para a esquerda da Lua, é um ponto razoavelmente brilhante e com tons azulados/esverdeados. Esta imagem da posição dos dois astros pode ajudar.

 
CURIOSIDADES


O termo "planeta" em grego significa "errante" e é uma reminiscência da Antiguidade em que se pensava que a natureza dos corpos celestes era igual, mas em que havia sete corpos que pareciam mover-se relativamente aos outros corpos que eram fixos (as estrelas). Os errantes eram sete, a saber: o Sol (que não é um planeta), a Lua, Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter e Saturno.

 
DIVERSIDADE DE ASTERÓIDES APONTA PARA UM SISTEMA SOLAR DE "GLOBO DE NEVE"

O nosso Sistema Solar parece ser um lugar limpo e arrumado, com pequenos mundos rochosos perto do Sol e gigantes gasosos mais longe - todos os oito planetas seguindo percursos orbitais inalterados desde a sua formação.

No entanto, a verdadeira história do Sistema Solar é mais turbulenta. Os planetas gigantes migraram para dentro e para fora, empurrando destroços e "sucata" interplanetária por todo o lado. Novas pistas deste passado tumultuoso vêm da cintura de asteróides.

"Nós descobrimos que os planetas gigantes abalaram os asteróides como flocos num globo de neve," realça a autora principal Francesca DeMeo, pós-doutorada Hubble no Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica.

Nesta impressão de artista, a migração de Júpiter pelo Sistema Solar arrastou asteróides para fora de órbitas estáveis, empurrando uns contra os outros. À medida que os planetas gigantes gasosos migravam, agitavam o conteúdo do Sistema Solar. Objectos à distância de Mercúrio até à distância de Neptuno, agruparam-se na cintura principal de asteróides, levando à composição diversificada que vemos hoje.
Crédito: Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, David A. Aguilar
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Milhões de asteróides orbitam o Sol entre Marte e Júpiter, numa região conhecida como a cintura principal de asteróides. Tradicionalmente, foram vistos como peças de um planeta impedido de se formar pela poderosa influência da gravidade de Júpiter. As suas composições pareciam variar de mais seco para mais húmido, devido à queda na temperatura à medida que nos afastamos do Sol.

Esta visão tradicional mudou quando os astrónomos reconheceram que os actuais moradores da cintura principal de asteróides não estavam lá todos desde o início. No início da história do nosso Sistema Solar os planetas gigantes "estavam loucos", migrando substancialmente para dentro e para fora. Júpiter pode ter estado à distância que Marte está hoje do Sol. No processo, varreu quase totalmente a cintura de asteróides, deixando apenas um décimo de um por centro da sua população original.

À medida que os planetas migravam, agitavam o conteúdo do Sistema Solar. Objectos próximos do Sol, à distância de Mercúrio, e objectos longínquos, à distância de Neptuno, foram agrupados na cintura principal de asteróides.

"A cintura de asteróides é uma mistura de objectos oriundos de vários locais," explica DeMeo.

Os astrónomos teorizaram que há muito tempo a trás os asteróides trouxeram água para a Terra, preenchendo os oceanos. A ser verdade, esta agitação fornecida pelos planetas migratórios pode ter sido essencial para a entrega de água à Terra.
Crédito: Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Usando dados do SDSS (Sloan Digital Sky Survey), DeMeo e o co-autor Benoit Carry (Observatório de Paris) examinaram as composições de milhares de asteróides na cintura principal. Eles descobriram que a cintura de asteróides é mais diversificada do que se pensava anteriormente, especialmente quando estudamos os asteróides mais pequenos.

Este achado tem implicações interessantes para a história da Terra. Os astrónomos teorizaram que impactos de asteróides, há muito tempo atrás, entregaram a maior parte da água que hoje preenche os oceanos da Terra. A ser verdade, a agitação fornecida pela migração dos planetas pode ter sido essencial para levar estes asteróides até à Terra.

Isto levanta a questão se um exoplaneta tipo-Terra também exigiria uma chuva de asteróides para trazer água e torná-lo habitável. Se sim, então estes mundos semelhantes à Terra podem ser mais raros do que pensávamos.

O artigo que descreve estes resultados aparece na edição de 30 de Janeiro da revista Nature.

Links:

Notícias relacionadas:
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
MITnews
ScienceDaily
Universe Today
redOrbit
e! Science News
PHYSORG
Space Daily

Asteróides:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
SEDS
NASA
Wikipedia

Sistema Solar:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

SDSS:
Página oficial
Arquivo do SDSS (formato imagem)
Wikipedia

 
PRIMEIRO MAPA METEOROLÓGICO DE UMA ANÃ CASTANHA

O VLT (Very Large Telescope) do ESO foi utilizado para criar o primeiro mapa meteorológico da superfície da anã castanha mais próxima da Terra. Uma equipa internacional fez um mapa das zonas claras e escuras de WISE J104915.57-531906.1B, também conhecida pelo nome informal Luhman 16B e uma das duas anãs castanhas recentemente descobertas que formam um par a apenas seis anos-luz de distância. Os novos resultados foram publicados a 30 de Janeiro de 2014 na revista Nature.

As anãs castanhas preenchem a lacuna entre os planetas gigantes gasosos e as estrelas frias ténues. Não possuem massa suficiente para dar início à fusão nuclear nos seus centros e apenas conseguem brilhar fracamente nos comprimentos de onda do infravermelho. A primeira anã castanha confirmada foi apenas descoberta há cerca de vinte anos e só se conhecem algumas centenas destes objectos tão evasivos.

As anãs castanhas que se encontram mais próximo do Sistema Solar formam um par chamado Luhman 16AB e situam-se a apenas seis anos-luz de distância na constelação de Vela. Este par é o terceiro sistema mais próximo da Terra, depois de Alfa Centauri e da Estrela de Barnard, mas só foi descoberto no início de 2013. Foi descoberto que a componente menos brilhante, Luhman 16B, variava ligeiramente em brilho a cada poucas horas, à medida que rodava - um indício de que poderia ter à superfície zonas bem demarcadas.

O VLT do ESO foi utilizado para criar o primeiro mapa meteorológico da superfície da anã castanha mais próxima da Terra. Uma equipa internacional fez um mapa das zonas claras e escuras de WISE J104915.57-531906.1B, também conhecida pelo nome informal Luhman 16B e uma das duas anãs castanhas recentemente descobertas que formam um par a apenas seis anos-luz de distância. A figura mostra o objecto em seis momentos igualmente espaçados, à medida que roda uma vez em torno do seu eixo.
Crédito: ESO/I. Crossfield
(clique na imagem para ver versão maior e legendada)
 

Os astrónomos usaram agora o poder do VLT do ESO para, não apenas fotografar estas anãs castanhas, mas também mapear zonas escuras e claras na superfície de Luhman 16B.

Ian Crossfield (Instituto Max Planck de Astronomia, Heidelberg, Alemanha), autor principal do novo artigo científico que descreve este trabalho, sumaria os resultados: "Observações anteriores sugeriam que as anãs castanhas poderiam ter superfícies sarapintadas, mas agora podemos de facto mapeá-las. Dentro de pouco tempo, poderemos ver padrões de nuvens a formar-se, evoluir e dissipar-se nesta anã castanha - eventualmente os exometeorologistas poderão prever se um visitante de Luhman 16B poderá contar com céus limpos ou nublados."

Para mapear a superfície da anã castanha os astrónomos usaram uma técnica inteligente. Observaram as anãs castanhas com o instrumento CRIRES montado no VLT, o que lhes permitiu não somente ver o brilho variável à medida que Luhman 16B roda, mas também observar se as zonas escuras e claras se estavam a mover em direcção ao observador ou afastando-se dele. Combinando toda esta informação conseguiram recriar um mapa das zonas escuras e claras situadas à superfície.

Impressão artística de Luhman 16B recriada a partir de observações VLT. Note que o ténue pormenor detalhado na superfície foi acrescentado para efeito artístico.
Crédito: ESO/I. Crossfield/N. Risinger (skysurvey.org)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As atmosferas das anãs castanhas são muito semelhantes às dos exoplanetas gigantes gasosos quentes, por isso ao estudar comparativamente anãs castanhas fáceis de observar, os astrónomos podem também aprender mais sobre as atmosferas dos planetas gasosos jovens - muitos dos quais serão descobertos num futuro próximo pelo novo instrumento SPHERE, que será instalado no VLT ainda este ano.

Crossfield termina com uma nota pessoal: "A nossa anã castanha ajuda-nos a aproximarmo-nos do nosso objectivo de compreender padrões de clima noutros sistemas solares. Desde tenra idade que fui educado para apreciar a beleza e utilidade dos mapas. É muito excitante começarmos a mapear objectos para além do nosso Sistema Solar!"

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
12/03/2013 - Descoberto sistema estelar mais próximo desde 1916

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
SPACE.com
Universe Today
PHYSORG
Astronomy
Space Daily
Forbes
Reuters
AstroPT

Luhman 16:
Wikipedia

Anãs castanhas:
Wikipedia
NASA
Andy Lloyd's Dark Star Theory

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

WISE:
Wikipedia
NEOWISE (NASA)
U. Berkeley

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Rover Curiosity investiga possíveis caminhos (via NASA)
A equipa que opera o rover Curiosity da NASA está a considerar um percurso através de uma pequena duna de modo a alcançar destinos científicos. Este percurso favorável contornaria outro com rochas mais perigosas, que possivelmente danificariam ainda mais as suas rodas de alumínio. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Rocha em Forma de "Donut de Geleia" Aparece em Marte
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Mars Exploration Rover MissionCornellJPLNASA
 
E se uma pedra que se parece com um donut aparecesse de repente em Marte? É exactamente o que aconteceu em frente do rover Opportunity, actualmente explorando o Planeta Vermelho. A rocha inesperada, na imagem acima, foi recentemente fotografada pelo Opportunity após não ter aparecido noutras imagens obtidas há pouco mais de 12 dias marcianos (ou sols). Dado o mistério intrigante, a explicação principal é simples - a rocha foi recentemente espalhada por uma das rodas do rover. Mesmo assim, os invulgares tons claros da rocha que rodeiam um interior vermelho criaram interesse na sua composição - e deram ao objecto a alcunha de Donut de Geleia. Uma análise química subsequente mostra que a rocha tem o dobro da abundância de manganês de qualquer outra rocha já examinada - uma pista inesperada que ainda não encaixa na nossa compreensão da história geológica de Marte. O Opportunity acaba de celebrar 10 anos em Marte e continua a explorar a secção do cume Murray na orla da Cratera Endeavour com 22 quilómetros de diâmetro.
 

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