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Edição n.º 1034
04/02 a 06/02/2014
 
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ACTIVIDADES

14.02.14 - LUA CHEIA DE "AMOR"
20:00 – 22:00 - Observação astronómica nocturna dedicada a dois satélites naturais no Sistema Solar: o nosso, completamente iluminado, e um outro que se esconderá atrás do seu planeta.
Pré-inscrição obrigatória: info@ccvalg.pt
Realização sujeita a condições meteorológicas favoráveis.
Cada casal entra pelo preço de um visitante. Preço: 2€ - adultos, 1€ - jovens.

28.02.14 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 23:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio.
Público: Público em geral, local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu noturno com telescópio (dependente de meteorologia favorável)

01.03.14 - DESCOBRINDO O SOL
15:00 – 16:00 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Observação do Sol em segurança para conhecer um pouco melhor alguns aspectos da nossa estrela. Público: Público em geral, local: CCVAlg

 
EFEMÉRIDES

Dia 04/02: 35.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1906 nascia Clyde Tombaugh, famoso pela descoberta, em 1930, de Plutão

Também descobriu muitos asteróides.
Em 1932 era descoberto o asteróide 1239 Queteleta por Eugène Joseph Delporte.
Em 1934 era descoberto o asteróide 2824 Franke por Karl Wilhelm Reinmuth
Observações: As partes frias do céu a Norte neste céu de Fevereiro podem não captar muita atenção, mas a grande e ténue constelação do Camelo, entre Cocheiro e o Pólo Celeste Norte, contém algumas estrelas duplas de interesse para binóculos.

Dia 05/02: 36.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1924, o Observatório Real de Greenwich começa a emissão dos sinais horários conhecidos como o Sinal de Greenwich.
Em 1937 nascia Alar Toomre, astrónomo estónio-americano, cuja pesquisa se focou na dinâmica das galáxias.
Em 1967, a Lunar Orbiter 3 é lançada a partir de Cabo Canaveral, com o objectivo de descobrir locais de aterragem para as Surveyor e Apollo
Em 1971, o módulo lunar da missão Apollo 14 fazia a sua alunagem.
Alan Shepard em Fra Mauro (Crédito: NASA)
Observações: Os maiores e mais brilhantes asteróides, Ceres e Vesta, respectivamente, estão separados por apenas 4º. Têm magnitude 8,2 e 7,2, respectivamente e podem ser encontrados na constelação de Virgem com a ajuda de um planetário.

Dia 06/02: 37.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1582, nascia Mario Bettinus, astrónomo, matemático e filósofo italiano. A cratera Bettinus, na Lua, tem o seu nome.
Em 1927, nascia Gerard K. O'Neill, físico americano e activista do espaço, que desenvolveu um plano para construir habitações humanas no espaço, incluindo um habitat conhecido como cilindro de O'Neill.
Em 1959, era lançado com sucesso de Cabo Canaveral o primeiro míssil balístico Titan.

Observações: Trânsito de Calisto, entre as 02:01 e as 05:47.
Lua em Quarto Crescente, pelas 19:22.

 
CURIOSIDADES


Estima-se que até 40.000 toneladas de poeira cósmica alcance a superfície da Terra cada ano.

 
NOVA TÉCNICA PODE SER USADA PARA PROCURAR INGREDIENTES DA VIDA EM POEIRA ESPACIAL

Embora a origem da vida permaneça um mistério, os cientistas descobrem cada vez mais evidências de que material criado no espaço e entregue à Terra por impactos de cometas e meteoros podem ter dado um impulso para o início da vida. Alguns meteoritos fornecem moléculas que podem ser usadas como blocos de construção para fabricar certos tipos de moléculas maiores fundamentais para a vida.

Os investigadores analisaram meteoritos ricos em carbono (condritos carbonáceos) e encontraram aminoácidos, que são usados para produzir proteínas. As proteínas estão entre as moléculas mais importantes para a vida, usadas para fazer estruturas como o cabelo e a pele, e para acelerar ou regular reacções químicas. Descobriram também componentes utilizados para fazer ADN, a molécula que transporta as instruções de como criar e regular um organismo vivo, bem como outras moléculas biologicamente importantes, tais como heterocíclicos de azoto, compostos orgânicos relacionados com açúcares e compostos encontrados no metabolismo moderno.

No entanto, estes meteoritos ricos em carbono são relativamente raros, correspondendo a menos de cinco por cento dos meteoritos recuperados, e os meteoritos representam apenas uma parte do material extraterrestre que chega à Terra. Além disso, as moléculas de construção da vida aí encontradas estão geralmente a baixas concentrações, normalmente partes por milhão ou partes por milhar de milhão. Isto levanta a questão de quão significativa foi a sua entrega de matéria-prima. No entanto, a Terra recebe constantemente outro material extraterrestre - a maior parte na forma de poeira de cometas e asteróides.

Esta foto compara o tamanho de amostras normalmente usadas em estudos de meteoritos (amarelo) com as usadas no novo equipamento (azul) do Laboratório Goddard.
Crédito: Michael Callahan
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Apesar do seu pequeno tamanho, estas partículas de poeira interplanetária podem ter fornecido quantidades mais elevadas e um abastecimento mais estável de material orgânico extraterrestre à Terra primitiva," afirma Michael Callahan do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Maryland. "Infelizmente, os estudos que existem acerca da sua composição orgânica são limitados, especialmente no que diz respeito a moléculas biologicamente relevantes que podem ter sido importantes para a origem da vida, devido ao tamanho minúsculo destas amostras."

Callahan e sua equipa aplicaram recentemente tecnologia avançada para examinar amostras extremamente pequenas de meteoritos em busca de componentes da vida. "Descobrimos aminoácidos numa amostra de 360 microgramas do meteorito Murchison," realça Callahan. "Esta amostra é 1000 vezes mais pequena que o normalmente usado." Um micrograma é um milionésimo de um grama; 360 microgramas equivale aproximadamente ao peso de alguns pêlos da sobrancelha.

"O nosso estudo é uma prova de conceito," acrescenta Callhan. "O Murchison é um meteorito bem estudado. Obtivemos os mesmos resultados estudando um fragmento muito pequeno que estudando um fragmento muito maior do mesmo meteorito. Estas técnicas vão permitir-nos investigar, em estudos futuros, outros materiais extraterrestres em pequena escala, tais como micrometeoritos, partículas interplanetárias e partículas cometárias." Callahan é o autor principal de um artigo sobre esta pesquisa, disponível online na revista Journal of Chromatography A.

A análise de amostras tão pequenas é extremamente complicada. "A extracção de uma quantidade bastante menor de pó de meteorito traduz-se numa concentração bastante menor de aminoácidos para análise," realça Callahan. "Por isso, precisamos de ter técnicas mais sensíveis. Além disso, dado que as amostras de meteoritos podem ser altamente complexas, também são necessárias técnicas altamente específicas para estes compostos."

Este equipamento é usado no Laboratório Goddard para analisar amostras muito pequenas. À direita está o emissor nanoeléctrico, que dá às moléculas da amostra uma carga eléctrica e que as transfere para o espectómetro de massa (esquerda), que identifica as moléculas com base na sua massa.
Crédito: Michael Callahan
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa usou um instrumento de cromatografia líquida para classificar as moléculas na amostra de meteorito, aplicou então um método de ionização para dar às moléculas uma carga eléctrica e observou a amostra num espectrómetro de massa de alta resolução, que identificou as moléculas com base na sua massa. "Somos pioneiros na aplicação destas técnicas para o estudo de compostos orgânicos meteoríticos," afirma Callahan. "Estas técnicas podem ser muito exigentes, por isso só a própria obtenção de resultados foi o primeiro resultado."

"Estou particularmente interessado em analisar partículas de cometa da missão Stardust," acrescenta Callahan. "É uma das razões porque vim para a NASA. Quando vi pela primeira vez uma foto do aerogel usado para capturar as partículas da missão Stardust, fiquei viciado."

"Esta tecnologia também será extremamente útil para procurar aminoácidos e outras potenciais bioassinaturas químicas em amostras enviadas desde Marte e eventualmente materiais das plumas das luas geladas Encelado e Europa," afirma Daniel Glavin, co-autor do artigo.

Esta tecnologia e as técnicas laboratoriais que o laboratório Goddard desenvolve para aplicar na análise de meteoritos será valiosa para futuras missões de recolha e retorno de amostras, tendo em conta que a quantidade de amostras será limitada. "As missões que envolvem a recolha e envio de material extraterrestre para a Terra costumam recolher apenas uma quantidade muito pequena e as próprias amostras podem também ser extremamente pequenas," realça Callahana. "As técnicas tradicionais usadas para estudar estes materiais geralmente envolvem composição inorgânica ou elementar. Ainda não é rotina tendo como alvo as moléculas biologicamente relevantes nestas amostras. Ainda não chegámos lá, mas estamos a caminho."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (requer subscrição)
PHYSORG

Poeira interplanetária:
Wikipedia

Meteoros, meteoritos:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Meteorito Murchison:
Wikipedia

 
PROCURANDO VIDA NOS LOCAIS ERRADOS

Os cientistas há muito que focam a sua busca por vida extraterrestre em planetas semelhantes à Terra - mas de acordo com um cientista da Universidade McMaster no Canadá, isso pode ser um erro.

O astrofísico René Heller do Instituto Origins da Universidade McMaster diz que o nosso planeta pode não ser o lugar mais ideal para a vida e que os cientistas precisam também de considerar planetas diferentes da Terra, os chamados planetas "superhabitáveis".

Estes planetas têm provavelmente o dobro ou o triplo da massa da Terra e são muito menos montanhosos. São também provavelmente mais velhos.

Alfa Centauro, o sistema estelar mais próximo do Sistema Solar. O astrofísico René Heller diz que o nosso planeta pode não ser o local mais ideal para a vida e que os cientistas precisam de considerar planetas não semelhantes à Terra, os chamados planetas "superhabitáveis".
Crédito: ESO/Digitized Sky Survey 2; reconhecimento: Davide De Martin
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A Terra apenas raspa a orla interna da zona habitável do Sistema Solar - a área onde as temperaturas permitem com que planetas como a Terra tenham água líquida à superfície," realça Heller. "Então, a partir desta perspectiva, a Terra é apenas marginalmente habitável. Isto levou-nos a pensar: será que existe algum ambiente mais hospitaleiro para a vida em planetas terrestres?"

Heller e o co-autor John Armstrong da Universidade Estatal Weber descrevem os planetas superhabitáveis num artigo publicado no início de Janeiro na revista Astrobiology. Aí, descrevem algumas das características destes potenciais planetas. Têm muitos corpos de água pouco profundos (em vez de um pequeno número de grandes oceanos), um "termostato" global mais confiável que impede eras glaciais e um escudo magnético para proteger o planeta da radiação cósmica.

Heller diz que a teoria significa que os astrónomos devem apontar os seus telescópios para planetas que até agora não atraíram muita atenção na busca por vida extraterrestre. "Propomos uma mudança de foco," afirma. "Queremos priorizar pesquisas futuras para planetas habitados. Estamos dizendo: 'não se concentrem apenas em planetas tipo-Terra se realmente querem encontrar vida.'"

Mas será que vale a pena ter a discussão sobre quais planetas observar? Qual a probabilidade de encontrarmos vida noutro planeta? "Estatisticamente falando, eu diria que é muito pouco provável que não exista nada lá fora," realça Heller. "Pela primeira vez na história, temos a capacidade - tanto técnica como intelectual - para encontrar e classificar planetas potencialmente habitados. É apenas uma questão de como gastar o nosso tempo de observação."

Heller espera que o artigo sirva como um ponto de partida para o debate sobre a superhabitabilidade. Ele acrescenta que poderá levar algum tempo até a comunidade científica ter outra opinião. "Quando seguimos um certo padrão durante décadas, pode ser difícil mudar de ideias."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade McMaster (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Astrobiology
NewScientist
science 2.0
PHYSORG
redOrbit
National Geographic
Discovery News
UPI

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 6188 e NGC 6144
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Harel Boren e Tal Faibish
 
Nas brilhantes nuvens de NGC 6188, a cerca de 4000 anos-luz, existem formas fantásticas. A nebulosa de emissão pode ser encontrada perto da fronteira de uma grande nuvem molecular invisível em comprimentos de onda ópticos, na direcção da constelação do Hemisfério Sul, Ara (ou Altar). As estrelas jovens e massivas da associação OB1 foram formadas na região há apenas alguns milhões de anos atrás, esculpindo as formas escuras e alimentando o brilho estelar com ventos e intensa radiação ultravioleta. A própria formação estelar recente foi provavelmente desencadeada por ventos e explosões de supernovas, de gerações anteriores de estrelas de grande massa, que varreram e comprimiram o gás molecular. Juntando-se a NGC 6188 nesta paisagem cósmica está a rara nebulosa de emissão NGC 6164, também criada por uma das enormes estrelas do tipo-O na região. Similar em aparência com muitas nebulosas planetárias, o esplêndido manto gasoso e o ténue halo simétrico de NGC 6164 rodeia a sua estrela central e brilhante perto da parte de baixo da imagem. O campo de visão estende-se por mais de 3 graus (seis Luas Cheias), correspondendo a mais de 200 anos-luz à distância estimada de NGC 6188. Foram incluídos dados de banda-estreita na composição de cores naturais, somando uma profunda emissão vermelha dos átomos de hidrogénio e enxofre e um tom azul-esverdeado dos átomos de oxigénio.
 

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