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Edição n.º 1053
11/04 a 14/04/2014
 
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26.04.14 - DESCOBRINDO O SOL
14:00 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Observação do Sol em segurança para conhecer um pouco melhor alguns aspectos da nossa estrela, podendo incluir outras atividades relacionadas com o Sol e o aproveitamento da energia solar. Público: Público em geral, local: CCVAlg

 
EFEMÉRIDES

Dia 11/04: 101.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1862 nascia William Wallace Campbell, observador pioneiro dos movimentos estelares e das suas velocidades radiais. Director do Observatório Lick entre 1901 e 1930, também foi presidente da Universidade da Califórnia e da Academia Nacional de Ciências.
Em 1905, Albert Einstein revela a sua Teoria da Relatividade(relatividade especial). 
Em 1960, era iniciada a primeira pesquisa no rádio em busca de civilizações extraterrestres, por Frank Drake (Projecto Ozma).
Em 1970, lançamento da Apollo 13.

Em 1986, a 65 milhões de quilómetros, o Cometa Halley faz a sua maior aproximação da Terra durante esta viagem, a 30.ª vez que visita a nossa vizinhança planetária.
Observações: A Lua encontra-se por baixo de Leão. Se seguir as estrelas-guia da Ursa Maior, mas na direcção oposta à da Estrela Polar, encontra Leão.

Dia 12/04: 102.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1633, começa o inquérito formal de Galileu pela Inquisição.
Em 1849, de Gasparis descobre o asteróide Hygiea.
Em 1851, nascia Edward Walter Maunder, astrónomo inglês famoso pelo seu estudo das manchas solares e do ciclo magnético solar, que levou à sua identificação, do período entre 1645 e 1715, que é agora conhecida como Mínimo Maunder.
Em 1961, o cosmonauta Yuri Alekseyevich Gagarin torna-se no primeiro homem no espaço. 

Orbita a Terra apenas uma vez a bordo da nave Vostok 1. O voo dura 1 hora e 48 minutos, num percurso elíptico com um apogeu de 327 km e um perigeu de 180 km.
Em 1981, começa a era do Vaivém espacial. Lançamento da missão STS-1 do vaivém Columbia, adiado desde 10 de Abril. O comandante John Young e o piloto Robert Crippen orbitam a Terra 37 vezes durante dois dias antes de regressarem. Os objectivos principais do voo inaugural eram testar os sistemas principais, completar uma ascensão até órbita com sucesso, e regressar à Terra em segurança.
Observações: Olhe para baixo e para a esquerda da Lua, em busca de Marte. Por volta das 01:00 (já de dia 13), estão alinhados horizontalmente a Sul.

Dia 13/04: 103.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1960, os EUA lançam o Transit 1-B, o primeiro satélite de navegação do mundo.
Em 1970, "Houston, we have a problem". Foram estas as palavras que o astronauta Jack Swigert disse ao controlo da missão em Houston depois do tanque de oxigénio n.º 2 do módulo de serviço da nave Apollo 13 ter explodido.

Os astronautas Swigert, Jim Lovell e Fred Haise movem-se então para o módulo lunar, que permaneceu sem danos. O voo continuou até e em volta da Lua e até à Terra. Todo o mundo observava com atenção à medida que a equipa terrestre e a tripulação da Apollo 13 ultrapassavam os obstáculos para salvar os astronautas. Estes conseguiram regressar em segurança à Terra.
Em 1974, a Western Union (em cooperação com a NASA e a Hughes Aircraft) lança o primeiro satélite comercial de comunicações geosíncrono, o Westar 1.
Observações: Vesta em oposição, pelas 13:00. É a melhor altura para observar o asteróide (magnitude 5,38).
Trânsito de Calisto, entre as 22:18 e as 02:18 (já de dia 14).

Dia 14/04: 104.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1629 nascia Christian Huygens, físico holandês e astrónomo, um dos cientistas mais proeminentes do século XVII.

Descobriu o anel e o quarto satélite (Titã) de Saturno (1655), e patenteou o primeiro relógio de pêndulo (1656). Na óptica propôs a teoria ondulatória da luz e descobriu a polarização. A sonda que há alguns atrás aterrou em Titã tem o seu nome.
Em 1958, o satélite soviético Sputnik 2 cai de órbita após uma missão com a duração de 162 dias. 
Em 1981, missão STS-1. O vaivém espacial  Columbia completa o seu primeiro voo de testes. 
Em 2000, astrónomos detectam as primeiras provas observacionais dos restos de uma hipernova, explosões cem vezes mais energéticas que as supernovas e uma possível fonte dos poderosos GRB's (explosões de raios-gama), os eventos mais energéticos de todo o Universo conhecido, além do Big-Bang.
Observações: Marte na sua maior aproximação à Terra, pelas 14:00.
Esta noite, Marte encontra-se mesmo para cima da Lua.
Trânsito de Europa, entre as 21:29 e as 00:16 (já de dia 15).

 
CURIOSIDADES


A NASA colocou à disposição do público em geral mais de 1000 programas informáticos. O catálogo inclui sistemas de gestão de projectos, ferramentas de design, tratamento de dados, processamento de imagens, funções de suporte de vida, aeronáutica, análise estrutural e sistemas autónomos robóticos. Consulte o catálogo.

 
LUA DISTANTE OU ESTRELA FRACA? ENCONTRADA POSSÍVEL EXOLUA
Investigadores detectaram a primeira candidata a "exolua" - uma lua em órbita de um planeta situado fora do nosso Sistema Solar. Usando uma técnica chamada "microlente", observaram o que pode ser ou uma lua e um planeta - ou um planeta e uma estrela. Esta impressão de artista retrata as duas possibilidades.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Titã, Europa, Io e Fobos são apenas alguns dos membros do panteão de luas do nosso Sistema Solar. Será que existem outras luas orbitando planetas para lá do nosso Sol?

Cientistas financiados pela NASA avistaram pela primeira vez sinais de uma "exolua", e embora digam que é impossível confirmar a sua presença, a descoberta é um tentador primeiro passo em direcção a localizar outras. A descoberta foi feita graças à observação de um encontro fortuito de objectos na nossa Galáxia, que pode ser testemunhado apenas uma vez.

"Nós não teremos a oportunidade de observar novamente a candidata a exolua," realça David Bennett da Universidade de Notre Dame, Indiana, EUA, autor principal de um novo artigo sobre os resultados publicado na revista Astrophysical Journal. "Mas podemos esperar mais descobertas imprevistas como esta."

O estudo internacional é liderado pelos programas MOA (Microlensing Observations in Astrophysics) do Japão-Nova Zelândia-EUA e PLANET (Probing Lensing Anomalies NETwork), usando telescópios na Nova Zelândia e Tasmânia. A sua técnica, chamada microlentes gravitacionais, aproveita alinhamentos fortuitos entre estrelas. Quando uma estrela de primeiro plano passa entre nós e uma estrela mais distante, a estrela mais próxima pode agir como uma lupa, focando e aumentando o brilho da estrela mais distante. Estes eventos de maior iluminação costumam durar cerca de um mês.

Se a estrela de primeiro plano - a que os astrónomos referem como lente - tem um planeta em órbita, o planeta irá actuar como uma segunda lente para aumentar o diminuir o brilho ainda mais. Ao examinar cuidadosamente estes eventos, os astrónomos podem descobrir a massa da estrela em primeiro plano relativamente ao seu planeta.

No entanto, em alguns casos o objecto em primeiro plano pode ser um planeta que flutua livremente, não uma estrela. Os cientistas poderiam, então, ser capazes de medir a massa do planeta relativamente à sua companheira em órbita: uma lua. Embora os astrónomos procurem activamente exoluas - por exemplo, usando dados da missão Kepler - até agora, ainda não encontraram nenhuma.

No novo estudo, a natureza do objecto de "lente" em primeiro plano não é clara. A relação entre o corpo maior e a sua companheira menor é de 2000 para 1. Isto significa que o par pode ou ser uma pequena estrela com um planeta em órbita cerca de 18 vezes mais massivo que a Terra - ou um planeta mais massivo que Júpiter com uma lua menos massiva que a Terra.

O problema é que os astrónomos não têm nenhuma maneira de saber qual destes dois cenários é o correcto.

"Uma possibilidade é que o sistema de lente seja um planeta com uma lua que, a ser verdade, seria uma descoberta espectacular de um tipo totalmente novo de sistema," realça Wes Traub, cientista-chefe do Programa de Exploração Exoplanetária no JPL da NASA, em Pasadena, no estado americano da Califórnia, que não esteve envolvido no estudo. "Os modelos dos investigadores apontam para a lua como solução, mas se olharmos simplesmente para qual dos cenários é o mais provável na natureza, a solução estelar ganha."

A resposta para o mistério está em aprender a distância ao duo circundante. Um par com massa mais baixa e mais próximo da Terra produzirá o mesmo tipo de evento de aumento de brilho que um par mais distante e mais massivo. Mas assim que o evento termine, é muito difícil recolher medições adicionais do sistema de lente e determinar a distância. A verdadeira identidade da candidata a exolua e seu companheiro planetário, um sistema apelidado MOA-2011-BLG-262, permanecerá desconhecida.

Mesmo assim, no futuro será possível obter estas medidas de distância durante eventos de lente. Por exemplo, os telescópios espaciais Spitzer e Kepler, ambos os quais giram em torno do Sol em órbitas que acompanham a Terra, estão longe o suficiente do nosso planeta para serem óptimas ferramentas para a técnica de distância por paralaxe.

O princípio base da paralaxe pode ser explicado segurando o seu dedo, fechando um olho e depois o outro, e vendo o dedo "saltar" para a esquerda e para a direita em relação a algo no pano de fundo. Uma estrela distante, quando vista por dois telescópios separados por uma grande distância, parecerá mover-se. Quando combinado com um evento de lentes, o efeito de paralaxe altera o modo como o telescópio visualiza a ampliação resultante da luz estelar. Embora a técnica funcione melhor usando um telescópio na Terra e outro no espaço, tal como o Spitzer ou o Kepler, também podem ser usados dois telescópios terrestres em lados diferentes do planeta.

Entretanto, estudos como o MOA ou o OGLE (Optical Gravitational Experiment Lensing Experiment) da Polónia estão descobrindo cada vez mais planetas. Estes estudos de microlente descobriram dúzias de exoplanetas até agora, em órbita de estrelas e flutuando livremente. Um anterior estudo financiado pela NASA, também liderado pela equipa MOA, foi o primeiro a descobrir fortes evidências de planetas com o tamanho de Júpiter sozinhos no espaço, presumivelmente depois de terem sido expulsos de sistemas planetários em formação.

A nova candidata a exolua, a ser real, orbitará um destes planetas livres. O planeta pode ter sido expelido do aconchego empoeirado de um sistema planetário jovem, mantendo a sua lua companheira em reboque.

Os telescópios terrestres usados no estudo são do Observatório da Universidade Mount John na Nova Zelândia e do Observatório Mount Canopus na Tasmânia.

Foram obtidas observações adicionais com o Observatório W.M. Keck em Mauna Kea, Hawaii; pelo telescópio VISTA do ESO no Chile, pelo OGLE (Optical Gravitational Lens Experiment) usando o Observatório Las Campanas no Chile; pelo MicroFUN (Microlensing Follow-Up Network) usando o Observatório Interamericano de Cerra Tololo no Chile; e a colaboração Robonet usando o Telescópio Faulkes Sul em Siding Springs, Austrália.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
20/12/2013 - Pode ter sido descoberta a primeira exolua
16/11/2012 - Perdido no espaço: encontrado planeta solitário?
20/05/2011 - Planetas "flutuantes" podem ser mais comuns que estrelas

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
The Astrophysical Journal (requer subscrição)
SPACE.com
PHYSORG
redOrbit
Discovery News

Exoluas:
Wikipedia

Planetas interestelares, nómadas, flutuantes ou órfãos (sem estrela):
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

MOA:
Página oficial
Wikipedia

PLANET:
Página oficial
Wikipedia

OGLE:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Descobertas planetárias do Kepler
Mapa das zonas de estudo do Kepler (formato PDF)
Wikipedia

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

 
CIENTISTAS RECONSTROEM ANTIGO IMPACTO QUE FAZ ASTERÓIDE QUE DESTRUIU OS DINOSSAUROS PARECER PEQUENO

Imagine: um enorme asteróide com o tamanho da distância directa entre Faro e Portimão ou entre 3 e 5 vezes o tamanho da rocha que dizimou os dinossauros colide com a Terra. A colisão cria uma cratera na crosta do planeta com quase 500 km de diâmetro: a distância directa entre Faro e Saragoça (Espanha) ou entre 2 a 5 vezes maior que a cratera formada aquando da extinção dos dinossauros. Sismos, maiores do que qualquer outro já registado, abalam o planeta durante hora e meia em qualquer local da Terra - cerca de seis vezes maiores do que o grande sismo que atingiu o Japão há três anos atrás. O impacto também desencadeia tsunamis muitas vezes mais profundos que o que se seguiu ao sismo japonês.

Embora os cientistas já tenham teorizado impactos enormes e antigos, muito maiores do que aquele que eliminou os dinossauros há 65 milhões de anos atrás, agora um novo estudo revela o poder e a escala de um evento cataclísmico há cerca de 3,26 mil milhões de anos atrás, que se pensa ter criado características geológicas encontradas numa região da África do Sul conhecida como cintura de rochas verdes de Barberton. A pesquisa foi aceite para publicação na Geochemistry, Geophysics, Geosystems, uma revista da União Geofísica Americana.

O grande impactante - entre 37 e 58 km de diâmetro - colidiu com o planeta a 20 km/s. O abalo, maior do que um tremor de terra de magnitude 10,8, impulsionou ondas sísmicas centenas de quilómetros pela Terra, quebrando rochas e desencadeando outros grandes sismos. Tsunamis com milhares de metros de profundidade - muito maiores do que os gerados por sismos - varreram os oceanos que cobriam a maior parte da Terra nessa altura.

"Sabíamos que era grande, mas não sabíamos quão grande," afirma Donald Lower, geólogo da Universidade de Stanford e co-autor do estudo, em relação ao asteróide.

Representação gráfica do tamanho do asteróide que matou os dinossauros, e a cratera que criou, comparada com um asteróide que se pensa ter atingido a Terra há 3,26 mil milhões de anos atrás e o tamanho da cratera que pode ter criado. Um novo estudo revela o poder e a escala do evento de há 3,26 mil milhões anos que os cientistas pensam ter criados características geológicas encontradas numa região da África do Sul conhecida como cintura de rochas verdes de Barberton.
Crédito: União Geofísica Americana
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Lower, que descobriu formações rochosas intrigantes nas rochas verdes de Barberton há uma década atrás, pensava que a sua estrutura assinalava um impacto de asteróide. Segundo Lowe, a nova pesquisa modela pela primeira vez o tamanho do asteróide e o efeito que teve no planeta, incluindo o eventual início de um sistema de placas tectónicas mais moderno que se vê na região.

O estudo marca a primeira vez que os cientistas mapearam deste modo um impacto ocorrido há mais de 3 mil milhões de anos atrás, acrescenta Lowe, e é provável que seja uma das primeiras vezes que alguém modelou qualquer impacto que ocorreu durante este período da evolução da Terra.

O impacto teria sido catastrófico para o ambiente à superfície. O impacto do asteróide mais pequeno, responsável pela aniquilação dos dinossauros, tem uma energia estimada em mais de mil milhões de vezes a energia das bombas que destruíram Hiroxima e Nagasaki. De acordo com os especialistas, o impacto mais antigo teria libertado muito mais energia.

O céu tornou-se vermelho quente, a atmosfera ficou repleta de poeira e o topo dos oceanos ferveu. O impacto expeliu rocha vaporizada para a atmosfera, que cercou o globo e condensou-se em gotículas líquidas antes de solidificar e cair para a superfície.

O impacto pode ter sido apenas um de dúzias de grandes asteróides que os cientistas pensam que atingiram a Terra durante o final do Último Grande Bombardeamento, um grande período de impactos que ocorreram no início da história da Terra - há cerca de 3-4 mil milhões de anos atrás.

Muitos dos locais onde estes asteróides aterraram foram destruídos pela erosão, pelo movimento da crosta terrestre e por outras forças à medida que a Terra evoluía, mas os geólogos descobriram um punhado de áreas na África do Sul e na Austrália Ocidental que ainda contêm evidências destes impactos que ocorreram há 3,23-3,47 mil milhões de anos atrás. Os co-autores do estudo pensam que o asteróide atingiu a Terra a milhares de quilómetros de distância da cintura de rochas verdes de Barberton, embora não consigam determinar a sua localização exacta.

"Não podemos ir aos locais de impacto. A fim de melhor entender quão grande era e qual o seu efeito precisamos de estudos como este," comenta Lowe. Ele realça que os cientistas têm que usar as evidências geológicas destes impactos para compreender o que aconteceu com a Terra durante este tempo.

Imagem de satélite da cintura de rochas verdes Barberton em torno da cidade de Barberton, África do Sul.
Crédito: NASA Earth Observatory/Landsat/USGS/Jesse Allen
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As conclusões do estudo têm importantes implicações para a compreensão da Terra primitiva e da formação do planeta. O impacto pode ter perturbado a crosta e o regime tectónico que caracterizava o planeta na altura, levando ao início de um sistema de placas tectónicas mais moderno.

A "pancadaria" que o planeta suportou foi "muito maior do que qualquer terramoto normal," acrescenta Norman Sleep, físico da Universidade de Stanford e co-autor do estudo. Ele usou física, modelos e conhecimento acerca das formações na cintura de rochas verdes de Barberton, outros sismos e outros locais de impacto de asteróides na Terra e na Lua para calcular a força e duração da agitação provocada pelo asteróide. Usando estas informações, Sleep recreou o modo como as ondas viajaram do local de impacto até à cintura de rochas verdes de Barberton e como criaram as formações geológicas.

A evidência geológica que o artigo investiga, encontrada em Barberton, indica que o asteróide era "muito maior do que qualquer outro nos últimos mil milhões de anos," afirma Jay Melosh, professor da Universidade de Purdue, em West Lafayette, Indiana, EUA, que não esteve envolvido na pesquisa.

A cintura de rochas verdes de Barberton é uma área com 100 km de comprimento e 60 km de largura, situada a leste de Joanesburgo, perto da fronteira com a Suazilândia. Contém algumas das rochas mais antigas do planeta.

Segundo Frank Kyte, geólogo da UCLA que não esteve envolvido no estudo, o modelo fornece evidências para as formações rochosas e fracturas da crosta terrestre que os cientistas descobriram na cintura de rochas verdes de Barberton.

"Isto apoia claramente a ideia que o impacto pode ter sido responsável por esta grande mudança na tectónica," realça.

A reconstrução do impacto de asteróide pode também ajudar os cientistas a melhor compreender as condições sob as quais a vida primitiva evoluiu no planeta. Juntamente com a alteração da própria Terra, as mudanças ambientais provocadas pelo impacto podem ter dizimado muitos organismos microscópicos que viviam no planeta em desenvolvimento, permitindo com que outros organismos evoluíssem.

"Estamos tentando compreender as forças que moldaram o nosso planeta no início da sua evolução e os ambientes em que a vida evoluiu," conclui Lowe.

Links:

Notícias relacionadas:
União Geofísica Americana (comunicado de imprensa)
Geochemistry, Geophysics, Geosystems (requer subscrição)
Universe Today
SPACE.com
redOrbit
Forbes
Wired
io9

Cintura de rochas verdes de Barberton:
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Cratera Gusev afinal foi mesmo um lago, dizem cientistas (via Arizona State University)
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Marte, Ceres e Vesta
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Tunç Tezel (TWAN)
 
Aquela estrela brilhante e corada que vê ultimamente a nascer mesmo depois do pôr-do-Sol não é uma estrela. É Marte, o Planeta Vermelho. Marte encontra-se perto da sua oposição para 2014 (dia 8 de Abril) e da sua maior aproximação à Terra (dia 14), fazendo um "loop" na direcção da constelação de Virgem, na posição oposta à do Sol no céu do planeta Terra. Claramente mais brilhante que a azulada Espiga, a estrela "alfa" de Virgem, Marte está centrado nesta imagem legendada obtida no início de Abril, que inclui também outros dois mundos do Sistema Solar que se aproximam também da oposição. À esquerda, perto de Tau Virginis, encontram-se o pequeno e ténue asteróide Vesta e o planeta anão Ceres. Mas, se quiser, terá que imaginar a sonda Dawn da NASA que viaja entre os dois pequenos astros. Depois de deixar Vesta em Setembro de 2012, o motor de iões da Dawn tem vindo a colocá-la numa órbita similar à de Ceres, programada para lá chegar em Fevereiro de 2015. Claro, também pode olhar perto de Marte para ver a Lua em oposição ao Sol, no céu do planeta Terra, na noite de 14 para 15 de Abril, e se se encontrar numa das zonas felizardas da Terra, ver um eclipse lunar total.
 

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