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Edição n.º 1196
25/08 a 27/08/2015
 
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EFEMÉRIDES

Dia 25/08: 237.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1609, Galileu Galilei demonstra o seu primeiro telescópio aos legisladores de Veneza.
Em 1864 nascia Ole Romer, astrónomo dinamarquês que propôs a primeira determinação da velocidade da luz.
Em 1981, flyby da Voyager 2 por Saturno.
Em 1989, flyby da Voyager 2 por Neptuno
Em 2000, a revista Science anuncia descobertas a partir de dados do magnetómetro da sonda Galileu que providenciam as mais sólidas provas da existência de um oceano de água líquida salgada por baixo da superfície de uma das luas de JúpiterEuropa.

No mesmo ano, o Telescópio Espacial Hubble faz um censo de anãs castanhas galácticas. A câmara NICMOS do Hubble revela a baixa energia das anãs castanhas, estrelas que não têm massa suficiente para começar a fusão nuclear.
Em 2012, a sonda Voyager 1 torna-se no primeiro objeto feito pelo Homem a entrar no espaço interestelar
Observações: Ao cair da noite, a Lua brilha por cima do "Bule de Chá" de Sagitário. Este asterismo tem o mesmo tamanho que o seu punho à distância de um braço esticado e inclina-se para a direita.

Dia 26/08: 238.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1978, Sigmund Jähn torna-se no primeiro cosmonauta alemão, a bordo da Soyuz 31.
Em 1999 são registadas as primeiras imagens de calibração do telescópio de raios-X mais poderoso do mundo, o Observatório Chandra da NASA.

Estas incluem os espetaculares remanescentes de uma supernova, Cassiopeia A, que explodiu há 300 anos atrás, uma concha de gás quente com 10 anos-luz de diâmetro e temperaturas de 50 milhões de graus, com um ponto de luz que pode ser uma estrela de neutrões ou um buraco negro no centro de uma explosão estelar. Outra imagem que fascinou os observadores foi o grande jato energético do quasar PKS 0637-752 a 6 mil milhões de anos-luz. O Chandra continuou com as suas calibrações nas semanas seguintes.
Em 2003, a comissão que investigava o acidente do vaivém Columbia anuncia o seu relatório final. 
Observações: À medida que as estrelas começam a aparecer, olhe para cima e para a esquerda da Lua, a cerca de dois punhos à distância do braço esticado, em busca de Altair. A que horas já consegue observar a estrela? Com o rodar do céu (ou melhor, o rodar da Terra), Altair fica diretamente para cima da Lua pelas 22:30.

Dia 27/08: 239.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962 era lançada com êxito a sonda Mariner 2 de Cabo Canaveral com destino a Vénus, onde chegou 15 semanas depois.

A 14 de dezembro de 1962 tornou-se na primeira sonda a passar com sucesso por Vénus, sendo a sua aproximação máxima 34.773 km. Encontra-se agora numa órbita solar. 
Em 1985, lançamento da missão STS-51-I.
Em 1999 é encontrada água extraterrestre num meteorito. Usando várias formas de análise, os cientistas do JSC encontram água nos cristais de halite de um meteorito que caiu na Terra (Texas) a 22 de março de 1998. A água capturada nos cristais pode ser mais antiga que o Sol e que os planetas.
Em 2003, Marte faz a sua maior aproximação da Terra em quase 60.000 anos, passando a 55.758.005 km de distância.
Observações: A Lua brilha mesmo por cima da ténue constelação de Capricórnio. Consegue discernir a constelação? Algedi é um binário facilmente visível com binóculos, para cima e para a direita da Lua. Para baixo de Algedi está Dabih, outro binário binocular.

 
CURIOSIDADES


A razão porque a Via Láctea é mais visível no início das noites de verão, está associada ao facto de nesta altura do ano estarmos voltados para o Centro da Galáxia que fica entre as constelações de Escorpião e Sagitário.

 
ICECUBE CONFIRMA A NATUREZA ASTROFÍSICA DOS NEUTRINOS DE ALTA ENERGIA

A Colaboração IceCube anunciou, no passado dia 20 de agosto, uma nova observação de neutrinos de alta energia originários de fora do nosso Sistema Solar. Este estudo, que procurou neutrinos vindos do Hemisfério Norte, confirma a sua origem cósmica bem como a presença de neutrinos extragaláticos e a intensidade da taxa de neutrinos. A primeira evidência de neutrinos astrofísicos foi anunciada pela colaboração em novembro de 2013. Os resultados publicados agora na revista Physical Review Letters são a primeira confirmação independente desta descoberta.

"A procura por neutrinos do muão que chegam ao detetor, passando pelo interior da Terra, é o modo como o IceCube faz astronomia de neutrinos e, com este artigo, prova-o," afirma Francis Halzen, investigador principal do IceCube e professor de física da Universidade de Wisconsin-Madison. "Não é como o CMS (Compact Muon Solenoid) ou o ATLAS (A Toroidal LHC ApparatuS) - ambos do LHC -, mas é tão perto de uma confirmação independente quanto possível para um único instrumento."

Esta imagem mostra um dos eventos de neutrino mais energéticos do estudo, sobreposto numa imagem do ICL (IceCube Lab) no Pólo Sul.
Crédito: Colaboração IceCube
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os neutrinos são partículas subatómicas que viajam por todo o Universo quase sem serem incomodados pela matéria, apontando diretamente para as fontes de energia onde foram criados. E para os neutrinos mais energéticos, essas fontes deverão ser os ambientes mais extremos do Universo: poderosos geradores cósmicos, como buracos negros ou a explosão de estrelas gigantescas, objetos capazes de acelerar os raios cósmicos para energias mais de um milhão de vezes superiores àquelas alcançadas pelos aceleradores feitos pelo Homem, como o LHC no CERN.

"Os neutrinos cósmicos são a chave para partes ainda inexploradas do nosso Universo e poderão finalmente revelar as origens dos raios cósmicos mais energéticos, incluindo as raras partículas 'Oh-My-God'", afirma Olga Botner, porta-voz da colaboração e da Universidade de Uppsala. "A descoberta de neutrinos astrofísicos aponta para o início de uma nova era na astronomia."

Os neutrinos nunca são observados diretamente, mas o IceCube é capaz de ver os subprodutos de uma interação entre um neutrino e o gelo da Antártida. Este detetor com um quilómetro cúbico regista cem mil neutrinos por ano, a maioria produzidos pela interação dos raios cósmicos com a atmosfera da Terra. Milhares de milhões de muões atmosféricos criados nas mesmas interações também deixam vestígios no IceCube. De todos estes, os investigadores procuram apenas algumas dúzias de neutrinos astrofísicos, que vão ampliar a nossa compreensão atual do Universo.

A pesquisa apresentada há poucos dias pela Colaboração IceCube usa uma velha estratégia para um telescópio de neutrinos: observa o Universo através da Terra, usando o nosso planeta para filtrar o grande fundo de muões atmosféricos. Entre maio de 2010 e maio de 2012, foram encontrados nos dados mais de 35.000 neutrinos. À energia mais alta, acima dos 100 TeV, a taxa medida não pode ser explicada por neutrinos produzidos na atmosfera da Terra, indicando a natureza astrofísica dos neutrinos de alta energia. A análise apresentada neste artigo sugere que mais de metade dos 21 neutrinos acima dos 100 TeV têm origem cósmica.

Esta observação independente, com uma significância de 3,7 sigma e em boa concordância com os resultados anteriores da Colaboração Icecube, também confirma a elevada taxa de neutrinos astrofísicos. Apesar dos cientistas ainda os contarem "ao punhado", os resultados do IceCube estão perto dos valores máximos com base nas fontes potenciais de raios cósmicos. A intensidade deste fluxo mostra que as fontes de raios cósmicos são geradores eficientes de neutrinos. E, portanto, estas pequenas partículas são ainda mais tidas em conta como as ferramentas perfeitas para explorar o Universo extremo.

Mapa celeste em coordenadas equatoriais da direção de chegada dos 21 eventos mais energéticos da análise (círculos vermelhos). A energia mais provável do neutrino (em TeV) indicada para cada evento assume o mais bem ajustado fluxo astrofísico da análise. Para efeitos de comparação, também são apresentados os eventos da análise de 3 anos (HESE) com energias depositadas superiores a 60 TeV ("tracks" e "cascades"). Os eventos de cascata são indicados juntamente com a sua incerteza angular média (círculos verdes).
Crédito: Colaboração IceCube
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os neutrinos de alta energia observados pertencem a uma nova amostra de neutrinos, tendo apenas um evento em comum com os primeiros resultados anunciados em 2013, que procurou neutrinos de alta energia que tinham interagido com o gelo dentro do IceCube durante o mesmo período de obtenção de dados. A pesquisa atual focou-se apenas nos neutrinos do muão. Estes neutrinos produzem um muão quando interagem com o gelo e têm uma assinatura característica no IceCube, que chamam de "track" (termo em inglês), o que os torna fácil de identificar. É esperada a mesma forma para um muão atmosférico, mas ao observar apenas o Hemisfério Norte, os cientistas sabem que um muão detetado só pode ter sido produzido pela interação de um neutrino.

Estas "tracks" induzidas por neutrinos têm uma boa resolução de apontamento, que podem usar para localizar as suas fontes com uma precisão inferior a 1 grau. No entanto, os estudos do IceCube ainda não encontraram um número significativo de neutrinos provenientes de uma única fonte. O fluxo de neutrinos medidos pelo IceCube no Hemisfério Norte tem a mesma intensidade que o fluxo astrofísico medido no Hemisfério Sul. Isto suporta a ideia de uma grande população de fontes extragaláticas, caso contrário as fontes na Via Láctea dominariam o fluxo em torno do plano galáctico.

Além disso, esta nova amostra de neutrinos de alta energia, quando combinada com as medições anteriores do IceCube, permitem as medições mais precisas, até à data, do espectro de energia e da composição do fluxo de neutrinos extraterrestres. Estes resultados foram publicados num segundo artigo na revista The Astrophysical Journal.

O IceCube, gerido pela Colaboração Icecube, é um detetor de partículas localizado perto da Estação Amundsen-Scott no Pólo Sul. Está enterrado abaixo da superfície e estende-se até uma profundidade de aproximadamente 2500 metros. Uma rede à superfície, o IceTop, e um subdetetor interno mais denso, DeepCore, melhoram significativamente as capacidades do observatório, tornando-o numa instalação multiusos.

Links:

Notícias relacionadas:
IceCube (comunicado de imprensa)
Universidade de Wisconsin-Madison (comunicado de imprensa)
Physical Review Letters
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy
PHYSORG
redOrbit
SPACE.com
SpaceDaily
(e) Science News

IceCube Neutrino Observatory:
Página oficial
Wikipedia

Neutrino:
Wikipedia

Raios cósmicos:
Wikipedia

Muão:
Wikipedia

Partículas "Oh-My-God":
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Dione, Anéis, Sombras, Saturno
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Equipa de Imagem da CassiniSSIJPLESANASA
 
O que está a acontecer nesta estranha justaposição entre uma lua e um planeta? Em primeiro lugar, a lua Dione de Saturno foi aqui capturada num panorama dramático pela sonda robótica Cassini, atualmente em órbita do gigante gasoso. A lua, brilhante e craterada, mede cerca de 1100 km em diâmetro e a cratera Evander é visível na secção inferior direita. Os anéis de Saturno vão vistos aqui praticamente de lado, por isso são diretamente observáveis apenas como a fina linha que passa por trás de Dione. Arqueando-se na secção inferior da imagem, estão as sombras dos anéis de Saturno, que mostram uma rica textura, textura esta que não pode ser vista diretamente. No plano de fundo, algumas características das nuvens de Saturno. A imagem foi obtida durante o último voo planeado de Dione pela Cassini. A sonda vai terminar a sua missão quando mergulhar na atmosfera de Saturno durante 2017.
 

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