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Edição n.º 1204
22/09 a 24/09/2015
 
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28/09/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:00 – 22:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 22/09: 265.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, nascia Saul Perlmutter, astrofísico americano que ganhou em 2011 o Prémio Nobel da Física (juntamente com Brian P. Schmidt e Adam Riess) por fornecer evidências da aceleração da expansão do Universo.
Em 2011, cientistas do CERN anunciam a sua descoberta de neutrinos quebrando a velocidade da luz (que se sabe agora ter sido um erro devido a falhas nos seus equipamentos).

Observações: Os observadores binoculares muitas vezes exploram a rica zona da constelação de Cisne. Mas será que conhece Omicron1 Cygni? É um binário colorido na asa noroeste do Cisne. É também um desafio binocular: é na realidade um sistema triplo!

Dia 23/09: 266.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1791, nascia Johann Franz Encke, astrónomo alemão que trabalhou no cálculo de períodos de cometas e asteroides, mediu a distância da Terra ao Sol e fez observações do planeta Saturno.
Em 1819, nascia Hippolyte Fizeau, físico francês conhecido por medir a velocidade da luz numa experiência com o seu nome
Em 1846, Neptuno é descoberto pelo astrónomo francês Urbain Jean Joseph Le Verrier e pelo astrónomo inglês John Couch Adams; a descoberta é verificada pelo astrónomo alemão Johann Galle.
Em 1999, a NASA anunciava ter perdido o contato com a Mars Climate Orbiter

Observações: Começa o outono no Hemisfério Norte e a primavera no Hemisfério Sul, pelas 09:21. O equinócio é a altura em que o Sol atravessa o equador, dirigindo-se para sul. Hoje, o Sol nasce praticamente no ponto cardeal este e põe-se praticamente no ponto cardeal oeste.

Dia 24/09: 267.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1970, a primeira sonda não-tripulada, a soviética Luna 16, regressa da Lua com mais de um quilograma de material lunar.
Em 1990, é observada a periódica Grande Mancha Branca em Saturno.
Em 2014, a sonda indiana MOM (Mars Orbiter Mission) alcança órbita marciana.

Observações: Marte brilha a menos de 0,6º de Régulo, antes do amanhecer. Olhe para este. Estão a 11º para baixo e para a esquerda de Vénus. Uns binóculos vão ajudar na observação por entre os primeiros raios do Sol. Bem perto do horizonte, cerca de 9,3º para baixo e para a esquerda de Marte e Régulo, encontra-se o planeta Júpiter.

 
CURIOSIDADES


Sabia que um eclipse lunar salvou Colombo e os seus homens? Leia a história!

 
DIA 28 HÁ SUPER ECLIPSE LUNAR
Fotografia do eclipse lunar de passado dia 4 de abril de 2015, curiosamente, o eclipse lunar total mais curto do século.
Crédito: Rolf Olsen
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Pela primeira vez em mais de 30 anos, seremos capazes de testemunhar uma Super Lua em combinação com um eclipse lunar. Às primeiras horas do dia 28 de setembro (hora portuguesa), grande parte do mundo poderá observar um eclipse lunar total. Este evento coincidirá com o que se costuma chamar de "Super Lua".

A órbita da Lua não é um círculo perfeito e por vezes está mais perto da Terra (ponto que chamamos "perigeu") e por outras vezes mais distante (ponto que chamamos "apogeu"). No dia 28 de setembro, a fase de Lua Cheia vai coincidir com o perigeu. Esta é também a Lua Cheia mais próxima da Terra para o ano de 2015.

Neste perigeu de dia de 28 setembro, a Lua estará cerca de 49.500 km mais próxima da Terra do que no apogeu anterior (que ocorreu dia 14 de setembro). Esta distância equivale a mais do que uma circunferência terrestre. A proximidade do nosso satélite natural faz com que pareça 14% maior e 30% mais brilhante no céu do que uma Lua Cheia durante o apogeu, efeito este que desencadeou o termo "Super Lua". Embora discernível, não é assim tão dramático com o nome indica.

Em Portugal vamos conseguir ver o eclipse em todo o seu esplendor.
Crédito: EclipseWise.com, Fred Espenak
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Um eclipse lunar, normalmente, ainda é mais espetacular. Durante mais de uma hora, a sombra da Terra "engole" a Lua à medida que o planeta se coloca entre o Sol e a Lua. Ocorrem, pelo menos, dois eclipses lunares por ano e só no século XXI ocorrerão 228. Historicamente, os eclipses lunares eram vistos como maus presságios, mas na realidade são bastante previsíveis.

A ocorrência simultânea de uma Super Lua e de um eclipse lunar faz parte da dinâmica planetária. A órbita da Lua, em redor da Terra, é inclinada em relação ao eixo da Terra e o plano orbital só de vez em quando é que coincide. Em situações muito favoráveis, podem existir 3 ou 4 eclipses ou uma Super Lua e um eclipse.

A conjunção destes dois eventos acontece uma vez a cada poucas décadas, o que torna o fenómeno "Super Eclipse Lunar" muito mais raro do que ou uma Super Lua ou um eclipse separados. A última combinação Super Lua/eclipse lunar ocorreu em 1982 e o próximo só terá lugar em 2033.

O eclipse será visível na América, Europa, África, Ásia ocidental e no leste do Oceano Pacífico. Durante um eclipse da Lua, o nosso satélite não desaparece simplesmente por trás da sombra da Terra; ao invés, a Lua é iluminada por um brilho avermelhado ou alaranjado, luz refratada pela atmosfera da Terra.

Sequência de eventos do eclipse de dia 28 de setembro de 2015 e outros dados de interesse.
Crédito: EclipseWise.com, Fred Espenak
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Em Portugal (Continental), a Lua entra na penumbra às 01:12 (P1). Começa a entrar na umbra às 02:07 (U1) e atinge a totalidade às 03:11 (U2). O eclipse atinge o ponto médio às 03:47. A totalidade termina às 04:23 (U3). Às 05:27, a Lua sai totalmente da umbra (U4) e às 06:22 da penumbra (P4). Como podemos constatar, os eclipses lunares são demorados. Este, em particular, tem uma duração pouco superior a 5 horas (se tivermos só em conta a fase umbral, são pouco mais de 3). A totalidade demorará 1 hora e 12 minutos.

O eclipse poderá ser observado à vista desarmada, com binóculos ou com telescópio. Ou até via internet graças a vários webcasts que estarão disponíveis online. Resta esperar que as condições meteorológicas sejam favoráveis.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA
Vídeo explicativo (via YouTube)
Universe Today
SPACE.com
Observador

Lua:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Eclipses lunares:
Wikipedia
NASA
EclipseWise.com
MrEclipse.com

 
PARES DE BURACOS NEGROS SUPERMASSIVOS EM GALÁXIAS PODEM SER MAIS RAROS DO QUE SE PENSAVA

De acordo com um novo estudo por astrónomos que analisaram dados do VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) do NSF (National Science Foundation), podem existir menos pares de buracos negros supermassivos orbitantes, nos núcleos de galáxias gigantes, do que se pensava.

As galáxias massivas têm buracos negros com milhões de vezes a massa do Sol nos seus centros. Quando duas destas galáxias colidem, os seus buracos negros supermassivos participam numa dança orbital que acaba por resultar na combinação do par. Esse processo, pensam os cientistas, é a fonte mais forte das há muito procuradas ondas gravitacionais. Mesmo assim, ainda não foram detetadas diretamente.

"As ondas gravitacionais representam a próxima grande fronteira da astrofísica e a sua deteção vai levar a novos conhecimentos sobre o Universo," afirma David Roberts da Universidade Brandeis, autor principal da investigação. "É importante ter o máximo de informação possível acerca das fontes destas ondas," acrescenta.

À esquerda temos a galáxia J0702+5002, que os investigadores concluíram não ser uma galáxia em forma de X, cuja forma é provocada por uma fusão. À direita está a galáxia J1043+3131, que é um candidato "genuíno" a um sistema que sofreu fusão.
Crédito: Roberts, et al., NRAO/AUI/NSF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os astrónomos de todo o mundo começaram programas para monitorizar pulsares que giram velozmente na nossa Via Láctea, na tentativa de detetar ondas gravitacionais. Estes programas procuram medir mudanças nos sinais dos pulsares, mudanças estas provocadas pela distorção do tecido do espaço-tempo devido às ondas gravitacionais. Os pulsares são estrelas de neutrões superdensas, que giram muito depressa e que emitem feixes de luz parecidos com os dos faróis e ondas de rádio que permitem a medição precisa das suas taxas de rotação.

Roberts e colegas estudaram uma amostra de galáxias chamadas "galáxias rádio em forma de X," cuja estrutura peculiar indica a possibilidade dos jatos emissores de rádio e das partículas super-rápidas expelidas pelos discos de material em redor dos buracos negros centrais destas galáxias terem mudado de direção. Esta mudança, sugeriram os astrónomos, foi provocada por uma fusão anterior com outra galáxia, fazendo com que o eixo de rotação do buraco negro, bem como o eixo do jato, mudasse de direção.

Trabalhando com uma lista anterior de 100 destes objetos, recolheram dados de arquivo do VLA para obter imagens novas e mais detalhadas de 52 deles. A sua análise das novas imagens levou-os a concluir que apenas 11 são candidatos "genuínos" a galáxias que se fundiram, fazendo com que os jatos de rádio mudassem de direção. As mudanças dos jatos noutras galáxias, concluíram, têm outras causas.

Extrapolando a partir deste resultado, os astrónomos estimaram que menos de 1,3% das galáxias com emissão de rádio estendida sofreram fusões. Esta taxa é cinco vezes mais baixa do que as estimativas anteriores.

À esquerda temos a galáxia J0702+5002, que os investigadores concluíram não ser uma galáxia em forma de X, cuja forma é provocada por uma fusão. À direita está a galáxia J1043+3131, que é um candidato "genuíno" a um sistema que sofreu fusão.
Crédito: Roberts, et al., NRAO/AUI/NSF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Isto pode reduzir significativamente o nível de ondas gravitacionais muito longas oriundas de galáxias de rádio em forma de X, em comparação com estimativas anteriores," explica Roberts. "Será muito importante relacionar as ondas gravitacionais com objetos que vemos através da radiação eletromagnética, como as ondas de rádio, a fim de avançar a nossa compreensão da física fundamental," acrescentou.

As ondas gravitacionais, ondulações no espaço-tempo, foram previstas em 1916 por Albert Einstein como parte da sua teoria da relatividade geral. As primeiras evidências de tais ondas surgiram de um pulsar em órbita de outra estrela, um sistema descoberto em 1974 por Joseph Taylor e Russell Hulse. As observações deste par ao longo de vários anos mostram que as suas órbitas estão a decair exatamente à taxa prevista pelas equações de Einstein, o que indica que as ondas gravitacionais transportam energia para longe do sistema.

Por este trabalho, Taylor e Hulse receberam em 1993 o Prémio Nobel da Física, que confirmou o efeito previsto das ondas gravitacionais. No entanto, ainda não foi feita a deteção direta destas ondas.

Roberts trabalhou com Jake Cohen e Jing Lu, alunos de Brandeis que recolheram os dados de arquivo do VLA e produziram as imagens das galáxias; e Lakshmi Saripalli e Ravi Subrahmanyan do Instituto de Pesquisa Raman em Bangalore, Índia. Os investigadores relatam os seus resultados e análises num par de artigos publicados na revista The Astrophysical Journal Letters e na The Astrophysical Journal Supplements.

Links:

Notícias relacionadas:
NRAO (comunicado de imprensa)
The Astrophysical Journal Letters
The Astrophysical Journal Supplement Series
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico - 2 (arXiv.org)
Astronomy
Space Daily
PHYSORG

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Ondas gravitacionais:
Wikipedia
BBC

VLA:
Página oficial
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Galáxia Espiral M96 pelo Hubble
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ESA/Hubble & NASA e Equipa LEGUS; Reconhecimento:  R. Gendler
 
Faixas de poeira parecem girar em torno do núcleo de M96 neste colorido retrato detalhado do centro de um lindo Universo-ilha. Claro, M96 é uma galáxia espiral, e contando desde os braços ténues até à região central mais brilhante, cobre cerca de 100 mil anos-luz, o dobro do tamanho da nossa Via Láctea. M96, também conhecida como NGC 3368, está localizada a mais ou menos 35 milhões de anos-luz e é um membro dominante do grupo de galáxias Leo I. A imagem foi obtida pelo Telescópio Espacial Hubble. A razão para a assimetria de M96 não é clara - pode ter surgido de interações gravitacionais com outras galáxias do mesmo grupo, mas a ausência de um brilho difuso intra-grupo parece indicar poucas interações recentes. No pano de fundo podem ver-se outras galáxias mais distantes.
 

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