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Edição n.º 1222
24/11 a 26/11/2015
 
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27/11/15 - A ESTRELA DAS MEGAESTRUTURAS + OBSERVAÇÃO ASTRONÓMICA NOTURNA COM TELESCÓPIO
20:00 - Conversa via tele-conferência com o investigador Vardan Adibekyan (CAUP/IA), sobre as variações de luminosidade da estrela KIC 8462852 (a estrela que ficou associada pelos media às megaestruturas alienígenas em outubro passado). De seguida far-se-á observação noturna com telescópio na Açoteia do CCVAlg.
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Inscrições: seguir este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 24/11: 328.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1639 (calendário juliano), Jeremiah Horrocks observa um trânsito de Vénus, um evento que tinha previsto.

Em 1969, o módulo de comando da missão Apollo 12 cai no Oceano Pacífico, terminando assim a segunda viagem tripulada à Lua.
Observações: A Lua, quase Cheia, brilha esta noite a meio da distância entre as Plêiades (para a sua esquerda) e Alpha Ceti (Menkar, de tom alaranjado, para a sua direita).

Dia 25/11: 329.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1915, Albert Einstein apresenta as equações da relatividade geral à Academia de Ciências da Prússia.
Em 1999, observações terrestres de um vulcão em erupção em Io, uma lua de Júpiter

Observações: Lua Cheia, pelas 22:44. Com o passar da noite, consegue ver que a Lua está a aproximar-se de Aldebarã?

Dia 26/11: 330.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, a França lança o seu primeiro satélite, o Astérix. Torna-se na terceira nação a entrar no espaço.

Em 1990, o foguetão Delta II (7000) levanta voo pela primeira vez.
Em 2011, é lançado para o espaço o Mars Science Laboratory, que tem a bordo o rover Curiosity.
Observações: Ainda estamos na época do Triângulo de Verão. A estrela mais brilhante do Triângulo, Vega, está razoavelmente alta a oeste-noroeste antes da hora de jantar. A estrela mais brilhante para cima de Vega é Deneb. A terceira estrela do Triângulo, Altair, está para a esquerda de Vega.

 
CURIOSIDADES

O grupo fóssil mais próximo da Via Láctea é NGC 6482, uma galáxia elíptica a aproximadamente 180 milhões de anos-luz, localizado na direção da constelação de Hércules.

 
QUANDO ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS ENCONTRA ALBERT EINSTEIN
Composição do Gato de Cheshire que engloba dados no visível pelo Hubble e dados obtidos em raios-X pelo Observatório Chandra.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/UA/J. Irwin et al.; ótico - NASA/STScI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Faz este mês cem anos que Albert Einstein publicou a sua teoria da relatividade geral, uma das conquistas científicas mais importantes do século passado.

Um resultado fundamental da teoria de Einstein é que a matéria distorce o espaço-tempo e, portanto, um objeto massivo pode provocar uma curvatura observável na luz de um objeto de fundo. O primeiro sucesso da teoria foi a observação, durante um eclipse solar, de que a luz de uma estrela distante de fundo era desviada exatamente pelo montante previsto à medida que passava perto do Sol.

Desde aí, os astrónomos já encontraram muitos exemplos deste fenómeno, conhecido como "efeito de lente gravitacional". Mais do que apenas uma ilusão cósmica, o efeito de lente gravitacional dá aos astrónomos uma maneira de examinar galáxias e grupos de galáxias extremamente distantes que, de outra forma, seriam impossíveis mesmo com os telescópios mais avançados.

Os últimos resultados do grupo de galáxias "Gato de Cheshire" (SDSS J103842.59+484917.7) mostram como as manifestações da teoria de 100 anos de Einstein podem levar a novas descobertas hoje. Algumas das características são, na realidade, galáxias distantes cuja luz foi esticada e dobrada por grandes quantidades de matéria, a maioria da qual sob a forma de matéria escura, detetável apenas por meio do seu efeito gravitacional, encontrado no sistema.

Mais especificamente, a massa que distorce a luz galáctica distante encontra-se em torno de duas galáxias gigantes que formam os "olhos" e uma galáxia que forma o "nariz". Os arcos múltiplos da "face" circular surgem de lentes gravitacionais de quatro galáxias diferentes de fundo, bem atrás das galáxias dos "olhos". As galáxias individuais do sistema, bem como os arcos da lente gravitacional, são vistas no ótico pelo Telescópio Espacial Hubble.

Cada galáxia "olho" é o membro mais brilhante do seu próprio grupo de galáxias e estes dois grupos correm em direção um ao outro a mais de 480.000 km/h. Os dados do Observatório de Raios-X Chandra da NASA (em púrpura) mostram gás quente aquecido até milhões de graus, evidência de que os grupos galácticos estão batendo um no outro. Os dados em raios-X também revelam que o "olho" esquerdo do grupo do Gato de Cheshire contém, no seu centro, um buraco negro supermassivo e ativo.

Os astrónomos pensam que o grupo galáctico do Gato de Cheshire tornar-se-á num grupo fóssil, definido como um conjunto de galáxias que contém uma galáxia elíptica gigante e outras galáxias muito mais pequenas e ténues. Os grupos fósseis podem representar uma fase temporária que quase todos os grupos galácticos atravessam em algum ponto da sua evolução. Por isso, os astrónomos estão ansiosos por compreender as propriedades e o comportamento destes grupos.

O Gato de Cheshire representa a primeira oportunidade que os astrónomos têm para estudar o progenitor de um grupo fóssil. Os astrónomos estimam que os dois "olhos" do gato se fundam daqui a cerca de mil milhões de anos deixando, num grupo combinado, uma galáxia muito grande e dúzias de galáxias mais pequenas. Nesse ponto, tornar-se-á um grupo fóssil e um nome mais apropriado será o grupo "Ciclopes".

O novo artigo científico sobre o Gato de Cheshire foi recentemente publicado na revista The Astrophysical Journal e está disponível online.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal
EarthSky
Astronomy Now
PHYSORG

Lentes gravitacionais:
Wikipedia
Lente gravitacional forte (Wikipedia)
Lente gravitacional fraca (Wikipedia)

Grupos fósseis:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Terra pode ter matéria escura "cabeluda" (via NASA)
O Sistema Solar pode ser bem mais cabeludo do que pensávamos. Um novo estudo publicado esta semana na revista The Astrophysical Journal por Gary Prézeau do JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia, propõe a existência de filamentos longos de matéria escura, ou "cabelos". Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Orionte - Exposição de 212 Horas
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Stanislav Volskiy, Anotação: Judy Schmidt
 
A constelação de Orionte é muito mais do que três estrelas em fila. É uma direção no espaço rica em nebulosas impressionantes. Para melhor apreciar esta região bem conhecida do céu, ao longo de muitas noites limpas em 2013 e 2014 captou-se uma exposição extremamente longa. Após 212 horas de exposição e um ano adicional de processamento, emergiu esta composição de 1400 imagens que abrange mais de 40 vezes o diâmetro angular da Lua. Dos detalhes mais interessantes tornados visíveis, um que chama particularmente a atenção é o Loop de Barnard, o brilhante filamento circular avermelhado no meio da imagem. A Nebulosa Roseta NÃO é a grande nebulosa vermelha perto do topo - essa é a nebulosa maior, mas menos conhecida, Lambda Orionis. A Nebulosa Roseta É a nebulosa branca e vermelha perto do canto superior esquerdo. A estrela brilhante e alaranjada mesmo acima do centro da imagem é Betelgeuse. A estrela brilhante e azulada em baixo e à direita é Rigel. Outras nebulosas famosas: a Nebulosa Cabeça de Bruxa, a Nebulosa da Chama, a Nebulosa Pele de Raposa e, se souber exatamente para onde olhar, a comparativamente minúscula Nebulosa Pequena Cabeça de Cavalo. No que toca àquelas três famosas estrelas que atravessam a cintura de Orionte, o Caçador - nesta fotografia podem ser difíceis de localizar, mas um olhar perspicaz vai encontrá-las logo abaixo e à direita do centro da imagem. Encontra-se aqui uma versão da fotografia com anotações.
 

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