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Edição n.º 1267
29/04 a 02/05/2016
 
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09/05/16 - MERCÚRIO FRENTE AO SOL - GRÁTIS
12:00 - Durante toda a tarde, na açoteia do Centro, venha observar gratuitamente o Sol com o nosso especialista. Essa tarde será marcada pela passagem do Planeta Mercúrio em frente ao Sol, representando uma oportunidade única nos próximos 3 anos, se a meteorologia o permitir...
Preço: grátis
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922 ou siga este link
Telefone: 289 890 920
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10/05/16 a 01/06/16 - ROSETTA NO RASTO DO COMETA
Nesta exposição temporária, poderá ficar a saber mais sobre os cometas, acompanhando a viagem da sonda Rosetta e do módulo Philae desde o seu lançamento em 2004 até à aproximação ao cometa em 2014, com o objetivo de investigar in loco o cometa 67 P Churyumov-Gerasimenko. A exposição aborda ainda conceitos relativos a outros astros como meteoros, asteroides e a sua importância no Sistema Solar. A exposição é composta por painéis interativos, um jogo multimédia e um modelo do cometa impresso em 3D a partir de dados reais adquiridos pela sonda desde a sua aproximação a 6 de Agosto de 2014. Esta exposição foi produzida pela Cité de l´espace, membro do grupo para o Espaço do Ecsite, a que o Centro Ciência Viva do Algarve também pertence.
Local: CCVAlg
Preço: Gratuito com a compra da entrada no centro
Telefone: 289 890 922
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27/05/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
21:00 - Este evento inclui uma apresentação sobre o tema - “O tamanho do Sistema Solar”, seguido de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 922
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EFEMÉRIDES

Dia 29/04: 120.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1715, John Flamsteed observa Úrano pela sexta vez.

Em 1861, R. Luther descobre o asteroide Leto (68).
Em 1872, nascia Forest Ray Moulton, astrónomo americano que, juntamente com Thomas Chamberlin, formulou a hipótese planetesimal Chamberlin-Moulton, que dizia que os planetas coalesceram a partir de corpos mais pequenos que chamaram planetesimais. A sua hipótese necessitava da passagem de uma outra estrela para despoletar esta condensação, um conceito que já caiu em desuso. Moulton também propôs que alguns dos satélites de Júpiter são planetesimais capturados. Esta teoria foi bem aceite pelos astrónomos, bem como o termo planetesimal. 
Em 1902, M. Wolf descobre o asteroide Pittsburghia (484).
Em 1921, B. Jekhovsky descobre o asteroide Painleva (953).
Em 1930, C. Jackson descobre o asteroide Libya (1268).
Em 1998 são realizadaa a primeira cirurgia bem-sucedidas no espaço, usando como pacientes ratinhos com três semanas a bordo do vaivém espacial Columbia, na missão STS-90.
Observações: Olhe bem baixo a nordeste, depois da hora de jantar, para testemunhar o nascimento de Vega, a "Estrela de Verão". Assim que Vega sobe acima das camadas mais espessas de ar, brilha praticamente à mesma magnitude que Arcturo, a "Estrela de Primavera" que está alta a este.

Dia 30/04: 121.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1913, Neujmin e Belyavskij descobrem os asteroides Sulamitis (752) e Tiflis (753).
Em 1935, C. Jackson descobre os asteroides Magoeba (1355) e Numidia (1368).
Observações: Trânsito de Io, entre as 02:39 e as 04:58.
Lua em Quarto Minguante, pelas 04:29.
Trânsito da sombra de Io, entre as 03:44 e as 06:00.

Dia 01/05: 122.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1006, a mais brilhante supernova é observada pelos Chineses e Egípcios na constelação de Lobo (Lupus).

Em 1930, o planeta anão Plutão recebe o seu nome oficial.
Em 1949, Gerard Kuiper descobria Nereida. É o segundo satélite de Neptuno a ser descoberto, e o terceiro maior dos satélites conhecidos deste planeta. 
Observações: Eclipse de Io, entre as 01:01 e as 03:20.
Trânsito da sombra de Io, entre as 22:10 e as 00:30 (já de dia 2).
Ocultação de Europa, entre as 23:59 e as 02:49 (já de dia 2).

Dia 02/05: 123.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Eclipse de Europa, entre as 02:07 e as 04:56.
Eclipse de Io, entre as 19:27 e as 21:49.
Por estas noites, a longa mas ténue constelação de Hidra "serpenteia" pelo céu a sul. Encontre a sua cabeça, um asterismo com aproximadamente a largura do polegar à distância de um braço esticado, a sudoeste. Está para baixo e para a direita de Régulo (cerca de dois punhos). A cauda de Hidra chega até Balança, que nasce a sudeste. A constelação tem 95º de comprimento.

 
CURIOSIDADES


Éris é o planeta anão mais distante, a 68 UA do Sol. No entanto, nem sempre o é. No seu ponto mais próximo do Sol (periélio), está mais perto do Sol que Plutão no seu ponto mais distante (afélio).

 
HUBBLE DESCOBRE LUA EM ÓRBITA DO PLANETA ANÃO MAKEMAKE

Espiando os arredores do nosso Sistema Solar, o Telescópio Espacial Hubble avistou uma lua pequena e escura em órbita de Makemake, o segundo mais brilhante e gelado planeta anão - depois de Plutão - na Cintura de Kuiper.

A lua - provisoriamente designada S/2015 (136472) 1 e com a alcunha MK 2 - é mais de 1300 vezes mais ténue que Makemake. MK 2 foi vista a aproximadamente 20.900 km do planeta anão e o seu diâmetro está estimado em 160 km. Makemake tem 1400 km de diâmetro. O planeta anão, descoberto em 2005, tem o nome da divindade da criação do povo Rapa Nui da Ilha de Páscoa.

A Cintura de Kuiper é um vasto reservatório de material gelado deixado para trás durante a construção do nosso Sistema Solar há 4,5 mil milhões de anos e é o lar de vários planetas anões. Alguns destes mundos têm satélites conhecidos, mas esta é a primeira descoberta de um objeto companheiro de Makemake. Makemake é um dos cinco planetas anões reconhecidos pela União Astronómica Internacional.

As observações foram feitas em abril de 2015 com a câmara WFC3 do Hubble. A capacidade única do Hubble em avistar objetos ténues perto de outros brilhantes, juntamente com a sua elevada resolução, permitiu com que os astrónomos arrancassem a lua do brilho de Makemake.

Esta imagem do Hubble revela a primeira lua descoberta em torno do planeta anão Makemake. O pequeno satélite, localizado mesmo por cima de Makemake na imagem, é muito pouco visível porque quase que se confunde com o brilho do planeta anão. O instrumento WFC3 do Hubble fez a observação em abril de 2016.
Crédito: NASA, ESA e A. Parker e M. Buie (SwRI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa de observação utilizou a mesma técnica para observar esta lua que a usada para descobrir os pequenos satélites de Plutão em 2005, 2011 e 2012. As diversas pesquisas anteriores em redor de Makemake não deram frutos. "As nossas estimativas preliminares mostram que a órbita da lua parece estar de lado, o que significa que muitas vezes quando olhamos para o sistema podemos não avistar a lua porque se perde no brilho de Makemake," afirma Alex Parker do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder no estado americano do Colorado, que liderou a análise de imagem das observações.

A descoberta de uma lua pode fornecer informações valiosas sobre o sistema do planeta anão. Ao medir a órbita da lua, os astrónomos podem calcular uma massa para o sistema e obter mais dados sobre a sua evolução.

A descoberta da lua também reforça a ideia de que a maioria dos planetas anões têm satélites.

"Makemake pertence à classe rara de objetos parecidos com Plutão, assim que a descoberta de uma companheira é importante," afirma Parker. "A descoberta desta lua deu-nos uma oportunidade de estudar Makemake em muito maior detalhe do que jamais teria sido possível sem uma companheira."

A descoberta desta lua só aumenta os paralelismos entre Plutão e Makemake. Já se sabe que ambos os objetos estão cobertos por metano gelado. Tal como foi feito para Plutão, um estudo mais aprofundado do satélite irá facilmente revelar a densidade de Makemake, um resultado-chave que irá indicar se as composições de Plutão e de Makemake são também semelhantes. "Esta nova descoberta abre um novo capítulo na planetologia comparativa do Sistema Solar exterior," afirma Marc Buie, líder da equipa e também do SwRI.

Os investigadores vão precisar de mais observações do Hubble para fazer medições precisas a fim de determinar se a órbita de lua é elíptica ou circular. As estimativas preliminares indicam que se a lua estiver numa órbita circular, completa uma volta em torno de Makemake a cada 12 dias ou mais.

A determinação da forma da órbita da lua vai ajudar a resolver a questão da sua origem. Uma órbita circular apertada significa que MK 2 é provavelmente o produto de uma colisão entre Makemake e outro objeto da Cintura de Kuiper. Se a lua tiver uma órbita larga e alongada, é mais provavelmente um objeto capturado da Cintura de Kuiper. Qualquer dos eventos terá que ter possivelmente ocorrido há vários milhares de milhões de anos atrás, quando o Sistema Solar era jovem.

Esta impressão de artista mostra o distante planeta anão Makemake e a sua recém-descoberta lua. Makemake e a sua lua, com a alcunha MK 2, estão a cerca de 50 vezes a distância entre a Terra e o Sol.
Crédito: NASA, ESA e A. Parker (SwRI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A descoberta pode ter resolvido um mistério sobre Makemake. Estudos infravermelhos anteriores do planeta anão revelaram que enquanto a superfície de Makemake é quase totalmente brilhante e muito fria, algumas áreas parecem mais quentes do que outras. Os astrónomos haviam sugerido que esta discrepância era devida ao aquecimento de áreas mais escuras à superfície de Makemake. No entanto, a menos que Makemake esteja numa orientação especial, estas manchas escuras deveriam também alterar substancialmente o brilho do planeta anão enquanto gira. Mas esta quantidade de variabilidade nunca foi observada.

Estes dados infravermelhos anteriores não têm resolução suficiente para separar Makemake de MK 2. A reanálise da equipa, com base nas novas observações do Hubble, sugere que a maioria do aquecimento superficial detetado anteriormente no infravermelho pode, na realidade, dever-se simplesmente à superfície escura da companheira MK 2.

Existem várias possibilidades que podem explicar porque é que a lua tem uma superfície da cor do carvão, apesar de orbitar um planeta anão da cor da neve. Uma ideia é que, ao contrário de objetos maiores como Makemake, MK 2 é pequena o suficiente para não agarrar gravitacionalmente uma crosta gelada e brilhante, que sublima, mudando do estado sólido para o gasoso sob a luz solar. Isto torna a lua parecida com cometas e com outros objetos da Cintura de Kuiper, muitos dos quais estão cobertos por material extremamente escuro.

Quando a lua de Plutão, Caronte, foi descoberta em 1978, os astrónomos rapidamente calcularam a massa do sistema. A massa de Plutão é centenas de vezes menor do que a massa originalmente estimada quando foi descoberto em 1930. Com a descoberta de Caronte, os astrónomos subitamente souberam algo fundamentalmente diferente sobre Plutão. "Esse é o tipo de medição transformativa que a existência de um satélite pode permitir," conclui Parker.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Hubble descobre lua em órbita do planeta anão Makemake (NASA via YouTube)
Astronomy
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Sky & Telescope
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(e) Science News
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Makemake:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
O PERFIL DE UM MAR DE METANO EM TITÃ

A maior lua de Saturno está coberta por mares e lagos de hidrocarbonetos líquidos - e descobriu-se agora que um mar é composto por metano puro, com um leito coberto por uma lama de material orgânico rico e, possivelmente, cercado por zonas húmidas.

De todas as luas do Sistema Solar, Titã é a única com uma atmosfera espessa e grandes reservatórios líquidos à superfície - assemelhando-se, em alguns aspetos, com o planeta Terra.

Tanto a Terra como Titã têm atmosferas dominadas por azoto (ou nitrogénio), mais de 95% no caso de Titã. No entanto, ao contrário da Terra, há pouco oxigénio: o restante é principalmente metano, com uma pequena quantidade de hidrogénio e vestígios de outros gases como o etano.

E nas baixas temperaturas encontradas longe do Sol, o metano e o etano podem, em princípio, estar à superfície no estado líquido.

Ligeia Mare, visto aqui em cores falsas pela sonda Cassini, é o segundo maior corpo líquido conhecido de Titã. Mede aproximadamente 420 km x 350 km e as suas linhas costeiras estendem-se por mais de 3200 km. É um mar de metano líquido.
Este mosaico é composto por imagens de radar obtidas durante voos rasantes entre fevereiro de 2006 e abril de 2007.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASI/Cornell
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Há muito tempo que se especulava sobre possíveis lagos e mares de hidrocarbonetos em Titã. Quando a sonda internacional Cassini-Huygens chegou a Saturno em 2004, foram revelados.

Desde então, a sonda Cassini revelou que mais de 1,6 milhões de quilómetros quadrados de Titã - quase 2% - estão cobertos por líquido.

Existem três grandes mares, todos perto do polo norte, cercados por dúzias de lagos mais pequenos no hemisfério norte. Só se encontrou um lago no hemisfério sul.

A composição exata destes reservatórios líquidos permaneceu uma incógnita até recentemente. Um novo estudo usando o radar da Cassini durante voos rasantes por Titã entre 2007 e 2015 confirma que um dos maiores mares da lua, Ligeia Mare, é na sua maioria metano líquido.

"Esperávamos descobrir que Ligeia Mare era principalmente etano, que é produzido em abundância na atmosfera quando a luz solar quebra as moléculas de metano," explica Alice Le Gall do Laboratoire Atmosphères, Milieux, Observations Spatiales e da Université Versailles Saint-Quentin, França, autora principal do novo estudo.

"Em vez disso, este mar é predominantemente metano puro."

A inesperada composição, confirmada neste estudo, pode ter várias explicações.

"Ou Ligeia Mare é reabastecido por chuva de metano fresco, ou algo está a remover o seu etano," afirma Alice.

Imagem de radar das regiões polares norte de Titã (centro), com ampliações de vários lagos (esquerda) e um grande mar (direita). O mar, Ligeia Mare, mede aproximadamente 420 x 350 km e é o segundo maior corpo líquido conhecido de Titã. As suas linhas costeiras estendem-se por cerca de 3200 km e muito rios podem ser vistos a desaguar no mar. Em contraste, os vários lagos têm normalmente menos de 100 km de diâmetro e formas mais arredondadas com encostas íngremes.
As imagens de radar foram criadas usando dados recolhidos pela sonda Cassini.
Crédito: centro - NASA/JPL-Caltech/ASI/USGS; esquerda e direita - NASA/ESA. Reconhecimento: T. Cornet, ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"É possível que o etano acabe na crosta submarina, ou que de alguma forma se desloque para o mar adjacente, Kraken Mare, mas isso vai exigir uma investigação mais aprofundada."

Na sua pesquisa, os cientistas combinaram várias observações da emissão térmica de Ligeia Mare em micro-ondas. Também usaram dados de uma experiência de rádio realizada em maio de 2013 num estudo liderado por Marco Mastrogiuseppe, que também colaborou no estudo atual.

Durante o estudo de rádio, o instrumento detetou ecos do fundo marinho e inferiu a profundidade de Ligeia Mare ao longo do percurso da Cassini sobre o mar - a primeira deteção do fundo de um mar extraterrestre. Os cientistas ficaram surpresos ao descobrir profundidades máximas de 160 metros ao longo do percurso de radar.

Com esta informação de profundidade, Alice e colegas foram capazes de separar as contribuições feitas à emissão térmica observada pelo mar líquido e pelo fundo do mar.

"Isto revelou que o fundo de Ligeia Mare está provavelmente coberto por uma camada lamacenta de compostos orgânicos ricos," acrescenta Alice.

Como os vários compostos orgânicos fazem o seu caminho até aos mares e lagos de Titã, a maior lua de Saturno.
Um estudo recente revelou que Ligeia Mare, um dos três mares de Titã, consiste de metano puro e tem um fundo coberto por lamas de material orgânico rico.
Crédito: ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Na atmosfera de Titã, o nitrogénio e o metano reagem para produzir uma variedade de moléculas orgânicas. Os cientistas acreditam que a mais pesada destas moléculas cai para a superfície. Quando alcançam o mar, quer seja por queda direta a partir do ar, quer seja por precipitação ou pelos rios de Titã, algumas são dissolvidas no metano líquido, enquanto as insolúveis - compostos como nitrilas e benzeno - afundam para as profundezas do mar.

O estudo também analisou a temperatura de Ligeia Marte do inverno para a primavera. Os cientistas esperavam que, tal como a beira-mar cá na Terra, o terreno sólido em redor aqueceria mais rapidamente que o mar.

Curiosamente, as medições mostraram não haver diferença significativa entre a temperatura do mar e a da costa mas, no entanto, revelaram um atraso geral no aquecimento da região polar norte de Titã à medida que o verão se aproxima. Isto sugere que os terrenos em torno dos lagos e mares são inundados com hidrocarbonetos líquidos, o que altera as suas características térmicas.

"Este estudo determinou, pela primeira vez, as propriedades básicas de um dos mares de Titã, melhorando o nosso conhecimento dos processos climáticos e de circulação deste mundo fascinante," afirma Nicolas Altobelli, cientista do projeto Cassini-Huygens da ESA.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
Journal of Geophysical Research: Planets
Voando por Titã: terra de lagos extraterrestres (NASA via YouTube)
Astronomy
Space Daily
COSMOS
Science Daily
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ars technica
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Titã:
Solarviews
Wikipedia

Ligeia Mare:
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
ECOS DE LUZ DÃO PISTAS SOBRE DISCO PROTOPLANETÁRIO
Esta ilustração mostra uma estrela rodeada por um disco protoplanetário. O material do disco espesso percorre as linhas do campo magnético da estrela e é depositado à superfície. Quando o material atinge a estrela, aumenta de brilho.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Imagine que quer medir o tamanho de um quarto, mas está completamente escuro. Se gritar, consegue discernir se o espaço é relativamente grande ou pequeno, dependendo de quanto tempo leva para ouvir o eco depois de ressaltar da parede.

Os astrónomos usam este princípio para estudar objetos tão distantes que não podem ser vistos como mais do que pontos. Em particular, os investigadores estão interessados em calcular quão longe as estrelas jovens estão dos limites internos dos discos protoplanetários em seu redor. Estes discos de gás e poeira são locais onde os planetas se formam ao longo de milhões de anos.

"A compreensão dos discos protoplanetários ajuda-nos a perceber alguns dos mistérios dos exoplanetas, planetas em sistemas para lá do nosso," afirma Huan Meng, associado de pesquisa de pós-doutorado na Universidade do Arizona, em Tucson, EUA. "Nós queremos saber como é que os planetas se formam e porque é que encontramos planetas grandes a que chamamos 'Júpiteres quentes' tão perto das suas estrelas."

Meng é o primeiro autor de um novo estudo publicado na revista The Astrophyical Journal usando dados do Telescópio Espacial Spitzer da NASA e dados de quatro telescópios terrestres para determinar a distância entre uma estrela e a orla interior do seu disco protoplanetário circundante.

A medição não foi tão simples quanto colocar uma régua por cima de uma fotografia. Seria tão impossível quanto usar uma foto de satélite do ecrã de um computador para medir a largura do ponto final desta frase.

Em vez disso, os investigadores usaram um método chamado "foto-reverberação", também conhecido como "ecos de luz". Quando a estrela central aumenta de brilho, alguma desta luz atinge o disco em redor, provocando um "eco" atrasado. Os cientistas mediram o tempo que demorou para a luz da estrela chegar à Terra e, em seguida, esperaram que o seu eco chegasse.

Graças à teoria da relatividade especial de Albert Einstein, sabemos que a luz viaja a uma velocidade constante. Para determinar uma certa distância, os astrónomos podem multiplicar a velocidade da luz pelo tempo que esta demora a percorrer de um ponto para outro.

Para tirar partido desta fórmula, os cientistas precisavam encontrar uma estrela com uma emissão variável - isto é, uma estrela que emite radiação de forma imprevisível ou irregular. O nosso Sol tem uma emissão relativamente estável, mas uma estrela variável tem mudanças detetáveis e únicas na radiação que podem ser usadas para obter os correspondentes ecos de luz. As estrelas jovens, com emissão variável, são as melhores candidatas.

A estrela usada neste estudo tem o nome YLW 16B e está situada a cerca de 400 anos-luz da Terra. YLW 16B tem aproximadamente a mesma massa que o nosso Sol mas, com apenas um milhão de anos, é um bebé em comparação com os 4,6 mil milhões de anos da nossa estrela-mãe.

Os astrónomos podem usar os ecos de luz para medir a distância entre uma estrela e o disco protoplanetário em redor. Este diagrama ilustra como o desfasamento de tempo do eco de luz é proporcional à distância entre a estrela e a orla interior do disco.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os astrónomos combinaram dados do Spitzer com observações de telescópios terrestres: o telescópio Mayall do Observatório Nacional Kitt Peak no Arizona; os telescópios SOAR e SMARTS no Chile; e o telescópio Harold L. Johnson no México. Durante duas noites de observação, os investigadores viram desfasamentos consistentes entre as emissões estelares e os seus ecos no disco em redor. As observações terrestres detetaram a radiação infravermelha de comprimento de onda curto emitida diretamente pela estrela, e o Spitzer observou a radiação infravermelha de maior comprimento de onda do eco no disco. Devido às espessas nuvens interestelares que bloqueiam a vista da Terra, os astrónomos não puderam usar luz visível para estudar a estrela.

Os cientistas calcularam então a distância que esta luz deve ter percorrido durante o desfasamento de tempo: cerca de 0,08 unidades astronómicas, aproximadamente 8% da distância entre a Terra e o Sol, ou um-quarto do diâmetro da órbita de Mercúrio. Este valor é ligeiramente inferior às estimativas anteriores com técnicas indiretas, mas consistente com as expectativas teóricas.

Embora este método não consiga medir diretamente a altura do disco, os investigadores foram capazes de determinar que a orla interior é relativamente espessa.

Anteriormente, os astrónomos usaram a técnica de eco de luz para medir o tamanho de discos de acreção de material em torno de buracos negros supermassivos. Dado que nem a luz escapa a um buraco negro, os investigadores comparam luz da margem interior do disco de acreção com luz da orla exterior para determinar o tamanho do disco. Esta técnica é também usada para medir a distância até outras características perto do disco de acreção, tal como poeira e gás veloz envolvente.

Enquanto os ecos de luz dos buracos negros supermassivos representam desfasamentos de dias a semanas, os cientistas detetaram que o eco de luz no disco protoplanetário deste estudo foi de uns meros 74 segundos.

O estudo do Spitzer marca a primeira vez que o método de eco de luz foi usado no contexto de discos protoplanetários.

"Esta nova abordagem pode ser usada para outras estrelas jovens com planetas no processo de formação no disco em redor," comenta Peter Plavchan, coautor do estudo e professor assistente da Universidade Estatal do Missouri em Springfield, EUA.

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Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
SPACE.com
Astronomy Now
(e) Science News
Science Daily
PHYSORG
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Eco de luz:
Wikipedia

Discos protoplanetários:
IPAC
Wikipedia

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

Telescópio Mayall:
NOAO
Wikipedia

Telescópio SOAR:
NOAO
Wikipedia

Telescópio SMARTS:
NOAO
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Avistados ventos com um-quarto da velocidade da luz a deixar sistemas binários misteriosos (via Universidade de Cambridge)
Astrónomos observaram dois buracos negros em galáxias próximas devorando estrelas companheiras a um ritmo extremamente elevado e expelindo matéria a um-quarto da velocidade da luz. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 6872: Uma Galáxia Espiral Esticada
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Equipa FORSTelescópio Antu de 8,2 metros do VLTESO; Processamento e licença: Judy Schmidt
 
O que torna esta galáxia espiral tão longa? Medindo mais de 700.000 anos-luz em diâmetro, NGC 6872, também conhecida como a galáxia Condor, é uma das galáxias espirais barradas mais alongadas conhecidas. A forma prolongada da galáxia provavelmente resulta da sua colisão continuada com a galáxia mais pequena IC 4970, visível aqui mesmo por cima do centro. O braço espiral esquerdo de NGC 6872 é de particular interesse, pois exibe uma quantidade invulgarmente elevada de regiões azuis de formação estelar. A luz que vemos hoje deixou estes gigantes em colisão antes da era dos dinossauros, há cerca de 300 milhões de anos atrás. NGC 6872 é visível com um telescópio na direção da constelação de Pavão.
 

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