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Edição n.º 1293
29/07 a 01/08/2016
 
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29/07/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + OBSERVAÇÃO COM TELESCÓPIO
21:00 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema a determinar, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 29/07: 211.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1851, A. De Gasparis descobria o asteroide 15 Eunomia.
Em 1898, nascia o físico Isidor Isaac Rabi, que recebeu o prémio Nobel da Física em 1944, pelo seu método de ressonância para registar as propriedades magnéticas do núcleo atómico.

Em 2005, astrónomos anunciam a descoberta do planeta anão Éris.
Observações: A brilhante Vega passa agora quase por cima das nossas cabeças por volta das 23-24 horas, dependendo da posição do observador. Como com todas as configurações estelares, isto acontece duas horas mais cedo a cada mês.
Pico da chuva de meteoros Delta Aquáridas do Sul.

Dia 30/07: 212.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971, os astronautas da Apollo 15 aterram na Lua.

Observações: À medida que o verão avança, Escorpião inclina-se para oeste a partir da sua posição mais alta a sul logo após o anoitecer, e Sagitário move-se de este para tomar o seu lugar. Estamos, portanto, a entrar na altura ideal para a observação dos objetos de Messier dentro e acima da constelação de Sagitário. Quantos consegue localizar com binóculos? Comece com M8, a grande Nebulosa da Lagoa. Está 6º acima da ponta mais a sul do "Bule de Chá" de Sagitário.

Dia 31/07: 213.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, a Ranger 7 envia as primeiras imagens detalhadas da Lua, 1000 vezes melhores do que quaisquer imagens telescópicas da altura.
Em 1969, a Mariner 6 passava a 3330 km de Marte. Transmite imagens de alta resolução da superfície, concentradas na região equatorial.
Em 1971, os astronautas da Apollo 15, David Scott e James Irwin, conduzem o primeiro rover lunar.

Em 1999, despenhava-se intencionalmente sobre a Lua a sonda Lunar Prospector, que pretendia encontrar água sob a crosta da Lua.
Observações: Num céu muito escuro, a Via Láctea forma um arco magnífico pelo céu a este. Vai desde Cassiopeia a norte-nordeste, passa por Cisne e pelo Triângulo de Verão a este, e pelo "Bule de Chá" de Sagitário a sul.

Dia 01/08: 214.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1774, o elemento oxigénio é descoberto pela terceira (e última) vez.
Em 1818 nascia Maria Mitchell, a primeira mulher eleita como astrónoma pela Academia Americana de Artes e Ciências.

Ganhou notoriedade mundial pela descoberta de um cometa brilhante em 1847.
Observações: Olhe para sudeste após o anoitecer, um pouco mais de metade da distância desde o horizonte até ao zénite, para encontrar a estrela brilhante Altair. É o olho de Águia. Altair é um dos vizinhos estelares mais próximos, a uma distância de 17 anos-luz. Tem uma rotação rápida, tanto que o seu perfil é altamente elíptico em vez de redondo - mas é óbvio que não é observável com um instrumento comum!

 
CURIOSIDADES


Em 1937, a estrela FU Orionis subiu de magnitude 16,5 para 9,6. Desde então, permanece com magnitude 9.

 
ANÃ BRANCA FUSTIGA ANÃ VERMELHA COM RAIO MISTERIOSO

Os astrónomos utilizaram o VLT (Very Large Telescope) do ESO, para além doutros telescópios tanto no solo como no espaço, e descobriram um novo tipo de estrela binária bastante exótica. No sistema AR Scorpii, uma anã branca em rotação rápida acelera electrões até quase à velocidade da luz. Estas partículas de alta energia libertam quantidades de radiação que fustigam a estrela companheira, uma anã vermelha, fazendo com que todo o sistema pulse drasticamente a cada 1,97 minutos e liberte radiação que vai desde o ultravioleta às ondas rádio. Este trabalho foi publicado ontem na revista Nature.

Em maio de 2015, um grupo de astrónomos amadores da Alemanha, Bélgica e Reino Unido, encontrou um sistema estelar que se comportava de um modo nunca antes observado. Observações de seguimento, lideradas pela Universidade de Warwick e fazendo uso de vários telescópios, colocados tanto no solo como no espaço, revelaram a verdadeira natureza deste sistema anteriormente mal identificado.

O sistema estelar AR Scorpii, ou AR Sco, situa-se na constelação do Escorpião a 380 anos-luz de distância da Terra. É composto por uma anã branca em rotação rápida, do tamanho da Terra mas com cerca de 200.000 vezes mais massa, e por uma anã vermelha fria com um-terço da massa do Sol, que se orbitam mutuamente com um período de 3,6 horas, executando uma dança cósmica tão regular como um relógio.

Esta impressão artística mostra o estranho objeto AR Scorpii. Nesta estrela dupla única, uma anã branca em rotação rápida (à direita) acelera electrões até quase à velocidade da luz. Estas partículas de alta energia libertam quantidades de radiação que fustigam a estrela companheira, uma anã vermelha (à esquerda), fazendo com que todo o sistema pulse drasticamente a cada 1,97 minutos e liberte radiação que vai desde o ultravioleta às ondas rádio.
Crédito: M. Garlick/Universidade de Warwick/ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Este sistema binário de estrelas exibe um comportamento assaz violento. Altamente magnetizada e rodando muito depressa, a anã branca acelera eletrões até quase à velocidade da luz. À medida que estas partículas de alta energia se deslocam no espaço, é libertada radiação num raio semelhante a um farol, que fustiga a anã vermelha fria, fazendo com que todo o sistema brilhe e desvaneça a cada 1,97 minutos. Estes pulsos poderosos incluem radiação nas frequências rádio, algo que nunca tinha sido antes detetado num sistema com uma anã branca.

O investigador principal Tom Marsh, do Grupo de Astrofísica da Universidade de Warwick, comenta: "O sistema AR Scorpii foi descoberto há mais de 40 anos, mas não suspeitámos da sua verdadeira natureza até o começarmos a observar em 2015. Percebemos que estávamos a ver algo extraordinário poucos minutos depois de começarmos as observações."

As propriedades observadas de AR Sco são únicas e misteriosas. A radiação emitida ao longo de uma grande gama de frequências indica emissão de eletrões acelerados em campos magnéticos, o que pode ser explicado pela anã branca em rotação. A fonte de eletrões propriamente dita permanece, no entanto, um mistério — não é claro se estará associada à própria anã branca ou à sua companheira mais fria.

AR Scorpii foi inicialmente observado no início da década de 1970 e as suas flutuações de brilho regulares a cada 3,6 horas levaram a que fosse erradamente classificado uma estrela variável isolada. A verdadeira natureza da variação em luminosidade de AR Scorpii foi revelada graças aos esforços conjuntos de astrónomos profissionais e amadores. Uma pulsação semelhante tinha sido já observada anteriormente, mas vinda de estrelas de neutrões — alguns dos objetos celestes mais densos conhecidos no Universo — e não de anãs brancas.

Boris Gänsicke, coautor do novo estudo e também da Universidade de Warwick, conclui: "Conhecemos estrelas de neutrões a pulsar há quase 50 anos e algumas teorias previam que as anãs brancas poderiam também apresentar um comportamento semelhante. É muito excitante termos descoberto um tal sistema e é também um exemplo fantástico de colaboração entre astrónomos amadores e profissionais."

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
ESA/Hubble (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
Nature
Impressão de artista de AR Scorpii (ESO via YouTube)
Science
Astronomy
SPACE.com
PHYSORG
(e) Science News
ScienceDaily
UPI
gizmag

Anãs brancas:
Wikipedia
NASA

Anãs vermelhas:
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
A ESTRELA JOVEM MAIS SOLITÁRIA, VISTA PELO SPITZER E PELO WISE
Um invulgar objeto celeste chamado CX330, foi detetado pela primeira vez como uma fonte de raios-X em 2009. Tem vindo a lançar "jatos" de material para o disco de gás e poeira em seu redor.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Sozinha na estrada cósmica, longe de qualquer outro objeto celeste conhecido, uma jovem estrela independente está a passar por um tremendo surto de crescimento.

O objeto invulgar, de nome CX330, foi detetado pela primeira vez como uma fonte de raios-X em 2009 pelo Observatório de raios-X Chandra da NASA enquanto examinava o bojo na região central da Via Láctea. Outras observações indicaram que este objeto estava também emitindo luz no visível. Com apenas estas pistas, os cientistas não faziam ideia que objeto era.

Mas quando Chris Britt, investigador pós-doutorado da Universidade Texas Tech em Lubbock, e colegas examinaram imagens infravermelhas da mesma área obtidas com o WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA, aperceberam-se que este objeto tinha em seu redor quantidades enormes de poeira, que deverá ter sido aquecida por uma explosão.

Ao compararem os dados de 2010 do WISE com dados do Spitzer obtidos em 2007, os investigadores determinaram que CX330 é provavelmente uma estrela jovem que passa por um surto de atividade há já vários anos. Na verdade, nesse período de três anos o seu brilho aumentou algumas centenas de vezes.

Os astrónomos analisaram dados do objeto obtidos por vários outros observatórios, incluindo os terrestres SOAR, Magalhães e Gemini. Também usaram os grandes levantamentos telescópicos VVV e o OGLE-IV para medir a intensidade da luz emitida por CX330. Ao combinarem todas estas diferentes perspetivas sobre o objeto, surgiu uma imagem mais clara.

"Tentámos várias interpretações e a única que faz sentido é que esta jovem estrela em rápido crescimento está a formar-se no meio do nada," afirma Britt, autor principal de um estudo sobre CX330 publicado recentemente na revista Monthly Notices da Sociedade Astronómica Real.

O comportamento da estrela solitária tem semelhanças com FU Orionis, uma estrela jovem que teve um surto de atividade inicial em 1936-7, durante três meses. Mas CX330 é mais compacta, mais quente e provavelmente mais massiva do que objetos conhecidos e parecidos com FU Orionis. A estrela mais isolada lança "jatos" mais rápidos, fluxos de material que batem no gás e poeira em seu redor.

"O disco provavelmente aqueceu até ao ponto em que o gás no disco ficou ionizado, levando a um rápido aumento na velocidade com que o material cai para a estrela," explica Thomas Maccarone, coautor do estudo e professor associado da Texas Tech.

O mais intrigante para os astrónomos, é que FU Orionis e objetos raros do mesmo género - só conhecemos cerca de 10 - estão localizados em regiões de formação estelar. As estrelas jovens geralmente formam-se e alimentam-se das regiões ricas em gás e poeira em seu redor, em nuvens de formação estelar. Em contraste, a região de formação estelar mais próxima de CX330 está a mais de mil anos-luz de distância.

"CX330 é mais intensa e mais isolada do que qualquer um desses objetos ativos que já observámos," comenta Joel Green, coautor do estudo e investigador do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, EUA. "Esta pode ser a ponta do iceberg - estes objetos podem estar em toda a parte."

De facto, é possível que todas as estrelas passem por esta fase dramática de desenvolvimento durante a juventude, mas que o surto de explosões seja demasiado curto - numa perspetiva de tempo cosmológico - para nós, humanos, observarmos muitas delas.

Como é que CX330 se tornou tão isolada? Uma ideia é que poderá ter nascido numa região de formação estelar, mas foi expulsa para a sua posição atual na Galáxia. Dado que CX330 está numa fase juvenil do seu desenvolvimento - tem provavelmente menos de um milhão de anos - e ainda está a devorar o seu disco envolvente, deve ter-se formado perto da sua localização atual no céu.

"Se tivesse migrado a partir de uma região de formação estelar, não podia ter aqui chegado durante a sua vida sem perder completamente o seu disco," afirma Britt.

CX330 também pode ajudar os cientistas a estudar o modo como as estrelas se formam em circunstâncias diferentes. Um cenário é que as estrelas se formam através de turbulência. Neste modelo "hierárquico", uma densidade crítica de gás numa nuvem faz com que a nuvem colapse gravitacionalmente numa estrela. Um modelo diferente, chamado "acreção competitiva", sugere que as estrelas começam como núcleos de baixa-massa que lutam pela massa do material restante da nuvem. CX330 encaixa mais naturalmente no primeiro cenário pois as circunstâncias turbulentas podem, teoricamente, permitir a formação de uma estrela solitária.

É ainda possível que outras estrelas, de massa intermédia a baixa, estejam presentes nas imediações de CX330, mas ainda não tenham sido detetadas.

Quando CX330 foi observada pela última vez em agosto de 2015, ainda estava em surto de atividade. Os astrónomos planeiam continuar a estudar o objeto, inclusive com telescópios futuros que a poderão estudar noutros comprimentos de onda.

As explosões de atividade numa estrela jovem mudam a química no disco estelar, a partir do qual os planetas podem, eventualmente, formar-se. Caso o fenómeno seja comum, isso significa que os planetas, incluindo o nosso, podem transportar as assinaturas químicas de um antigo disco de gás e poeira marcado por explosões estelares.

Mas, tendo em conta que CX330 continua a devorar o seu disco com uma voracidade cada vez maior, os astrónomos não contam encontrar planetas em formação neste sistema.

"Se for realmente uma estrela massiva, o seu tempo de vida será curto e violento", conclui Green.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Monthly Notices da Sociedade Astronómica Real
Astronomy
PHYSORG

Estrelas FU Orionis:
Wikipedia
AAVSO
Simostronomy

Formação estelar:
Wikipedia

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

WISE:
Wikipedia
Arquivo de dados do WISE
NEOWISE
U. Berkeley

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
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(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Dean Fournier; Inserção: ESA/Hubble e NASA
 
M13 é um dos mais proeminentes e conhecidos enxames globulares. Visível com binóculos na direção da constelação de Hércules, M13 é frequentemente um dos primeiros objetos avistados pelos curiosos do céu à procura de maravilhas celestes para lá da visão humana. M13 é o lar colossal de mais de 100.000 estrelas, numa área com mais de 150 anos-luz de diâmetro, a 20.000 anos-luz de distância e com uma idade de mais de 12 mil milhões de anos. Em 1974, uma mensagem rádio acerca da Terra foi enviada a partir do Observatório de Arecibo na direção de M13. A imagem acima, em HDR, foi obtida com um telescópio pequeno e abrange um tamanho angular pouco superior ao da Lua Cheia, ao passo que a inserção, obtida com o Telescópio Espacial Hubble, foca-se nos 0,04º centrais.
 

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