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Edição n.º 1305
09/09 a 12/09/2016
 
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30/09/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + OBSERVAÇÃO COM TELESCÓPIO
20:00 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema a determinar, seguido de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 09/09: 253.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1789 nascia William Cranch Bond, astrónomo americano e o primeiro diretor do Observatório de Harvard College. Pioneiro na fotografia celeste, descobriu o sétimo satélite de Saturno, Hiperião, juntamente com o seu filho George.
Em 1839, John Herschel faz a primeira fotografia em chapa de vidro.
Curiosamente, a foto era do telescópio de 12 metros do seu pai, William Herschel, que caíra em desuso durante algumas décadas e que foi depois desmontado. 
Em 1892, o astrónomo Edward Emerson Barnard, do Observatório Lick descobre o satélite mais interior de Júpiter, Amalteia

Em 1975, lançamento da Viking 2, orbitador e módulo de aterragem marciano. No solo, o módulo operou durante 1316 dias (ou 1281 sols). Em órbita, a sonda enviou quase 16.000 imagens em 706 órbitas.
Em 1994, lançamento da missão STS-64 do vaivém Discovery.
Em 2006, lançamento da missão STS-115 do vaivém espacial Atlantis.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 12:49.
Esta noite, a Lua brilha para cima de Marte ao anoitecer. O triângulo Saturno-Marte-Antares, o emblema do céu noturno deste verão, continua a mudar de forma. Nos próximos dias e semanas Saturno e Antares vão continuar a mover-se para baixo e para a direita, enquanto Marte fica cá por mais uns tempos mas diminui de brilho. Saturno e Antares desaparecem para trás do horizonte a meio do outono.

Dia 10/09: 254.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1857 nascia James Edward Keeler, astrónomo americano que realizou importantes trabalhos espectroscópicos em 120.000 nebulosas.

Em 1895, mostrou que três partes diferentes dos anéis de Saturno giravam a velocidades diferentes e que não eram corpos sólidos mas uma coleção de objetos pequenos em órbitas independentes.
Em 1858, George Mary Searle descobre o asteróide 55 Pandora.
Em 2008, o LHC no CERN, descrito como a maior experiência científica da História, é ligado em Genebra, Suiça.
Observações: Ao anoitecer, a Lua brilha por cima do "bule de chá" de Sagitário. Está inclinado e a deitar o chá para a direita.

Dia 11/09: 255.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1877, nascia o astrónomo teórico inglês James Hopwood Jeans. Na primeira década do século XX, Jeans trabalhou nos fundamentos dos processos de colapso gravitacional, relevantes para a formação de sistemas solares, estrelas e galáxias.
Em 1985, o ICE, ou International Cometary Explorer, faz a primeira travessia da cauda de um cometa, uma passagem pelo Cometa 21P/Giacobini-Zinner. O objetivo principal da missão era estudar a interação entre o vento solar e a atmosfera cometária.
Em 1997, a sonda Mars Global Surveyor chega a Marte.

Observações: Quanto tempo depois do pôr-do-Sol é que consegue identificar o Triângulo de Verão? Vega, a sua estrela mais brilhante, está quase por cima das nossas cabeças (para observadores a latitudes médias norte). Deneb é a primeira estrela brilhante para este-nordeste de Vega. Altair brilha mais baixa a sudeste.

Dia 12/09: 256.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1725 nascia Guillaume Le Gentil, o astrónomo mais azarado de sempre.
Em 1959, a União Soviética lança a sonda Luna 2. Dois dias depois (14),  torna-se no primeiro objeto feito pelo Homem a atingir a Lua.

Em 1966, lançamento da Gemini 11, a penúltima missão do programa Gemini da NASA e a detentora do recorde atual de altitude humana (à excepção das missões lunares Apollo).
Em 1970, lançamento da soviética Luna 16, a primeira (não tripulada) a recolher amostras lunares e a enviá-las para a Terra. 
Em 1991, lançamento da missão STS-48 do vaivém Discovery, transportando o satélite UARS (Upper Atmosphere Research Satellite). 
Em 1992, lançamento da missão STS-47 do vaivém espacial Endeavour, a 50.ª missão dos vaivéns espaciais. A bordo estavam Mae Carol Jemison, a primeira mulher africo-americana no espaço, Mamoru Mohri, o primeiro cidadão japonês a voar uma nave americana, e Mark Lee e Jan Davis, o primeiro casal no espaço.
Em 1993, lançamento da missão STS-51 do vaivém espacial Discovery.
Observações: É ainda verão, mas se olhar para baixo a sudeste após as 21 horas, conseguirá já avistar a estrela de 1.ª magnitude, Fomalhaut, a Estrela de Outono, começando a fazer as suas "rondas" sazonais.

 
CURIOSIDADES


Para comemorar o sucesso da Rosetta e manter um registro de longa duração do seu impacto sobre o mundo, a ESA convida o público a partilhar as suas experiências pessoais e sentimentos sobre como a missão o influenciou.
Arte, música, produções teatrais, atividades creativas ou jogos para crianças. Ou tema de aprendizagem na escola? Contribua na página "Rosetta Legacy". As submissões podem ser na forma de texto, imagens, arquivos de vídeo ou hiperligações para material de áudio: qualquer coisa que expresse os seus pensamentos, sentimentos ou experiências pessoais inspiradas pela Rosetta.
Cada semana, a ESA escolherá até cinco vencedores das submissões mais recentes e estes receberão um brinquedo de peluche da Rosetta e Philae. As inscrições terminam no dia 7 de outubro de 2016. As recebidas até dia 21 de setembro terão hipótese de ser apresentadas durante um programa em direto que assinala o fim da missão, no dia 30 de setembro. Além disso, de todas as submissões, a ESA escolherá um vencedor principal que será convidado para uma visita especial ao coração técnico da ESA em Noordwijk, Holanda.
Leia aqui as regras da competição.

 
JOVEM MAGNETAR É PROVAVELMENTE O PULSAR MAIS LENTO JÁ DETETADO
Imagem de RCW 103.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/Universidade de Amesterdão/N. Rea et al; ótico: DSS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Usando o Observatório de raios-X Chandra da NASA e outros observatórios de raios-X, astrónomos encontraram evidências para o que é provavelmente um dos pulsares mais extremos, ou estrelas de neutrões em rotação, já detetados. A fonte exibe propriedades de uma estrela de neutrões altamente magnetizada, ou magnetar, mas o seu período de rotação deduzido é milhares de vezes mais longo do que qualquer outro pulsar já observado.

Há já décadas que os astrónomos sabem que existe uma fonte compacta e densa no centro de RCW 103, o remanescente de uma explosão de supernova localizado a cerca de 9000 anos-luz da Terra. Esta imagem mostra RCW 103 e a sua fonte central, conhecida oficialmente como 1E 161348-5055 (diminutivo 1E 1613), em três bandas de radiação raios-X detetadas pelo Chandra. Na imagem, a forma menos energética de raios-X assume tons vermelhos, a intermédia, tons verdes e os raios-X mais energéticos tons azuis. A brilhante fonte azulada de raios-X no meio de RCW 103 é 1E 1613. Os dados de raios-X foram combinados com uma imagem ótica do DSS (Digitized Sky Suvey).

Os observadores tinham previamente acordado que 1E 1613 é uma estrela de neutrões, uma estrela extremamente densa criada pela supernova que produziu RCW 103. No entanto, a variação regular no brilho de raios-X da fonte, com um período de aproximadamente seis horas e meia, apresentou um quebra-cabeças. Todos os modelos propostos tinham problemas em explicar esta periodicidade lenta, mas as ideias principais eram: ou uma estrela de neutrões em rotação que gira extremamente devagar devido a um mecanismo inexplicado, ou uma estrela de neutrões de rápida rotação que está em órbita de uma estrela normal num sistema binário.

No dia 22 de junho de 2016, um instrumento a bordo do telescópio Swift da NASA captou a libertação de uma explosão breve de raios-X oriunda de 1E 1613. A deteção do Swift chamou a atenção dos astrónomos porque a fonte exibia flutuações intensas e extremamente rápidas, numa escala de milissegundos, semelhantes a outros magnetares conhecidos. Estes objetos exóticos possuem os mais poderosos campos magnéticos do Universo - biliões de vezes superiores ao do Sol - e podem entrar em erupção com enormes quantidades de energia.

Tentando investigar em maior profundidade, uma equipa de astrónomos liderada por Nanda Rea da Universidade de Amesterdão rapidamente pediu a outros dois telescópios espaciais - o Observatório de raios-X Chandra da NASA e o NuSTAR (Nuclear Spectroscopic Telescope Array) - para acompanhar as observações.

Novos dados deste trio de telescópios de alta energia, e dados de arquivo do Chandra, Swift e do XMM-Newton da ESA confirmaram que 1E 1613 tem as propriedades de um magnetar, tornando-se apenas o 30.º conhecido. Estas propriedades incluem as relativas quantidades de raios-X produzidos a diferentes energias e a forma como a estrela de neutrões arrefeceu após a explosão de 2016 e após outra ocorrida em 1999. A hipótese de sistema binário é considerada improvável porque novos dados mostram que a força da variação periódica em raios-X muda dramaticamente tanto com a energia dos raios-X como com o tempo. No entanto, este comportamento é típico para os magnetares.

Mas o mistério da rotação lenta permanecia. A fonte gira uma vez a cada 24.000 segundos (6,6 horas), muito mais devagar do que os magnetares mais lentos conhecidos até agora, cuja rotação situa-se nos 10 segundos. Assim sendo, seria a estrela de neutrões com a mais lenta rotação já detetada.

Os astrónomos esperam que uma única estrela de neutrões gire rapidamente após o seu nascimento na explosão de supernova e que vá ficando mais lenta à medida que perde energia com o passar do tempo. No entanto, os investigadores estimam que o magnetar dentro de RCW 103 tenha mais ou menos 2000 anos, tempo insuficiente para o pulsar abrandar para um período de 24.000 segundos por meios convencionais.

Embora ainda não se saiba porque é que 1E 1613 gira tão devagar, os cientistas têm algumas ideias. O cenário principal é que detritos da estrela que explodiu caíram de volta para as linhas do campo magnético em redor da estrela de neutrões, fazendo-a girar mais lentamente com o tempo. Estão sendo feitas pesquisas por outros magnetares de lenta rotação a fim de estudar esta ideia em mais detalhe.

Outro grupo, liderado por Antonino D'Aì do Instituto Nacional de Astrofísica em Palermo, Itália, acompanhou 1E 1613 em raios-X usando o Swift e no infravermelho próximo e visível usando o telescópio de 2,2 metros do ESO em La Silla, Chile, para procurar qualquer contrapartida de baixa energia à explosão de raios-X. Eles também concluem que 1E 1613 é um magnetar com um período de rotação muito lento.

Um artigo descrevendo os resultados da equipa de Rea foi publicado na edição de 2 de setembro da revista The Astrophysical Journal Letters e está disponível online. O artigo que descreve os achados da equipa de D'Aì foi aceite para publicação na revista Monthly Notices da Sociedade Real Astronómica e também está disponível online.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade de Harvard (comunicado de imprensa)
Artigo científico - Rea et al. (arXiv.org)
Artigo científico - D'Aì et al. (arXiv.org)
PHYSORG

RCW 103:
Simbad
Wikipedia
1E 1613 (Wikipedia)

Magnetar:
Wikipedia
AstronomyOnline.org

Estrela de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Remanescente de supernova:
NASA
Wikipedia
Núcleo de Astronomia do CCVAlg

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Telescópio Swift:
NASA
Wikipedia

Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia

NuSTAR:
NASA
Caltech
Wikipedia

 
ASTRÓNOMOS DESCOBREM RELÍQUIA FÓSSIL RARA DA VIA LÁCTEA PRIMORDIAL
Ao "espreitar" por entre as espessas nuvens de poeira do bojo galáctico, uma equipa internacional de astrónomos descobriu uma invulgar mistura de estrelas num enxame estelar conhecido por Terzan 5. Os novos resultados indicam que Terzan 5 é de facto um dos blocos constituintes primordiais do bojo, muito provavelmente uma relíquia dos primórdios da Via Láctea.
Esta imagem foi obtida pelo MAD (Multi-Conjugate Adaptive Optics Demonstrator), um sistema de ótica adaptativa protótipo usado para demonstrar a exequibilidade de diferentes técnicas no âmbito do conceito do E-ELT e de instrumentos de segunda geração para o VLT. As cores das estrelas são da imagem Hubble do mesmo campo estelar.
Crédito: ESO/F. Ferraro
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO e de outros telescópios, uma equipa internacional de astrónomos descobriu um resto fossilizado da Via Láctea primordial, que contém estrelas com idades muito diferentes. Este sistema estelar parece-se com um enxame globular, mas não é como qualquer outro enxame conhecido, já que contém estrelas muito similares às estrelas mais antigas da Via Láctea, ajudando-nos a fazer a ponte entre o passado e o presente da nossa Galáxia.

Terzan 5, situado a 19.000 anos-luz de distância na constelação de Sagitário em direção ao Centro Galáctico, tem sido classificado como um enxame globular desde há cerca de 40 anos, altura da sua deteção. No entanto, uma equipa liderada por astrónomos italianos acaba de descobrir que Terzan 5 não é afinal como nenhum enxame globular conhecido.

A equipa obteve dados com o instrumento MAD (Multi-conjugate Adaptive Optics Demonstrator) instalado no VLT, assim como com uma série de outros telescópios colocados tanto no solo como no espaço (Hubble e Telescópio Keck). Os investigadores encontraram fortes evidências da existência de dois tipos distintos de estrelas em Terzan 5, as quais não diferem apenas nos elementos que contêm, mas apresentam também uma diferença de idades de cerca de 7 mil milhões de anos (as duas populações estelares detetadas têm idades de 12 e 4,5 milhares de milhões de anos, respetivamente).

Ao "espreitar" por entre as espessas nuvens de poeira do bojo galáctico, uma equipa internacional de astrónomos descobriu uma invulgar mistura de estrelas num enxame estelar conhecido por Terzan 5. Os novos resultados indicam que Terzan 5 é de facto um dos blocos constituintes primordiais do bojo, muito provavelmente uma relíquia dos primórdios da Via Láctea.
Crédito: ESO/F. Ferraro
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As idades das duas populações indicam que o processo de formação estelar em Terzan 5 não se processou de forma contínua, tendo sido dominado por dois períodos distintos de formação estelar. "Esta hipótese requer que o antecessor de Terzan 5 tenha tido enormes quantidades de gás para uma segunda geração de estrelas e tenha sido muito massivo, com pelo menos 100 milhões de vezes a massa do Sol," explica Davide Massari, coautor do estudo, do INAF, Itália e da Universidade de Groningen, Holanda.

A suas propriedades invulgares fazem de Terzan 5 o candidato ideal a um fóssil vivo dos primeiros dias da Via Láctea. Atuais teorias de formação galáctica assumem que vastos nodos de gás e estrelas interagiram para formar o bojo primordial da Via Láctea, fundindo-se e dissolvendo-se no processo.

"Pensamos que alguns restos destes nodos gasosos poderão ter permanecido relativamente imperturbados e que continuam a existir no seio da Galáxia," explica Francesco Ferraro da Universidade de Bolonha, Itália, e autor principal do estudo. "Tais fósseis galácticos permitem aos astrónomos reconstruir uma parte importante da história da nossa Via Láctea."

Apesar das propriedades de Terzan 5 serem invulgares para um enxame globular, são no entanto muito semelhantes à população estelar que se encontra no bojo galáctico, a região central altamente compacta da Via Láctea. Estas semelhanças poderão fazer de Terzan 5 uma relíquia fossilizada de formação galáctica, representando um dos mais antigos blocos constituintes da Via Láctea.

Esta imagem de grande angular, criada a partir de dados do Digitized Sky Survey 2, mostra a região em torno do grupo estelar Terzan 5.
Crédito: ESO/Digitized Sky Survey 2
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Esta suposição é reforçada pela massa original de Terzan 5 necessária à criação de duas populações estelares: uma massa semelhante à dos enormes nodos que se pensa terem formado o bojo durante a formação da Galáxia há cerca de 12 mil milhões de anos atrás. De algum modo Terzan 5 conseguiu sobreviver à rotura durante milhares de milhões de anos, tendo sido preservado como um resto do passado distante da Via Láctea.

"Algumas das características apresentadas por Terzan 5 assemelham-se às detetadas nos nodos gigantes que observamos em galáxias a formar estrelas a elevados desvios para o vermelho, sugerindo que semelhantes processos de formação ocorreram tanto no Universo local como no longínquo durante a época de formação galáctica," continua Ferraro.

Esta descoberta abre assim o caminho para uma melhor e mais completa compreensão da formação de galáxias. "Terzan 5 poderá representar um elo intrigante entre o Universo local e o longínquo, uma testemunha que sobreviveu ao processo de formação do bojo galáctico," explica Ferraro ao comentar a importância da descoberta. Este trabalho fornece um possível caminho para que os astrónomos possam deslindar os mistérios da formação galáctica e oferece uma vista sem precedentes da complicada história da Via Láctea.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Hubble/ESA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
SPACE.com
Universe Today
Space Daily
redOrbit
(e) Science News
EarthSky
PHYSORG
COSMOS
Popular Mechanics
EurekAlert!
UPI
Gizmodo

Terzan 5:
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Observatório W. M. Keck:
Página oficial
Wikipedia

 
NOVO E DETALHADO MAPA DE IDADES MOSTRA COMO VIA LÁCTEA FOI "MONTADA"

Usando cores para identificar as idades aproximadas de mais de 130.000 estrelas no halo da Via Láctea, astrónomos da Universidade de Notre Dame, no estado americano do Indiana, produziram a imagem mais nítida, até à data, de como a Galáxia se formou há mais de 13,5 mil milhões de anos atrás.

A astrofísica Daniela Carollo, professora e investigadora do Departamento de Física da Universidade de Notre Dame, e Timothy Beers, juntamente com Vinicius Placco e colegas, publicaram os seus achados na revista Nature Physics, incluindo um mapa cronográfico (de idades) que suporta um modelo hierárquico de formação galáctica. Esse modelo, desenvolvido por teóricos ao longo das últimas décadas, sugere que a Via Láctea se formou graças à fusão e acreção de pequenos mini-halos contendo estrelas e gás, e que as estrelas mais velhas da Via Láctea estão localizadas no centro da Galáxia e que as estrelas mais jovens e outras galáxias fundiram-se com a Via Láctea, atraídas pela gravidade ao longo de milhares de milhões de anos.

"Nós antes não sabíamos muito sobre a idade do componente mais antigo da Via Láctea, que é o sistema de halo," afirma Carollo. "Mas agora demonstrámos de forma conclusiva, pela primeira vez, que as estrelas antigas se encontram no centro da Galáxia e que as estrelas mais jovens se formam a distâncias maiores. Esta é outra peça de informação que podemos usar para compreender o processo de formação da Galáxia, e como as galáxias, no geral, se formam."

Um novo mapa visualiza a formação e evolução da Via Láctea.
Crédito: Vinicius Placco/Notre Dame
(clique na imagem para ver versão animada)
 

Usando dados do SDSS (Sloan Digital Sky Survey), os cientistas identificaram mais de 130.000 estrelas azuis HB (Horizontal branch), que queimam hélio nos seus núcleos e exibem cores diferentes com base nas suas idades. As estrelas do tipo HB são as únicas cuja idade pode ser estimada apenas pela cor. A técnica que utilizaram foi codesenvolvida por Beers há cerca de 25 anos atrás, quando era pós-doutorado.

As estrelas mapeadas mostram uma hierarquia clara: as estrelas mais antigas estão perto do centro da Galáxia e as estrelas mais jovens estão mais longe.

"As cores, quando as estrelas estão nessa fase da sua evolução, estão diretamente relacionadas com o tempo de vida da estrela, de modo que podemos estimar a idade," comenta Beers. "Assim que temos um mapa, podemos determinar quais as estrelas que surgiram primeiro e as idades dessas zonas da Galáxia. Nós podemos agora, realmente, visualizar como a nossa Galáxia foi construída e inspecionar os destroços estelares de algumas das outras pequenas galáxias destruídas pela sua interação com a nossa durante a sua 'montagem'."

Carollo explicou que as nuvens iniciais de gás, contendo material primordial, como hidrogénio e hélio, formaram as primeiras estrelas. As nuvens com várias massas e conteúdo gasoso comportaram-se de forma diferente: as nuvens mais pequenas formaram uma ou duas gerações de estrelas (objetos mais velhos) e fundiram-se, depois, com outras nuvens e acabaram no centro da Galáxia puxadas pela gravidade, enquanto as nuvens com mais massa formaram múltiplas gerações estelares (objetos mais jovens) antes de fundirem.

Galáxias ainda maiores, como a Via Láctea, cresceram à medida que a sua gravidade puxava e forçava fusões com estas galáxias mais pequenas.

Atualmente, só é possível usar estas técnicas na nossa própria Galáxia e nas galáxias satélites e anãs que a rodeiam. No entanto, espera-se que o JWST (James Webb Space Telescope), com lançamento previsto para 2018, recolha muitos mais dados sobre galáxias distantes, incluindo os primeiros brilhos do Big Bang. Através do método que o grupo de Arqueologia Galáctica de Beers utilizou, esses dados podem preencher peças do puzzle da formação da nossa própria Via Láctea, bem como responder a questões sobre como o Universo surgiu.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Notre Dame (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Nature Physics
Artigo sobre as técnicas (The Astrophysical Journal Letters)
Universe Today
PHYSORG
UPI

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

SDSS:
Página oficial
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Nova investigação revela centenas de buracos negros não descobertos (via Universidade de Surrey)
Uma nova pesquisa publicada na revista Monthly Notices da Sociedade Astronómica Real lançou luz sobre um enxame globular que poderá albergar várias centenas de buracos negros, um fenómeno que, até recentemente, se pensava ser impossível. Ler fonte
     
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Marte nas Nuvens
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Sebastian Voltmer
 
Vagueando por este impressionante campo de visão, Marte encontra-se em frente destas coloridas nuvens cósmicas. O mosaico, construído a partir de imagens telescópicas, mede aproximadamente 5 graus (10 luas cheias) de comprimento. Captura a posição do planeta no passado dia 26 de agosto, a mais de 7 minutos-luz da Terra e muito perto, do ponto de vista terrestre, da brilhante estrela Antares e do complexo de nuvens Rho Ophiuchi. Na exposição, Marte tem tom amarelado e é quase igualado por Antares, também conhecida como Alpha Scorpii, para baixo do centro. O enxame globular M4 brilha mesmo para a direita de Antares, mas M4 está situado a cerca de 7000 anos-luz em comparação com os 500 anos-luz de Antares. Ligeiramente mais perto de Antares, a luz estelar azulada de Rho Ophiuchi é refletida pelas nuvens moleculares de poeira perto do topo superior da foto.
 

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