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Edição n.º 1335
23/12 a 26/12/2016
 
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O NÚCLEO DE ASTRONOMIA DO CENTRO CIÊNCIA VIVA DO ALGARVE DESEJA A TODOS UM FELIZ NATAL E UM ESPLÊNDIDO ANO NOVO!
 
EFEMÉRIDES

Dia 23/12: 358.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1672, Giovanni Cassini descobre a lua de SaturnoReia

Observações: Sirius, a estrela mais brilhante de Cão Maior, brilha baixa a este-sudeste depois da hora de jantar. Procyon, a estrela mais brilhante de Cão Menor, brilha a este a cerca de dois punhos à distância do braço esticado para a esquerda de Sirius. Se vive à latitude 30º N, as duas estrelas caninas estarão à mesma altura acima do horizonte pouco depois de nascerem. Se está para norte dessa latitude, Procyon estará mais alta. Se estiver mais para sul, é Sirius que está mais alta.

Dia 24/12: 359.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1761 nascia Jean-Louis Pons, astrónomo francês, o maior descobridor visual de cometas: entre 1801 e 1827, descobriu 37 cometas, mais do que qualquer pessoa na História.
Em 1818, nascia James Prescott Joule, físico inglês que estudou a natureza do calor e descobriu a sua relação com a mecânica. Isto levou à lei da conservação da energia, o que por sua vez levou ao desenvolvimento da primeira lei da termodinâmica. A unidade SI da energia, joule, tem o seu nome.
Em 1968, os astronautas da Apollo 8 tornam-se nos primeiros humanos a entrar em órbita da Lua.

Completam 10 órbitas lunares e enviam imagens televisivas que se tornam na famosa transmissão de Véspera de Natal, um dos programas mais vistos na História.
Em 1979, lançamento do primeiro foguetão europeu Ariane.
Observações: Eclipse de Io, entre as 03:42 e as 06:02.
Ocultação de Io, entre as 04:55 e as 07:11.
Esta é a altura do ano em que M31, a Galáxia de Andrómeda, passa no zénite pouco depois do anoitecer (se viver a latitudes médias norte). Passa precisamente pelo zénite caso viva à latitude 41º N. Os binóculos mostram M31 mesmo ao lado do joelho levantado de Andrómeda.

Dia 25/12: 360.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1642, nascia Isaac Newton (de acordo com o calendário juliano), físico e matemático inglês, largamente considerado um dos cientistas mais influentes de todos os tempos e uma figura-chave da revolução científica.

O seu livro "Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica", publicado pela primeira vez em 1687, estabelece as fundações da mecânica clássica.
Em 1968, a Apollo 8 faz a primeira manobra TEI (Trans Earth Injection), enviando a tripulação e a nave de volta à Terra desde órbita lunar.
Em 2003, a infeliz Beagle 2, libertada da sonda Mars Express no dia 19 de dezembro, desaparece pouco antes da sua prevista aterragem. No dia 16 de janeiro de 2015, mais de onze anos depois do seu desaparecimento, a sonda MRO localiza-a no solo marciano. 
Em 2004, a Cassini liberta a sonda Huygens, que aterra em Titã a 14 de janeiro do ano seguinte.
Observações: Trânsito da sombra de Io, entre as 01:02 e as 03:19.
Ocultação de Ganimedes, entre as 01:51 e as 04:40.
Trânsito de Io, entre as 02:14 e as 04:31.
Feliz dia do Sol Invicto! Esta data era celebrada no final da época dos Romanos porque era quando o Sol começava a recuperar do seu longo declínio com a promessa, no frio e na escuridão, da vinda de uma nova primavera e verão.

Dia 26/12: 361.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1973, a Soyuz 13 voltava à Terra.
Em 1974 era lançada a Salyut 4.

Observações: Note cuidadosamente o ponto do pôr-do-Sol no seu horizonte, de dia para dia. Consegue discernir que já começou a sua viagem para norte?

 
CURIOSIDADES


O enxame aberto de estrelas M44 é conhecido por Presépio, pois as estrelas parecem formar duas figuras altas em torno de um nicho de estrelas mais baixo.

 
VLA E ALMA OLHAM PARA OS LOCAIS DE NASCIMENTO DA MAIORIA DAS ESTRELAS ATUAIS

Astrónomos olharam, pela primeira vez, para o local exato onde a maioria das estrelas de hoje nasceram. Para tal, utilizaram o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) do NSF (National Science Foundation) e o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para observar galáxias distantes, vistas como eram há cerca de 10 mil milhões de anos.

Naquela época, o Universo atravessava o pico da sua formação estelar. A maioria das estrelas presentes no Universo nasceram naquela altura.

"Nós sabíamos que as galáxias daquela época estavam a formar estrelas prolificamente, mas não sabíamos o aspeto dessas galáxias porque estão envoltas em tanta poeira que quase nenhuma luz visível lhes escapa," afirma Wiphu Rujopakam, do Instituto Kavli para Física e Matemática do Universo, da Universidade de Tóquio e da Universidade de Chulalongkorn em Bangkok, autor principal do artigo científico.

Combinação de imagens no rádio e no visível de galáxias distantes vistas com o VLA do NSF e com o Telescópio Espacial Hubble da NASA.
Crédito: K. Trisupatsilp, NRAO/AUI/NSF, NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As ondas de rádio, ao contrário da luz visível, podem atravessar a poeira. No entanto, a fim de revelar os detalhes de galáxias tão distantes - e ténues -, os astrónomos tiveram que obter as imagens mais sensíveis alguma vez captadas pelo VLA.

As novas observações, usando o VLA e o ALMA, responderam a questões de longa data sobre quais os mecanismos responsáveis pela maior parte da formação estelar nessas galáxias. Descobriram que a intensa formação de estrelas nas galáxias que estudaram ocorreu mais frequentemente por todas as galáxias, ao contrário de regiões muito menores em galáxias atuais com altas e semelhantes taxas de formação estelar.

Os astrónomos usaram o VLA e o ALMA para estudar galáxias no HUDF (Hubble Ultra Deep Field), uma área muito pequena do céu observada desde 2003 com o Telescópio Espacial Hubble da NASA. O Hubble obteve exposições muito longas da área, a fim de detetar galáxias no Universo muito longínquo, e numerosos programas de observação com outros telescópios acompanharam o seu trabalho.

"Usámos o VLA e o ALMA para ver as profundezas dessas galáxias, para lá da poeira que obscurece as suas entranhas ao Hubble," afirma Kristina Nyland, do NRAO (National Radio Astronomy Observatory). "O VLA mostrou-nos onde a formação estelar estava a ocorrer, e o ALMA revelou o gás frio que é o combustível da formação das estrelas," acrescenta.

"Neste estudo, fizemos a imagem mais sensível do VLA," comenta Preshanth Jagannathan, também do NRAO. "Se pegássemos no nosso telemóvel, que transmite um fraco sinal de rádio, e o colocássemos a mais de duas vezes a distância até Plutão, perto da orla externa do Sistema Solar, o seu sinal seria aproximadamente tão forte quanto o detetado a partir destas galáxias," comenta.

O estudo das galáxias foi feito por uma equipa internacional de astrónomos. Da equipa fizeram parte James Dunlop, da Universidade de Edimburgo, e Rob Ivison, da Universidade de Edimburgo e do ESO. Os investigadores relatam os seus achados na edição de 1 de dezembro da revista The Astrophysical Journal.

Links:

Notícias relacionadas:
NRAO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal
SpaceDaily
PHYSORG

Formação estelar:
Wikipedia
Sistema estelar (Wikipedia)

VLA:
Página oficial
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
BETELGEUSE GIRA MAIS DEPRESSA DO QUE O ESPERADO; PODERÁ TER ENGOLIDO UMA COMPANHEIRA HÁ 100.000 ANOS ATRÁS

O astrónomo J. Craig Wheeler da Universidade do Texas em Austin pensa que Betelgeuse, a estrela brilhante e vermelha que marca o ombro de Orionte, o Caçador, pode ter tido um passado mais interessante do que dá a entender. Trabalhando com um grupo internacional de estudantes, Wheeler encontrou evidências de que a supergigante vermelha nasceu com uma companheira estelar, e que mais tarde engoliu essa estrela. A investigação foi publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Para uma estrela tão bem conhecida, Betelgeuse é misteriosa. Os astrónomos sabem que é uma supergigante vermelha, uma estrela massiva perto do final da sua vida e que, portanto, inchou até muitas vezes o seu tamanho original. Algum dia explodirá como uma supernova, mas ninguém sabe quando.

"Pode ser daqui a dez mil anos, ou pode ser amanhã à noite," comenta Wheeler, especialista em supernovas.

Esta imagem infravermelha de Betelgeuse, obtida pelo Herschel em 2012, mostra duas conchas de matéria em interação num lado da estrela.
Crédito: L. Decin/Universidade de Leuven/ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma nova pista para o futuro de Betelgeuse envolve a sua rotação. Quando uma estrela incha para se tornar supergigante, a sua rotação deverá abrandar. "É como a clássica patinadora no gelo que rodopia - não trazendo os seus braços para o peito, abrindo os braços para cima," comenta Wheeler. À medida que a patinadora estica os seus braços, ela diminui de velocidade. Assim, também, a rotação de Betelgeuse deveria diminuir à medida que a estrela se expande. Mas não foi isso que a equipa de Wheeler encontrou.

"Não conseguimos explicar a rotação de Betelgeuse," realça Wheeler. "Ela gira 150 vezes mais depressa do que qualquer estrela única plausível."

Ele orientou uma equipa de estudantes, incluindo Sarafina Nance, Manuel Diaz e James Sullivan da Universidade do Texas em Austin, EUA, bem como estudantes da China e da Grécia, num estudo de Betelgeuse com um programa de modelagem computacional chamado MESA. Os estudantes usaram o MESA para modelar, pela primeira vez, a rotação de Betelgeuse.

Wheeler disse que, ao contemplar a surpreendente e rápida rotação de Betelgeuse, começou a especular. "Suponhamos que Betelgeuse teve uma companheira quando nasceu? E vamos supor que orbita Betelgeuse numa órbita correspondente ao tamanho atual desta estrela. Quando Betelgeuse se tornou numa supergigante vermelha, absorveu-a e engoliu-a.

Ele explicou que a estrela companheira, uma vez engolida, iria transferir o momento angular da sua órbita em redor de Betelgeuse para o seu invólucro externo, acelerando a rotação de Betelgeuse.

Wheeler estima que a estrela companheira teria tido aproximadamente a mesma massa que o Sol, a fim de explicar a atua rotação de Betelgeuse de 15 km/s.

Embora seja uma ideia interessante, existem algumas evidências para esta teoria da companheira engolida? Numa palavra: talvez.

Imagem da constelação de Orionte, o Caçador, obtida no Observatório McDonald no dia 20 de novembro de 2016, com uma câmara DSLR acoplada em "piggyback" a um telescópio de três polegadas, durante uma exposição de 12 minutos. A supergigante vermelha, betelgeuse, forma o brilhante e alaranjado ombro de Orionte, em cima e à esquerda.
Crédito: Tom Montemayor
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Se Betelgeuse engoliu, realmente, uma estrela companheira, é provável que a interação entre as duas tenha provocado com que a supergigante libertasse alguma matéria para o espaço, comenta Wheeler.

Possuindo a velocidade a que a matéria sai de uma estrela gigante vermelha, cerca de 10 km/s, Wheeler afirmou que foi capaz de estimar aproximadamente quão longe de Betelgeuse este material deveria estar hoje.

"Então, na minha ingenuidade, debrucei-me sobre a literatura e li mais sobre Betelgeuse, e ao que parece existe uma concha de matéria situada para lá de Betelgeuse, apenas um pouco mais perto do que tinha suposto," explica Wheeler.

Imagens infravermelhas de Betelgeuse, captadas em 2012 por Leen Decin da Universidade de Leuven, Bélgica, com o Telescópio Espacial Herschel, mostram duas conchas de matéria interagindo de um lado de Betelgeuse. Existem várias interpretações; há quem diga que esta matéria é uma onda de choque criada à medida que a atmosfera de Betelgeuse empurra através do meio interestelar.

Ninguém sabe a origem com certeza. Mas "o facto é," diz Wheeler, "que existem evidências de que Betelgeuse teve algum tipo de distúrbio aproximadamente nesta escala de tempo," - isto é, há 100.000 anos atrás, quando a estrela se expandiu para supergigante vermelha.

A teoria da companheira estelar poderia explicar tanto a rápida rotação de Betelgeuse como esta matéria vizinha.

Wheeler e a sua equipa de estudantes estão a continuar as suas investigações sobre esta estrela enigmática. Esperam estudar Betelgeuse usando uma técnica chamada "asterosismologia" - procurando ondas sonoras que afetam a superfície da estrela, a fim de obterem pistas sobre o que está a ocorrer nas profundezas do seu casulo. Vão também usar o código MESA para melhor entender o que aconteceria se Betelgeuse tivesse engolido uma estrela companheira.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
25/01/2013 - Betelgeuse prepara-se para colisão

Notícias relacionadas:
Observatório McDonald - Universidade do Texas em Austin (comunicado de imprensa)
Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
Artigo científico (arXiv.org)
Sky & Telescope
PHYSORG
spaceref

Betelgeuse:
Wikipedia

Supergigante vermelha:
Wikipedia

Observatório Espacial Herschel:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
NASA
Caltech
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Sharpless 308: Bolha Estelar
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Anis Abdul
 
Soprada por ventos velozes oriundos de uma estrela quente e massiva, esta bolha cósmica é gigante. Catalogada como Sharpless 2-308, está situada a uns 5200 anos-luz de distância na direção da constelação de Cão Maior e cobre um pouco mais da Lua Cheia no céu. Isso corresponde a um diâmetro de 60 anos-luz à sua distância estimada. A estrela massiva que criou a bolha, uma estrela Wolf-Rayet, é a brilhante estrela perto do centro da nebulosa. As estrelas Wolf-Rayet têm mais de 20 vezes a massa do Sol e pensa-se que estejam numa fase breve e pré-supernova da evolução de estrelas massivas. Os ventos velozes desta estrela Wolf-Rayet criam a nebulosa em forma de bolha à medida que varrem material mais lento de uma fase anterior da evolução. A nebulosa soprada pelos ventos tem uma idade de mais ou menos 70.000 anos. A emissão relativamente ténue captada nesta imagem é dominada pelo brilho dos átomos de oxigénio ionizados mapeados para um tom de azul.
 

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