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Edição n.º 1350
14/02 a 16/02/2017
 
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24/02/17 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 14/02: 45.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1898, nascia Fritz Zwick, o primeiro a identificar as supernovas como uma classe separada de objetos e a sugerir a possibilidade das estrelas de neutrões; Zwicky também catalogou galáxias em enxames e desenhou motores a jato.
Em 1989, o primeiro de 24 satélites GPS é colocado em órbita. 
Em 1990, as câmaras da Voyager 1 apontaram para o Sol e tiraram uma série de imagens da estrela e dos planetas, fazendo o primeiro "retrato" do nosso Sistema Solar visto de fora.

Em 2000, a sonda NEAR torna-se na primeira a orbitar um asteroide, 433 Eros.
Observações: A Lua nasce por volta das 22 horas, seguindo-se Júpiter cerca de 40 minutos depois. De seguida, apenas 10 ou 15 minutos depois, a mais ténue estrela Espiga segue Júpiter (olhe para baixo e para a direita de Júpiter). Ao amanhecer de dia 15 o trio moveu-se para sudoeste.

Dia 15/02: 46.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1564 nascia Galileu Galilei, um dos astrónomos mais famosos de sempre, considerado o pai da astronomia observacional. Foi o primeiro a utilizar o telescópio para observar os céus, avistando as manchas solares e também os satélites de Júpiter.
Em 1996, no Centro Espacial Xichang na China, um foguetão Long March 3, que transportava um Intelsat 708, colide com uma vila rural depois da descolagem, matando inúmeras pessoas. 
Em 1999, lançamento do IKONOS 2 Athena 2.
Em 2013, um meteoro explode por cima da Rússia e a sua onda de choque acaba ferindo 1500 pessoas, estilhaçando vidros e agitando edifícios.

Isto inesperadamente acontece apenas horas antes da mais próxima passagem esperada do maior e não relacionado asteroide 367943 Duende.
Observações: Orionte está agora alto a sudeste ao cair da noite. Para a esquerda da secção superior de Orionte encontra-se a constelação de Gémeos, liderada por Castor e Pollux bem para a esquerda. A figura dos gémeos ainda está de lado. Bem para baixo das suas pernas está a brilhante Procyon da pequena constelação de Cão Menor. Procyon assinala a sua traseira.

Dia 16/02: 47.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1948 é descoberta a lua de ÚranoMiranda, por Gerard Kuiper.

Em 1961, é lançado o Explorer 9 (S-56a).
Observações: Trânsito de Io, entre as 04:14 e as 06:28.
O interior do Triângulo de Inverno (Betelgeuse, Sirius e Procyon) parece vazio. Mas claro que não está. Aí encontra-se a ténue constelação do Unicórnio, parte da Via Láctea e objetos de céu profundo como o enxame aberto M50.

 
CURIOSIDADES


A busca por planetas para lá do nosso Sistema Solar acaba de ganhar novos recrutas. Ontem, uma equipa científica divulgou a maior coleção de observações feitas com uma técnica chamada velocidade radial, coleção esta que pode ser usada na caça exoplanetária. A enorme quantidade de dados, obtidos ao longo de duas décadas pelo Observatório W. M. Keck no Hawaii, está agora disponível para o público, bem como um pacote de software "open-source", para processar os dados e um tutorial online.

 
CIENTISTAS ESTIMAM O TEMPO DE VIDA DA NEBULOSA SOLAR
Através do estudo de magnetizações remanescentes em antigos meteoritos, uma equipa do MIT determinou que a nebulosa solar - o vasto disco de gás e poeira que veio a formar o Sistema Solar - durou entre 3 e 4 milhões de anos.
Crédito: Hernan Canellas
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Há cerca de 4,6 mil milhões de anos atrás, uma enorme nuvem de hidrogénio gasoso e poeira colapsou sob o seu próprio peso, eventualmente achatando-se num disco chamado nebulosa solar. A maioria deste material interestelar contraiu-se no centro do disco para formar o Sol e parte do gás e da poeira restante desta nebulosa solar condensou-se para formar os planetas e o resto do nosso Sistema Solar.

Agora, cientistas do MIT (Massachusetts Institute of Technology, ou Instituto de Tecnologia do Massachusetts em português) e colegas estimaram a vida útil da nebulosa solar - uma fase crítica durante a qual uma grande parte da evolução do Sistema Solar teve lugar.

Esta nova estimativa sugere que os gigantes gasosos Júpiter e Saturno devem ter-se formado dentro dos primeiros 4 milhões de anos da formação do Sistema Solar. Além disso, é provável que até essa altura tenham completado uma migração das suas posições orbitais.

"Acontecem tantas coisas no início da história do Sistema Solar," comenta Benjamin Weiss, professor de ciências terrestres, atmosféricas e planetárias do MIT. "É claro que os planetas evoluem depois disso, mas a estrutura em larga-escala do Sistema Solar foi essencialmente estabelecida nos primeiros 4 milhões de anos."

Weiss e o pós-doutorado do MIT, Huapei Wang, o autor principal deste estudo, relatam os seus resultados num artigo publicado na revista Science. Os coautores são Brynna Downey, Clement Suavet e Roger Fu do MIT; Xue-Ning Bai do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica; Jun Wang e Jiajun Wang do Laboratório Nacional Brookhaven; e Maria Zucolotto do Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Registos espetaculares

Ao estudar as orientações magnéticas em amostras imaculadas de meteoritos antigos formados há 4,653 mil milhões de anos, a equipa determinou que a nebulosa solar durou cerca de 3 a 4 milhões de anos. Este é um valor muito mais preciso do que as estimativas anteriores, que colocaram o tempo de vida da nebulosa solar algures entre 1 e 10 milhões de anos.

A equipa chegou a esta conclusão depois de analisar cuidadosamente angritos, algumas das rochas planetárias mais antigas e pristinas. Os angritos são rochas ígneas, muitas das quais pensa-se que tenham entrado em erupção à superfície de asteroides no início da história do Sistema Solar e, em seguida, arrefecido rapidamente, congelando as suas propriedades originais - incluindo a sua composição e sinais paleomagnéticos.

Os cientistas consideram os angritos registos excecionais do início do Sistema Solar, particularmente porque as rochas também contêm grandes quantidades de urânio, que podem usar para determinar precisamente a sua idade.

"Os angritos são verdadeiramente espetaculares," realça Weiss. "Muitos parecem-se com o que entra em erupção no Hawaii, mas arrefeceram num planetesimal muito precoce."

Weiss e colegas analisaram quatro angritos que caíram para a Terra em diferentes lugares e épocas.

"Um caiu na Argentina e foi descoberto quando um agricultor cultivava o seu campo," afirma Weiss. "Parecia um artefacto ou uma tigela índia, e o proprietário do terreno ficou com ele na sua casa cerca de 20 anos, até que finalmente decidiu mandar analisá-lo e veio-se a descobrir que era um meteorito muito raro."

Os outros três meteoritos foram descobertos no Brasil, na Antártida e no deserto do Saara. Todos os quatro meteoritos estão notavelmente bem preservados, não tendo sofrido nenhum aquecimento adicional ou grandes mudanças de composição desde a sua formação original.

Medindo bússolas minúsculas

A equipa obteve amostras de todos os quatro meteoritos. Ao medir a proporção de urânio para chumbo em cada uma, os estudos anteriores haviam determinado que os três mais antigos se formaram há cerca de 4,653 mil milhões de anos atrás. Os investigadores mediram então a magnetização remanescente das rochas usando um magnetómetro de precisão no Laboratório de Paleomagnetismo do MIT.

"Os eletrões são como pequenas agulhas das bússolas e se alinharmos muitos deles numa rocha, a rocha torna-se magnetizada," explica Weiss. "Uma vez alinhados, o que pode acontecer quando uma rocha arrefece na presença de um campo magnético, assim ficam. É isso que usamos como registos de antigos campos magnéticos."

Quando colocaram os angritos no magnetómetro, os investigadores observaram muito pouca magnetização remanescente, o que indica a presença de um campo magnético muito fraco durante a formação dos angritos.

A equipa deu um passo em frente e tentou reconstruir o campo magnético que teria produzido os alinhamentos das rochas, ou a falta dele. Para tal, aqueceram as amostras e arrefeceram-nas novamente num campo magnético controlado por laboratório.

"Podemos continuar a reduzir o campo do laboratório e reproduzir o que está na amostra," diz Weiss. "Descobrimos que só são permitidos campos muito fracos, dado quão pouca magnetização remanescente está nestes três angritos."

Especificamente, a equipa descobriu que a magnetização remanescente dos angritos pode ter sido produzida por um campo magnético extremamente fraco de não mais de 0,6 microteslas, há 4,653 mil milhões de anos atrás, ou cerca de 4 milhões de anos após o início do Sistema Solar.

Em 2014, o grupo de Weiss analisou outros meteoritos antigos que se formaram dentro dos primeiros 2 a 3 milhões de anos do Sistema Solar e encontrou evidências de um campo magnético cerca de 10-100 vezes mais forte - aproximadamente 5-50 microteslas.

"Prevê-se que, assim que o campo magnético cai por um fator de 10-100 no Sistema Solar interior, o que agora mostrámos, a nebulosa solar desaparece rapidamente, dentro de 100.000 anos," realça Weiss. "Assim, mesmo que a nebulosa solar não tivesse desaparecido completamente após 4 milhões de anos, estava basicamente acabada."

Os planetas alinham-se

A nova estimativa dos cientistas é muito mais precisa do que as estimativas anteriores, que foram baseadas em observações de estrelas distantes.

"Além disso, o paleomagnetismo dos angritos restringe a vida da nossa própria nebulosa solar, enquanto as observações astronómicas, obviamente, medem outros sistemas solares distantes," acrescenta Wang. "Dado que o tempo de vida da nebulosa solar afeta criticamente as posições finais de Júpiter e Saturno, também afeta a formação posterior da Terra, o nosso lar, bem como a formação dos outros planetas terrestres."

Agora que os cientistas têm uma melhor ideia de quanto tempo a nebulosa solar persistiu, podem também restringir-se à formação dos planetas gigantes como Júpiter e Saturno. Os planetas gigantes são feitos, na maior parte, de gás e gelo, e existem duas hipóteses principais para o modo como todo este material se aglomerou para formar um planeta. Uma sugere que os gigantes gasosos se formaram a partir do colapso gravitacional de gás, tal como o Sol. A outra sugere que se formaram num processo de duas fases chamado acreção do núcleo, no qual pedaços de material foram esmagados e fundidos para formar corpos gelados e rochosos maiores. Assim que esses corpos se tornaram suficientemente massivos, geraram uma força gravitacional que atraiu grandes quantidades de gás para, finalmente, formar um planeta gigante.

De acordo com previsões anteriores, os planetas gigantes formados através do colapso gravitacional de gás devem completar a sua formação geral em 100.000 anos. A acreção do núcleo, em contraste, pensa-se que demore muito mais tempo, entre 1 e vários milhões de anos. Weiss diz que se a nebulosa solar estivesse presente nos primeiros 4 milhões de anos da formação do Sistema Solar, isto daria suporte ao cenário de acreção do núcleo, que é geralmente mais aceite entre os cientistas.

"Os gigantes gasosos devem ter-se formado 4 milhões de anos após a formação do Sistema Solar," comenta Weiss. "Os planetas moviam-se por todo o sítio, para dentro e para fora ao longo de grandes distâncias, e pensa-se que todos estes movimentos foram impulsionados pelas forças gravitacionais do gás. Estamos a dizer que tudo isto aconteceu nos primeiros 4 milhões de anos."

Links:

Notícias relacionadas:
MIT News (comunicado de imprensa)
Science
Sky & Telescope
SPACE.com
PHYSORG
UPI

Angritos:
Wikipedia

Formação e evolução do Sistema Solar:
Wikipedia

 
HUBBLE DESCOBRE IRMÃO DO COMETA HALLEY RASGADO POR ANÃ BRANCA
Esta impressão de artista mostra um objeto parecido a um cometa gigante a cair em direção a uma anã branca. Novas observações com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostram evidências de uma cintura de corpos parecidos com cometas em órbita de uma anã branca, parecida à Cintura de Kuiper do nosso próprio Sistema Solar. Os achados também sugerem a presença de um ou mais planetas sobreviventes, ainda por descobrir em redor da anã branca, que podem ter perturbado a cintura o suficiente para enviar estes objetos gelados em direção à estrela colapsada.
Crédito: NASA, ESA e Z. Levy (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Cientistas que usam o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA observaram, pela primeira vez, um objeto gigantesco, como um cometa, que foi rasgado e espalhado na atmosfera de uma anã branca. O objeto destruído tinha uma composição química parecida à do Cometa Halley, mas era 100.000 vezes mais massivo do que o seu famoso homólogo.

A equipa internacional de astrónomos observou a anã branca WD 1425+540, a cerca de 170 anos-luz da Terra na direção da constelação de Boieiro. Enquanto estudava a atmosfera da anã branca usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA e o Observatório W.M. Keck, a equipa encontrou evidências de que um objeto, parecido com um cometa gigante, estava caindo sobre a estrela e que as forças de maré estavam a desfazê-lo.

A equipa determinou que o objeto tinha uma composição química parecida à do famoso Cometa Halley no nosso próprio Sistema Solar, mas era 100.000 vezes mais massivo e tinha o dobro da proporção de água do seu homólogo local. A análise espectral mostrou que o objeto destruído era rico em elementos essenciais para a vida, incluindo carbono, oxigénio, enxofre e até mesmo azoto.

Isto faz com que seja a primeira deteção de azoto em detritos que caem sobre uma anã branca. A autora principal Siyi Xu, do ESO, Alemanha, explica a importância da descoberta: "O azoto é um elemento muito importante para a vida como a conhecemos. Este objeto particular é bastante rico em azoto, mais do que qualquer objeto observado no nosso Sistema Solar."

Já existem mais de uma dúzia de anãs brancas conhecidas por estarem poluídas com detritos em queda de objetos rochosos parecidos com asteroides, mas esta é a primeira vez que um corpo feito de material gelado semelhante a um cometa é visto a poluir a atmosfera de uma anã branca. Estes achados são evidências de uma cintura de corpos cometários, parecida à Cintura de Kuiper do nosso Sistema Solar, em órbita de uma anã branca. Estes corpos gelados aparentemente sobreviveram à evolução da estrela desde a sua sequência principal - uma estrela parecida com o nosso Sol - passando pela sua fase de gigante vermelha e até ao seu colapso final como uma pequena e densa anã branca.

A equipa que fez esta descoberta também se debruçou no modo como este objeto massivo passou da sua distante órbita original até uma rota de colisão com a sua estrela-mãe. A mudança na órbita pode ter sido provocada pela distribuição gravitacional de planetas não detetados ainda em órbita, que perturbaram a faixa cometária. Outra explicação diz que a estrela companheira da anã branca perturbou a cintura e fez com que objetos viajassem em direção à anã branca. A mudança na órbita também pode ter sido provocada por uma combinação destes dois cenários.

A Cintura de Kuiper do Sistema Solar, situada para lá da órbita de Neptuno, é o lar de muitos planetas anões, cometas e outros corpos pequenos deixados para trás pela formação do Sistema Solar. As novas descobertas fornecem agora evidências observacionais que suportam a ideia de que os corpos gelados também estão presentes noutros sistemas planetários e que sobreviveram à longa história da evolução da estrela.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
UCLA (comunicado de imprensa)
Hubblesite
Artigo científico (PDF)
The Astrophysical Journal Letters
Astronomy
SPACE.com
PHYSORG
Science alert
Popular Mechanics
Gizmodo
AstroPT

Anãs brancas:
Wikipedia
NASA

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Observatório W. M. Keck:
Página oficial
Wikipedia

 
BURACO NEGRO DE MASSA INTERMÉDIA NO CENTRO DE UM ENXAME GLOBULAR GIGANTE
Nesta impressão de artista, um buraco negro de massa intermédia no plano da frente distorce luz do enxame globular no fundo. Uma nova investigação sugere que um buraco negro com 2200 vezes a massa do Sol reside no centro de um enxame globular 47 Tucanae.
Crédito: CfA/M. Weiss
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Todos os buracos negros conhecidos pertencem a duas categorias: pequenos buracos negros com uma massa correspondente a vários Sóis, e buracos negros supermassivos com milhões ou milhares de milhões de vezes a massa do Sol. Os astrónomos também acham que devem existir buracos negros de massa intermédia, que têm entre 100 e 10.000 vezes a massa do Sol, mas até agora não encontraram evidências conclusivas. Na semana passada, astrónomos anunciaram novas evidências da existência de um buraco negro de massa intermédia, com 2200 vezes a massa do Sol, escondido no centro do enxame globular 47 Tucanae.

"Queremos encontrar buracos negros de massa intermédia porque são o elo perdido entre os buracos negros de massa estelar e os buracos negros supermassivos. Podem ser as sementes primordiais que dão azo aos monstros que vemos hoje nos centros das galáxias," afirma o autor principal Bulent Kiziltan do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica.

Este trabalho foi publicado na edição de 9 de fevereiro da revista científica Nature.

47 Tucanae é um enxame com 12 mil milhões de anos localizado a 13.000 anos-luz da Terra na direção da constelação do hemisfério sul de Tucano. Contém centenas de milhares de estrelas numa bola com apenas cerca de 120 anos-luz em diâmetro. Também alberga cerca de duas dúzias de pulsares, alvos importantes desta investigação.

47 Tucanae já tinha sido investigado, sem sucesso, pela existência de um buraco negro central. Na maioria dos casos, podemos encontrar buracos negros procurando raios-X provenientes de um disco quente de material que gira em seu redor. Este método só funciona se o buraco negro se estiver a alimentar ativamente de gás próximo. O centro de 47 Tucanae não tem gás, efetivamente fazendo com que qualquer buraco negro aí presente "passe fome".

Esta impressão de artista mostra outra representação do buraco negro de massa intermédia que poderá residir no centro do enxame globular 47 Tucanae.
Crédito: B. Kiziltan & T. Karacan
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea também revela a sua presença pela sua influência nas estrelas próximas. Anos de observações no infravermelho mostraram um punhado de estrelas, no Centro Galáctico, a rodopiar um objeto invisível com uma forte atração gravitacional. Mas o centro lotado de 47 Tucanae torna impossível assistir aos movimentos de estrelas individuais.

A nova pesquisa baseia-se em duas linhas de evidência. A primeira - os movimentos globais de estrelas em redor do enxame. O ambiente de um enxame globular é tão denso que as estrelas mais pesadas tendem a afundar-se para o centro do aglomerado. Um buraco negro de massa intermédia, no centro do enxame, atua como uma "colher" cósmica que "agita a panela", fazendo com que essas estrelas sejam lançadas a velocidades mais altas e a maiores distâncias. Isto transmite um sinal subtil que os astrónomos podem medir.

Usando simulações computacionais de movimentos e distâncias estelares, e comparando-as com observações no visível, a equipa encontrou evidências deste tipo de agitação gravitacional.

A segunda linha de evidência surge dos pulsares, remanescentes compactos de estrelas moribundas cujos sinais de rádio são facilmente detetáveis. Estes objetos também são arremessados pela gravidade do buraco negro de massa intermédia no centro, fazendo com que sejam encontrados a distâncias maiores do centro do enxame do que seria de esperar caso não existisse um buraco negro.

Combinadas, estas linhas de evidência sugerem a presença de um buraco negro de massa intermédia com aproximadamente 2200 massas solares no interior de 47 Tucanae.

Dado que este buraco negro tem escapado à deteção durante tanto tempo, é provável que outros buracos negros de massa intermédia se escondam noutros enxames globulares. A sua descoberta exigirá dados semelhantes sobre as posições e movimentos tanto das estrelas como de quaisquer pulsares dentro dos enxames.

Links:

Notícias relacionadas:
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Nature
Sky & Telescope
SPACE.com
Astronomy Now
ScienceDaily
New Scientist
Science alert
PHYSORG
Scientific American
ScienceNews
ars technica

47 Tucanae:
Wikipedia
SEDS

Buraco negro de massa intermédia:
Wikipedia

Enxames globulares:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
SEDS
Wikipedia

 
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  Novas evidências a favor da matéria escura: as barras das galáxias movem-se mais lentamente do que pensávamos (via Instituto de Astrofísica das Canárias)
Porque é que a maioria dos astrónomos aceita a existência da matéria escura? Matéria cuja composição é desconhecida mas que compõe 80% da massa das galáxias? O conceito foi inventado na década de 1930 por Fritz Zwicky, que o usou para explicar o porquê das galáxias no enxame de Cabeleira estarem a mover-se mais depressa do que conseguimos explicar em termos das suas massas conhecidas. Ler fonte
     
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Nuvens Rodopiantes no Hemisfério Sul de Júpiter
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAJPL-CaltechSwRIMSSS; Processamento: Damian Peach
 
A Juno completou a sua quarta passagem perto de Júpiter. Lançada da Terra em 2011 e tendo chegado a Júpiter no passado mês de julho, a sonda robótica Juno concluiu a sua mais recente órbita elíptica em torno do maior planeta do Sistema Solar há 12 dias atrás. Dessa passagem, esta nova imagem de alta-resolução mostra o hemisfério sul de Júpiter, caracterizado por uma tapeçaria fascinante de turbulentos e rodopiantes sistemas de nuvens. O terminador, a região entre o dia e a noite, corta diagonalmente em baixo, o que significa que o Sol está posicionado para lá do canto superior direito. A grande Oval BA é visível em tons laranjas à extrema direita. Ainda não sabemos o porquê dos detalhes e cores das rodopiantes nuvens de Júpiter. A missão planeada da Juno, com a duração de seis anos, vai estudar o gigante joviano de novas maneiras, incluindo a tentativa de determinar se, por baixo das suas espessas nuvens, Júpiter tem um núcleo sólido.
 

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