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Edição n.º 1363
31/03 a 03/04/2017
 
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31/03/17 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 31/03: 90.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1966, lançamento da sonda soviética Luna 10, que mais tarde se torna na primeira a orbitar a Lua.

Em 1970, a Explorer 1 reentra na atmosfera da Terra (após 12 anos em órbita).
Observações: O grande e brilhante Hexágono de Inverno ainda pode ser observado depois do anoitecer, preenchendo o céu a sudoeste e oeste. Comece com a brilhante Sirius a sudoeste, o canto inferior esquerdo do Hexágono. Bem para cima de Sirius encontra-se Procyon. Daí, salte até Pollux e Castor, ainda mais altos, e para a direita de Castor até Menkalinen e Capella, para Aldebarã, Rigel em Orionte, e depois novamente para Sirius.

Dia 01/04: 91.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1960 os Estados Unidos lançavam o primeiro satélite meteorológico, TIROS-1, que produz também a primeira imagem televisiva a partir do espaço.

Em 1976, o efeito gravitacional Joviano-Plutoniano, um embuste do "Dia das Mentiras", é pela primeira vez anunciado pelo astrónomo Patrick Moore
Em 1997, o Cometa Hale-Bopp passa o periélio.
Observações: Eclipse de Europa, entre as 03:57 e as 06:34.
Ocultação de Europa, entre as 04:19 e as 06:49.
Maior elongação este de Mercúrio, pelas 07:51. Procure-o baixo a oeste-noroeste cerca de 45-60 minutos depois do pôr-do-Sol. Marte está 15º para cima.

Dia 02/04: 92.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1618 nascia Francesco Maria Grimaldi, matemático e físico italiano, bem como padre jesuíta.

Investigou a queda livre de objetos e calculou a constante gravitacional ao registar oscilações num pêndulo. Construiu e usou instrumentos para medir montanhas na Lua bem como a altura de nuvens. Foi o primeiro a fazer observações precisas da difração da luz.
Em 1964, lançamento da soviética Zond 1.
Observações: Trânsito da sombra de Europa, entre as 22:12 e as 00:49 (já de dia 3).
Trânsito de Io, entre as 22:29 e as 01:01 (já de dia 3).

Dia 03/04: 93.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1966, o Luna 10, o primeiro orbitador lunar da União Soviética, foi colocado numa órbita selenocêntrica e torna-se no primeiro satélite artifical da Lua. Lançado no dia 31 de março de 1966, concluiu a sua missão e enviou dados valiosos sobre emissões de raios-gama da superfície lunar.
Em 1984, o líder de esquadrão Rakesh Sharma é lançado a bordo de um Soyuz T-11, e torna-se o primeiro indiano no espaço.

Observações: Trânsito da sombra de Io, entre as 04:30 e as 06:44.
Trânsito de Io, entre as 04:31 e as 06:52.
Lua em Quarto Crescente, pelas 19:39.
Sirius é a estrela mais brilhante do céu, a sul-sudoeste após o anoitecer. A uma distância de apenas 8,6 anos-luz, é a estrela mais próxima do Sol que é visível a olho nu (no hemisfério norte).

 
CURIOSIDADES


A NASA lançou oficialmente um novo recurso para ajudar o público a pesquisar e a descarregar imagens "fora deste mundo", vídeos e ficheiros áudio da agência espacial. O website consolida imagens espalhadas em mais de 60 coleções num único sítio: https://images.nasa.gov

 
OS ASTRÓNOMOS VÃO TENTAR FOTOGRAFAR A REGIÃO MAIS PRÓXIMA DO BURACO NEGRO DA VIA LÁCTEA
Imagem da região em redor do buraco negro supermassivo da Via Láctea, Sgr A*, em raios-X.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Desde que foram mencionados pela primeira vez por John Michell numa carta à Sociedade Real de Londres em 1783, que os buracos negros têm capturado a imaginação dos cientistas, escritores, cineastas e outros artistas. Talvez parte do fascínio é que estes objetos enigmáticos nunca foram realmente "vistos". Mas isto pode estar agora prestes a mudar, pois uma equipa internacional de astrónomos está a ligar vários telescópios na esperança de obter a primeira imagem de um buraco negro.

Os buracos negros são regiões do espaço onde a atração da gravidade é tão forte que nada - nem mesmo a luz - consegue escapar. A sua existência foi prevista matematicamente por Karl Schwarzchild em 1915, como solução para equações propostas pela teoria da relatividade geral de Albert Einstein.

Os astrónomos já têm, há décadas, evidências circunstanciais de que, nos corações de galáxias massivas, encontram-se buracos negros supermassivos - entre um milhão e mil milhões de vezes a massa do Sol. Isto porque eles conseguem ver a atração gravitacional que exercem sobre estrelas que orbitam em redor do centro galáctico. Quando sobrealimentados com material do ambiente galáctico circundante, também podem expelir plumas detetáveis ou jatos de plasma a velocidades próximas da luz. O ano passado, a experiência LIGO forneceu ainda mais evidências através da famosa deteção de ondulações no espaço-tempo provocadas pela fusão de dois buracos negros de massa intermédia há milhões de anos atrás.

Mas, apesar de sabermos que os buracos negros existem, ainda permanecem, na vanguarda da astronomia moderna, questões acerca da sua origem, evolução e influência no Universo.

Crédito: Nik Spencer/Nature; Avery Broderick/Universidade de Waterloo (imagens do meio de baixo)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Captando um pequeno ponto no céu

Entre os dias 5 e 14 de abril de 2017, a equipa por trás do EHT (Event Horizon Telescope) espera testar as teorias fundamentais da física dos buracos negros, tentando obter a primeira imagem do horizonte de eventos de um buraco negro (o ponto a partir do qual a teoria prevê que nada pode escapar). Ao ligar uma rede global de radiotelescópios para formar o equivalente a um telescópio gigante do tamanho da Terra - usando uma técnica conhecida como Interferometria de Linha de Base Muito Longa e síntese de abertura da Terra - os cientistas vão examinar o coração da nossa Galáxia, a Via Láctea, onde se esconde um buraco negro com 4 milhões de vezes a massa do Sol - Saggitarius A*.

Os astrónomos sabem que existe um disco de poeira e gás em órbita do buraco negro. O percurso que a luz deste material leva será distorcido no campo gravitacional do buraco negro. O seu brilho e cor também devem ser alterados de maneiras previsíveis. A assinatura que os astrónomos esperam observar com o EHT é uma forma crescente brilhante em vez de um disco. E podem, quem sabe, até ver a sombra do horizonte de eventos do buraco negro contra o plano de fundo deste material brilhante e giratório.

A rede liga nove estações espalhadas pelo planeta - alguns telescópios individuais e várias coleções de telescópios - na Antártica, Chile, Hawaii, Espanha, México e EUA. O "telescópio virtual" está em desenvolvimento há muitos anos e a tecnologia já foi testada. No entanto, estes testes revelaram, inicialmente, uma sensibilidade limitada e uma resolução angular insuficiente para estudar as escalas necessárias para observar a região do buraco negro. Mas a adição de novas redes telescópicas - incluindo o ALMA (Atacama Large Millimeter Array) no Chile e o SPT (South Pole Telescope) - dará à rede um muito necessário impulso em capacidade de resolução. É como colocar óculos e, de repente, sermos capazes de ver ambos os faróis de um carro que se dirige na nossa direção, em vez de um único borrão de luz.

Localização dos telescópios que vão participar no projeto EHT (Event Horizon Telescope).
Crédito: Nature
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O buraco negro é uma fonte compacta no céu - no visível, está completamente bloqueado por grandes quantidades de gás e poeira. No entanto, os telescópios com resolução suficiente e operando a longos comprimentos de onda, no rádio, podem atravessar este nevoeiro cósmico.

A resolução de qualquer tipo de telescópio - o mais fino detalhe que pode ser discernido e medido - é geralmente citado como um pequeno ângulo correspondente à razão entre o tamanho de um objeto e a sua distância. O tamanho angular da Lua, vista a partir da Terra, é de mais ou menos meio grau, ou 1800 segundos de arco. Para qualquer telescópio, quanto maior a abertura, maior o detalhe que pode ser observado.

A resolução de um único radiotelescópio (digamos, com a abertura de 100 metros) é aproximadamente de 60 segundos de arco. Isto é comparável à resolução do olho humano, sem ajudas, e a cerca de um-sexagésimo do diâmetro aparente da Lua Cheia. Mas, ao ligarmos muitos telescópios, o EHT será capaz de atingir uma resolução de 15-20 microssegundos de arco (0,000015 segundos de arco), equivalente a ser capaz de discernir uma uva à distância da Lua.

O que está em jogo?

Embora a prática de ligar muitos telescópios, desta maneira, seja bem conhecida, o EHT vai enfrentar desafios particulares. Os dados recolhidos em cada estação da rede serão enviados para uma instalação de processamento central onde um supercomputador vai combiná-los cuidadosamente. Diferentes condições meteorológicas, atmosféricas e telescópicas, em cada local, vão exigir uma calibração meticulosa dos dados para que os cientistas possam ter a certeza que quaisquer características que encontrem nas imagens finais não sejam artefactos.

Se funcionar, a captura de imagens do material perto da região do buraco negro, com resoluções angulares comparáveis à do seu horizonte de eventos, abrirá uma nova era no estudo dos buracos negros e resolverá uma série de grandes questões: será que os horizontes de eventos sequer existem? Será que a teoria de Einstein funciona nesta região de gravidade extrema ou precisamos de uma nova teoria para descrever a gravidade assim tão perto de um buraco negro? Além disso, como é que os buracos negros são alimentados e como é que o material é expelido?

Poderá até mesmo ser possível captar imagens de buracos negros no centro de galáxias vizinhas.

Em última análise, a combinação de teorias matemáticas e de profundos conhecimentos físicos, impressionantes colaborações científicas internacionais, incríveis avanços tecnológicos na física experimental e na engenharia, vão revelar a natureza do espaço-tempo como uma característica definidora da ciência do início do século XXI.

Links:

Notícias relacionadas:
Nature
Science alert
PHYSORG

Sagitário A*:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

EHT (Event Horizon Telescope):
Página oficial
Wikipedia

 
ENCONTRANDO UM PLANETA "PERDIDO", QUASE DO TAMANHO DE NEPTUNO
Impressão de artista de Kepler-150 f.
Crédito: Michael S. Helfenbein
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Astrónomos da Universidade de Yale descobriram um planeta "perdido" que tem quase o tamanho de Neptuno e que está situado num sistema solar a 3000 anos-luz da Terra.

O novo planeta, Kepler-150 f, foi esquecido por vários. Os algoritmos de computador é que identificam a maioria destes denominados "exoplanetas", planetas localizados para lá do Sistema Solar. Os algoritmos pesquisam dados de levantamentos de missões espaciais, à procura de trânsitos reveladores de planetas orbitando em frente de estrelas distantes.

Mas às vezes os computadores falham. Neste caso, era um planeta no sistema Kepler-150 com uma órbita longa em torno do seu sol. Kepler-150 f leva 637 dias para completar uma volta em torno da sua estrela hospedeira, uma das órbitas mais longas conhecidas para um sistema com cinco ou mais planetas.

A missão Kepler encontrou outros quatro planetas no sistema Kepler-150 - Kepler-150 b, c, d e e - há vários anos atrás. Todos têm órbitas muito mais próximas da estrela do que este novo planeta.

"Só usando a nossa nova técnica de modelagem e subtraindo os sinais dos trânsitos dos planetas conhecidos, conseguimos realmente ver o que realmente era," comenta Joseph Schmitt, estudante de Yale e autor principal do novo artigo publicado na revista The Astronomical Journal, que descreve o planeta. "Essencialmente, estava escondido à vista de todos, numa floresta de outros trânsitos planetários."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Yale (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astronomical Journal
PHYSORG

Kepler-150 f:
Exoplanet.eu

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA)
Arquivo de dados do Kepler
Arquivo de dados da missão K2
Descobertas planetárias do Kepler
Wikipedia

 
ESCOLHIDOS OS DOIS LOCAIS DE ATERRAGEM DA EXOMARS
Impressão de artista do rover ExoMars da ESA (plano da frente) e da plataforma russa de ciência de superfície (fundo) à superfície de Marte.
Crédito: ESA/ATG medialab
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Dois locais antigos, que albergaram uma abundância de água no início da história do planeta Marte, foram recomendados como os candidatos finais para o local de aterragem da plataforma de ciência de superfície e rover ExoMars 2020: Oxia Planum e Mawrth Vallis.

Uma restrição técnica primária é que o local de aterragem esteja num nível adequadamente baixo, de modo que haja atmosfera suficiente para ajudar a desacelerar a descida do para-quedas do módulo de aterragem.

Em seguida, a elipse de aterragem de 120 x 19 km não deve conter características que possam pôr em perigo a aterragem, o desdobramento das rampas da plataforma de superfície para o rover sair e a mobilidade do rover. Isso significa examinar a região por declives íngremes, material solto e grandes rochas.

Oxia Planum foi selecionado em 2015 para uma avaliação mais detalhada. Embora ainda não esteja concluída, a investigação até agora indica que a região cumpriria as várias restrições. Além disso, um outro local teve que ser escolhido entre Aram Dorsum e Mawrth Vallis.

Exemplo de como o local Oxia Planum, sob consideração para a missão ExoMars 2020, está a ser analisado. O mapa realça um contorno (vermelho) que encapsula a gama de elipses de aterragem possíveis com 120 x 19 km, juntamente com algumas margens. Também estão indicados os contornos das elevações. As cores representam uma variedade de terrenos identificados, incluindo planícies (tons verdes), canais (tons azuis), crateras de impacto (tons amarelados, com contornos pretos) e características sopradas pelo vento (rosa). Não é um mapa geológico com objetivo de análise científica, mas uma ferramenta usada para identificar diferentes texturas superficiais e onde podem existir perigos potenciais.
A imagem de fundo foi obtida pelo instrumento THEMIS (Thermal Emission Imaging System) da sonda Mars Odyssey da NASA.
Crédito: mapa: NASA/JPL-Caltech/Universidade Estatal do Arizona; análise: IRSPS/TAS-I
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Depois de um encontro de dois dias com especialistas da comunidade científica de Marte, indústria e projeto ExoMars, durante os quais os méritos científicos dos três locais foram apresentados juntamente com o estado preliminar de conformidade com as restrições de engenharia, concluiu-se que Mawrth Vallis será o segundo local a ser avaliado em mais detalhe.

Cerca de um ano antes do lançamento, a decisão final será tomada sobre qual local se tornará o alvo de desembarque da ExoMars 2020.

Todos os locais situam-se a norte do equador, numa região com muitos canais que atravessam desde as terras altas do sul até às terras altas do norte. Como tal, preservam um rico registo de história geológica do passado húmido do planeta há mil milhões de anos atrás e são alvos principais para missões como a ExoMars, que estão à procura de assinaturas de vida passada em Marte.

Oxia Planum encontra-se num limite onde muitos canais esvaziaram nas vastas planícies e exibe camadas de minerais ricos em argila que foram formadas em condições húmidas há cerca de 3,9 mil milhões de anos.

As observações a partir de órbita mostram que os minerais em Oxia Planum são representativos daqueles encontrados numa ampla área em torno desta região e, assim, forneceriam um conhecimento das circunstâncias ambiente, a uma escala global, durante esta época da história marciana.

Esculpido por águas passadas à superfície, Mawrth Vallis é um dos canais mais belos de Marte. O vale, um local que já foi potencialmente habitável, é uma das características principais de uma região situada na fronteira entre as terras altas a sul e as terras baixas a norte.
Mawrth Vallis domina a imagem, imagem esta com 330.000 km^2 e que rodeia o vale. Com um comprimento de 600 km e uma profundidade de até 2 km, é um dos maiores vales de Marte. Por ele passaram grandes quantidades de água, a partir de uma região mais elevada, parte da qual pode ser vista em baixo e à direita, até às planícies a norte, em cima e à esquerda.
Entre as notáveis características estão grandes exposições de filossilicatos claros (minerais argilosos) que se encontram no seu curso. Os filossilicatos em Marte são evidências da presença passada de água líquida e apontam para a possibilidade de que ambientes habitáveis podem ter existido no planeta até há 3,6 mil milhões de anos atrás.
Uma rocha escura, restos de cinza vulcânica antiga, cobre muitas das argilas e poderá ter protegido vestígios de micróbios antigos da radiação e da erosão. Isso torna Mawrth Vallis uma das regiões mais interessantes para os geólogos e astrobiólogos. É um dos candidatos principais a local de aterragem da missão ExoMars 2020, com o objetivo de descobrir se a vida já existiu em Marte.
O nome vem da palavra galesa para Marte ("Mawrth") e da palavra latina para vale ("vallis"). Este mosaico foi criado usando nove imagens individuais obtidas pela câmara de alta resolução da sonda Mars Express da ESA, que tem vindo a orbitar Marte desde finais de 2003. É uma de um conjunto de imagens da região, divulgado no dia 7 de julho de 2016 no website DLR e na página da Freie Universität Berlin.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Mawrth Vallis é um grande canal de escoamento a poucas centenas de quilómetros de Oxia Planum. A elipse de aterragem proposta é apenas ao sul do canal. Toda a região exibe, extensivamente, depósitos sedimentares ricos em argila e uma diversidade de minerais que sugere uma presença sustentada de água ao longo de um período de várias centenas de milhões de anos, talvez incluindo lagoas localizadas.

Além disso, fraturas de tons claros contendo "veias" de minerais alterados pela água apontam para interações entre rochas e líquidos em aquíferos subterrâneos e possível atividade hidrotermal que pode ter sido benéfica para quaisquer formas de vida antigas.

Mawrth Vallis oferece uma janela para um grande período da história marciana que poderia sondar a evolução inicial do ambiente do planeta ao longo do tempo.

"Embora os três locais em discussão nos deem excelentes oportunidades para procurar assinaturas de biomarcadores antigos e para obter uma nova visão sobre o passado mais húmido do planeta, só podemos escolher dois locais para uma análise mais detalhada", diz Jorge Vago, cientista do projeto rover ExoMars da ESA.

"Assim, após uma reunião intensa, que se concentrou primeiramente nos méritos científicos dos locais, o grupo de trabalho da seleção do local de aterragem recomendou que Mawrth Vallis se juntasse a Oxia Planum como um dos dois candidatos finais para a missão ExoMars 2020.

"Ambos os locais candidatos explorariam um período da história marciana antiga que ainda não tenha sido estudado por missões anteriores."

Os esforços concentrar-se-ão agora na compreensão destes dois locais no maior detalhe possível. No lado da ciência, isso inclui a identificação de locais específicos onde o rover poderia usar o seu berbequim para recuperar amostras abaixo da superfície e para definir possíveis travessias que poderia fazer, cobrindo até 5 km do seu ponto de aterragem, para alcançar o número máximo de locais interessantes.

No lado da engenharia, as equipas continuarão a mapear a distribuição e tamanhos de rochas e crateras e documentar os ângulos das encostas locais e a cobertura de "areia" macia, para garantir que a aterragem e as travessias em todo o planeta sejam tão seguras quanto possível. Um estudo detalhado começará agora para Mawrth Vallis.

A plataforma estacionária de ciência de superfície e rover contêm grupos de instrumentos que farão uma análise completa do local de aterragem e arredores. Enquanto o rover se vai dirigir a diferentes locais para analisar a superfície e subsuperfície em busca de pistas para a vida passada, a plataforma estacionária irá fornecer imagens de contexto no local de aterragem e monitorização climática a longo prazo e investigações atmosféricas.

ExoMars, um esforço conjunto entre a ESA e Roscosmos, é uma missão em duas partes: o "Trace Gas Orbiter" chegou a Marte no final de 2016 e, além da sua própria missão científica de análise da atmosfera sobre gases raros que podem estar relacionados com a atividade biológica ou geológica, também atuará como um retransmissor de dados para a missão 2020.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Saiba mais sobre Mawrth Vallis (ESA)
Saiba mais sobre Oxia Planum (ESA)
SPACE.com
BBC News

ExoMars 2020:
ESA
Wikipedia

ExoMars TGO:
ESA
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
NUSTAR EXAMINA INTRIGANTE FUSÃO GALÁCTICA
Esta imagem ótica mostra o sistema Was 49, que consiste de uma grande galáxia de disco, Was 49a, em fusão com uma galáxia "anã" muito mais pequena, Was 49b.
Crédito: DCT/NRL
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Um buraco negro supermassivo, no interior de uma galáxia minúscula, está a desafiar as ideias dos cientistas acerca do que acontece quando duas galáxias se tornam uma.

Was 49 é o nome de um sistema que consiste de uma grande galáxia de disco, referida como Was 49a, em fusão com uma galáxia "anã" muito mais pequena chamada Was 49b. A galáxia anã gira dentro do disco da galáxia maior, a cerca de 26.000 anos-luz do seu centro. Graças à missão NuSTAR (Nuclear Spectroscopic Telescope Array) da NASA, os cientistas descobriram que a galáxia anã é tão luminosa em raios-X de alta energia, que deve hospedar um buraco negro supermassivo muito maior e mais poderoso do que o esperado.

"Este é um sistema completamente diferente e é contrário ao que entendemos das fusões galácticas," comenta Nathan Secrest, autor principal do estudo e pós-doutorado do Laboratório de Investigação Naval dos EUA em Washington.

Os dados do NuSTAR e do SDSS (Sloan Digital Sky Survey) sugerem que a massa do buraco negro da anã é enorme, em comparação com galáxias de tamanho semelhante, tendo mais de 2% da própria massa da galáxia.

"Nós não achávamos que as galáxias anãs hospedavam buracos negros supermassivos assim tão grandes," realça Secrest. "Este buraco negro pode ser centenas de vezes mais massivo do que o que seria de esperar para uma galáxia deste tamanho, dependendo de como a galáxia evoluiu em relação a outras galáxias."

O buraco negro da galáxia anã é o motor de um núcleo galáctico ativo (AGN, em inglês "active galactic nucleus"), um fenómeno cósmico no qual a radiação altamente energética é expelida à medida que um buraco negro devora gás e poeira. Este AGN em particular parece estar coberto por uma estrutura gasosa e poeirenta em forma de donut. As missões Chandra e Swift da NASA foram usadas para caracterizar mais detalhadamente a emissão de raios-X.

Normalmente, quando duas galáxias começam a fundir-se, o buraco negro central da galáxia maior torna-se ativo, engolindo vorazmente gás e poeira e expelindo raios-X altamente energéticos à medida que a matéria é convertida em energia. Isto ocorre porque, à medida que as galáxias se aproximam uma da outra, as suas interações gravitacionais criam um torque que encaminha gás para o buraco negro central da galáxia maior. Mas, neste caso, a galáxia menor abriga um AGN mais luminoso com um buraco negro supermassivo mais ativo e o buraco negro central da galáxia maior está relativamente silencioso.

Uma imagem ótica do sistema Was 49, compilada usando observações do Telescópio do Discovery Channel em Happy Jack, no estado norte-americano do Arizona, usa os mesmos filtros de cor que o SDSS. Dado que Was 49 está tão longe, estas cores estão otimizadas para separar a emissão de gás altamente ionizado, como a região cor-de-rosa em redor do faminto buraco negro supermassivo, da luz estelar "normal", vista em tons de verde. Isto permitiu com que os astrónomos determinassem com maior precisão o tamanho da galáxia anã que hospeda o buraco negro supermassivo.

A emissão rosa sobressai numa nova imagem graças à intensa radiação ionizante emanada pelo poderoso AGN. Enterrada dentro desta região de intensa ionização, está uma ténue coleção de estrelas, que se pensa fazer parte da galáxia que rodeia o enorme buraco negro. Estas características impressionantes situam-se na periferia da muito maior galáxia espiral Was 49a, que aparece esverdeada devido à distância e aos filtros óticos usados.

Os cientistas ainda estão a tentar descobrir porque é que o buraco negro supermassivo da galáxia anã Was 49b é tão grande. Podia já ser grande antes do início da fusão, ou poderá ter crescido durante uma fase muito inicial da fusão.

"Este estudo é importante porque pode fornecer novas informações sobre a formação e evolução dos buracos negros supermassivos neste tipo de sistemas," afirma Secrest. "Ao examinar sistemas como este, podemos encontrar pistas sobre como o buraco negro supermassivo da nossa própria Galáxia se formou."

Daqui a várias centenas de milhões de anos, os buracos negros da galáxia grande e da galáxia anã vão tornar-se num único monstruoso gigante.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy
EarthSky
Space Daily
PHYSORG

Fusões galácticas:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Núcleo galáctico ativo (AGN):
Wikipedia

NuSTAR:
NASA
Caltech
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Telescópio Swift:
NASA
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Super bolha de gás em expansão detetada à volta de gigantescos buracos negros no Universo primordial (via Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço)
Num estudo, liderado por Sandy Morais, uma aluna de doutoramento do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) e da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), os investigadores descobriram gigantescas bolhas de gás e poeira à volta de duas rádio-galáxias longínquas, a cerca de 11,5 mil milhões de anos-luz de distância. Ler fonte
     
  Astrónomos estudam partículas rodopiantes em halo de galáxia "starburst" (via ICRAR)
Astrónomos usaram um radiotelescópio na Austrália para ver o halo de uma galáxia "starburst" vizinha em detalhes sem precedentes. Uma galáxia "starburst" é uma galáxia que está a atravessar um período de intensa formação estelar e esta, conhecida como NGC 253 ou Galáxia do Escultor, está a aproximadamente 11,5 milhões de anos-luz da Terra. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Estrelas Jovens e Nebulosa Poeirentas em Touro
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Lloyd L. SmithDeep Sky West
 
Este complexo de nebulosas poeirentas está situado ao longo da orla da nuvem molecular de Touro, a uns meros 450 anos-luz de distância. Estão a formar-se estrelas nesta cena cósmica. Composto a partir de quase 40 horas de dados de imagem, este campo telescópico com 2º de diâmetro inclui, à direita, algumas estrelas jovens da classe T-Tauri, embebidas nos remanescentes das suas nuvens natais. Com milhões de anos e ainda atravessando a adolescência estelar, as estrelas têm brilho variável e encontram-se nas fases finais do seu colapso gravitacional. As temperaturas dos seus núcleos vão subir para sustentar fusão nuclear à medida que crescem para estrelas estáveis de sequência principal, mas de baixa massa, uma fase da evolução estelar alcançada pelo nosso Sol, de meia-idade, há cerca de 4,5 mil milhões de anos atrás. Outra jovem estrela variável, V1023 Tauri, pode ser avistada à esquerda. No interior da sua nuvem amarelada de poeira, fica ao lado da impressionante e azul nebulosa de reflexão Cederblad 30, também conhecida como LBN 782. Logo acima dessa brilhante nebulosa de reflexão está a nebulosa escura e empoeirada Barnard 7.
 

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