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Edição n.º 1376
16/05 a 18/05/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 16/05: 136.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1925, nascia Nancy Roman, astrónoma americana. Ao longo da sua carreira, foi oradora pública, educadora e defensora das mulheres nas ciências. É tida como a "mãe" do Telescópio Hubble.
Em 1969, a sonda soviética, Venera 5, aterra em Vénus.
Em 1992, o vaivém espacial Endeavour aterra em segurança após o seu voo inaugural
Em 1997, a STS-84 atraca com a MIR para a sexta missão STS-MIR.

É o 122.º dia de Jerry Linenger como membro da tripulação da MIR.
No mesmo ano, imagens de todo o mundo do Cometa Halle-Bopp são colocadas online.
Em 2011, a STS-134 (sequência ULF6 da construção da ISS) é lançada a partir do Centro Espacial Kennedy, o 25.º e último voo do vaivém Endeavour.
Observações: Vega é a estrela mais brilhante a este-nordeste após o anoitecer. Cerca de 14º (punho e meio à distância do braço esticado) para cima e para a esquerda de Vega está Eltanin, o nariz da constelação de Dragão. Mais perto e para cima e para a esquerda de Eltanin está Lozenge, o asterismo composto por três estrelas que representa a cabeça do animal mítico. Dragão aponta sempre o seu nariz para Vega.

Dia 17/05: 137.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1836 nascia J. Norman Lockyer, descobridor do elemento hélio em 1868. J. N. L. fazia estudos espectrais do Sol quando atribuíu linhas desconhecidas de absorção ao novo elemento, só "descoberto" na Terra em 1891. 

Sir Lockyer também é conhecido como o Pai da Arqueoastronomia. Foi um dos primeiros a propôr cientificamente que Stonehenge era um observatório astronómico e que as pirâmides do Egipto e as grandes catedrais Cristãs medievais foram construídas ao longo de orientações astronómicas importantes.
Em 1882 foi descoberto um cometa em fotografias da coroa solar tiradas durante um eclipse total; o cometa nunca mais foi visto. Provavelmente era um "suicida", em rota de colisão com o Sol.
Em 1969, a soviética Venera 6 começa a sua descida pela atmosfera de Vénus, enviando dados atmosféricos antes de ser destruída pela pressão.
Observações: Ocultação de Ganimedes, entre as 01:56 e as 04:40.
Eclipse de Ganimedes, entre as 05:21 e as 08:09.
Mercúrio na sua maior elongação oeste
(26º).

Dia 18/05: 138.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1048, nascia Omar Khayyám, astrónomo, matemático, filósofo e poeta persa. Foi um dos grandes astrónomos da época medieval, que contribuiu muito para a reforma do calendário e que por vezes é tido como proponente da teoria heliocêntrica.
Em 1711, nascia Ruder Josip Boscovic, físico, astrónomo, matemático, filósofo, diplomata, poeta, teólogo e padre jesuita, da república de Ragusa (atualmente Croácia). Produziu um percursor da teoria atómica e fez muitas contribuições para a astronomia, incluindo o primeiro procedimento geométrico para a determinação do equador de um planeta em rotação e da computação da órbita de um planeta. Em 1753, descobriu a ausência de atmosfera na Lua
Em 1910, a Terra passa pela cauda do cometa Halley.
Em 1969 era lançada a Apollo 10, a quarta missão tripulada do programa Apollo, que foi a segunda a orbitar a Lua.

A Apollo 10 detém o recorde da maior velocidade já atingida por um veículo tripulado: 39.896 km/h. Este foi atingido durante o regresso da Lua a 26 de maio de 1969.
Em 2005, uma segunda foto do Hubble confirmava que Plutão tinha mais duas luas: Nix e Hidra. Atualmente, conhecem-se cinco no total.
Observações: Antevisão da Via Láctea de verão - durante grande parte da primavera, para latitudes médias norte, a Via Láctea está "deitada" para baixo do horizonte depois do anoitecer, completamente fora de vista. Mas com o passar da noite, observe-a a nascer baixa a este e nordeste. A rica área correspondente à constelação de Cisne começa a subir por volta das 23:00. Vai subindo cada vez mais alto e cada vez mais cedo com o passar das semanas.

 
CURIOSIDADES


As estrelas anãs vermelhas e anãs castanhas têm tempos de vida maiores que a idade atual do Universo.

 
ROVER OPPORTUNITY COMEÇA ESTUDO DA ORIGEM DE VALE
"Perseverance Valley" está situado mesmo no outro lado da encosta decrescente da orla da cratera visível nesta imagem da Navcam do rover Opportunity da NASA, que chegou a este destino no iníco de maio em preparação para a descida até ao vale.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
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O rover Opportunity da NASA atingiu o principal destino da sua atual missão prolongada de dois anos - um antigo vale esculpido por líquido situada na encosta interna de uma vasta cratera.

À medida que o rover se aproximava do limite superior de "Perseverance Valley" no início de maio, as imagens das suas câmaras começaram a mostrar partes da área numa resolução superior àquela que pode ser obtida em imagens captadas a partir de órbita do Planeta Vermelho.

"A equipa científica está realmente entusiasmada por começar a ver esta área de perto e por começar a procurar pistas que ajudem a distinguir entre múltiplas hipóteses sobre a formação deste vale," comenta Matt Golombek, cientista do projeto Opportunity no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia.

O processo que esculpiu Perseverance Valley na orla da Cratera Endeavour há milhares de milhões de anos atrás ainda não identificado. Entre as possibilidades: poderá ter sido água corrente, ou poderá ter sido um fluxo de detritos em que uma pequena quantidade de água lubrificou uma mistura turbulenta de lama e rochas, ou poderá ter sido um processo ainda mais seco, como a erosão do vento. O objetivo principal da missão, com o Opportunity neste local, é avaliar qual das hipóteses é a melhor suportada pelas evidências ainda aí presentes.

Este gráfico mostra o percurso do rover Opportunity da NASA na sua aproximação final a "Perseverance Valley", na orla oeste da Cratera Endeavour durante a primavera de 2017.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/NMMNH
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A extremidade superior do vale está num entalhe largo na crista da borda da cratera. O plano da equipa do rover, no que toca à investigação da área, começa com a captação de imagens do vale a partir de dois pontos separados nessa inclinação da orla. Esta imagem estéreo de longa linha de base fornecerá informações para uma análise tridimensional extraordinariamente detalhada do terreno. O vale estende-se para baixo da linha da crista da orla até à cratera, numa inclinação que ronda os 15-17º para uma distância equivalente a dois campos de futebol.

"A imagem estéreo de longa linha de base será usada para produzir um mapa digital da elevação que ajudará a equipa a avaliar cuidadosamente possíveis rotas de condução vale abaixo antes de começar essa etapa da viagem," comenta John Callas, gerente do projeto Opportunity no JPL.

Inverter o percurso orla acima quando o rover estiver parcialmente a caminho poderá ser uma tarefa complicada, assim que a determinação de um caminho com o mínimo de obstáculos será importante para dirigir o Opportunity através de toda a extensão do vale. Os investigadores pretendem usar o rover para examinar texturas e composições no topo, em todo o seu comprimento e na parte inferior, como parte da investigação da história do vale.

Enquanto a imagem estéreo está a ser analisada para o planeamento do percurso, a equipa planeia usar o rover para examinar a área imediatamente a oeste da orla da cratera no topo do vale. "Esperamos fazer um pequeno passeio fora da cratera antes de começarmos a descer Perseverance Valley," salienta Golombek.

As marcas das rodas do Opportunity, descendo e dizendo adeus ao segmento "Cape Tribulation" da borda da Cratera Endeavour, são visíveis nesta imagem captada a 21 de abril de 2017 pela Pancam do rover. O rover olhou para trás (norte) durante a sua viagem para sul até "Perseverance Valley".
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Cornell/Universidade Estatal do Arizona
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A missão começou o seu 150.º mês desde a aterragem do rover Opportunity, no início de 2004, na região Meridiani Planum de Marte. Nos primeiros três meses, originalmente planeados como a duração total da missão, encontrou evidências nas rochas de que água acidificada fluiu através de partes de Marte e encharcou a subsuperfície no início da história do planeta.

Durante quase metade da missão - 69 meses - o Opportunity tem explorado locais perto e na orla oeste da Cratera Endeavour, onde rochas até mais antigas estão expostas. A cratera mede cerca de 22 km em diâmetro. O Opportunity chegou a partir do noroeste num ponto correspondente à posição das 10 horas num relógio, caso o norte corresponda ao meio-dia; Perseverance Valley corta de oeste para este aproximadamente à posição das 8 horas.

Ao longo das últimas semanas, o Opportunity tem rumado para sul até chegar à coroa do vale. Em meados de abril terminou os seus cerca de dois anos e meio num segmento da orla chamada "Cape Tribulation". Em sete viagens desde então, e até chegar ao seu destino no dia 4 de maio, percorreu 345 metros, colocando a odometria total da missão em aproximadamente 44,8 quilómetros.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
ScienceDaily

Rovers Spirit e Opportunity:
NASA
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
ASTRÓNOMOS PERSEGUEM BURACO NEGRO SUPERMASSIVO DESERTOR
Impressão de artista do buraco negro em fuga.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/NRAO/D.-C. Kim; ótico - NASA/STScI; ilustração - NASA/CXC/M. Weiss
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os buracos negros supermassivos são geralmente objetos estacionários, localizados nos centros da maioria das galáxias. No entanto, usando dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA e outros telescópios, os astrónomos recentemente caçaram o que poderá ser um buraco negro supermassivo em movimento.

Este possível buraco negro em fuga, que contém cerca de 160 milhões de vezes a massa do nosso Sol, está localizado numa galáxia elíptica a mais ou menos 3,9 mil milhões de anos-luz da Terra. Os astrónomos estão interessados nestes buracos negros supermassivos em movimento porque podem revelar mais sobre as propriedades destes objetos enigmáticos.

Este buraco negro pode ter "recuado", na terminologia usada pelos cientistas, quando dois buracos negros supermassivos mais pequenos colidiram e fundiram-se para formar um ainda maior. Ao mesmo tempo, essa colisão teria produzido ondas gravitacionais, emitidas mais fortemente numa dada direção do que noutras. Este buraco negro recém-formado recebeu um impulso na direção oposta dessas ondas gravitacionais mais fortes. Este "pontapé" teria empurrado o buraco negro para fora do centro da galáxia, conforme ilustrado na impressão de artista.

A força do pontapé depende da velocidade e direção da rotação dos dois buracos negros mais pequenos antes de se fundirem. Portanto, podem ser obtidas informações sobre estas propriedades importantes, mas elusivas, através do estudo da velocidade de recuo dos buracos negros.

Os astrónomos encontraram este candidato a buraco negro em recuo peneirando através de dados óticos e raios-X de milhares de galáxias. Primeiro, usaram observações do Chandra para selecionar galáxias que continham uma brilhante fonte de raios-X e que haviam sido observadas como parte do SDSS (Sloan Digital Sky Survey). A brilhante emissão de raios-X é uma característica comum dos buracos negros supermassivos em rápido crescimento.

Em seguida, os investigadores procuraram ver se as observações destas brilhantes galáxias em raios-X, pelo Telescópio Espacial Hubble, revelavam nas imagens óticas dois picos perto do seu centro. Estes dois picos podiam mostrar a presença de um par de buracos negros supermassivos ou que um buraco negro em retrocesso se tinha afastado do enxame de estrelas no centro da galáxia.

Se esses critérios fossem cumpridos, então os astrónomos passavam para a análise do espectro do SDSS, que mostra como a quantidade de luz visível varia com o comprimento de onda. Se os investigadores encontrassem sinais indicadores, nos espectros, da presença de um buraco negro supermassivo, continuavam a investigação com um exame ainda mais detalhado dessas galáxias.

Depois de toda esta pesquisa, foi descoberto um bom candidato para buraco negro em retrocesso. A imagem esquerda da inserção foi obtida graças aos dados do Hubble, que mostra dois pontos brilhantes perto do meio da galáxia. Um deles está localizado no centro da galáxia e o outro a cerca de 3000 anos-luz do centro. A última fonte mostra as propriedades de um buraco negro supermassivo crescente e a sua posição coincide com a de uma fonte de raios-X brilhante detetada com o Chandra (imagem direita da inserção). Usando dados do SDSS e do telescópio Keck no Hawaii, a equipa determinou que o buraco negro crescente localizado perto, mas visivelmente deslocado do centro da galáxia, tem uma velocidade diferente da da galáxia. Estas propriedades sugerem que esta fonte poderá ser um buraco negro supermassivo em retrocesso.

A galáxia que hospeda este possível buraco negro em recuo também mostra algumas evidências de perturbação nas regiões externas, o que é uma indicação que poderá ter ocorrido uma fusão entre duas galáxias num passado relativamente recente. Dado que se pensa que as fusões entre buracos negros supermassivos ocorram quando as galáxias-mãe se fundem, esta informação suporta a ideia de um buraco negro em retrocesso no sistema.

Além disso, existe uma alta formação estelar na galáxia, estimada em várias centenas de vezes a massa do Sol por ano. Isto está de acordo com as simulações de computador, que preveem que as taxas de formação estelar podem ser elevadas para galáxias em fusão, particularmente aquelas que contêm buracos negro em recuo.

Outra explicação possível para os dados é que os dois buracos negros supermassivos estão localizados no centro da galáxia, mas um deles não está a produzir radiação detetável pois está a crescer muito lentamente. Os investigadores favorecem a explicação do buraco negro em retrocesso, mas são necessários mais dados para fortalecer este caso.

O artigo que descreve estes resultados foi recentemente aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal e está disponível online.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Observatório Chandra - Harvard (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Um Olhar Rápido a CXO J101527.2+625911 (Observatório Chandra via YouTube)
Astronomy
Universe Today
Astronomy Now
PHYSORG

Fusões galácticas:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

SDSS:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
ESTUDO DA NASA DESCOBRE ATMOSFERA INESPERADAMENTE PRIMITIVA EM TORNO DE "NEPTUNO QUENTE"
A atmosfera do distante "Neptuno quente" HAT-P-26b, aqui ilustrado, é inesperadamente primitivo, composto principalmente por hidrogénio e hélio. Combinando observações dos telescópios espaciais Hubble e Spitzer, investigadores determinaram que, ao contrário de Neptuno e Úrano, o exoplaneta tem uma metalicidade relativamente baixa, uma indicação de quão rico é um planeta no que toca aos elementos mais pesados que hidrogénio e hélio.
Crédito: NASA/GSFC
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Um estudo que combinou observações dos telescópios espaciais Hubble e Spitzer da NASA revela que o distante exoplaneta HAT-P-26b tem uma atmosfera primitiva composta quase inteiramente de hidrogénio e hélio. Localizado a cerca de 437 anos-luz de distância, HAT-P-26b orbita uma estrela quase duas vezes mais velha do que o Sol.

A análise é um dos estudos mais detalhados, até à data, de um "Neptuno quente", um planeta do tamanho de Neptuno que orbita perto da sua estrela. Os investigadores determinaram que a atmosfera de HAT-P-26b está relativamente livre de nuvens e tem uma forte assinatura de água, embora o planeta não seja um mundo de água. Esta é a melhor medição, até agora, da água num exoplaneta deste tamanho.

A descoberta de uma atmosfera com esta composição, neste exoplaneta, tem implicações para o modo como os cientistas lidam com o nascimento e desenvolvimento dos sistemas planetários. Em comparação com Neptuno e Úrano, os planetas do nosso Sistema Solar com aproximadamente a mesma massa, HAT-P-26b provavelmente formou-se ou mais perto da sua estrela hospedeira ou mais tarde no desenvolvimento do seu sistema planetário, ou ambos.

"Os astrónomos só agora começaram a investigar a atmosfera destes distantes planetas da massa de Neptuno, e quase de imediato encontrámos um exemplo que vai contra a tendência no nosso Sistema Solar," comenta Hannah Wakeford, investigadora pós-doutorada do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland e autora principal do estudo publicado na edição de 12 de maio de 2017 da revista Science. "Este tipo de resultado inesperado é o porquê de eu adorar explorar as atmosferas de planetas alienígenas."

Para o estudo da atmosfera de HAT-P-26b, os investigadores usaram dados de trânsitos - ocasiões em que o planeta passou em frente da sua estrela-mãe. Durante um trânsito, uma fração da luz estelar é filtrada através da atmosfera do exoplaneta, que absorve alguns comprimentos de onda da luz, mas não outros. Ao observarem o modo como as assinaturas da luz estelar mudam como resultado desta filtragem, os cientistas podem trabalhar para trás e descobrir a composição química da atmosfera.

Neste caso, a equipa reuniu dados de quatro trânsitos medidos pelo Hubble e dois vistos pelo Spitzer. Juntas, essas observações cobriram uma ampla gama de comprimentos de onda desde a luz amarela até à região do infravermelho próximo.

"Ter tanta informação sobre um Neptuno quente é ainda raro, de modo que a análise simultânea destes conjuntos de dados é, já de si, uma conquista," afirma a coautora Tiffany Kataria do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA.

Tendo em conta que o estudo forneceu uma medição precisa da água, os investigadores foram capazes de usar essa assinatura para estimar a metalicidade de HAT-P-26b. Os astrónomos calculam a metalicidade, uma indicação de quão rico é o planeta no que toca aos elementos mais pesados que o hidrogénio e hélio, porque lhes dá pistas sobre a formação do planeta.

Para comparar planetas em termos de metalicidade, os cientistas usam o Sol como ponto de referência, quase como que descrevendo a quantidade de cafeína que as bebidas têm comparando-as com uma chávena de café. Júpiter tem uma metalicidade entre 2 a 5 vezes a do Sol. No que respeita a Saturno, esse valor é 10 vezes superior ao do Sol. Estes valores, relativamente baixos, significam que os dois gigantes gasosos são compostos quase inteiramente por hidrogénio e hélio.

Os gigantes gelados Neptuno e Úrano são mais pequenos que os gigantes gasosos anteriores, mas mais ricos em elementos mais pesados, com metalicidades aproximadamente 100 vezes a do Sol. Assim, para os quatro planetas exteriores do nosso Sistema Solar, a tendência é que as metalicidades sejam mais baixas para os planetas maiores.

Os cientistas pensam que isto ocorreu porque à medida que o Sistema Solar estava a tomar forma, Neptuno e Úrano formaram-se numa região próxima dos arredores do enorme disco de poeira, gás e detritos que girava em torno do Sol imaturo. Resumindo o complexo processo de formação planetária em poucas palavras: Neptuno e Úrano teriam sido bombardeados com grandes quantidades de detritos gelados, ricos em elementos pesados. Júpiter e Saturno, que se formaram numa parte mais quente do disco, teriam encontrado menos detritos gelados.

Dois planetas para lá do nosso Sistema Solar também encaixam nesta tendência. Um é o planeta com a massa de Neptuno, HAT-P-11b. O outro é WASP-43b, um gigante gasoso duas vezes mais massivo que Júpiter.

Mas Wakeford e colegas descobriram que HAT-P-26b rema contra a maré. Determinaram que a sua metalicidade é apenas 4,8 vezes a do Sol, muito mais perto do valor de Júpiter do que o de Neptuno.

"Esta análise mostra que existe uma diversidade muito maior nas atmosferas destes exoplanetas do que esperávamos, o que está a fornecer informações sobre como os planetas se podem formar e evoluir de forma diferente do que no nosso Sistema Solar," comenta David K. Sing da Universidade de Exeter e o segundo autor do artigo. "Eu diria que tem sido um tema nos estudos dos exoplanetas: os cientistas continuam a encontrar uma diversidade surpreendente."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade de Exeter (comunicado de imprensa)
Science (artigo científico)
Astronomy
Sky & Telescope
SPACE.com
ScienceDaily
Space Daily
EurekAlert!
redOrbit
Popular Science
PHYSORG
Science Alert
COSMOS
New Scientist
Astrobiology Magazine
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ScienceNews
UPI
The Verge
ars technica
AstroPT

HAT-P-26b:
Exoplanet.eu
Open Exoplanet Catalogue

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Ventos variáveis em exoplaneta gigante ajudam ao estudo de campo magnético (via Planetary Science Institute)
Cientistas descobriram que a variabilidade substancial nos ventos do gigante gasoso HAT-P-7b é devida ao magnetismo, e usaram essas medições para desenvolver um novo método para restringir o campo magnético de objetos deste tipo. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Pollux e Castor
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Rogelio Bernal Andreo (Deep Sky Colors)
 
Quem são os irmãos de Gémeos? Em termos de objetos de astronómicos, a famosa constelação é dominada por duas estrelas brilhantes: Pollux (esquerda) e Castor (direita). Na imagem, duas estrelas destacam-se devido ao seu brilho, tão próximas entre si em ângulo e brilho, mas tão diferentes em tons de cor. Pollux, a 33 anos-luz de distância, é uma estrela gigante vermelha evoluída com o dobro da massa do nosso Sol. Castor, a 51 anos-luz de distância, é uma estrela azul de sequência principal com cerca de 2,7 vezes a massa do nosso Sol. Castor é conhecida por ter pelo menos duas companheiras estelares, enquanto Pollux é agora conhecida por ser rodeada, pelo menos, por um planeta massivo. Em termos da antiga mitologia babilónica, grega e romana, Castor e Pollux representam irmãos gémeos. Atualmente, a órbita da Terra faz com que o Sol pareça, daqui a algumas semanas, ir passar em frente da constelação de Gémeos, de modo que para grande parte da humanidade, Castor e Pollux permanecerão visíveis ao pôr-do-Sol a oeste só durante mais esse espaço de tempo.
 

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