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Edição n.º 1425
03/11 a 06/11/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 03/11: 307.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1957, primeira forma de vida e morte terrestre no espaço: a cadela Laika é lançada a bordo do soviético Sputnik 2.

Até 2002, pensava-se que ela tinha morrido depois de uma semana em órbita. Mas nesse ano foi tornada pública a verdadeira causa e hora da sua morte: a Laika morreu em poucas horas devido a demasiado calor, possivelmente provocado por uma falha do componente R-7 em separar-se da carga.
Em 1973 era lançada a Mariner 10. Chegou a Vénus a 5 de fevereiro de 1974, maior aproximação a 5700 km. Devolveu imagens do topo das nuvens venusianas. A 29 de março de 1974, torna-se na primeira sonda a alcançar Mercúrio.
Observações: O planeta Úrano pode ser avistado cerca de 4º para a direita da Lua, nas horas que antecedem o nascer-do-Sol a oeste. Binóculos ajudam.

Dia 04/11: 308.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003 foi registada a mais forte erupção solar conhecida.

Observações: Lua Cheia, pelas 05:23. A Lua Cheia de novembro sobe sempre muito alto a meio da noite, quase tão alta quanto a Lua Cheia de dezembro.
Olhe para baixo e para a esquerda da Lua e encontre Aldebarã. Para cima de Aldebarão estão as Plêiades, talvez não tão fáceis de avistar devido ao luar. Binóculos ajudam.
A estrela muito mais para a esquerda é Capella.

Dia 05/11: 309.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1743, são organizadas observações científicas coordenadas do trânsito de Mercúrio por Joseph-Nicolas Delisle.
Em 1906, nascia Fred Whipple, que propôs o modelo da "bola de neve suja" para o núcleo dos cometas. 

Em 1964, lançamento da Mariner 3, com destino Marte. No entanto, a cobertura que alojava a sonda não abriu corretamente e a Mariner 3 não chegou ao planeta. Está agora numa órbita solar. 
Em 2007, o primeiro satélite lunar da China, Chang'e 1, entra em órbita da Lua.
Em 2013, a Índia lança a sua primeira sonda interplanetária, a MOM ou Mangalyaan.
Observações: A Lua moveu-se para muito mais perto de Aldebarã e está esta noite entre as estrelas das Híades.
Para cima da Lua estão as Plêiades e para baixo da Lua está a constelação de Orionte.

Dia 06/11: 310.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Aproveite o amanhecer para observar, baixos a este-sudeste, os planetas Marte e Vénus, este último bem perto do horizonte. Júpiter torna-se ainda mais complicado de observar, no seguimento dos outros dois astros, visto que nasce menos de uma hora antes do Sol.

 
CURIOSIDADES

Pensa-se que 50 das 60 estrelas mais próximas do nosso Sistema Solar são anãs do tipo M, embora nenhuma delas seja suficientemente brilhante para poder ser vista a olho nu a partir da Terra.

 
NOVO RASTREIO DE EXOPLANETAS DESCOBRE O SEU PRIMEIRO OBJETO
Imagem artística do planeta NGTS-1b, o primeiro a ser descoberto com o sistema NGTS, instalado no Observatório do Paranal do ESO. Trata-se de um planeta do tipo Júpiter quente, pelo menos tão grande como Júpiter no nosso Sistema Solar, mas com cerca de 20% menos massa. Encontra-se muito próximo da sua estrela — a apenas 3% da distância entre a Terra e o Sol — e orbita a sua estrela a cada 2,6 dias, o que significa que um ano em NGTS-1b dura cerca de 2 dias e meio.
Crédito: Universidade de Warwick/Mark Garlick
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A rede NGTS (Next Generation Transit Survey) instalada no Observatório do Paranal do ESO, no norte do Chile, descobriu o seu primeiro exoplaneta, um Júpiter quente em órbita de uma estrela anã do tipo M, à qual se deu o nome de NGTS-1. O planeta chamado NGTS-1b é apenas o terceiro planeta gigante que se observou a transitar uma estrela deste tipo, seguindo-se a Kepler-45b e HATS-6b. NGTS-1b trata-se do maior e o mais massivo dos três, com um raio de 130% e uma massa de 80%, relativamente a Júpiter.

O NGTS é constituído por uma rede de doze telescópios de 20 cm e procura pequenos decréscimos no brilho de uma estrela causados quando um planeta em sua órbita passa à sua frente (o chamado trânsito), bloqueando parte da sua luz. Assim que NGTS-1b foi descoberto, a sua existência foi confirmada por observações de seguimento feitas no Observatório de La Silla do ESO: observações fotométricas obtidas com a EulerCam montada no Telescópio suíço de 1,2 metros Leonhard Euler; e observações espectroscópicas feitas com o instrumento HARPS montado no telescópio de 3,6 metros do ESO.

Imagem artística do planeta NGTS-1b, o primeiro a ser descoberto com o sistema NGTS, instalado no Observatório do Paranal do ESO. Trata-se de um planeta do tipo Júpiter quente, pelo menos tão grande como Júpiter no nosso Sistema Solar, mas com cerca de 20% menos massa. Encontra-se muito próximo da sua estrela — a apenas 3% da distância entre a Terra e o Sol — e orbita a sua estrela a cada 2,6 dias, o que significa que um ano em NGTS-1b dura cerca de 2 dias e meio.
Crédito: Universidade de Warwick/Mark Garlick
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Planetas pequenos são relativamente comuns em torno de estrelas anãs do tipo M, no entanto gigantes gasosos como NGTS-1b aparecem mais raramente em torno destas estrelas do que em torno de estrelas mais parecidas com o Sol. Este facto é consistente com as atuais teorias da formação planetária, no entanto precisamos de mais observações de estrelas anãs do tipo M antes de termos um conhecimento mais aprofundado do número de planetas gigantes que se encontram em sua órbita. O NGTS foi especificamente concebido para obter dados melhores relativos a planetas em órbita de estrelas anãs do tipo M e, uma vez que estas estrelas correspondem a cerca de 75% de todas as estrelas na Via Láctea, estudá-las ajudará os astrónomos a compreender melhor a principal população de planetas na Galáxia.

O futuro pode revelar-se bem interessante no que respeita a este sistema exoplanetário, uma vez que poderá ser estudado com grande detalhe pelo complemento de instrumentos que serão colocados a bordo do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA (JWST), o qual deverá ser lançado em 2019.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)
DLR (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Universe Today
SPACE.com
Science alert
PHYSORG
National Geographic
Popular Mechanics
ars TECHNICA

NGTS-1b:
Exoplanet.eu
Wikipedia

NGTS (Next-Generation Transit Survey):
Página principal
ESO
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
NASA Exoplanet Arquive
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

 
NUSTAR EXAMINA MISTÉRIO DOS JATOS DOS BURACOS NEGROS
Impressão de artista que mostra um buraco negro com um disco de acreção - uma estrutura achatada de material em órbita de um buraco negro - e um jato de gás quente, chamado plasma.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os buracos negros são famosos por serem comedores vorazes, mas eles não comem tudo o que cai na sua direção. Uma pequena porção de material é lançado sobre a forma de poderosos jatos de gás quente, chamado plasma, que podem causar estragos nos arredores. Ao longo do caminho, este plasma de alguma forma fica energizado o suficiente para irradiar luz fortemente, formando duas colunas brilhantes ao longo do eixo de rotação do buraco negro. Os cientistas há muito que discutem onde e como isto acontece no jato.

Os astrónomos têm novas pistas acerca deste mistério. Usando o telescópio espacial NuSTAR da NASA e uma câmara rápida chamada ULTRACAM acoplada ao Observatório William Herschel em La Palma, Espanha, cientistas conseguiram medir a distância que as partículas nos jatos viajam antes de se "ligarem" e se tornarem fontes brilhantes de luz. Essa distância é chamada "zona de aceleração". O estudo foi publicado na revista Nature Astronomy.

Os cientistas examinaram dois sistemas na Via Láctea chamados de "binários de raios-X", cada um com um buraco negro alimentando-se de uma estrela normal. Eles estudaram estes sistemas em diferentes ocasiões durante períodos de explosão, que é quando o disco de acreção - uma estrutura achatada de material em órbita do buraco negro - acende-se devido à queda do material.

Um sistema, chamado V404 Cygni, atingiu quase o seu brilho máximo quando os cientistas o observaram em junho de 2015. Nessa altura, foi considerada a explosão mais brilhante de um binário de raios-X vista no século XXI. O outro, chamado GX 339-4, tinha menos de 1% do seu brilho máximo esperado quando observado. A estrela e o buraco negro de GX 339-4 estão muito mais próximos um do outro do que os objetos homólogos do sistema V404 Cygni.

Apesar das suas diferenças, os sistemas mostraram atrasos de tempo semelhantes - cerca de um-décimo de segundo - entre o momento que o NuSTAR detetou pela primeira vez os raios-X e o momento que a ULTRACAM detetou explosões no visível. Esse atraso é inferior a um piscar de olhos, mas significativo para a física dos jatos dos buracos negros.

"Uma possibilidade é que a física do jato não é determinada pelo tamanho do disco, mas sim pela velocidade, temperatura e outras propriedades das partículas na base do jato," afirma Poshak Gandhi, autor principal do estudo e astrónomos da Universidade de Southampton, Reino Unido.

A melhor teoria que os cientistas têm para explicar estes resultados é que os raios-X têm origem no material muito próximo do buraco negro. Campos magnéticos fortes impulsionam parte deste material a altas velocidades ao longo do jato. Isto resulta em partículas que colidem quase à velocidade da luz, energizando o plasma até que começa a emitir a corrente de radiação ótica captada pela ULTRACAM.

Onde é que isto ocorre no jato? O desfasamento medido entre os raios-X e a radiação visível explica isto. Ao multiplicar esse tempo pela velocidade das partículas, que é quase a velocidade da luz, os cientistas determinam a distância máxima percorrida.

Esta extensão de aproximadamente 30.000 quilómetros representa a zona de aceleração interna no jato, onde o plasma sente a aceleração mais forte e "acende" a luz. Este valor corresponde a pouco menos de três vezes o diâmetro da Terra, mas é minúsculo em termos cósmicos, especialmente considerando que o buraco negro no sistema V404 Cygni tem uma massa correspondente a 3 milhões de Terras.

"Os astrónomos esperam refinar os modelos dos mecanismos que alimentam os jatos usando os resultados deste estudo," comenta Daniel Stern, coautor do estudo e astrónomo do JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia.

Fazer estas medições não foi tarefa fácil. Os telescópios de raios-X no espaço e os telescópios óticos no chão têm que observar binários de raios-X exatamente ao mesmo tempo durante as explosões para que os cientistas possam calcular o pequeno atraso entre as deteções dos telescópios. Esta coordenação requer um planeamento complexo entre as equipas dos observatórios. Na verdade, a coordenação entre o NuSTAR e a ULTRACAM só foi possível durante cerca de uma hora aquando da explosão de 2015, mas isso foi suficiente para calcular os resultados inovadores acerca da zona de aceleração.

Os resultados também parecem relacionar-se com a compreensão dos cientistas acerca dos buracos negros supermassivos, muito maiores do que os deste estudo. Num sistema supermassivo chamado BL Lacertae, com 200 milhões de vezes a massa do nosso Sol, os cientistas inferiram desfasamentos de tempo milhões de vezes maiores do que os que este estudo encontrou. Isto significa que o tamanho da zona de aceleração dos jatos está provavelmente relacionado com a massa do buraco negro.

"Estamos entusiasmados porque parece que encontrámos um padrão característico relacionado com o funcionamento interno dos jatos, não apenas nos buracos negros de massa estelar como V404 Cygni, mas também nos buracos negros supermassivos," explica Gandhi.

Os próximos passos são a confirmação deste atraso medido em observações de outros binários de raios-X e o desenvolvimento de uma teoria que possa ligar os jatos dos buracos negros de todos os tamanhos.

"Os telescópios espaciais e terrestres, trabalhando em conjunto, foram a chave para esta descoberta. Mas ainda há muito para aprender. O futuro é promissor para a compreensão da física extrema dos buracos negros," realça Fiona Harrison, investigadora principal do NuSTAR e professora de astronomia no Caltech em Pasadena.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade de Southampton (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Nature Astronomy
Astronomy
Discover
spaceref
PHYSORG
Forbes
UPI

V404 Cygni:
SIMBAD
Wikipedia

GX 339-4:
SIMBAD
Wikipedia

Buracos negros:
Wikipedia

NuSTAR:
NASA
Caltech
Wikipedia

Telescópio William Herschel:
Página principal
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Nebulosa de Emissão "Capacete de Thor"
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Adam BlockMt. Lemmon SkyCenterU. Arizona
 
Esta nuvem cósmica em forma de capacete com asas é popularmente chamada "Capacete de Thor". Com um tamanho heróico, mesmo até para um deus nórdico, o Capacete de Thor mede cerca de 30 anos-luz. De facto, o capacete é mais como uma bolha interestelar, soprada à medida que um rápido vento - da brilhante e massiva estrela perto do centro da bolha - varre a nuvem molecular em seu redor. A estrela central, uma estrela Wolf-Rayet, é uma gigante extremamente quente que se pensa estar numa breve fase de evolução pré-supernova. Catalogada como NGC 2359, a nebulosa de emissão encontra-se a aproximadamente 12.000 anos-luz na direção da constelação de Cão Maior. A imagem, obtida com filtros de banda larga e estreita, captura os detalhes espantosos das estruturas filamentosas da nebulosa. Mostra tons azulados oriundos da forte emissão dos átomos de oxigénio na nebulosa.
 

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