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Edição n.º 1427
10/11 a 13/11/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 10/11: 314.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1695, nascia John Bevis, médico e astrónomo inglês, conhecido por ter descoberto a Nebulosa do Caranguejo em 1731.
Em 1970 era lançada a sonda lunar Lunokhod 1.

Em 2008, após mais de cinco meses em Marte, a NASA declara a missão Phoenix como terminada depois da perda de comunicações com o "lander".
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 20:36.

Dia 11/11: 315.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1572, Tycho Brahe observa uma nova no céu.

Isto é uma prova contra a teoria de Aristóteles que os céus são imutáveis.
Em 1966, lançamento da Gemini 12. Foi o 10.º e o último voo do Projeto Gemini. Demonstrou que os astronautas podiam trabalhar fora da nave espacial.
Observações: Vega é a estrela mais brilhante a oeste ao início da noite. A sua pequena constelação de Lira prolonga-se para a esquerda. Um pouco ainda mais para a esquerda, cerca de punho e meio à distância do braço esticado de Vega, está Albireu, de magnitude 3, o bico do Cisne. É um dos mais esplêndidos e coloridos sistemas binários para telescópios pequenos.

Dia 12/11: 316.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, é lançada a sonda Venera 2 (USSR), com objectivo Vénus
Em 1980, a sonda Voyager 1 faz a sua maior aproximação de Saturno.
Em 1981, lançamento STS-2 do vaivém Columbia, marcando a primeira vez que um veículo tripulado é lançado para o espaço duas vezes.
Em 2014, o "lander" Philae, libertado pela sonda Rosetta da ESA, alcança a superfície do Cometa 67P/C-G.

Observações: Muito alto a norte, na Via Láctea de outono, está o ténue Cefeu, o marido da mais brilhante Cassiopeia na mitologia. A sua constelação contém duas estrelas variáveis de interesse, Delta e Mu Cephei, para binóculos ou até mesmo à vista desarmada. Delta é o protótipo de uma cefeida. Mu é uma das maiores estrelas conhecidas.

Dia 13/11: 317.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1833, deu-se a Grande Chuva de Meteoros das Leónidas.

Durante as quatro horas que antecederam o nascer-do-dia, os detritos do cometa Tempel-Tuttle iluminaram o céu noturno, causando pânico a quem os observava.
Em 1999, a falha de um quarto giroscópio deixa em maus lençóis o Telescópio Espacial Hubble até que o encontro SM3A (missão STS-103 do vaivém espacial) o repara a 20 de dezembro de 1999.
Observações: À medida que a noite avança, aviste Sirius talvez pela primeira vez esta estação! Procure a estrela a nascer bem para baixo de Orionte, perto do local para onde as estrelas da Cintura de Orionte apontam. Sirius nasce por volta das 22:30.

 
CURIOSIDADES


A missão New Horizons a Plutão e à Cintura de Kuiper está à procura de ideias para dar um nome informal ao próximo alvo da sonda, 1,6 mil milhões de quilómetros para lá de Plutão. Para submeter os nomes e para votar nos seus favoritos, vá a: http://frontierworlds.seti.org/

 
IMAGEM ALMA DE GIGANTE VERMELHA DÁ VISLUMBRE SURPREENDENTE DO FUTURO DO SOL
A imagem mais nítida, até agora, de uma estrela gigante vermelha: a 320 anos-luz da Terra, a estrela W Hydrae está alguns milhares de milhões de anos à frente do Sol, em termos de idade. Em comparação, o anel mostra o tamanho da órbita da Terra em torno do Sol.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/W. Vlemmings
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma equipa de astrónomos liderada por Wouter Vlemmings, da Universidade de Tecnologia de Chalmers, usou o ALMA (Atacama Large Millimetre/Submillimetre Array) para obter as mais detalhadas observações, até agora, de uma estrela com a mesma massa inicial que o Sol. As novas imagens mostram pela primeira vez detalhes à superfície da gigante vermelha W Hydrae, a 320 anos-luz de distância na direção da constelação da Hidra.

W Hydrae é um exemplo de uma estrela AGB (asymptotic giant branch). Estas estrelas são frias, brilhantes, velhas e perdem massa através de ventos estelares. O nome deriva da sua posição no famoso diagrama Hertzsprung-Russell, que classifica as estrelas consoante o seu brilho e temperatura.

"Para nós, é importante estudar não apenas o aspeto das gigantes vermelhas, mas como mudam e como semeiam a Galáxia com os elementos que são os ingredientes da vida. Usando as antenas do ALMA na sua configuração de maior resolução, podem agora fazer as observações mais detalhadas dessas estrelas frias e excitantes," comenta Wouter Vlemmings.

As estrelas como o Sol evoluem ao longo de escalas de tempo de milhares de milhões de anos. Quando atingem a velhice, incham e ficam maiores, mais frias e são mais propensas a perder massa sob a forma de ventos estelares. As estrelas fabricam elementos importantes como o carbono e azoto. Quando atingem a fase de gigante vermelha, estes elementos são lançados para o espaço, prontos a serem usados em gerações subsequentes de novas estrelas.

A imagem mais nítida, até agora, de uma estrela gigante vermelha: a 320 anos-luz da Terra, a estrela W Hydrae está alguns milhares de milhões de anos à frente do Sol, em termos de idade. Os anéis mostram o tamanho das órbitas da Terra (azul) e dos outros planetas do Sistema Solar.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/W. Vlemmings
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As imagens do ALMA fornecem a visão mais nítida, até agora, da superfície de uma gigante vermelha com uma massa parecida à do Sol. As imagens anteriores já tinham mostrado detalhes em estrelas supergigantes vermelhas muito mais massivas como Betelgeuse e Antares.

As observações também surpreenderam os cientistas. A presença de uma mancha inesperadamente compacta e brilhante fornece evidências de que a estrela tem gás surpreendentemente quente numa camada acima da superfície estelar: uma cromosfera.

As medições da mancha brilhante sugerem a existência de poderosas ondas de choque na atmosfera da estrela que atingem temperaturas mais altas do que as previstas pelos modelos teóricos atuais para as estrelas AGB, comenta Theo Khouri, astrónomo de Chalmers e membro da equipa.

Captar imagens diretas, até das maiores e mais próximas estrelas, é um desafio para os astrónomos. Neste gráfico, a imagem ALMA de W Hydrae é comparada com as melhores imagens, até agora, de outras estrelas: a gigante vermelha R Doradus e as supergigantes vermelhas Antares e Betelgeuse. Foram usadas várias técnicas e vários comprimentos de onda para obter as imagens. As estrelas gigantes podem ter vários tamanhos vistos em diferentes comprimentos de onda. O tamanho angular das estrelas do sistema Alpha Centauri, o sistema estelar mais próximo, e do planeta anão Plutão (na sua maior aproximação à Terra), são aqui mostrados para efeitos de comparação.
Crédito: ESO/K. Ohnaka (Antares); ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/E. O'Gorman/P. Kervella (Betelgeuse); ESO (R Doradus); ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/W. Vlemmings (W Hydrae)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma possibilidade alternativa é, pelo menos, igualmente surpreendente: que a estrela possuía, na altura das observações, uma grande proeminência.

Os cientistas estão agora a realizar novas observações, tanto com o ALMA como com outros instrumentos, a fim de melhor compreender a atmosfera surpreendente de W Hydrae. Observações como as realizadas pelo ALMA, na sua configuração de mais alta-resolução, são complexas, mas também gratificantes, explica Elvire De Beck, membro da equipa, também astrónoma da Chalmers.

"Torna-nos humildes, olhar para a nossa imagem de W Hydrae e ver o seu tamanho em comparação com a órbita da Terra. Nós nascemos a partir do material produzido em estrelas como esta, de modo que para nós é emocionante ter o desafio de entender algo que nos diz mais sobre as nossas origens e sobre o nosso futuro," conclui De Beck.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Tecnologia de Chalmers (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Nature Astronomy
EurekAlert!
PHYSORG

W Hydrae:
AAVSO
Wikipedia
Estrela AGB (Wikipedia)

Gigante vermelha:
Wikipedia
Diagrama Hertzsprung-Russell (Wikipedia)

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
ESTRELA EXPLODIU, SOBREVIVEU, E EXPLODIU NOVAMENTE MAIS DE 50 ANOS DEPOIS

É o equivalente celeste a um vilão de um filme de terror - uma estrela que não fica morta.

Uma equipa internacional de astrónomos descobriu uma estrela que explodiu várias vezes ao longo de um período de 50 anos. A descoberta, publicada na revista Nature, confunde completamente o conhecimento existente sobre o fim da vida de uma estrela, e a construção de um instrumento desempenhou um papel crucial na análise do fenómeno.

Em setembro de 2014, a equipa de astrónomos da iPTF (intermediate Palomar Transient Factory) detetou uma nova explosão no céu, a que deram o nome iPTF14hls.

Esta impressão de artista mostra poeira a formar-se no ambiente em redor de uma explosão de supernova.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A luz emitida pelo evento foi analisada para entender a velocidade e composição química do material ejetado na explosão.

Esta análise indicou que a explosão era o que se chama de supernova do tipo II-P, e tudo sobre a descoberta parecia normal. Até, isto é, alguns meses mais tarde quando a supernova começou novamente a ficar mais brilhante.

As supernovas do tipo II-P geralmente permanecem brilhantes cerca de 100 dias. Mas iPTF14hls permaneceu brilhante por mais de 600! Além disso, os dados de arquivo revelaram uma explosão em 1954 no mesmo local exato.

Imagem obtida pelo Observatório Palomar revela uma possível explosão em 1954 no local de iPTF14hls (esquerda), não vista numa imagem obtida em 1993 (direita). Sabe-se que as supernovas explodem apenas uma vez, brilham durante alguns meses e depois desvanecem, mas iPTF14hls explodiu pelo menos duas vezes, cada explosão separada por 60 anos.
Crédito: POSS/DSS/LCO/S. Wilkinson
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Descobriu-se que, de alguma forma, esta estrela explodiu há mais de meio século, sobreviveu e explodiu novamente em 2014.

"Esta supernova quebra tudo o que pensávamos que sabíamos sobre como funcionam," afirma o autor principal Iair Arcavi da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, e do Observatório de Las Cumbres.

Um instrumento construído por Nick Konidaris, do Instituto Carnegie, foi fundamental para analisar a luz emitida por iPTF14hls, que diminuiu e aumentou pelo menos cinco vezes ao longo de três anos.

iPTF14hls aumentou de brilho e depois diminuiu novamente pelo menos cinco vezes ao longo de mais de dois anos. Este comportamento nunca foi visto anteriormente em supernovas, que normalmente permanecem brilhantes aproximadamente 100 dias e depois diminuem de brilho.
Crédito: LCO/S. Wilkinson
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Com o nome "SED Machine", a ferramenta de Konidaris é capaz de classificar rapidamente supernovas e outros eventos astronómicos de curta duração. Uma rápida reviravolta na classificação destes tipos de astros chamados objetos transientes no céu era extremamente necessária quando Konidaris e antigos colegas do Caltech construíram a máquina.

As explosões estelares dizem muito aos astrónomos acerca das origens de grande parte do material que compõe o nosso Universo. Uma explosão de supernova pode até ter desencadeado a formação do nosso próprio Sistema Solar.

"Mas há não muito tempo atrás, era mais rápido identificar fenómenos celestes de curta duração do que classificá-los e determinar o que poderiam ensinar-nos," explica Konidaris. "É por isso que construímos o SED, mas nunca esperei que nos ajudasse a analisar uma explosão tão estranha quanto esta 'estrela zombie'."

"O papel do Nick nesta descoberta demonstra a importância de ter um esforço de instrumentação ativo, que é cada vez mais raro em muitos campos," acrescenta John Mulcahey, diretor dos observatórios.

Links:

Notícias relacionadas:
Carnegie Science (comunicado de imprensa)
Observatório Las Cumbres (comunicado de imprensa)
Observatório W. M. Keck (comunicado de imprensa)
Berkeley Lab (comunicado de imprensa)
Nature
Astronomy
Sky & Telescope
SPACE.com
ScienceNews
Science alert
PHYSORG
Popular Mechanics
ars TECHNICA
BBC News
CNN
UPI

IPTF14hls:
Wikipedia

Supernovas:
Wikipedia
Tipo II (Wikipedia)

iPTF:
Página principal
Wikipedia

Observatório Las Cumbres:
Página principal
Wikipedia

 
AQUECIMENTO DA LUA OCEÂNICA ENCÉLADO DURANTE MIL MILHÕES DE ANOS
Como a água pode ser aquecida no interior da lua de Saturno, Encélado.
Ao longo do tempo, a água fresca do oceano infiltra-se no núcleo poroso da lua. Bolsas de água que alcançam o interior são aquecidas pelo contacto com a rocha no interior aquecido por efeito de maré e subsequentemente sobem devido à flutuabilidade positiva, levando a uma maior interação com as rochas. O calor depositado no limite entre o chão do mar e o do oceano alimentam aberturas hidrotermais. O calor e as partículas de rocha são transportados através do oceano, provocando a fusão localizada no invólucro gelado acima. Isto leva à formação de fissuras, a partir das quais os jatos de água e as partículas rochosas do chão marinho são expelidas para o espaço.
No gráfico, a "fatia" interior é um trecho de um novo modelo que simulou esse processo. O brilho laranja representa as partes do núcleo onde as temperaturas atingem pelo menos 90º C.
O aquecimento de marés devido à fricção que surge entre partículas no núcleo poroso fornece uma fonte-chave de energia, mas não está ilustrada neste gráfico. O aquecimento de marés resulta principalmente da atração gravitacional de Saturno.
Uma versão não-legendada deste gráfico também está disponível.
Crédito: superfície - NASA/JPL-Caltech/SSI; interior: LPG-CNRS/U. Nantes/U. Angers. Composição do gráfico: ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Calor suficiente para impulsionar a atividade hidrotermal dentro da lua oceânica de Saturno Encélado, durante mil milhões de anos, poderia ser gerado através da fricção de marés, se a lua tiver um núcleo altamente poroso, aponta um novo estudo que trabalha a favor da lua como um mundo potencialmente habitável.

Um artigo publicado na Nature Astronomy apresenta o primeiro conceito que explica as principais características da lua Encélado, com 500 km de diâmetro, observada pela nave espacial internacional Cassini ao longo da sua missão, a qual concluiu em setembro.

Tal inclui um oceano global salgado por baixo de um reservatório de gelo, com uma espessura média de 20-25 km, diminuindo para apenas 1-5 km sobre a região polar sul. Aí, jatos de vapor de água e grãos de gelo são lançados através de fissuras no gelo. A composição do material ejetado, analisada por Cassini, inclui sais e poeira de sílica, sugerindo que estes se formam através de água quente - pelo menos a 90ºC - interagindo com a rocha no núcleo poroso.

Estas observações exigem uma enorme fonte de calor, cerca de 100 vezes mais do que se espera que seja gerada pelo decaimento natural de elementos radioativos em rochas dentro do seu núcleo, além de um meio de convergir a atividade no polo sul.

Pensa-se que o efeito das marés de Saturno esteja na origem das erupções que deformam a concha gelada através de movimentos de "empurrar-puxar", enquanto a lua segue um caminho elíptico em torno do planeta gigante. Mas a energia produzida pela fricção das marés no gelo, por si só, seria muito fraca para compensar a perda de calor observada a partir do oceano - o globo congelaria dentro de 30 milhões de anos.

Como a Cassini mostrou, a lua continua extremamente ativa, sugerindo que algo mais está a acontecer.

As plumas de vapor de água e gelo, em muitos locais nas "listras de tigre" perto do pólo sul de Encelado. Esta imagem foi obtida pela Cassini em 2009, a uma distância de mais ou menos 14.000 km.
Crédito: NASA/JPL/SSI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Onde Encélado obtém a energia sustentada para permanecer ativa sempre foi um pouco misterioso, mas agora consideramos em maior detalhe como a estrutura e composição do núcleo rochoso da lua poderia desempenhar um papel fundamental na produção da energia necessária", diz o autor principal Gaël Choblet da Universidade de Nantes, França.

Nas novas simulações, o núcleo é feito de rocha porosa não consolidada, facilmente deformável, onde a água pode facilmente permear. Como tal, a água líquida fresca do oceano pode infiltrar-se no núcleo e gradualmente aquecer através de fricção das marés, entre fragmentos de rocha deslizantes, à medida que fica mais profundo.

A água circula no núcleo e depois ascende porque é mais quente do que o ambiente circundante. Este processo transfere, finalmente, o calor para a base do oceano em plumas estreitas, onde interage fortemente com as rochas. No fundo do mar, estas plumas saem para o oceano mais frio.

Estima-se que um ponto quente no fundo do mar liberte até 5 GW de energia, correspondendo aproximadamente à energia geotérmica anual consumida na Islândia.

Esses pontos quentes no fundo do mar geram plumas oceânicas que sobem a alguns centímetros por segundo. Não só as plumas resultam num forte derretimento da crosta de gelo acima, mas também podem transportar pequenas partículas do fundo do mar, durante semanas a meses, que são lançadas para o espaço pelos jatos gelados.

Além disso, os modelos informáticos dos autores mostram que a maior parte da água deverá ser expulsa das regiões polares da lua, com um processo desenfreado que leva a pontos quentes em áreas localizadas e, portanto, uma camada de gelo mais fina diretamente acima, consistente com o que foi inferido por Cassini.

Esta sequência de imagens é a última observação dedicada da pluma de Encélado pela Cassini.
As imagens foram obtidas durante aproximadamente 14 horas, enquanto as câmaras da Cassini observavam a lua gelada ativa. A vista, durante toda a sequência, é do lado noturno da lua, mas a perspetiva de Encélado pela Cassini muda durante a sequência. O filme começa com uma vista de parte da superfície iluminada pela luz refletida de Saturno e transita para um terreno completamente não iluminado. O tempo de exposição das imagens muda aproximadamente a meio da sequência, a fim de tornar visíveis os detalhes mais fracos (a mudança também torna as estrelas de fundo visíveis).
As imagens nesta sequência foram obtidas no dia 28 de agosto de 2017, usando a câmara de angulo estreito da Cassini. Foram captadas a uma distância que mudou entre 1,1 milhões e 868.000 km. A escala da imagem muda durante a sequência, de 7 para 5 km/pixel.
A missão Cassini é um projeto cooperativo da NASA, da ESA e da Agência Espacial Italiana.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"As nossas simulações podem explicar, simultaneamente, a existência de um oceano à escala global devido ao transporte de calor em grande escala entre o interior profundo e a cobertura de gelo, e a concentração de atividade numa região relativamente estreita ao redor do polo sul, explicando assim as principais características observadas por Cassini", diz o coautor Gabriel Tobie, também da Universidade de Nantes.

Os cientistas dizem que as eficientes interações rocha-água num núcleo poroso, massageado pela fricção das marés, podem gerar até 30 GW de calor em dezenas de milhões a milhares de milhões de anos.

"Futuras missões, capazes de analisar as moléculas orgânicas na pluma de Encélado, com uma precisão maior do que a da Cassini, poderiam elucidar-nos se as condições hidrotermais sustentadas poderiam ter permitido o aparecimento de vida", diz Nicolas Altobelli, cientista do projeto Cassini da ESA.

Uma missão futura, equipada com radar de penetração de gelo, poderia também restringir a espessura do gelo, e voos aproximados complementares - ou uma nave espacial em órbita - melhorariam os modelos do interior, verificando adicionalmente a presença de plumas hidrotérmicas ativas.

"Estaremos a voar instrumentos de próxima geração, incluindo um radar de penetração terrestre, para as luas oceânicas de Júpiter na próxima década, com a missão Juice da ESA, que está especificamente encarregada de tentar entender a potencial habitabilidade dos mundos oceânicos no sistema solar externo", acrescenta Nicolas.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
Nature
Astronomy
SPACE.com
Science alert
Universe Today
Scientific American
PHYSORG
ScienceNews
New Scientist
Popular Mechanics
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Encélado:
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

JUICE (JUpiter ICy moons Explorer):
ESA
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  "Floresta" de sinais moleculares em galáxia com formação estelar (via Observatório ALMA)
Os astrónomos encontraram um rico reservatório molecular no coração de uma galáxia ativa em formação estelar com o ALMA. Entre as oito nuvens identificadas no centro da galáxia NGC 253, uma exibe uma composição química muito complexa, enquanto nas outras muitos sinais estão em falta. Esta riqueza e diversidade química lançam luz sobre a natureza da galáxia. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 2261: Nebulosa Variável de Hubble
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: HubbleNASAESA; Dados: Mark Clampin (GSFC da NASA); Processamento e Licença: Judy Schmidt
 
O que faz com que a Nebulosa Variável de Hubble varie? A invulgar nebulosa aqui apresentada muda visivelmente de aparência em apenas algumas semanas. Descoberta há mais de 200 anos e posteriormente catalogada como NGC 2261, a notável nebulosa tem o nome de Edwin Hubble, que a estudou no início do século passado. Apropriado, talvez, pois a imagem em destaque foi obtida por outro homónimo de Hubble: o Telescópio Espacial. A Nebulosa Variável de Hubble é uma nebulosa de reflexão constituída por gás e poeira fina provenientes da estrela R Monocerotis. A ténue nebulosa tem mais ou menos um ano-luz de diâmetro e está situada a aproximadamente 2500 anos-luz de distância na direção da constelação de Unicórnio (Monocerotis). A principal explicação da variabilidade da Nebulosa Variável de Hubble explica que densos nós de poeira opaca passam perto de R Mon e lançam sombras em movimento sobre a poeira refletiva vista na restante nebulosa.
 

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