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Edição n.º 1441
29/12 a 01/01/2018
 
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29/12/17 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + PALESTRA
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 29/12: 363.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Orionte já está a este-sudeste ao cair da noite. Para cima brilha a alaranjada Aldebarã, a 65 anos-luz de distância. Por cima de Aldebarã encontram-se as Plêiades, a mais ou menos 435 anos-luz. Bem para a esquerda de Aldebarã e das Plêiades, brilha Capella, situada a 42 anos-luz.

Dia 30/12: 364.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1924, Edwin Hubble anuncia a existência de outras galáxias.
Em 2000, dá-se a passagem das sondas acopladas Cassini-Huygens por Júpiter.

Passam a 9.721.846 km do topo das nuvens de Júpiter à medida que recebem um impulso gravitacional para a última parte da viagem até Saturno.
Observações: Mercúrio deverá ser um alvo fácil, agora baixo ao amanhecer. Procure-o bem para baixo e para a esquerda de Júpiter. O ponto brilhante um pouco para cima e para a esquerda do maior planeta do Sistema Solar é Marte.
Ao longo da noite, observe a Lua a passar por Aldebarã.

Dia 31/12: 365.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2011, a NASA consegue colocar em órbita lunar a primeira das duas sondas GRAIL.

Observações: Continue a observar a passagem da Lua perto de Aldebarã. Consegue determinar a hora em que os dois astros estão mais próximos um do outro? Binóculos ajudam.

Dia 01/01: 1.º dia do calendário gregoriano.
História: No ano 45 AC, começa o calendário Juliano.
Em 1801, Giuseppe Piazzi, monge italiano, descobre Ceres, o primeiro asteroide observado entre Marte e Júpiter, agora classificado como planeta-anão.
Em 1925, numa reunião da Sociedade Astronómica Americana e da Associação Americana para o Desenvolvimento da Ciência em Washington, D.C., Edwin Hubble reporta que encontrou cefeidas nas "nebulosas espirais", o que levaria ao declínio da hipótese que dizia que a nossa Via Láctea seria o todo do Universo.

A descoberta de Hubble levaria à descoberta que vivemos numa de muitas galáxias. 
Em 2012, a NASA consegue colocar em órbita lunar a segunda das duas sondas GRAIL.
Em 2014, o primeiro asteroide descoberto nesse ano, designado 2014 AA, colide com a Terra por cima do Oceano Atlântico. 
Observações: Esta noite, a Lua situa-se entre as constelações de Gémeos e Orionte. Pollux e Castor, as estrelas mais brilhantes de Gémeos, encontram-se para a esquerda do nosso satélite natural. Betelgeuse e Rigel, as estrelas mais brilhantes de Orionte, estão para a direita. Para baixo da Lua, encontra-se Procyon, a estrela mais brilhante de Cão Menor.

 
CURIOSIDADES


As estrelas visíveis a olho nu Gamma Velorum e Theta Muscae são estrelas Wolf-Rayet. Gamma Velorum é, de longe, a estrela Wolf-Rayet mais brilhante e mais próxima (magnitude 1,7, a cerca de 336 anos-luz).

 
CIENTISTAS DESCREVEM COMO O SISTEMA SOLAR PODE TER SIDO FORMADO NUMA BOLHA EM TORNO DE ESTRELA GIGANTE
Esta simulação mostra como as bolhas se formam ao longo de 4,7 milhões de anos a partir de intensos ventos estelares oriundos de uma estrela massiva. Cientistas da Universidade de Chicago postularam o modo como o nosso Sistema Solar pode ter sido formado na concha densa de tal bolha.
Crédito: V. Dwarkadas & D. Rosenberg
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Apesar das muitas descobertas feitas sobre o Universo, os cientistas ainda não têm certeza sobre a história do nascimento do nosso Sistema Solar.

Cientistas da Universidade de Chicago estabeleceram uma teoria abrangente sobre o modo como o nosso Sistema Solar pode ter-se formado em bolhas sopradas por ventos em torno de uma estrela gigante e há muito tempo morta. Publicado na edição de 22 de dezembro da revista The Astrophysical Journal, o estudo aborda um desconcertante mistério cósmico acerca da abundância de dois elementos no nosso Sistema Solar em comparação com o resto da Galáxia.

A teoria geral dominante afirma que o nosso Sistema Solar se formou há milhares de milhões de anos atrás perto de uma supernova. Mas o novo cenário começa, ao invés, com um tipo de estrela gigante chamada estrela Wolf-Rayet, que tem 40 a 50 vezes o tamanho do nosso Sol. São as estrelas mais quentes, produzindo muitos elementos expulsos para fora da superfície num intenso vento estelar. À medida que a estrela Wolf-Rayet perde a sua massa, o vento estelar escava o material em seu redor, formando uma estrutura de bolha com uma concha densa.

"A concha de uma bolha desse género é um bom local para produzir estrelas," porque a poeira e o gás ficam presos no interior, onde podem condensar-se em estrelas, afirma o coautor Nicolas Dauphas, professor do Departamento de Ciências Geofísicas. Os autores estimam que 1 a 16% de todas as estrelas parecidas com o Sol podem ser formadas em berçários estelares deste tipo.

Uma simulação de como os ventos estelares transportam massa de uma estrela gigante ao longo de milhões de anos, formando bolhas em seu redor - que podem ter servido como as origens do nosso Sistema Solar.
Crédito: V. Dwarkadas & D. Rosenberg
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Esta configuração difere da hipótese de supernova para dar sentido a dois isótopos que ocorrem em proporções estranhas no Sistema Solar inicial, em comparação com o resto da galáxia. Os meteoritos deixados para trás aquando do Sistema Solar inicial dizem-nos que havia muito alumínio-26. Além disso, estudos, incluindo um de 2015 por Dauphas e um ex-aluno, sugerem cada vez mais que tínhamos menos quantidades do isótopo ferro-60.

É um puzzle para os cientistas, porque as supernovas produzem ambos os isótopos. "Levanta a questão de porque é que um foi 'injetado' no Sistema Solar e o outro não," afirma o coautor Vikram Dwarkadas, professor associado de Astronomia e Astrofísica.

Isto levou-os às estrelas Wolf-Rayet, que libertam grandes quantidades de alumínio-26, mas nenhum ferro-60.

"Fatias" de uma simulação que mostra como as bolhas em torno de uma estrela massiva evoluem ao longo de milhões de anos (evolução no sentido dos ponteiros do relógio, desde o canto superior esquerdo).
Crédito: V. Dwarkadas & D. Rosenberg
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A ideia é que o alumínio-26 lançado pela estrela Wolf-Rayet foi transportado para fora em grãos de poeira formados em torno da estrela. Estes grãos têm impulso suficiente para perfurar um lado da concha, onde são em grande parte destruídos - prendendo o alumínio dentro da concha," afirma Dwarkadas. Eventualmente, parte da concha colapsa para dentro devido à gravidade, formando o nosso Sistema Solar.

No que toca ao destino da gigante estrela Wolf-Rayet que nos abrigou: a sua vida terminou há muito, provavelmente numa explosão de supernova ou num colapso direto para um buraco negro. Um colapso direto para buraco negro produziria pouco ferro-60; para uma supernova, o ferro-60 produzido na explosão pode não ter penetrado as paredes da bolha, ou foi distribuído de forma não uniforme.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Chicago (comunicado de imprensa)
The Astrophysical Journal
ScienceDaily
PHYSORG
Forbes

Estrelas Wolf-Rayet:
Wikipedia

Formação e evolução do Sistema Solar:
Wikipedia

 
O ENXAME DA ESCOVA DE DENTES

A maioria das galáxias reside em enxames contendo entre alguns até milhares de objetos. A nossa Via Láctea, por exemplo, pertence a um enxame composto por cerca de cinquenta galáxias chamado Grupo Local, cujo outro grande membro é a Galáxia de Andrómeda a cerca de 2,3 milhões de anos-luz. Os enxames galácticos são os objetos mais massivos do Universo ligados gravitacionalmente e formam-se (de acordo com as ideias atuais) através da acumulação de pequenas estruturas, que formam grupos maiores mais tarde na história cósmica. A matéria escura desempenha um papel importante neste processo de crescimento. Exatamente como crescem, no entanto, parece depender de vários processos físicos concorrentes, incluindo o comportamento do gás intraenxame. Há mais massa neste gás do que em todas as estrelas das galáxias de um enxame, e o gás pode ter uma temperatura de 10 milhões Kelvin ou até mais. Como resultado, o gás desempenha um papel importante na evolução de um enxame galáctico. O quente gás intraenxame contém partículas carregadas e velozes que irradiam fortemente no rádio, por vezes revelando longas estruturas filamentares.

Imagem em cores falsas, obtida através da combinação de dados obtidos em vários comprimentos de onda, do enxame de galáxias 1RXS J0603.3+4214, ou "Escova de Dentes". A intensidade do tom vermelho mostra a emissão rádio, o azul é raios-X e a cor no plano de fundo é emissão ótica. Os astrónomos estudaram este enxame com novas observações rádio e combinaram-nas com outros comprimentos de onda para confirmar o cenário de fusão galáctica e estimar a força do campo magnético nos choques.
Crédito: van Weeren et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O enxame galáctico da "Escova de Dentes", 1RXS J0603.3+4214, hospeda três dessas estruturas rádio, bem como um grande halo. A característica rádio mais proeminente estende-se por mais de seis milhões de anos-luz, com três componentes distintos que se assemelham à escova e pega de uma escova de dentes. A pega é particularmente enigmática porque além de ser grande e muito reta, está desalinhada do eixo do enxame. Pensa-se que o halo seja o resultado de turbulência produzida pela fusão de galáxias, embora tenham sido sugeridas algumas outras possibilidades.

Astrónomos do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica usaram o VLA (Very Large Array) para observar partículas relativistas no enxame com imagens rádio precisas e sensíveis, que depois compararam com outros conjuntos de dados do Observatório de raios-X Chandra. No rádio, a Escova de Dentes tem uma crista muito estreita, criada por um enorme choque resultante da fusão, e pelo menos trinta e duas fontes compactas anteriormente não detetadas. As morfologias rádio e raios-X do halo são muito semelhantes e suportam o cenário de fusão. Os astrónomos foram também capazes de estimar a força do campo magnético e de o combinar com outros resultados, concluindo que o cenário de fusão é o mais adequado.

Links:

Notícias relacionadas:
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
PHYSORG

Enxames galácticos:
Wikipedia

VLA:
Página oficial
NRAO
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Cassiopeia A
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASACXC, SAO
 
As estrelas massivas da nossa Via Láctea vivem vidas espetaculares. Colapsando a partir de vastas nuvens cósmicas, as suas fornalhas nucleares inflamam e fabricam elementos pesados nos seus núcleos. Após alguns milhões de anos, o material enriquecido é lançado novamente para o espaço interestelar onde a formação estelar pode começar novamente. A nuvem de detritos em expansão conhecida como Cassiopeia A é um exemplo desta fase final do ciclo de vida estelar. A luz da explosão que criou este remanescente de supernova teria sido vista pela primeira vez no céu do planeta Terra há cerca de 350 anos atrás, embora essa luz tenha levado 11.000 anos até chegar até nós. Esta imagem em cores falsas, obtida pelo Observatório de raios-X Chandra, mostra os filamentos e nós ainda quentes do remanescente Cassiopeia A. A emissão de alta energia de elementos específicos foi codificada por cores, silício em vermelho, enxofre em amarelo, cálcio em verde e ferro em púrpura, para ajudar os astrónomos a explorar a "reciclagem" do material estelar da nossa Galáxia. Ainda em expansão, a onda de choque pode ser vista como o anel exterior azulado. O ponto brilhante perto do centro é uma estrela de neutrões, os restos incrivelmente densos e colapsados do massivo núcleo estelar.
 

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