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Edição n.º 1472
17/04 a 19/04/2018
 
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27/04/18 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + PALESTRA
21:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 17/04: 107.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1598 nascia Giovanni Battista Riccioli, astrónomo italiano e padre jesuíta que estudou extensivamente a Lua e foi a primeira pessoa a medir a aceleração de um corpo em queda livre. Também introduziu a nomenclatura lunar atual.
Em 1967, lançamento da Surveyor 3, a segunda missão do programa Surveyor a aterrar suavemente na Lua. 
Em 1970, após dias de aflição, a Apollo 13 regressava sã e salva à Terra.

Em 2014, o telescópio Kepler confirma a descoberta do primeiro planeta do tamanho da Terra na zona habitável de outra estrela.
Observações: Saturno no afélio e, curiosamente, na sua maior distância ao Sol (por pouco) desde 1959 - 1506 milhões de quilómetros.
Vénus e uma Lua Crescente superfina formam um par bonito a oeste ao lusco-fusco. Estão separados por pouco mais de 5º.

Dia 18/04: 108.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1955, falecia Albert Einstein.

Em 2000, uma equipa de cientistas do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica usa o Observatório de raios-X Chandra durante 7,5 horas para obter imagens do espectro de um buraco negro estelar na direção da constelação de Ursa Maior.
Observações: Trânsito da sombra de Europa, entre as 04:29 e as 06:57.
Trânsito de Europa, entre as 05:32 e as 07:52.
Conjunção de Úrano, pelas 14:52.
A Lua Crescente está hoje situada perto de Aldebarã ao anoitecer, aninhada nas Híades.

Dia 19/04: 109.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971, lançamento da Salyut 1, a primeira estação espacial.
Em 1975, lançamento do primeiro satélite da Índia, o Aryabhata.

Em 1966 nascia Brett J. Gladman, astrónomo canadiano, conhecido pelo seu trabalho na astronomia dinâmica do Sistema Solar. Estudou o transporte de meteoritos entre planetas, a entrega de meteoróides desde a cintura principal de asteroides e a possibilidade do transporte da vida via o mecanismo conhecido como panspérmia. Descobridor e co-descobridor de muitos corpos astronómicos do Sistema Solar, asteroides, cometas da cintura de Kuiper e muitas luas dos planetas gigantes.
Observações: Ocultação de Ganimedes, entre as 02:11 e as 04:05.
Arcturo brilha a este por estas noites. A Ursa Maior, alta a nordeste, aponta a sua "pega" para essa estrela. Arcturo forma a ponta de um asterismo parecido com um papagaio de papel formado pelas estrelas mais brilhantes de Boieiro. O papagaio de papel está atualmente de lado, para a esquerda de Arcturo. Mede aproximadamente 23º, cerca de dois punhos à distância do braço esticado.

 
CURIOSIDADES

Os observatórios astronómicos da Antiguidade não possuíam telescópios e destinavam-se a medir a duração do ano, das lunações e a tentar conseguir a previsão dos eclipses. Por lapso os babilónios fizeram a sua primeira estimativa da duração do ano em 360 dias. Este erro teve implicações importantes no desenvolvimento da matemática, em particular da trigonometria circular pois um círculo de 360 graus é muito mais fácil de trabalhar que um círculo divisível em 365 partes. Talvez por este motivo a trigonometria ocidental tenha sido sempre mais evoluída que a chinesa (os chineses fizeram sempre uma estimativa da duração do ano próxima dos 365 dias).
 
ESTAMOS SOZINHOS? O NOVO CAÇADOR DE PLANETAS DA NASA TEM COMO OBJETIVO DESCOBRIR

Existem, potencialmente, milhares de planetas para lá do nosso Sistema Solar - vizinhos galácticos que podem ser mundos rochosos ou coleções mais ténues de gás e poeira. Onde estão localizados estes exoplanetas mais próximos? E em quais podemos procurar pistas sobre a sua composição e até mesmo habitabilidade? O TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) será o primeiro a procurar estes mundos próximos.

A nave financiada pela NASA, não muito maior que um frigorífico, transporta quatro câmaras que foram concebidas, projetadas e construídas no MIT (Massachusetts Institute of Technology), com uma visão espantosa: observar as estrelas mais brilhantes e próximas do céu em busca de sinais de planetas.

O TESS vai descolar mais de uma década desde que os cientistas do MIT propuseram a missão. Passará dois anos a examinar quase todo o céu - um campo de visão que pode abranger mais de 20 milhões de estrelas. Os cientistas acreditam que milhares dessas estrelas hospedem planetas em trânsito, que esperam poder detetar através de imagens obtidas com as câmaras do TESS.

Com este tesouro extrassolar, a equipa científica do TESS no MIT tem como objetivo medir as massas de pelo menos 50 planetas pequenos cujos raios são menores que quatro vezes o da Terra. Muitos dos planetas do TESS devem estar próximos o suficiente de nós para que, uma vez identificados, os cientistas utilizem outros telescópios para detetar atmosferas, caracterizar as condições atmosféricas e até mesmo procurar sinais de habitabilidade.

"O TESS é como uma espécie de batedor," comenta Natalia Guerrero, vice-gerente dos Objetos de Interesse do TESS, um esforço liderado pelo MIT que catalogará objetos capturados nos dados do TESS que podem ser potenciais exoplanetas. "Estamos neste passeio panorâmico de todo o céu e, de certa forma, não temos ideia do que vamos ver," realça Guerrero. "É como se estivéssemos a fazer um mapa do tesouro: aqui estão todas estas coisas incríveis. Agora, é ir atrás delas."

O TESS da NASA, visto aqui nesta impressão de artista, vai identificar exoplanetas em órbita das estrelas mais brilhantes e próximas. Isto permitirá com que telescópios terrestres e o futuro Telescópio Espacial James Webb façam observações de acompanhamento a fim de caracterizar as suas atmosferas.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma "semente", plantada no espaço

As origens do TESS surgiram de um satélite ainda mais pequeno que foi projetado e construído pelo MIT e lançado para o espaço no dia 9 de outubro de 2000. O HETE-2 (High Energy Transient Explorer 2) orbitou a Terra durante sete anos, numa missão para detetar e localizar GRBs (gamma-ray bursts, em português explosões de raios-gama) - explosões altamente energéticas que emitem rajadas massivas e fugazes de raios-gama e raios-X.

Para detetar fenómenos tão extremos e de curta duração, os cientistas do MIT, liderados pelo investigador principal George Ricker, integraram no satélite um conjunto de câmaras óticas e de raios-X equipadas com CCDs ("charge-coupled devices") desenhadas para registar intensidades e posições de luz em formato eletrónico.

"Com o advento das CCDs na década de 1970, aqui tínhamos este dispositivo fantástico... que tornou as coisas muito mais fáceis para os astrónomos," comenta Joel Villasenor, membro da equipa do HETE-2, que agora também é cientista de instrumentos do TESS. "Basta somar todos os pixéis numa CCD, o que nos dá a intensidade, ou magnitude, da luz. As CCDs realmente abriram um novo mundo para a astronomia."

Em 2004, Ricker e a equipa do HETE-2 perguntaram-se se as câmaras óticas do satélite podiam identificar outros objetos no céu que tinham começado a atrair a comunidade científica: exoplanetas. Por volta desta altura apenas conhecíamos menos de 200 planetas para lá do nosso Sistema Solar. Alguns foram encontrados com uma técnica conhecida como método de trânsito, que envolve a procura de quedas periódicas na luz de certas estrelas, o que pode sinalizar um planeta a passar em frente da estrela.

"Pensámos, será que a fotometria das câmaras do HETE-2 era suficiente para que pudéssemos apontar para uma parte do céu e detetar uma dessas quebras? É desnecessário dizer que não funcionou exatamente," recorda Villasenor. "Mas foi uma espécie de 'sementinha' que nos fez pensar, talvez devêssemos tentar voar CCDs com uma câmara para detetar estes objetos."

Um caminho limpo

Em 2006, Ricker e a sua equipa no MIT propuseram um satélite pequeno e de baixo custo (HETE-S) à NASA como uma missão de classe Discovery, e mais tarde como uma missão financiada pelo setor privado por 20 milhões de dólares. Mas, à medida que o custo e o interesse numa pesquisa exoplanetária em todo o céu aumentava, decidiram então tentar angariar fundos da NASA, até um orçamento de 120 milhões de dólares. Em 2008, submeteram uma proposta para uma missão da classe SMEX (Small Explorer) da NASA com o novo nome - TESS.

Naquela altura, o projeto do satélite incluía seis câmaras CCD e a equipa propôs que a nave voasse numa órbita baixa em torno da Terra, semelhante à do HETE-2. Tal órbita, raciocinaram, deveria manter relativamente alta a eficiência de observação, uma vez que já haviam erigido estações terrestres de receção de dados para o HETE-2 que também podiam ser usadas para o TESS.

Mas rapidamente perceberam que uma órbita baixa da Terra teria um impacto negativo nas câmaras muito mais sensíveis do TESS. A reação da nave ao campo magnético da Terra, por exemplo, poderia levar a uma significativa "agitação", produzindo um ruído que escondia o mergulho revelador de um exoplaneta na luz estelar.

A NASA contornou esta primeira proposta e a equipa voltou à fase de projeção, desta vez emergindo com um novo plano que dependia de uma órbita completamente nova. Com a ajuda de engenheiros da Orbital ATK, da Aerospace Corporations e do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, a equipa identificou uma órbita "lunar-ressonante" nunca antes usada que mantinha a nave espacial extremamente estável, ao mesmo tempo dando uma visão completa do céu.

Assim que o TESS alcançasse esta órbita, receberia uma assistência gravitacional entre a Terra e a Lua para uma órbita altamente elíptica que poderia manter o TESS na sua órbita durante décadas, guiado pela atração gravitacional da Lua.

"A Lua e o satélite estariam numa espécie de dança," realça Villasenor. "A Lua puxa o satélite de um lado, e quando o TESS completar uma órbita, a Lua estará no outro lado, puxando na direção oposta. O efeito geral é que a atração da Lua é nivelada, é uma configuração que fica muito estável ao longo de muitos anos. Nunca ninguém fez isto antes e suspeito que outros programas vão tentar usar esta órbita."

Na sua trajetória atual planeada, o satélite TESS dirige-se em direção à Lua durante menos de duas semanas, recolhendo dados, e depois em direção à Terra onde, na sua maior aproximação, transmitirá os dados às estações a quase 110.000 quilómetros da superfície antes de voltar novamente para mais perto do nosso satélite natural. Em última análise, esta órbita fará com que o TESS conserve uma quantidade enorme de combustível, pois não precisará de ativar regularmente os seus propulsores para o manter no seu percurso.

Com esta nova órbita, a equipa do TESS submeteu em 2010 uma segunda proposta, desta vez como uma missão da classe Explorer, que a NASA aprovou em 2013. Foi mais ou menos nesta altura que o Telescópio Espacial Kepler terminou o seu levantamento original em busca de exoplanetas. O observatório, lançado em 2009, observou uma área específica do céu durante quatro anos, com o objetivo de monitorizar a luz de estrelas distantes em busca de sinais de planetas em trânsito.

Em 2013, duas das quatro rodas de reação do Kepler desgastaram-se, impedindo com que o satélite continuasse a sua investigação original. Neste ponto, as medições do telescópio haviam permitido a descoberta de quase 1000 exoplanetas confirmados. O Kepler, projetado para estudar estrelas distantes, abriu caminho para a missão TESS, com uma visão muito mais ampla de estudar as estrelas mais próximas da Terra.

"O Kepler foi para o espaço e foi um enorme sucesso, e os investigadores comentaram, 'nós podemos fazer este tipo de ciência, existem planetas em todo o lado," afirmou Jennifer Burt, da equipa TESS e pós-doutorada do MIT-Kavli. "E eu acho que foi este o marco científico que a NASA precisava para dizer: 'OK, o TESS faz muito sentido agora.' Permitirá não apenas detetar planetas, mas também encontrar planetas que podemos caracterizar detalhadamente."

Componentes eletrónicos de uma das câmaras do TESS, desenvolvido no MIT, que transmitirá dados da câmara até um computador a bordo, que processará estes dados antes de os enviar para a Terra.
Crédito: Instituto Kavli do MIT
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Listras no céu

Com a seleção da NASA, a equipa do TESS construiu instalações no campus e no Laboratório Lincoln do MIT para produzir e testar as câmaras do satélite. Os engenheiros projetaram CCDs de "depleção profunda" especificamente para o TESS, o que significa que as câmaras podem detetar a luz ao longo de uma ampla gama de comprimentos de onda até ao infravermelho próximo. Isto é importante, já que muitas das estrelas próximas que o TESS vai monitorizar são anãs vermelhas - estrelas pequenas e frias que emitem menos intensamente que o Sol e na parte infravermelha do espectro eletromagnético.

Se os cientistas detetarem quedas periódicas na luz de tais estrelas, isso poderá sinalizar a presença de planetas com órbitas significativamente mais pequenas do que a da Terra. No entanto, há hipótese de que alguns desses planetas estejam dentro da "zona habitável", pois circundariam estrelas muito mais frias, em comparação com o Sol. Dado que estas estrelas estão relativamente próximas, os cientistas podem fazer observações de acompanhamento com telescópios terrestres para ajudar a identificar se as condições podem ser realmente adequadas à vida.

As câmaras do TESS estão montadas na parte superior do satélite e rodeadas por um cone que as protegerá de outras formas de radiação eletromagnética. Cada câmara tem uma visão de 24º x 24º do céu, grande o suficiente para abranger a constelação de Orionte. O satélite vai começar as suas observações no hemisfério sul e dividirá o céu em 13 faixas ou listras, monitorizando cada segmento durante 27 dias antes de girar para o próximo. O TESS deverá ser capaz de observar quase todo o céu do hemisfério sul no seu primeiro ano, antes de passar para o hemisfério norte no seu segundo ano.

Enquanto o TESS aponta para uma faixa do céu, as suas câmaras obtêm imagens das estrelas nessa área. Ricker e colegas criaram uma lista de 200.000 estrelas brilhantes e próximas que gostariam particularmente de observar. As câmaras do satélite vão criar imagens de "selo postal" que incluem pixéis em torno de cada uma dessas estrelas. Essas imagens serão obtidas a cada dois minutos, a fim de maximizar as hipóteses de capturar o momento em que um planeta transita a sua estrela. As câmaras também tiram fotos de todas as estrelas da faixa específica do céu a cada 30 minutos.

"Com as imagens dos dois minutos, podemos obter uma espécie de filme do que a luz estelar está a fazer quando o planeta transita," diz Guerrero. "Com as imagens dos 30 minutos, as pessoas anseiam talvez ver supernovas, asteroides ou contrapartes de ondas gravitacionais. Não temos ideia do que vamos ver nessa escala de tempo."

O TESS da NASA, visto aqui nesta impressão de artista, vai identificar exoplanetas em órbita das estrelas mais brilhantes e próximas.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Estamos sozinhos?

A equipa espera que o TESS estabeleça contacto na primeira semana, durante a qual irá ligar todos os seus instrumentos e câmaras. Em seguida, haverá uma fase de comissionamento de 60 dias, durante a qual os cientistas da Orbital ATK, da NASA e do MIT vão calibrar os instrumentos e monitorizar a trajetória e performance do satélite. Depois, o TESS começará a recolher e a transmitir imagens do céu. Os cientistas do MIT e da NASA vão pegar nos dados brutos e convertê-los para curvas de luz que indicam a mudança de brilho de uma estrela ao longo do tempo.

A partir daí, a Equipa Científica do TESS, incluindo Sara Seager, vice-diretora de ciência do TESS, examinará milhares de curvas de luz em busca de pelo menos duas quedas similares na luz estelar, indicando que um planeta pode ter passado duas vezes em frente da sua estrela. Seager e colegas empregarão um conjunto de métodos para determinar a massa do potencial planeta.

"A massa é uma característica planetária definidora," comenta Seager. "Se soubermos apenas que um planeta tem o dobro do tamanho da Terra, pode ser muitas coisas: um mundo rochoso com uma atmosfera fina, ou o que chamamos de 'mini-Neptuno' - um mundo rochoso com um invólucro gigante de gás, que teria um enorme efeito de estufa, sem vida à superfície. De modo que a massa e o tamanho, juntos, dão-nos uma densidade média, o que nos diz muito sobre o tipo de planeta."

Durante a missão de dois anos do TESS, Seager e colegas visam medir as massas de 50 planetas com raios inferiores a quatro vezes o da Terra - dimensões que podem sinalizar mais observações em busca de sinais de habitabilidade. Entretanto, toda a comunidade científica e o público terão a chance de pesquisar através dos dados do TESS em busca dos seus próprios exoplanetas. Depois de calibrados, serão disponibilizados ao público. Qualquer pessoa poderá fazer o download dos dados e chegar às suas próprias conclusões, incluindo estudantes do ensino secundário, astrónomos amadores e cientistas de outras instituições.

Com tantos olhos a estudar os dados do TESS, Seager diz que há hipótese de que, um dia, se possa vir a descobrir que um planeta próximo encontrado pelo TESS tenha sinais de vida.

"Não há ciência que nos diga, agora, que existe vida lá fora, exceto que os planetas pequenos e rochosos parecem ser incrivelmente comuns," comenta Seager. "Parecem estar em todos os lugares que observamos. De modo que pode existir vida algures por aí."

Links:

Cobertura da missão TESS pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
30/03/2018 - NASA prepara o lançamento da próxima missão a procurar novos mundos

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
PHYSORG
Popular Mechanics

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
Wikipedia

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA)
Arquivo de dados do Kepler
Arquivo de dados da missão K2

HETE-2:
NASA
MIT
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

 
CRATERA DE IMPACTO OU SUPERVULCÃO EM MARTE?
Esta imagem foi captada no dia 1 de janeiro de 2018 pela Câmara de Alta Resolução da Mars Express da ESA e mostra uma cratera chamada Ismenia Patera.
A cratera está situada em Arabia Terra, uma parte interessante da superfície de Marte que se pensa ter tido significativa atividade vulcânica. Os cientistas não têm a certeza de como Ismenia Patera se formou; poderá ter sido o resultado da colisão de um meteorito ou os restos colapsados de um antigo supervulcão colapsado.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Estas imagens da sonda Mars Express da ESA mostram uma cratera, denominada Ismenia Patera, no Planeta Vermelho. A sua origem permanece incerta: um meteorito atingiu a superfície ou poderia ser o remanescente de um supervulcão?

Ismenia Patera - patera que significa “bacia plana” em latim - fica na região da Arabia Terra, em Marte. Esta é uma área de transição entre as regiões norte e sul do planeta - uma parte da superfície especialmente intrigante.

A topografia de Marte é claramente dividida em duas partes: as planícies do norte e as terras altas do sul, esta última com até alguns quilómetros de altura. Esta divisão é um tema-chave de interesse para os cientistas que estudam o Planeta Vermelho. Ideias de como esta divisão dramática se formou sugerem um único impacto massivo, múltiplos impactos ou placas tectónicas antigas, como observado na Terra, mas a sua origem ainda não está clara.

Ismenia Patera tem cerca de 75 km de diâmetro. O seu centro é cercado por um anel de colinas, blocos e pedaços de rocha que se acredita terem sido ejetados e lançados para a cratera por impactos próximos.

O material lançado por esses eventos também criou pequenas quedas e depressões que podem ser vistas dentro da própria Ismenia Patera. Fossas e canais serpenteiam da borda da cratera até ao fundo, que se encontra coberto por depósitos planos e gelados, que mostram sinais de fluxo e movimento - estes são provavelmente semelhantes a glaciares rochosos e ricos em gelo, que se acumularam ao longo do tempo, no frio e árido clima.

A cratera marciana Ismenia Patera em contexto dos seus arredores em Arabia Terra. Ismenia Patera é um potencial supervulcão; outro candidato a supervulcão, Siloe Patera, pode ser visto para baixo e para a direita da imagem.
A região delineada pela grande caixa branca indica a área fotografada durante a órbita n.º 17723 da Mars Express no dia 1 de janeiro de 2018, a partir da qual foi compilada a imagem associada, delineada pela caixa mais pequena. Neste contexto, os tons azul-esverdeado representam a elevação da superfície (valores marcados em baixo).
Crédito: Equipa científica da NASA MGS MOLA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Estas imagens foram obtidas no dia 1 de janeiro pela camara estéreo de alta resolução da Mars Express, que circunda o planeta desde 2003.

Tais imagens detalhadas e de alta resolução lançam luz sobre vários aspetos de Marte - por exemplo, como as características que deixaram marcas na superfície se formaram inicialmente e como evoluíram ao largo dos muitos milhões de anos desde então. Esta é uma questão-chave para Ismenia Patera: como se formou esta depressão?

Existem duas ideias principais para a sua formação. Uma delas associa-se a um potencial meteorito que colidiu com Marte. Depósitos sedimentares e gelo fluíram, então, para encher a cratera, até desmoronar para formar a paisagem desigual e fissurada hoje observada.

A segunda ideia sugere que, em vez de uma cratera, Ismenia Patera já foi o lar de um vulcão que entrou em erupção catastrófica, lançando enormes quantidades de magma ao seu redor e colapsando como resultado.

Esta imagem mostra uma perspetiva oblíqua de Ismenia Patera, uma cratera localizada na região de Arabia Terra da superfície de Marte. Foi captada no dia 1 de janeiro de 2018 pelos canais estéreo da Câmara de Alta Resolução a bordo da Mars Express da ESA e realça terreno irregular em torno e no interior da cratera e depósitos no chão da cratera.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Vulcões que perdem grandes quantidades de material numa única erupção são denominados supervulcões. Os cientistas continuam indecisos sobre se existiram ou não em Marte, mas o planeta é conhecido por abrigar inúmeras estruturas vulcânicas enormes e imponentes, incluindo o famoso Monte Olimpo - o maior vulcão já descoberto no Sistema Solar.

Arabia Terra também mostra sinais de ser a localização de uma província vulcânica antiga e há muito inativa. Na verdade, outro candidato a supervulcão, Siloé Patera, também se encontra em Arabia Terra (visto na visão em contexto de Ismenia Patera).

Certas propriedades das características de superfície observadas em Arabia Terra sugerem uma origem vulcânica: por exemplo, as suas formas irregulares, o baixo relevo topográfico, as suas bordas relativamente elevadas e a aparente falta de material ejetado que, normalmente, estaria presente ao redor de uma cratera de impacto.

No entanto, algumas destas características e formas irregulares também podem estar presentes em crateras de impacto, que simplesmente evoluíram e interagiram com o seu ambiente de maneiras específicas ao longo do tempo.

Mais dados sobre o interior e subsuperfície de Marte ampliarão a nossa compreensão e lançarão luz sobre estruturas como Ismenia Patera, revelando mais sobre a complexa e fascinante história do planeta.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
DLR (comunicado de imprensa)
ZME science
PHYSORG
UPI

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Arabia Terra (Wikipedia)

Mars Express:
Página oficial da ESA 
Wikipedia

 
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  Provando o que não pode ser visto (via Universidade de Miami)
O astrofísico Nico Cappelluti estuda o céu. Professor assistente de Física na Universidade de Miami, Cappelluti interessa-se pelos fenómenos cósmicos dos buracos negros, pela natureza da matéria escura e pelos núcleos galácticos ativos, a fonte muito brilhante de luz que pode ser encontrada no centro de muitas galáxias. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 3344
(clique na imagem para ver versão maior)
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A partir do nosso ponto de vista na Via Láctea, vemos NGC 3344 de frente. Com quase 40.000 anos-luz de diâmetro, a grande e bela galáxia espiral está localizada a apenas 20 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação de Leão Menor. Esta ampliação de NGC 3344 captada pelo Telescópio Espacial Hubble inclui detalhes notáveis desde o infravermelho próximo até ao ultravioleta. A imagem abrange cerca de 15.000 anos-luz das regiões centrais da espiral. Desde o núcleo e para fora, as cores da galáxia mudam de um tom amarelado - estrelas antigas no centro - para um tom azulado - jovens enxames estelares - e avermelhado - regiões de formação estelar - ao longo dos braços espirais soltos e fragmentados. Claro, as estrelas brilhantes com uma aparência pontiaguda estão em frente de NGC 3344 e pertencem à nossa Via Láctea.
 

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