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Edição n.º 1478
08/05 a 10/05/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 08/05: 128.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962, era lançado o primeiro foguetão Atlas Centauro.

Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 03:09. Antes do amanhecer, está a sudeste, bem para a esquerda de Marte e de Saturno.

Dia 09/05: 129.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971, lançamento da Mariner 8.

Tinha como objetivo entrar em órbita de Marte e enviar imagens e dados, mas o veículo de lançamento falhou e nem conseguiu alcançar órbita terrestre.
Observações: Júpiter esta noite em oposição - da perspetiva da Terra, na direção oposta à do Sol -, pelas 01:00. Praticamente à distância mínima e o mais brilhante este ano.
Eclipse de Io, entre as 01:01 e as 03:17.
Ocultação de Io, entre as 01:03 e as 03:15.
Arcturo é a estrela mais brilhante muito alta a este por estas noites. Espiga brilha a cerca de três punhos à distância do braço esticado para baixo e para a direita. Para a direita de Espiga, cerca de metade da distância anterior, está o padrão distintivo da constelação de Corvo. Bem para baixo de Arcturo brilha Júpiter.
Trânsito de Io, entre as 22:23 e as 00:35 (já de dia 10).
Trânsito da sombra de Io, entre as 22:23 e as 00:37 (já de dia 10).

Dia 10/05: 130.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 28 AC, era observada uma mancha solar por astrónomos da Dinastia Han, durante o reinado do Imperador Cheng de Han, uma das mais antigas observações de manchas solares na China.
Em 1900 nascia Cecilia Helena Payne-Gaposchkin

Descobriu a composição química das estrelas e que o hidrogénio e hélio são os seus elementos mais abundantes e, por isso, também do Universo. Em 1976 recebeu o prestigiado Prémio Henry Norris Russell da Sociedade Astronómica Americana.
Em 1930, nascia George E. Smith, físico americano, coinventor da CCD
Em 1946, primeiro lançamento bem sucedido de um foguetão V-2 nos EUA. 
Em 1971 era lançada a Kosmos 419 (USSR). Não conseguiu sair da órbita da Terra.
Observações: Ocultação de Io, entre as 19:28 e as 21:45.
Eclipse de Io, entre as 19:30 e as 21:44.
Durante estas noites de primavera, a longa mas ténue serpente marinha, Hidra, desliza pelo céu a sul. Encontre a sua cabeça, um asterismo bem fraco com aproximadamente o tamanho do polegar à distância do braço esticado, para sudoeste (está para baixo e para a direita de Régulo, a cerca de dois punhos à distância do braço esticado. Também, uma linha de Castor, passando por Pollux, aponta para lá a cerca de 2,5 punhos à distância do braço esticado). Para baixo e para a esquerda está o coração de Hidra, a alaranjada Alphard. A cauda de Hidra estica-se até Balança a sudeste. O padrão atual de Hidra, desde a cabeça até à ponta da cauda, mede 95º.

 
CURIOSIDADES

A nave InSight não está a viajar sozinha até Marte: com ela vão dois "CubeSats", do tamanho de uma mala. Têm a sua própria missão: testar tecnologia em miniatura. E têm antenas especiais para transmitir sinais vitais da InSight até à Terra durante os infames "sete minutos de terror", a fase crucial que condenou a maioria das missões humanas com o objetivo de aterrar no Planeta Vermelho.
 
INSIGHT A CAMINHO DE MARTE
A missão InSight da NASA foi a primeira missão interplanetária a ser lançada da Costa Oeste dos EUA. Depois de uma viagem de seis meses, o módulo de aterragem InSight vai descer até Marte para estudar o interior do Planeta Vermelho.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A missão InSight (Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport) da NASA está numa viagem de 480 milhões de quilómetros até Marte para estudar pela primeira vez o que está por baixo da superfície do Planeta Vermelho. Foi lançada às 12:05 (hora portuguesa) de passado sábado a partir da Base Aérea de Vandenberg, no estado norte-americano da Califórnia.

"Os Estados Unidos continuam a liderar o caminho até Marte com esta próxima missão emocionante de estudar o núcleo e os processos geológicos do Planeta Vermelho," comentou o administrador da NASA, Jim Bridenstine. "Quero dar os parabéns a todas as equipas da NASA e aos nossos parceiros internacionais que tornaram este feito possível. À medida que continuamos a ganhar forças no nosso trabalho para enviar astronautas de volta à Lua e até Marte, missões como a InSight mostrar-se-ão inestimáveis."

A bordo do segundo estágio, Centaur, do foguetão Atlas V, a nave alcançou a órbita 13 minutos e 16 segundos após o lançamento. Setenta e nove minutos mais tarde, o estágio Centaur iniciou os seus propulsores uma segunda vez, enviando a InSight numa trajetória em direção ao Planeta Vermelho. A InSight separou-se do Centaur aproximadamente 9 minutos mais tarde - 93 minutos após o lançamento - e contactou via DSN (Deep Space Network) da NASA às 13:41 (hora portuguesa).

"As equipas do Centro Espacial Kennedy e da ULA proporcionaram-nos uma ótima viagem hoje e deram início à viagem de seis meses e meio do 'lander' InSight até Marte," afirmou Tom Hoffman, gerente do projeto InSight no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. "Recebemos indicações positivas de que a nave InSight está de boa saúde e estamos empolgados por voltar a Marte para fazer ciência inovadora."

Com o seu lançamento bem-sucedido, a equipa da InSight da NASA concentra-se agora na viagem de seis meses. Durante a fase de cruzeiro da missão, os engenheiros vão verificar os subsistemas e os instrumentos científicos da nave, certificando-se de que os seus painéis solares e a antena estão orientados adequadamente, rastreando a sua trajetória e realizando manobras para a manter em curso.

Impressão de artista do módulo de aterragem InSight da NASA em Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O "lander" Insight tem pouso previsto no Planeta Vermelho por volta das 20:00 de dia 26 de novembro, onde levará a cabo operações científicas até 24 de novembro de 2020, o que equivale a um ano e 40 dias em Marte, ou quase dois anos terrestres.

"Os cientistas sonham há anos em fazer sismologia em Marte. No meu caso, tive esse sonho há 40 anos como estudante e agora esse sonho compartilhado foi lançado através das nuvens e para a realidade," comenta Bruce Banerdt, investigador principal da missão InSight no JPL.

O módulo de aterragem InSight vai estudar e recolher dados sobre sismos marcianos, sobre o fluxo de calor do interior do planeta e sobre a forma como Marte oscila, de modo a ajudar os cientistas a entenderem os processos que moldaram os quatro planetas rochosos do nosso Sistema Solar interior.

"O InSight não só nos ensinará mais sobre Marte, como também melhorará a nossa compreensão da formação de outros mundos rochosos como a Terra e a Lua, e milhares de planetas em torno de outras estrelas," comenta Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas da NASA na sede da agência espacial em Washington. "A missão InSight junta a ciência e a tecnologia com uma equipa diversificada de parceiros internacionais e comerciais liderada pelo JPL."

As missões anteriores a Marte investigaram a história da superfície do Planeta Vermelho examinando características como desfiladeiros, vulcões, rochas e solo, mas ninguém tentou investigar a evolução mais antiga do planeta, que só pode ser encontrada estudando o que está por baixo da superfície.

"O InSight ajudar-nos-á a desvendar os mistérios de Marte de uma nova maneira, não apenas estudando a superfície do planeta, mas olhando profundamente para aprendermos mais sobre os primeiros blocos de construção do planeta," comenta Michael Watkins, diretor do JPL.

Links:

Cobertura da missão InSight pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
03/04/2018 - NASA pronta para estudar o coração de Marte
03/04/2018 - Sismos marcianos podem revolucionar ciência planetária
21/08/2012 - Nova missão da NASA vai estudar directamente e pela primeira vez o interior de Marte

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Lançamento da missão InSight até Marte (NASA JPL via YouTube)
Sky & Telescope
SPACE.com
COSMOS
PHYSORG
spaceref
Popular Mechanics
National Geographic
UPI
CNN
BBC News
sky news
euronews
The Verge
Gizmodo
Jornal de Notícias
Diário de Notícias
Público
Correio da Manhã
Observador

InSight:
NASA
NASA - 2
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
SOMBRA DE UM CÉU LIMPO - ASTRÓNOMOS ENCONTRAM UM EXOPLANETA SEM NUVENS
Impressão de artista do "Saturno quente" WASP-96b. Um observador distante veria WASP-96b com um tom azulado, porque o sódio absorve a luz amarelo-laranja do espectro total do planeta.
Crédito: Engine House
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Cientistas detetaram uma atmosfera exoplanetária livre de nuvens, marcando um avanço fundamental na busca por uma maior compreensão dos planetas para lá do nosso Sistema Solar.

Uma equipa internacional de astrónomos, liderada pelo Dr. Nikolay Nikolov da Universidade de Exeter, Reino Unido, descobriu que a atmosfera do "Saturno quente" WASP-96b não tem nuvens.

Usando o VLT (Very Large Telescope) de 8,2m no Chile, a equipa estudou a atmosfera de WASP-96b quando o planeta passou em frente da sua estrela-mãe. Isto permitiu com que a equipa medisse a diminuição da luz estelar provocada pelo planeta e pela sua atmosfera e, assim, determinar a composição atmosférica do planeta.

Assim como as impressões digitais de um indivíduo são únicas, os átomos e as moléculas têm uma característica espectral única que pode ser usada para detetar a sua presença em objetos celestes. O espectro de WASP-96b mostra a impressão digital completa do sódio, que só pode ser observada numa atmosfera sem nuvens.

Os resultados foram publicados na prestigiada revista científica Nature no dia 7 de maio de 2018.

WASP-96b é um típico gigante gasoso e quente (1300K), semelhante a Saturno em massa e que excede o tamanho de Júpiter em 20%. O planeta transita periodicamente uma estrela parecida com o Sol a 980 anos-luz de distância na direção da constelação do hemisfério sul da Fénix, entre as joias estelares do sul Fomalhaut (α Piscis Austrini) e Achernar (α Eridani).

Há muito que se previu que o sódio existe nas atmosferas do gigantes gasosos e quentes, e numa atmosfera de livre de nuvens produziria um espectro similar, em forma, ao perfil de uma tenda de campismo.

Impressão digital do sódio no espectro de um exoplaneta. Linha de absorção devido ao sódio em cada comprimento de onda. Mais absorção significa que estamos a observar mais alto na atmosfera, e o eixo vertical é portanto uma medição da altitude na atmosfera do planeta. Uma atmosfera sem nuvens produz uma impressão digital de sódio intacta (painel à esquerda). Uma camada de nuvens bloqueia parte do sódio na atmosfera, removendo parcialmente a sua assinatura espectral (painel à direita).
Crédito: N. Nikolov/E. de Mooji
 

Nikolay Nikolov, autor principal da Universidade de Exeter, afirma: "Temos estado a analisar mais de 20 espectros de trânsitos exoplanetários. WASP-96b é o único exoplaneta que parece estar totalmente livre de nuvens e mostra uma assinatura de sódio tão clara que torna o planeta uma referência para caracterização."

"Até agora, o sódio era relevado ou como um pico muito estreito ou estava completamente ausente. Isto porque o perfil característico em forma de 'tenda de campismo' só pode ser produzido nas profundezas da atmosfera do planeta e a maioria das nuvens parece atrapalhar."

Sabemos que as nuvens e neblinas existem em alguns dos planetas mais frios e mais quentes do Sistema Solar e além. A presença ou ausência de nuvens e a sua capacidade para bloquear a luz desempenham um papel importante no orçamento energético geral das atmosferas planetárias.

"É difícil prever quais destas atmosferas quentes terão nuvens espessas. Ao observarmos toda a gama de possíveis atmosferas, desde as muito nubladas até às limpas como WASP-96b, obtemos uma melhor compreensão da composição destas nuvens," explica o professor Jonathan J. Fortney, coautor do estudo, do OWL (Other Worlds Laboratory) da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, EUA.

A assinatura do sódio vista em WASP-96b sugere uma atmosfera livre de nuvens. A observação permitiu com que a equipa medisse a abundância de sódio na atmosfera do planeta, encontrando níveis semelhantes aos vistos no nosso próprio Sistema Solar.

"WASP-96b também proporcionará uma oportunidade única para determinar a abundância de outras moléculas, como água, monóxido de carbono e dióxido de carbono com observações futuras," acrescenta o coautor Ernst de Mooij da Universidade da Cidade de Dublin.

O sódio é o sétimo elemento mais comum no Universo. Na Terra, compostos de sódio como o sal dão à água do mar o seu sabor salgado e a cor branca das salinas. Na vida animal, o sódio é conhecido por regular a atividade cardíaca e o metabolismo. O sódio também é usado em tecnologia, como nas luzes de rua de vapor de sódio, que produz um tom amarelo-laranja.

A equipa pretende observar a assinatura de outras espécies atmosféricas, como a água, o monóxido de carbono e o dióxido de carbono, com os telescópios espaciais Hubble e James Webb, além de telescópios no solo.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Exeter (comunicado de imprensa)
UC Santa Cruz (comunicado de imprensa)
Nature
Astronomy Now
PHYSORG
ZME Science
ScienceDaily

WASP-96b:
NASA
Exoplanet.eu
Open Exoplanet Catalogue

Sódio:
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

VLT:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

 
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  Surto de estrelas recém-nascidas em enxame estelar jovem intriga astrónomos (via Academia Chinesa de Ciências)
Uma vez que a quantidade limitada de gás que sobrevive do primeiro processo de formação estelar é rapidamente expelida ao longo de vários milhões de anos, há muito que se pensa que os enxames estelares são "inférteis" no que toca a formar estrelas novas. Somente as colisões ou fusões estelares podem levar ao rejuvenescimento de estrelas muito mais velhas, fazendo com que pareçam mais jovens do que a maioria das estrelas normais, da mesma maneira que os humanos aplicam produtos de rejuvenescimento ou levam a cabo operações plásticas. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Cratera Stickney
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: HiRISEMROLPL (U. Arizona)NASA
 
A Cratera Stickney, a maior cratera da lua marciana Fobos, tem o nome da matemática e esposa do astrónomo Asaph Hall, Chloe Angeline Stickney. Asaph Hall descobriu ambas as luas do Planeta Vermelho em 1877. Com mais de 9 km de diâmetro, Stickney tem quase metade do tamanho da própria lua, tão grande que o impacto que criou a cratera provavelmente chegou perto de despedaçar a pequena lua. Esta impressionante imagem a cores e melhorada da Cratera Stickney e arredores foi capturada com a câmara HiRISE a bordo da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) quando passou a cerca de seis mil quilómetros da lua em março de 2008. Embora a gravidade à superfície do pseudo-asteroide Fobos seja menos que 1/1000 da gravidade da Terra, estrias sugerem que material solto deslizou para dentro da cratera ao longo do tempo. As regiões azuladas perto do limite da cratera podem indicar uma superfície relativamente recém-exposta. A origem das curiosas ranhuras ao longo da superfície permanece ainda um mistério, mas pode estar relacionada com o impacto de formação da cratera.
 

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