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Edição n.º 1494
03/07 a 05/07/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 03/07: 184.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, ocorre a maior explosão na história dos foguetões quando o soviético Soyuz N-1 (5L) explode e subsequentemente destroi a sua plataforma de lançamento. Esta é também uma das maiores explosões artificiais não-nucleares da História da Humanidade.
Em 2006, o asteroide denominado 2004 XP14 passa a 432.308 km da Terra.

Observações: Se tiver acesso a um céu escuro o suficiente, a Via Láctea forma agora um magnífico arco que atravessa o céu a este após o anoitecer. Vai desde Cassiopeia a norte-nordeste, passa alta por Cisne e pelo Triângulo de Verão a este, desce por trás de Saturno e pelo Bule de Chá de Sagitário a sul.

Dia 04/07: 185.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1054, foi detetada pela primeira vez uma brilhante supernova registada pelos astrónomos chineses, árabes e possivelmente pelos povos indígenas do continente americano. Permaneceu visível durante meses, brilhante o suficiente para ser vista durante o dia. Deu origem ao remanescente de supernova chamado Nebulosa do Caranguejo, também conhecido por M1.
Em 1868 nascia Henrietta Swan Leavitt, astrónoma americana que examinou chapas fotográficas para medir e catalogar o brilho de estrelas.

Descobriu a relação entre a luminosidade e o período das estrelas variáveis Cefeidas. Foi a sua descoberta que permitiu aos astrónomos medirem a distância entre a Terra e as galáxias distantes. Após a sua morte, Edwin Hubble usou a relação do período-luminosidade das Cefeidas para determinar que a Via Láctea não era a única galáxia no Universo observável e que o Universo estava em expansão. 
Em 1997, a Pathfinder aterrava em Marte.
Em 1998, o Japão lança uma sonda para Marte e junta-se à lista de países que participam na exploração espacial. Devido a vários problemas com a Nozomi cerca de um ano depois, a missão foi abandonada.
Em 2005, a Deep Impact colide com o cometa Tempel 1
Em 2006, missão STS-121 do vaivém espacial Discovery.
Em 2012, é anunciada no CERN a descoberta de partículas consistentes com o bosão de Higgs no LHC (Large Hadron Collider).
Observações: Aproveite a noite para observar os planetas Júpiter e Saturno, a sul-sudoeste e a sudeste, respetivamente, depois do cair da noite. Vénus é ainda visível baixo a oeste-noroeste. Um pouco antes da meia-noite, conseguirá observar o nascer de Marte, a sudeste, que se prepara para dar nas próximas semanas um grande espetáculo de cor brilho como não se via desde 2003.

Dia 05/07: 186.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1687, era publicado o Philosophiae Naturalis Principia Mathematica de Isaac Newton.

Pela primeira vez era dada uma explicação para a causalidade do movimento dos planetas e satélites.
Em 2016, a sonda Juno chega a Júpiter.
Observações: Estas noites sem Lua que se aproximam são uma boa altura para ir à caça de objetos do céu profundo pouco conhecidos (e famosos, já agora) na Via Láctea, por exemplo, perto de Cisne e da sua estrela dupla Albireo.

 
CURIOSIDADES

A Grande Nuvem de Magalhães (em inglês, Large Magellanic Cloud (LMC)) e a Pequena Nuvem de Magalhães (em inglês, Small Magellanic Cloud (SMC)) têm o seu nome atribuído em homenagem ao português Fernão de Magalhães que terá sido o primeiro europeu a observá-las no século XVI.
 
VLT OBTÉM A PRIMEIRA IMAGEM CONFIRMADA DE UM PLANETA RECÉM-NASCIDO

O SPHERE, o instrumento caçador de planetas montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO, capturou a primeira imagem confirmada de um planeta a formar-se no disco poeirento que rodeia uma estrela jovem. O jovem planeta abre o seu caminho através do disco primordial de gás e poeira que rodeia a estrela muito jovem PDS 70. Os dados sugerem que a atmosfera do planeta possui nuvens.

Astrónomos liderados por um grupo do Instituto Max Planck de Astronomia em Heidelberg, na Alemanha, capturaram uma imagem de formação planetária em torno da jovem estrela anã PDS 70. Com o auxílio do instrumento SPHERE montado no VLT do ESO — um dos instrumentos caçadores de planetas mais poderosos que existem — a equipa internacional fez a primeira deteção robusta de um jovem planeta, chamado PDS 70b, que se encontra a abrir caminho através do material que rodeia a jovem estrela.

Com o instrumento SPHERE, a equipa pôde medir também o brilho do planeta em diversos comprimentos de onda, o que permitiu que fossem deduzidas propriedades da sua atmosfera.

Esta imagem, obtida com o instrumento SPHERE montado no VLT do ESO, é a primeira imagem nítida de um planeta a formar-se em torno da estrela anã PDS 70. O planeta mostra-se muito bem destacado, sendo visível como um ponto brilhante situado à direita do centro da imagem, o qual se encontra tapado pela máscara do coronógrafo utilizado para bloquear a luz ofuscante emitida pela estrela central.
Crédito: ESO/A. Müller et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O planeta mostra-se muito bem destacado nas novas observações, sendo visível como um ponto brilhante situado à direita do centro (a esfera negra na imagem). Localiza-se aproximadamente a três mil milhões de km de distância da estrela central, o que equivale mais ou menos à distância entre Úrano e o Sol. A análise mostra que PDS 70b é um planeta gigante gasoso com várias vezes a massa de Júpiter. A superfície do planeta tem uma temperatura de cerca de 1000º C, o que o torna muito mais quente do que qualquer planeta do nosso Sistema Solar.

O círculo escuro que aparece no centro da imagem deve-se à utilização de um coronógrafo, uma máscara que bloqueia a luz ofuscante da estrela central e permite aos astrónomos detetar os seus muito mais ténues disco e companheiro planetário. Sem esta máscara, a fraca luz emitida pelo planeta desapareceria completamente no intenso brilho de PDS 70.

"Estes discos situados em torno de estrelas jovens são os locais de nascimento dos planetas, mas até agora apenas algumas observações tinham conseguido detetar pistas que apontavam para a existência de planetas bebés no seu seio," explica Miriam Keppler, que liderou a equipa por detrás da descoberta do planeta ainda em formação de PDS 70. "O problema é que, até agora, a maioria destes candidatos a planetas poderia ser apenas estruturas no disco."

A descoberta do jovem companheiro de PDS 70 trata-se de um resultado científico bastante interessante, que mereceu já investigação subsequente. Uma segunda equipa, que envolve muitos dos mesmos astrónomos da equipa da descoberta, incluindo Keppler, fez, nos últimos meses, observações de seguimento com o intuito de investigar a jovem companheira planetária de PDS 70 com mais detalhe. Esta equipa não só obteve a imagem muito nítida do planeta que aqui se mostra, como também conseguiu obter um espectro deste objeto. A análise do espectro aponta para a existência de nuvens na atmosfera do planeta.

A companheira planetária de PDS 70 esculpiu um disco de transição — um disco protoplanetário com um "buraco" gigante no centro. Conhecem-se estes buracos interiores há várias décadas e foi sugerido que seriam produzidos pela interação entre o disco e o planeta. Agora estamos a ver o planeta pela primeira vez.

Esta imagem colorida mostra o céu em torno da ténue estrela anã laranja PDS 70 (localizada no centro da imagem). A estrela azul brilhante situada à direita é χ Centauri. Esta imagem foi criada a partir de dados do Digitized Sky Survey 2.
Crédito: ESO/Digitized Sky Survey 2. Reconhecimento: Davide De Martin
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Os resultados de Keppler abrem-nos uma nova janela para as primeiras fases da complexa evolução planetária, ainda tão mal compreendida," comenta André Müller, líder da segunda equipa que investigou o jovem planeta. "Precisávamos de observar um planeta no disco de uma estrela jovem para compreendermos realmente os processos por detrás da formação planetária." Ao determinar as propriedades físicas e atmosféricas do planeta, os astrónomos podem testar modelos teóricos de formação planetária.

Este olhar ao nascimento envolto em poeira de um planeta foi apenas possível graças às impressionantes capacidades tecnológicas do instrumento SPHERE do ESO, o qual estuda exoplanetas e discos em torno de estrelas próximas, usando uma técnica conhecida por imagens de alto contraste — um feito bastante complicado. Mesmo bloqueando a luz emitida por uma estrela com o auxílio de um coronógrafo, o SPHERE tem ainda que usar estratégias de observação e técnicas de processamento de dados complicadas para conseguir obter o sinal emitido pelos ténues companheiros planetários situados em torno das jovens estrelas brilhantes, a múltiplos comprimentos de onda e épocas diferentes.

Thomas Henning, diretor do Instituto Max Planck de Astronomia e líder das equipas, sumariza esta aventura científica: "Após mais de uma década de enormes esforços para construir esta máquina de alta tecnologia, o SPHERE permite-nos agora colher os frutos deste trabalho, presentando-nos com a descoberta de planetas bebés!"

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico - 1 (PDF)
Artigo científico - 1 (arXiv.org)
Artigo científico - 2 (PDF)
Artigo científico - 2 (arXiv.org)
ESOcast 169: Primeira imagem confirmada de um planeta recém-nascido (ESO via YouTube)
Aproximação a PDS 70 e ao seu recém-descoberto planeta (ESO via YouTube)
Science
EarthSky
SPACE.com
Science alert
ScienceDaily
PHYSORG
CNN
BBC News
The Verge
Engadget
Gizmodo

PDS 70:
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
NASA USA A TERRA COMO LABORATÓRIO PARA ESTUDAR MUNDOS DISTANTES
Estas imagens mostram o lado iluminado da Terra em 10 diferentes comprimentos de onda que caem no infravermelho, no visível e no ultravioleta; as imagens são representativas da cor, porque nem todos estes comprimentos de onda são visíveis ao olho humano. Cada comprimento de onda realça diferentes características do planeta - por exemplo, o continente africano é visível na imagem do canto inferior direito, mas quase invisível na do canto superior esquerdo. Estas observações foram obtidas pelo instrumento EPIC da NASA a bordo do satélite DSCOVR da NOAA, no dia 2 de agosto de 2017.
Crédito: NASA/NOAA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O estudo dos exoplanetas - planetas para lá do nosso Sistema Solar - pode ajudar os cientistas a responder a grandes questões sobre o nosso lugar no Universo e se a vida existe além da Terra. Mas estes mundos distantes são extremamente ténues e difíceis de observar diretamente. Um novo estudo usa a Terra como substituto para um exoplaneta e mostra que mesmo com pouquíssima luz - com apenas um pixel - ainda é possível medir as principais características de mundos distantes.

O novo estudo usa dados do instrumento EPIC (Earth Polychromatic Imaging Camera), a bordo do satélite DSCOVR (Deep Space Climate Observatory) da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration). O DSCOVR gira em torno do Sol no ponto L1 de Lagrange, uma órbita específica que fornece ao EPIC uma visão constante da superfície do nosso planeta iluminado pelo Sol. O EPIC tem observado a Terra continuamente desde junho de 2015, produzindo mapas diferenciados da superfície do planeta em múltiplos comprimentos de onda e contribuindo para os estudos climáticos e meteorológicos.

O instrumento EPIC captura a luz refletida da Terra em 10 diferentes comprimentos de onda, ou cores. De modo que cada vez que o EPIC "tira uma foto" da Terra, na realidade obtém 10 imagens. O novo estudo calcula a média de cada imagem num único valor de brilho, ou o equivalente a uma imagem de "pixel único" para cada comprimento de onda. Um único instantâneo do planeta, com um único pixel, forneceria muito pouca informação sobre a superfície. Mas no novo estudo, os autores analisaram um conjunto de dados que contém imagens de pixel único captadas várias vezes por dia, em 10 comprimentos de onda diferentes, ao longo de um período prolongado de tempo. Apesar do facto de que todo o planeta foi reduzido a um único ponto de luz, os autores foram capazes de identificar nuvens na atmosfera e de medir a rotação do planeta (a duração do seu dia). Os autores dizem que o estudo, publicado na edição de 27 de junho da revista The Astronomical Journal, demonstra que a mesma informação pode ser derivada de observações de pixel único de exoplanetas.

Esta impressão de artista mostra uma imagem melhorada da Terra obtida pelo instrumento EPIC (topo). O EPIC observa o planeta em 10 diferentes comprimentos de onda, vistos aqui como as 10 imagens coloridas no meio. Um novo estudo calcula a média dos dados de cada comprimento de onda do EPIC até um único valor de brilho, ou o equivalente a uma imagem de "pixel único". Isto permitiu que os autores do estudo simulassem observações de um exoplaneta distante.
Crédito: NASA/NOAA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"O benefício de usar a Terra como homólogo para um exoplaneta é que podemos verificar as nossas conclusões derivadas dos dados de um único pixel com a riqueza de dados que realmente possuímos para a Terra - não podemos fazer isso se estivermos a usar dados de um exoplaneta distante e real," comenta Jonathan Jiang, cientista atmosférico e climático do JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, autor principal do novo estudo.

Um minúsculo ponto de luz

Quando a filha de Jiang, Teresa, estava na escola primária, ele organizou um evento de observação das estrelas para ela e para as suas amigas. Jiang apontou para as estrelas e disse à filha que o Sol também é uma estrela, e que existem planetas em órbita de outras estrelas exatamente como os planetas orbitam o Sol. Ela pressionou o pai por mais informações, perguntando como os cientistas podiam aprender mais sobre esses mundos distantes a partir de pequenos pontos de luz no céu.

"As crianças fazem muitas perguntas boas," comenta Jiang. "E essa pergunta ficou na minha mente - se eu posso ver um exoplaneta como apenas um pequeno ponto de luz, posso ver nuvens e oceanos e terra?"

Jiang começou a sua carreira em astrofísica, mas para o seu trabalho de doutoramento, decidiu aplicar as suas capacidades de computação e modelagem física ao clima da Terra. Agora, usa dados climáticos para auxiliar no estudo de exoplanetas. Os exoplanetas são significativamente mais ténues do que as estrelas e muito mais difíceis de detetar. A Terra, por exemplo, é aproximadamente 10 mil milhões de vezes mais ténue do que o Sol. Apenas foram descobertos cerca de 45 exoplanetas através de observação direta, todos os quais são muito maiores do que a Terra. A maioria dos exoplanetas conhecidos (já foram confirmados mais de 3700) foram detetados indiretamente, usando técnicas como o método de trânsito, no qual os cientistas observam o leve escurecimento de uma estrela provocado pelo trânsito de um exoplaneta através da sua face.

Esta imagem mostra o lado iluminado da Terra, observado em 10 comprimentos de onda pelo instrumento EPIC a bordo do satélite DSCOVR. Cada imagem mostra o mesmo instantâneo da Terra num diferente comprimento de onda. A frequência está indicada por cima de cada das imagens.
Crédito: NASA/NOAA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O instrumento EPIC captura a luz refletida no lado iluminado da Terra em 10 diferentes comprimentos de onda, porque diferentes materiais refletem diferentes comprimentos de onda de luz em diferentes graus - as plantas, por exemplo, refletem principalmente a luz verde. E um planeta avermelhado como Marte, por exemplo, teria um perfil de cor muito diferente comparado com um planeta coberto de gelo.

O novo estudo mostra que ao observarmos um planeta com características distintas ao longo do tempo - como oceanos e continentes - é possível medir a taxa de rotação do planeta observando um padrão repetitivo na luz refletida. Este padrão surgiria daquelas características planetárias que se deslocam para observação com uma cadência regular. Por exemplo, a cada 24 horas, a Austrália e o Oceano Pacífico preenchem o campo de visão do EPIC, e cerca de 12 horas depois a América do Sul e o Atlântico, com a África e o Oceano Índico passando entre eles. Este padrão de mudança de luz repete-se dia após dia. No novo artigo, os autores mostram que podem detetar esse ciclo repetitivo e assim determinar a rotação ou a duração do dia do planeta. A rotação de um planeta pode revelar informações sobre como e quando o planeta se formou e é uma propriedade particularmente difícil de medir com os métodos atuais.

"As pessoas falam já há algum tempo em usar esta abordagem para medir a rotação dos exoplanetas, mas não havia demonstração de que podia funcionar porque não tínhamos dados reais," comentou Renyu Hu, cientista exoplanetário do JPL e coautor do novo estudo. "Nós mostrámos que em todos os comprimentos de onda, aparece o período de 24 horas, o que significa que esta abordagem para medir a rotação do planeta é robusta."

Esta animação mostra uma série de observações obtidas pelo instrumento EPIC num dos 10 comprimentos de onda. Neste comprimento de onda, a distinção entre continentes e oceanos é particularmente visível. De acordo com um novo estudo, o padrão repetitivo criado pela rotação do planeta pode ser observável por um telescópio poderoso que vê o planeta a muitos anos-luz de distância.
Crédito: NASA/NOAA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

No entanto, os autores realçam que a eficácia deste método dependeria das características únicas do planeta. Um padrão de ciclo diário pode não ser visível num planeta com uma superfície amplamente homogénea. Vénus, por exemplo, está coberto por espessas nuvens e não tem oceanos, de modo que poderia não aparecer um padrão diário recorrente, ou poderia não ser distinto o suficiente para ser observado numa imagem com um pixel. Planetas como Mercúrio e Marte também seriam um desafio, mas Jiang explica que características planetárias como crateras também podem contribuir para um padrão que pode ser usado para medir o período de rotação.

Fotografando exoplanetas

Estudos anteriores usaram a Terra como substituto para exoplanetas, para investigar que tipos de propriedades planetárias poderiam ser derivadas de longe, mas nenhum estudo anterior analisou tantos comprimentos de onda. Este é o primeiro estudo do tipo a capturar um conjunto de dados tão grande, ao longo de um grande período de tempo: usou mais de 27 meses de observações, com imagens do EPIC obtidas aproximadamente 13 vezes por dia.

Esta imagem, obtida pela sonda Voyager 1 da NASA para lá da órbita de Neptuno, mostra o planeta Terra a 5,9 mil milhões de quilómetros de distância. A Terra aparece como um pequeno ponto de luz no lado direito da imagem, indicado pela seta. Com o nome "Pálido Ponto Azul", a imagem ilustra quão pequeno um planeta do tamanho da Terra é quando visto de longe.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As observações diretas de exoplanetas têm muito menos dados do que os usados no novo estudo, mas os investigadores relatam que a medição do período de rotação de um exoplaneta com mais de 90% de confiança exigiria imagens apenas duas a três vezes por período orbital (isto é, por cada "dia" naquele exoplaneta em particular) para aproximadamente 7 períodos orbitais.

O tempo que os astrónomos teriam para observar um exoplaneta a fim de identificar o seu período de rotação também depende da quantidade de luz indesejada incluída nos dados exoplanetários. Os dados do EPIC fornecem uma visão excecionalmente clara da Terra, em grande parte não afetada pela luz de outras fontes. Mas um dos principais desafios em fotografar diretamente os exoplanetas é que são muito mais fracos do que as suas estrelas hospedeiras. A luz da estrela próxima pode facilmente abafar a luz de um exoplaneta, tornando esta última invisível. Com o sinal do planeta a competir com a luz da estrela, pode levar mais tempo para discernir um padrão que possa revelar o período de rotação de um planeta. A NASA está a investigar potenciais projetos para telescópios de próxima geração que possam ser capazes de fotografar diretamente os exoplanetas do tamanho da Terra.

Com o campo de imagens diretas de exoplanetas em andamento, Jiang não terminou de pensar na pergunta que a sua filha lhe fez há mais de uma década. Se os cientistas podem aprender mais sobre as características superficiais de planetas distantes, será que poderiam responder a uma questão ainda maior que ela também colocou - será que algum desses planetas tem vida?

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
02/01/2018 - Disciplinas abrangentes na busca por vida para lá da Terra

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (The Astronomical Journal)
Artigo científico (arXiv.org)
AAS NOVA
PHYSORG

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Terra:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

DSCOVR:
NOAA
Imagens EPIC
Wikipedia

 
TELÚRIO DETETADO NUM DOS SEUS LOCAIS DE ORIGEM

Uma equipa internacional liderada por um estudante de doutoramento do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC) e da Universidade de La Laguna (ULL) identificou a emissão de telúrio no espectro infravermelho de duas nebulosas planetárias e bromo numa delas.

No final das suas vidas, as estrelas de massa média libertam as suas camadas exteriores, formando nebulosas planetárias. Através deste processo, injetam no meio interestelar os elementos químicos que foram sintetizados no seu interior durante milhares de milhões de anos. Esses elementos que são mais pesados do que o ferro não podem ser produzidos nas reações de fusão nuclear que ocorrem dentro das estrelas porque esse processo exigiria mais energia do que elas conseguem produzir. Esses elementos são formados por um processo conhecido como captura de neutrões, que ocorre nos estágios finais da vida de uma estrela.

Imagens das nebulosas planetárias NGC 7027 (esquerda) e IC 418 (direita) onde foram detetadas as características de emissão, confirmando a presença de elementos muito pesados.
Crédito: NGC 7027 - Arquivo do Hubble, ESA, NASA. Processada por: Delio Tolivia Cadrecha; IC 418 - Arquivo do Hubble (STScI/AURA), R. Sahai, A. R. Hajian
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"À medida que ocorrem, essas capturas de neutrões dão origem a elementos cada vez mais pesados," explica Simone Madonna, estudante de doutoramento do IAC e autor principal do artigo científico. Ele acrescenta: "Este fenómeno físico ocorre sempre durante os últimos episódios violentos relacionados com a morte das estrelas: ou em eventos relacionados com a morte de estrelas de massa muito elevada, como explosões de supernova ou colisões entre estrelas de neutrões (uma das quais foi detetada recentemente por observatórios de ondas gravitacionais), que produzem um grande número de neutrões livres, ou na fase final da vida de estrelas de baixa massa (entre 1 e 8 vezes a massa do Sol), onde o fluxo de neutrões é muito mais baixo. No primeiro caso, o processo é denominado "processo-r" (R para rápido) e no segundo caso, "processo-s" (S para "slow", lento).

Jorge García Rojas, investigador pós-doutorado do IAC e supervisor do doutoramento de Simone, afirma que "detetámos, pela primeira vez, uma característica de emissão espectral de telúrio na faixa infravermelha de duas nebulosas planetárias (e bromo numa delas) graças a dados obtidos com o espectrógrafo EMIR, acoplado ao GTC (Gran Telescopio Canarias) e ao instrumento IGRINS do Telescópio Harlan J. Smith, no Observatório McDonald no estado norte-americano do Texas. "Aproveitando a técnica de espectroscopia, analisamos a luz que recebemos das nebulosas, que é decomposta em cores diferentes como um arco-íris e podemos determinar quais os elementos químicos presentes no gás, já que cada elemento possui um padrão único de linhas de emissão embebidas neste arco-íris, o espectro de uma nebulosa. Graças a isto, a linha de emissão do telúrio e a linha de emissão do bromo foram localizadas pela primeira vez no espectro infravermelho das nebulosas planetárias. Estas são as mais claras deteções de iões pertencentes a esses dois elementos pesados num dos locais onde se podem formar.

"É necessária a utilização de grandes telescópios e de instrumentação específica devido à extrema fraqueza destas linhas, já que correspondem a elementos do Universo com baixíssimas abundâncias," comenta Francisco Garzón, outro dos autores do artigo científico, professor da ULL, investigador do IAC e investigador responsável pelo instrumento EMIR.

"Para determinar a abundância destes elementos, precisámos de construir um modelo atómico teórico para calcular os parâmetros atómicos dos iões observados," explica Manuel Bautista, físico atómico da Universidade de Western Michigan e coautor do artigo. A importância da deteção destas linhas nas nebulosas planetárias baseia-se no facto de que são melhores indicadores da abundância do elemento do que as linhas detetadas em estrelas evoluídas e dão-nos a oportunidade de estudar o elemento no seu local de origem. O telúrio é de particular importância, uma vez que pode ser produzido tanto por processos-r como por processos-s.

"As abundâncias calculadas de telúrio nas nebulosas planetárias NGC 7027 e IC 418 indicam que este elemento é muito mais abundante do que o esperado na vizinhança solar, onde o padrão de abundância é distribuído como esperado se o processo-r fosse responsável pela origem destes elementos pesados," observa Simone, "de modo que parte do telúrio nestas nebulosas planetárias deve ter tido origem através do processo-s".

Nicholas Sterling, professor da Universidade de West Georgia e cossupervisor do doutoramento de Simone, explica que "a investigação destes elementos em todos os seus lugares de origem (nebulosas planetárias, fusões de estrelas de neutrões e supernovas de estrelas massivas) ajuda a melhor entender a contribuição do processo-s e do processo-r para a formação dos elementos pesados e a refinar os modelos teóricos da evolução química do Universo."

Links:

Notícias relacionadas:
Instituto de Astrofísica das Canárias (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
PHYSORG

Telúrio:
Wikipedia

Bromo:
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NGC 7027:
Wikipedia

IC 418:
Wikipedia

Nebulosas planetárias:
Wikipedia

GTC (Gran Telescopio Canarias):
Página principal
Wikipedia

Observatório McDonald:
Página oficial
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Mais pistas que os exoplanetas parecidos com a Terra são efetivamente parecidos com a Terra (via Georgia Tech)
Um novo estudo do Instituto de Tecnologia da Georgia fornece novas pistas que indicam que um exoplaneta a 500 anos-luz é muito parecido com a Terra. Kepler-186f é o planeta planeta do tamanho da Terra identificado para lá do Sistema Solar em órbita de uma estrela na zona habitável. Isto significa que está à distância ideal da sua estrela para que a água líquida exista à superfície. Ler fonte
     
  Astrónomos observam o campo magnético do remanescente de supernova 1987A (via Universidade de Toronto)
Pela primeira vez, os astrónomos mediram diretamente o magnetismo num dos objetos mais bem estudados da Astronomia: o remanescente de supernova 1987A (SN1987A), uma estrela moribunda que apareceu nos nossos céus há mais de 30 anos. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Messier 24: Nuvem Estelar de Sagitário
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Roberto Colombari
 
Ao contrário da maioria das entradas no famoso catálogo de objetos de céu profundo de Charles Messier, M24 não é uma galáxia brilhante, um enxame de estrelas ou uma nebulosa. É uma lacuna em nuvens de poeira interestelar próximas e obscurantes que permite uma visão das distantes estrelas no braço espiral de Sagitário da nossa Via Láctea. Quando olhamos para a nuvem estelar com binóculos ou com um pequeno telescópio, estamos a observar através de uma janela com mais de 300 anos-luz de largura estrelas a aproximadamente 10.000 anos-luz ou mais da Terra. Às vezes chamada de Pequena Nuvem Estelar de Sagitário, as estrelas luminosas de M24 preenchem o lado esquerdo desta linda paisagem estelar. Cobrindo cerca de 4 graus ou o tamanho de 8 Luas Cheias na direção da constelação de Sagitário, o campo telescópico contém muitas pequenas nuvens densas de poeira e nebulosas na direção do centro da Via Láctea, incluindo a avermelhada nebulosa de emissão IC 1284 perto do topo da imagem.
 

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