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Edição n.º 1503
03/08 a 06/08/2018
 
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ASTRONOMIA NO VERÃO DO CCVAlg

Atividades astronómicas planeadas para o restante mês de agosto:

04/08 - Observação astronómica noturna - S. Brás de Alportel, no Miradouro do Alto da Arroteia, a partir das 21:00

08/08 - Observar o Sol, Ilha do Farol - Faro, junto ao Farol, a partir das 10:15

10/08 - Observação astronómica noturna, Lagoa, Sr.ª da Rocha, junto à Capela da Nossa Senhora da Rocha, a partir das 21:00

13/08 - Astros e sons noturnos na Ria Formosa, junto Centro de Educação Ambiental de Marim, a partir das 20:30

22/08 - Observar o Sol, Ilha Deserta - Faro, junto ao restaurante Estaminé, a partir das 10:45

24/08 - Observação astronómica noturna, Olhão, na Marina (Jardim dos Pescadores), a partir das 21:00

(todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis)

 
EFEMÉRIDES

Dia 03/08: 215.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1596 era descoberta a primeira estrela variável, Mira, por David Fabricius.
Em 2004, lançamento da missão MESSENGER a Mercúrio, que orbitou o planeta entre 2011 e 2015.

Observações: A menos de 3º para baixo e para a direita de Saturno, esta semana, encontra-se M8, a Nebulosa da Lagoa, e o seu enxame estelar associado. A Lagoa é a nebulosa de emissão mais brilhante dos céus de verão. Com um céu escuro, é facilmente visível a olho nu como uma pequena mancha, se soubermos para onde olhar: para cima do "Bule de Chá" de Sagitário.
Para cima de M8, cerca de 1,4º, e um pouco para a direita, está a ténue M20, a Nebulosa da Trífida e o seu pequeno enxame adjacente M21. Esta nebulosa já requer um telescópio.
Mas há mais! Outros dois enxames binoculares no mesmo campo, subtis mas fáceis de reconhecer quando os conhecemos. Collinder 367 está a 1,3º este-nordeste da Lagoa. ASCC 93 está à mesma distância mas para este-nordeste da Trífida. Saturno está atualmente quase à sua frente.

Dia 04/08: 216.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1805, nascia William Rowan Hamilton, físico, astrónomo e matemático irlandês que fez contribuições importantes para a mecânica clássica, ótica e álgebra. A sua maior contribuição é talvez a reformulação das mecânicas Newtonianas, agora chamadas mecânicas Hamiltonianas. Este trabalho foi fundamental para o estudo do eletromagnetismo e para o desenvolvimento da mecânica quântica.
Em 2007, a NASA lançava o módulo de aterragem Phoenix, cujo objetivo era procurar moléculas de água no pólo norte de Marte.

Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 19:18.

Dia 05/08: 217.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1864, Giovanni Donati faz as primeiras observações espectroscópicas de um cometa (Tempel, 1864 II).

Vê o que é agora conhecido como as bandas Swan (3 delas), devido ao carbono molecular (C2). 
Em 1930 nascia Neil Armstrong, o primeiro ser humano na Lua.
Em 1969, a sonda americana Mariner 7 passa por Marte a 3524 km, enviando de volta 125 imagens. 
Em 1973, é lançada a sonda soviética Mars 6. A 12 de março de 1974, a Mars 6 aterra suavemente em Marte a 24º S, 25º O. Enviou dados atmosféricos durante a descida. 
Em 2000, é capturada a quebra do cometa Linear 1999/S4 pelo Telescópio Espacial Hubble.
Em 2011, era lançada a missão Juno, com destino Júpiter. Chegou ao gigante gasoso em julho de 2016.
Observações: A Lua nasce quase às 01:00 da manhã. Assim que fica razoavelmente alta,aviste as Plêiades para a sua esquerda e Aldebarã para baixo de M45. Aos primeiros sinais do novo dia, encontrará Orionte a subir acima do horizonte a este, bem para baixo de Aldebarã (para latitudes médias norte).

Dia 06/08: 218.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961, era lançada a Vostok 2 pela União Soviética, levando a bordo o cosmonauta Gherman Titov, que fez o primeiro voo soviético com a duração de um dia.
Em 1996, a NASA anuncia que o meteorito ALH 84001, que se pensa ser originário de Marte, continha evidências de formas de vidas primitivas. No entanto, atualmente os resultados são tidos como inconclusivos e insuficientes.
Em 2012, o rover Curiosity aterra na superfície de Marte.

Observações: A Ursa Maior apoia-se diagonalmente a noroeste depois do cair da noite. A partir do seu ponto médio, olhe para a direita para encontrar a Polar (não muito brilhante) piscando a norte, como sempre.
A Estrela Polar é a parte final da "pega" da Ursa Menor. As outras únicas partes da Ursa Menor de brilho modesto são as duas estrelas da outra extremidade da sua "frigideira". Durante estas noites de agosto, estão a cerca de punho e meio (à distância de um braço esticado) para cima e para a esquerda da Polar. São chamadas as Guardiãs do Polo, porque rodeiam a Estrela Polar durante toda a noite e durante todo o ano.

 
CURIOSIDADES

A Supernova de Kepler é a supernova mais recente, na nossa Via Láctea, a ter sido inquestionavelmente visível a olho nu. No seu pico, foi mais brilhante do que qualquer outra estrela no céu noturno, com uma magnitude aparente de -2,5.
 
A SUPERNOVA DE KEPLER NÃO DEIXOU SOBREVIVENTES

Um novo estudo no qual participa o IAC (Instituto de Astrofísica das Canárias) argumenta que a explosão que Johannes Kepler observou em 1604 foi provocada pela fusão de dois resíduos estelares.

A supernova de Kepler, da qual atualmente só permanece o remanescente de supernova, teve lugar na direção da constelação de Ofiúco, no plano da Via Láctea, a 16.300 anos-luz do Sol. Uma equipa internacional, liderada pela investigadora Pilar Ruiz Lapuente (Instituto de Ciências do Cosmos da Universidade de Barcelona), na qual participa o investigador do IAC Jonay González Hernández, tentou encontrar a possível estrela sobrevivente do sistema binário no qual a explosão teve lugar.

Nestes sistemas, quando pelo menos uma das estrelas (a que tem a massa mais elevada) chega ao fim da sua vida e se torna numa anã branca, a outra começa a transferir matéria até um certo limite de massa (equivalente a 1,44 massas solares, o chamado "limite de Chandrasekhar"). Este processo leva à ignição central do carbono na anã branca, produzindo uma explosão que pode multiplicar 100.000 vezes o seu brilho original. Este fenómeno, breve e violento, é conhecido como supernova. Às vezes, como na supernova de Kepler (SN 1604), observada e identificada pelo astrónomo alemão Johannes Kepler em 1604, podem ser observadas a olho nu da Terra.

O remanescente da Supernova de Kepler.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/NCSU/M. Burkey et al; ótico - DSS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A supernova de Kepler surgiu da explosão de uma anã branca num sistema binário. Portanto, nesta investigação científica publicada na revista The Astrophysical Journal, os astrónomos procuravam a possível companheira sobrevivente da anã branca, que supostamente transferiu massa até ao nível da explosão da anã branca. O impacto desta explosão teria aumentado a luminosidade e velocidade da companheira desaparecida. Poderia até ter modificado a sua composição química. De modo que a equipa procurou estrelas com alguma anomalia que lhes permitisse identificar uma delas como a companheira da anã branca que explodiu há 414 anos.

"Estávamos à procura - explica Pilar Ruiz Lapuente, investigadora do Instituto de Física Fundamental do Conselho Superior de Investigações Científicas (Madrid) e do Instituto de Ciências do Cosmos da Universidade de Barcelona - de uma estrela peculiar como possível companheira da progenitora da supernova de Kepler e, para isso, caracterizámos todas as estrelas em redor do centro do remanescente de SN 1604. Mas não encontrámos nenhuma com as características esperadas, de modo que tudo indica que a explosão foi provocada pelo mecanismo de fusão da anã branca com outra ou com o núcleo da já evoluída companheira."

Para realizar esta investigação, foram usadas imagens obtidas com o Telescópio Espacial Hubble. "O objetivo era determinar os movimentos próprios de um grupo de 32 estrelas em redor do centro do remanescente de supernova que ainda existe hoje," comenta Luigi Bedin, investigador do Observatório Astronómico de Pádua (Instituto Nacional para Astrofísica, Itália) e coautor do artigo. Também usaram dados obtidos com o instrumento FLAMES, instalado no VLT (Very Large Telescope) de 8,2 metros. Os cientistas caracterizaram as estrelas, a fim de determinar a sua distância e a sua velocidade radial em relação ao Sol. "As estrelas do campo da supernova de Kepler são estrelas muito fracas, apenas acessíveis a partir do hemisfério sul com um telescópio de grande abertura como os telescópios do VLT," comenta John Pritchard, investigador do ESO e outro dos coautores deste estudo.

"Existe um mecanismo alternativo para produzir a explosão. Consiste na fusão de duas anãs brancas, ou a anã branca com o núcleo de carbono e oxigénio da estrela companheira, num estágio final da sua evolução, ambos os casos dando origem a uma supernova," explica Jonay González Hernández, investigador do IAC e coautor da publicação. "No campo da supernova de Kepler não vemos qualquer estrela que mostre anomalias. No entanto, - acrescenta - encontrámos evidências de que a explosão foi provocada pela fusão de duas anãs brancas ou uma anã branca com o núcleo da estrela companheira, possivelmente excedendo o "limite de Chandrasekhar".

A supernova de Kepler é uma das cinco supernovas "históricas" do tipo termonuclear. As outras quatro são a supernova de Tycho Brahe, documentada pelo astrónomo dinamarquês em 1572 e que também foi antes investigada por esta equipa; SN 1006, também estudada pela equipa em 2012, SN 185 (que poderá ser a origem do remanescente RCW86); e a recentemente descoberta SNIa G1.9+03, que ocorreu na nossa Galáxia por volta de 1900 e era apenas visível no hemisfério sul.

Links:

Notícias relacionadas:
Instituto de Astrofísica das Canárias (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Animação da origem da supernova de Kepler de 1604 (IAC via YouTube)

SN 1604 (Supernova de Kepler):
SEDS
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

VLT:
Página oficial
Wikipedia

 
INVESTIGADORES DESCOBREM PROPRIEDADES OCULTAS DA ESTRELA POLAR

Dois professores de astrofísica da Universidade de Villanova lideraram uma equipa de investigadores que descobriu as há muito ocultas propriedades físicas de Polaris, a famosa "Estrela Polar". Até agora, as amplas estimativas da distância da estrela à Terra (322-520 anos-luz) dificultavam a determinação da sua composição física. Mas, equipados com medições precisas de distância obtidas recentemente pela missão Gaia da ESA (447+/- 1,6 anos-luz), a equipa de Villanova conseguiu determinar o raio, o brilho intrínseco, a idade e a massa da Estrela Polar.

A Estrela Polar é a nossa Cefeida Clássica mais próxima, uma classe rara e importante de estrelas supergigantes muito luminosas que pulsam. A relação entre o brilho intrínseco (luminosidade) e o período de pulsação permite que as cefeidas sejam usadas como "velas padrão" para medir as distâncias de galáxias próximas e distantes.

Os componentes estelares da Polar, vistos pelo Hubble.
Crédito: NASA/HST
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A grande incerteza anterior, no que toca à distância da Polar, foi um impedimento real para fixar as propriedades da nossa Cefeida mais próxima (e mais querida). A missão Gaia mediu a sua distância com um erro inferior a 0,5%," comenta Edward Guinan. "Trabalhar com uma medição precisa da distância abre novos caminhos para investigação sobre a estrutura e evolução da Polar e de outras Cefeidas."

O artigo científico foi publicado na edição de 16 de julho da revista Research Notes of The American Astronomical Society e explica a importância deste avanço para um estudo mais aprofundado da Estrela Polar, onde se escreve que "serve como um importante laboratório astrofísico para o estudo da pulsação estelar, das propriedades, evolução e estrutura das Cefeidas."

"O nosso estudo da Polar fornece uma compreensão mais clara das estrelas variáveis Cefeidas como uma classe," continuou Guinan. "As Cefeidas são fundamentalmente importantes para determinar as distâncias das galáxias e a velocidade de expansão do Universo. Todas, à exceção de algumas, estão demasiado distantes para determinar as suas propriedades físicas com a precisão agora fornecida pela Polar."

"É sempre emocionante quando novas tecnologias ou ferramentas são capazes de resolver velhos debates," comenta Scott Engle. "As Cefeidas são estrelas muito importantes e a Polar em particular tem sido de grande interesse. A determinação da sua distância e das suas propriedades estelares com esta precisão é emocionante em relação à própria estrela, mas é também um grande exemplo do que se pode esperar dos estudos mais aprofundados com dados do Gaia."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Villanova (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Research Notes of The American Astronomical Society)
PHYSORG

Estrela Polar:
Wikipedia

Cefeidas:
Wikipedia
SEDS

Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
Como usar os dados do Gaia
Recursos VR
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Nebulosa da Íris Num Campo de Poeira
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Franco Sgueglia & Francesco Sferlazza
 
Que flor azul cresce neste campo de poeira interestelar escura? A Nebulosa da Íris. A impressionante cor azul da Nebulosa da Íris é criada pela luz da estrela brilhante SAO 19158 refletida por uma densa camada de poeira normalmente escura. Não só a estrela propriamente dita é principalmente azulada, como a luz azul da estrela é preferencialmente refletida pela poeira - o mesmo efeito que torna azul o céu da Terra. O tom acastanhado da poeira penetrante vem em parte da fotoluminescência - poeira que converte a radiação ultravioleta em luz vermelha. Catalogada como NGC 7023, a Nebulosa da Íris é estudada com frequência devido à invulgar prevalência dos Hidrocarbonetos Aromáticos Policíclicos (HAPs), moléculas complexas que são também libertadas na Terra durante a combustão incompleta de incêndios de madeira. A porção azul brilhante da Nebulosa da Íris estende-se por cerca de seis anos-luz. A Nebulosa da Íris, na imagem em destaque, está situada a mais ou menos 1300 anos-luz de distância e pode ser encontrada com um telescópio na direção da constelação de Cefeu.
 

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