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Edição n.º 1506
14/08 a 16/08/2018
 
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ASTRONOMIA NO VERÃO DO CCVAlg

Atividades astronómicas planeadas para o restante mês de agosto:

16/08 - Observação astronómica noturna, Lagoa, Sr.ª da Rocha, junto à Capela da Nossa Senhora da Rocha, a partir das 21:00

22/08 - Observar o Sol, Ilha Deserta - Faro, junto ao restaurante Estaminé, a partir das 10:45

24/08 - Observação astronómica noturna, Olhão, na Marina (Jardim dos Pescadores), a partir das 21:00

(todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis)

 
EFEMÉRIDES

Dia 14/08: 226.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1846, um meteorito com 2,3 kg, do tipo condrito, colide com a superfície da Terra perto da cidade de Cape Girardeau, no estado do Missouri, EUA. 

Observações: A Lua brilha por cima de Vénus ao anoitecer. Mais perto do nosso satélite natural encontra-se Gamma Virginis (Porrima). Os seus componentes gémeos estão separados, atualmente, por 2,8 segundos de arco.

Dia 15/08: 227.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1977, o The Big Ear, um radiotelescópio operado pela Universidada Estatal do Ohio, como parte do projeto SETI, recebe um sinal de rádio do espaço profundo; o evento é denominado de "sinal Wow!", a partir de uma anotação feita por um voluntário do projeto.

Em 2006, a sonda Voyager 1, o mais distante objeto feito pelo Homem, alcança as 100 UA do Sol. Isto significa que a sonda, lançada no dia 20 de agosto de 1977, estava 100 vezes mais distante do Sol que a Terra.
Observações: Vénus na sua maior elongação este, pelas 17:36.
Esta noite a Lua está por cima de Espiga ao anoitecer. Olhe para baixo e para a direita e encontrará vénus, e Júpiter para cima e para a esquerda.

Dia 16/08: 228.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1744, nascia Pierre Méchain, astrónomo francês que, além de Charles Messier, foi um grande contribuidor para os primeiros estudos de objetos de céu profundo e cometas.
Em 1989, uma proeminência solar cria uma tempestade geomagnética que afeta microchips, fazendo parar a bolsa de Toronto.
Em 2000, depois de 18 meses de observações pelo Satélite Astronómico de Ondas Sub-milimétricas da NASA, ou SWAS, é anunciada a deteção de vapor de água no espaço interestelar.

"Podemos ver estes berçários estelares como gigantes fábricas químicas que produzem vapor de água a um ritmo tremendo. As grandes quantidades presentes nas regiões de formação estelar irão ajudar o gás interestelar a arrefecer, talvez eventualmente a despertar o nascimento de uma futura geração de estrelas." David Neufeld, professor de Física e Astronomia da Universidade John Hopkins.
Observações: Trânsito de Europa, entre as 22:14 e as 00:46 (já de dia 17).
A Lua brilha para a direita de Júpiter. A brilhante estrela amarelo-alaranjada para cima e para a direita é Arcturo.

 
CURIOSIDADES

Sabia que o seu bronzeado não pode só ser atribuído ao Sol? Dos fotões que chegam à Terra, a cada segundo, por metro quadrado: 1x1021 vêm do Sol, 3x1020 são refletidos e espalhados pelo céu, 1x1014 são refletidos por poeira no Sistema Solar e 1x1010 são emitidos por fontes extra-galácticas. Adicionalmente, 1x1016 fotões são remanescentes do Big Bang, só que estes não contribuem para o bronzeado.
 
PARKER SOLAR PROBE LANÇADA EM DIREÇÃO AO SOL
Impressão de artista da Parker Solar Probe da NASA. A sonda vai voar pela coroa do Sol e traçar como a energia e o calor se movem pela atmosfera da estrela.
Crédito: APL/NASA GSFC
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Horas antes do nascer da própria estrela que irá estudar, a Parker Solar Probe da NASA foi lançada do estado norte-americano da Flórida para dar início à sua jornada rumo ao Sol, onde empreenderá uma missão histórica. A nave transmitirá as suas primeiras observações científicas em dezembro, começando uma revolução no nosso conhecimento da estrela que torna a vida na Terra possível.

Com aproximadamente o tamanho de um carro pequeno, a sonda foi lançada às 03:31 EDT (08:31, hora portuguesa) de domingo a bordo de um foguetão Delta IV Heavy a partir do Complexo 37 de Lançamentos Espaciais da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral. Às 05:33 EDT (10:33, hora portuguesa), o gerente de operações da missão relatou que a nave estava saudável e a operar normalmente.

As descobertas da missão ajudarão os cientistas a melhorar as suas previsões de eventos climáticos espaciais, que têm o potencial de danificar satélites e prejudicar astronautas em órbitas, interromper as comunicações de rádio e, quando mais severos, sobrecarregar as redes elétricas.

"Esta missão marca verdadeiramente a primeira visita da Humanidade a uma estrela que tem implicações não só aqui na Terra, mas também na nossa compreensão do Universo," disse Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas da NASA. "Realizámos algo que há décadas atrás vivia apenas no campo da ficção científica."

Durante a primeira semana da sua viagem, a sonda ligará a sua antena de alto ganho e o seu magnetómetro. Também executará a primeira parte (de duas) da implementação das suas antenas de campo elétrico. O teste dos instrumentos começará no início de setembro e durará aproximadamente quatro semanas. Após este tempo, a Parker Solar Probe poderá dar início às operações científicas.

O foguetão Delta IV Heavy lança a Parker Solar Probe da NASA, que irá tocar o Sol. É a primeira sonda da Humanidade até à atmosfera do Sol, chamada coroa. Aí, irá explorar diretamente os processos solares, a chave para compreender e prever os eventos do clima espacial que podem impactar a vida na Terra.
Crédito: NASA/Bill Ingalls
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"O lançamento de hoje foi o culminar de seis décadas de estudo científico e milhões de horas de esforço," afirma Andry Driesman, gerente do projeto no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland, EUA. "Agora, a Parker Solar Probe está a operar normalmente e a caminho de iniciar uma missão de ciência extrema com a duração de sete anos."

Nos próximos dois meses, a Parker Solar Probe voará em direção a Vénus, realizando a sua primeira assistência gravitacional no início de outubro - uma manobra um pouco parecida com o fazer uma curva usando o travão de mão - que lança a sonda em redor do planeta, usando a gravidade do planeta para reduzir a órbita da nave em torno do Sol. Este primeiro voo rasante colocará a Parker Solar Probe em posição para no início de novembro passar até 24 milhões de quilómetros do Sol - dentro da ardente atmosfera solar, conhecida como coroa - mais perto do Sol do que qualquer objeto feito pelo ser humano.

Ao longo da sua missão de sete anos, a Parker Solar Probe fará mais seis "fly-bys" por Vénus e um total de 24 passagens pelo Sol, viajando cada vez mais perto do Sol até atingir a sua maior aproximação de 6 milhões de quilómetros. Neste ponto, a sonda estará a mover-se a aproximadamente 690.000 km/h, estabelecendo o recorde de objeto mais rápido feito pela Humanidade.

A Parker Solar Probe vai observar a coroa para resolver os mistérios fundamentais e de longa data do nosso Sol. Qual é o segredo da escaldante coroa, que é 300 vezes mais quente do que a superfície do Sol, milhares de quilómetros abaixo? O que impulsiona o vento solar supersónico - o fluxo constante de material solar que sopra por todo o Sistema Solar? E finalmente, o que acelera as partículas energéticas solares, que podem atingir velocidades de até mais de metade da velocidade da luz quando se afastam do Sol?

O famoso físico Eugene Parker observa o lançamento da sonda com o seu nome - antes do amanhecer de dia 12 de agosto de 2018, a partir do Complexo 37 da Estação da Força Aérea em Cabo Canaveral, Flórida.
Crédito: NASA/Glenn Benson
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os cientistas procuram estas respostas há mais de 60 anos, mas a investigação requer o envio de uma sonda através do calor implacável da coroa. Hoje, tal é finalmente possível graças aos avanços tecnológicos da engenharia térmica, que podem proteger a missão na sua ousada jornada.

"A exploração da coroa do Sol com uma nave tem sido um dos maiores desafios da exploração espacial," comenta Nicola Fox, cientista do projeto no Laboratório de Física Aplicada de Johns Hopkins. "Finalmente poderemos responder a questões sobre a coroa e sobre o vento solar levantadas por Gene Parker em 1958 - usando uma nave com o seu nome - e mal posso esperar para saber quais as descobertas que vamos fazer. A ciência será incrível."

A Parker Solar Probe transporta quatro "suites" de instrumentos desenhados para estudar os campos magnéticos, o plasma e as partículas energéticas, e para capturar imagens do vento solar. Faz parte do programa "Living with a Star" da NASA, com o objetivo de explorar aspetos do sistema Sol-Terra que afetam diretamente a vida e a sociedade. O Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins desenhou, construiu e opera a nave.

A missão tem o nome de Eugene Parker, o primeiro físico a teorizar a existência do vento solar em 1958. É a primeira missão da NASA com o nome de um investigador ainda vivo.

Uma placa dedicando a missão a Parker foi anexada à sonda em maio. Incluiu uma citação do famoso físico - "Let's see what lies ahead." Também transporta um cartão de memória com mais de 1,1 milhões de nomes submetidos pelo público para viajar com a nave até ao Sol.

Links:

Cobertura da missão Parker Solar Probe pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
07/08/2018 - Conheça a Parker Solar Probe
22/05/2018 - Duas novas sondas serão as mais próximas do Sol

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Sky & Telescope
SPACE.com
ScienceNews
ScienceDaily
reuters
BBC News
CNN (via YouTube)
Wired
engadget
The Verge
euronews
Destak
Observador
Público
Diário de Notícias
Correio da Manhã
Jornal de Notícias
Expresso
RTP
SIC Notícias
tvi24
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SAPO24
AstroPT
ZAP.aeiou

Sol:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve 
Wikipedia
Ejeção de massa coronal (Wikipedia)
Tempestades solares e clima espacial - FAQ (NASA)

Vento solar:
NASA
SWPC/NOAA
Wikipedia

Parker Solar Probe:
NASA
Wikipedia

Eugene Parker:
Wikipedia

 
IMPACTO DE UM INTRUSO ESTELAR NO NOSSO SISTEMA SOLAR

Uma quási-catástrofe há milhares de milhões de anos pode ter moldado as regiões exteriores do Sistema Solar, deixando as regiões interiores basicamente intocadas. Investigadores do Instituto Max Planck para Radioastronomia em Bona e colaboradores descobriram que uma passagem rasante de outra estrela pode explicar muitas das características observadas no Sistema Solar exterior. "O nosso grupo há anos que estuda o que 'fly-bys' podem fazer noutros sistemas planetários, nunca considerando que, na verdade, podemos viver num tal sistema," comenta Susanne Pflazner, autora principal do projeto. "A beleza deste modelo reside na sua simplicidade."

O cenário básico da formação do Sistema Solar é conhecido há muito tempo: o nosso Sol nasceu de uma nuvem colapsante de gás e poeira. No processo, foi formado um disco achatado onde não apenas cresceram os planetas, mas também objetos mais pequenos como asteroides, planetas anões, etc. Devido ao achatamento do disco, seria de esperar que os planetas orbitassem num plano único, a menos que algo dramático acontecesse depois. Olhando para o Sistema Solar, até à órbita de Neptuno, tudo parece normal: a maioria dos planetas movem-se em órbitas bastante circulares e as suas inclinações orbitais variam apenas ligeiramente. No entanto, para lá de Neptuno, as coisas ficam muito confusas. O maior quebra-cabeças é o planeta anão Sedna, que se move numa órbita inclinada e altamente excêntrica e está tão longe que não pode ter sido "empurrado" por outros planetas.

Impressão de artista de um sistema solar em formação - um disco protoplanetário em redor de uma estrela jovem.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Para lá da órbita de Neptuno, acontece outra coisa estranha. A massa total de todos os objetos cai drasticamente quase três ordens de grandeza. Isto ocorre aproximadamente à mesma distância onde fica tudo confuso. Pode ser coincidência, mas tais coincidências são raras na natureza.

Susanne Pfalzner e colaboradores sugerem que uma estrela se aproximou do Sol num estágio inicial, "roubando" a maior parte do material exterior do disco protoplanetário do Sol e jogando fora o que restava para órbitas inclinadas e excêntricas. Realizando milhares de simulações de computador, verificaram o que aconteceria quando uma estrela passasse muito perto e perturbasse o uma vez maior disco protoplanetário. Descobriu-se que o melhor ajuste para as regiões exteriores do Sistema Solar atual vem de uma estrela perturbadora que tinha a mesma massa do Sol, ou um pouco mais leve (0,5-1 massas solares), que passou a aproximadamente 3 vezes a distância de Neptuno.

No entanto, o mais surpreendente para os cientistas é que um "fly-by" não só explica as órbitas estranhas dos objetos do Sistema Solar exterior, como também fornece uma explicação natural para várias características inexplicáveis do nosso Sistema Solar, incluindo a relação de massa entre Neptuno e Úrano, e a existência de duas populações distintas de objetos da Cintura de Kuiper.

Simulação do cenário de intruso estelar para uma massa de 0,5 sóis e um periélio de 100 UA ou 15 mil milhões de quilómetros para a estrela perturbadora (três vezes a distância Sol-Neptuno).
a) posições médias das partículas após o fly-by, as cores indicam excentricidade das órbitas, aumentando de azul para verde.
b) posições das partículas antes do fly-by com diferentes populações de excentricidade (cores).
Regiões cinzentas: partículas que se tornaram "livres" devido ao evento de "fly-by".
Crédito: S. Pfalzner et al.: The Astrophysical Journal (2018)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"É importante continuar a explorar todos os caminhos possíveis para explicar a estrutura do Sistema Solar exterior. Os dados são cada vez mais, mas ainda são escassos, de modo que as teorias têm muito espaço de desenvolvimento," comenta Pedro Lacerda da Queen's University em Belfast, coautor do artigo científico. "Há um certo perigo de que uma teoria se cristalize como verdade, não porque explica melhor os dados, mas por causa de outras pressões. O nosso trabalho mostra que muito do que sabemos pode atualmente ser explicado por algo tão simples como uma passagem estelar."

A grande questão é a probabilidade de tal evento. Hoje em dia, os "fly-bys" estelares, até centenas de vezes mais distantes são, felizmente, raros. No entanto, estrelas como o nosso Sol nascem normalmente em grandes grupos muito mais densos. Portanto, as passagens estelares eram significativamente mais comuns no passado distante. Realizando outro tipo de simulação, a equipa descobriu que havia uma probabilidade de 20%-30% do Sol sofrer um "fly-by" estelar nos primeiros mil milhões de anos da sua vida.

Esta não é a prova definitiva de que um "fly-by" estelar provocou as características confusas do Sistema Solar exterior, mas pode reproduzir muitos factos observacionais e parece relativamente realista. Até agora, é a explicação mais simples e se simplicidade é sinal de validade, então este modelo é o melhor candidato até agora.

"Em resumo, o nosso cenário fornece uma alternativa realista aos modelos atuais sugeridos para explicar as características inesperadas do Sistema Solar exterior," conclui Susanne Pfalzner. "Deve ser considerado como uma opção para estruturar o Sistema Solar exterior. A força da hipótese de 'fly-by' reside na explicação de várias características do Sistema Solar exterior por um único mecanismo."

Links:

Notícias relacionadas:
Instituto Max Planck para Radioastronomia (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico (The Astrophysical Journal)
SPACE.com
Scientific American
PHYSORG

Sistema Solar:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Formação e evolução do Sistema Solar:
Wikipedia

Sedna:
NASA
Wikipedia
Página de Mike Brown

 
É IMPROVÁVEL QUE EXISTA VIDA EM OMEGA CENTAURI

Tantas estrelas coloridas, mas tão poucos planetas habitáveis estáveis. Provavelmente. Esta é uma imagem do núcleo do enxame Omega Centauri, que mostra mais ou menos 100.000 estrelas.
Crédito: NASA, ESA e Equipa SM4 ERO do Hubble
(clique na imagem para ver versão maior)

 

A procura pela vida no vasto Universo é uma tarefa avassaladora, mas os cientistas podem agora riscar um local da sua lista.

De acordo com um estudo liderado por cientistas da Universidade da Califórnia em Riverside e da Universidade Estatal de São Francisco, Omega Centauri - um denso enxame estelar no nosso "quintal" galáctico - provavelmente não será o lar de planetas habitáveis.

A ser publicado na revista The Astrophysical Journal, o estudo foi liderado por Stephen Kane, professor associado de astrofísica planetária do Departamento de Ciências da Terra da UCR e pioneiro na busca por planetas habitáveis para lá do nosso Sistema Solar, conhecidos como exoplanetas. Sarah Deveny, estudante da Universidade Estatal de São Francisco, que trabalha com Kane, é coautora do artigo.

Na busca por exoplanetas habitáveis, Omega Centauri, o maior enxame globular da Via Láctea, parecia um bom lugar. Com aproximadamente 10 milhões de estrelas, o enxame está a quase 16.000 anos-luz da Terra, tornando-o visível a olho nu e um alvo relativamente próximo para observações com o Telescópio Espacial Hubble.

"Apesar do grande número de estrelas concentradas no núcleo de Omega Centauri, a prevalência de exoplanetas permanece um tanto ou quanto desconhecida," comenta Kane. "No entanto, uma vez que este tipo de enxame existe em todo o Universo, é um local intrigante para procurar habitabilidade."

Começando com uma amostra de 470.000 estrelas de várias cores no núcleo de Omega Centauri, os investigadores focaram-se em 350.000 estrelas cuja cor - um indicador da sua temperatura e idade - significa que podem, potencialmente, hospedar planetas habitáveis.

Para cada estrela, calcularam a zona habitável - a região orbital em torno do astro na qual um planeta rochoso poderá ter água líquida à superfície, um ingrediente-chave para a vida como a conhecemos. Dado que a maioria das estrelas no núcleo de Omega Centauri são anãs vermelhas, as suas zonas habitáveis são muito mais íntimas do que a que rodeia o nosso próprio Sol.

"O núcleo de Omega Centauri pode, potencialmente, estar repleto de inúmeros sistemas planetários compactos que abrigam planetas na zona habitável da sua estrela," realça Kane. "Um exemplo de um tal sistema é TRAPPIST-1, uma versão em miniatura do nosso próprio Sistema Solar que está a 40 anos-luz de distância e é atualmente visto como um dos lugares mais promissores para se procurar vida alienígena."

Porém, em última análise, a natureza aconchegante das estrelas em Omega Centauri forçou os cientistas a concluir que esses sistemas planetários, embora compactos, não podem existir no núcleo do enxame. Enquanto o nosso próprio Sol está a uns confortáveis 4,22 anos-luz do seu vizinho estelar mais próximo, a distância média entre as estrelas no núcleo de Omega Centauri é de 0,16 anos-luz, o que significa que encontrarão estrelas vizinhas a cada 1 milhão de anos.

"A taxa a que as estrelas interagem gravitacionalmente umas com as outras seria demasiado alta para abrigar planetas habitáveis estáveis," comenta Deveny. "O estudo de enxames com semelhantes taxas de encontros à de Omega Centauri, ou superiores, poderia levar à mesma conclusão. Assim, o estudo de enxames globulares com taxas mais baixas de encontros estelares pode levar a uma maior probabilidade de encontrar planetas habitáveis estáveis."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade da Califórnia em Riverside (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Science
Astronomy
Discover
PHYSORG
Forbes
Gizmodo
AstroPT

Omega Centauri:
SEDS
Wikipedia

Enxames globulares:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
SEDS
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Alunos descobrem misteriosa fonte de raios-X durante pesquisa a arquivo de dados (via ESA)
Uma enigmática fonte de raios-X, revelada como parte de um projeto de pesquisa de dados por estudantes do ensino secundário, revela caminhos inexplorados, escondidos no vasto arquivo do Observatório de Raios-X do XMM-Newton da ESA. Quando o XMM-Newton foi lançado em 1999, a maioria dos estudantes que estão hoje a terminar o ensino secundário nem sequer tinham nascido. No entanto, o observatório de raios-X da ESA, com quase duas décadas de existência, tem muitas surpresas para serem exploradas pela próxima geração de cientistas. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Nebulosa do Lápis em Vermelho e Azul
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: José Joaquín Perez
 
Esta onda de choque viaja pelo espaço a mais de 500.000 quilómetros por hora. Perto do topo e movendo-se para cima nesta composição a cores, nítida e detalhada, os finos e entrelaçados filamentos são na realidade longas ondulações num lençol de gás brilhante visto quase de lado. Movendo-se para baixo nesta linda e detalhada imagem a cores, os finos e entrelaçados filamentos são na realidade longas ondulações num lençol de gás brilhante visto quase de lado. Catalogada como NGC 2736, a sua alongada aparência sugere o seu nome popular, a Nebulosa do Lápis. Com cerca de 5 anos-luz de comprimento e a uns 800 anos-luz de distância, a Nebulosa do Lápis representa apenas uma pequena parte do remanescente de supernova da Vela. O próprio remanescente da Vela mede aproximadamente 100 anos-luz de diâmetro e é uma nuvem de detritos em expansão de uma estrela cuja explosão ocorreu há cerca de 11.000 anos atrás. Inicialmente, a onda de choque movia-se a milhões de quilómetros por hora, mas diminuiu consideravelmente de velocidade, varrendo o gás interestelar circundante. Nesta imagem em destaque de campo largo, mas de banda estreita, a cor vermelha e a cor azul traçam o brilho característico dos átomos de hidrogénio e oxigénio ionizado, respetivamente.
 

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