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Edição n.º 1526
23/10 a 25/10/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 23/10: 296.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1885, é tirada a primeira fotografia de uma chuva de meteoros
Em 1977, o Meteosat 1 torna-se no primeiro satélite a ser posto em órbita pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Em 2014, a agência espacial chinesa lança a missão não-tripulada Chang'e 5-T1, em preparação para uma missão de recolha de amostras lunares, planeada para 2019.
Observações: Vem aí o "Halloween" e, assim sendo, Arcturo, a estrela que brilha baixa a oeste-noroeste ao anoitecer, está a tomar o seu lugar como o "Fantasma dos Sóis de Verão".
O que é que isto significa? Ao longo de vários dias que rodeiam 25 de outubro, todos os anos, Arcturo ocupa um lugar muito especial acima do horizonte. Marca com grande precisão o local onde o Sol esteve à mesma hora, durante os quentes meses de junho e julho - em plena luz do dia, claro. Assim, com o aproximar do "Halloween", podemos ver Arcturo como o frio fantasma do Sol de verão.

Dia 24/10: 297.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1851, William Lassell descobre as luas UmbrielAriel em órbita de Úrano.
Em 1946, uma câmara a bordo do foguetão V-2 n.º 13 tira a primeira fotografia da Terra a partir do espaço.
Em 1957, a Força Aérea dos EUA começa o programa X-20 Dyna-Soar.
Em 1960, catástrofe de Nedelin: um missil balístico R-16 explode na plataforma de lançamento do cosmódromo de Baikonur, matando mais de 100 pessoas. A União Soviética só desclassificou o evento em 1989.
Em 1962, a Mars 2MV-4 No.1, também conhecida como Sputnik 22, falha a deixar a órbita da Terra. 
Em 1998, lançamento da missão Deep Space 1.

Em 2007, o Chang'e 1, o primeiro satélite do Programa de Exploração Lunar da China, é lançado a partir do Centro de Lançamento Xichang.
Observações: Úrano em oposição, pelas 01:22.
Lua Cheia, pelas 17:45. Esta noite olhe para cima e para a esquerda do nosso satélite natural, a um ou dois punhos à distância do braço esticado, em busca das duas estrelas mais brilhantes da constelação de Carneiro, alinhadas quase horizontalmente.
E procure, também para a esquerda mas um pouco para baixo, o enxame aberto das Plêiades.

Dia 25/10: 298.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1671, Giovanni Cassini descobre a lua de Saturno, Jápeto.
Em 1877 nascia Henry Norris Russell, astrónomo americano que, juntamente com Ejnar Hertzsprung, desenvolveu o diagrama Hertzsprung-Russell em 1910. 
Em 1999, observações terrestres de um vulcão em erupção em Io, uma lua de Júpiter

Observações: As Plêiades estão agora a pouco mais de um punho à distância do braço esticado para a esquerda da Lua. Para baixo das Plêiades, a uma distância idêntica, está a alaranjada Aldebarã.

 
CURIOSIDADES

O pulsar mais antigo conhecido é PSR J0108-1431, com mais ou menos 166 milhões de anos. Está situado a 770 anos-luz de distância.
 
KES 75: O MAIS JOVEM PULSAR DA VIA LÁCTEA EXPÕE SEGREDOS DE MORTE ESTELAR
Esta composição de Kes 75, o mais jovem pulsar conhecido da Via Láctea, inclui dados do Chandra e do SDSS. A região azul representa raios-X altamente energéticos em redor do pulsar, mostrando uma área chamada nebulosa de vento pulsar, e a região roxa mostra raios-X menos energéticos, emitidos pelos detritos deixados para trás pela explosão de supernova original.
Crédito: NASA/CXC/NCSU/S. Reynolds; ótico: PanSTARRS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Cientistas confirmaram a identidade do mais jovem pulsar na Via Láctea usando dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA. Este resultado pode fornecer aos astrónomos novas informações sobre como algumas estrelas terminam as suas vidas.

Após algumas estrelas massivas ficarem sem combustível, entram em colapso e explodem como supernovas, deixando para trás "pepitas" estelares densas chamadas estrelas de neutrões. As estrelas de neutrões com uma rápida rotação e altamente magnetizadas produzem um feixe de radiação semelhante ao de um farol que os astrónomos detetam como pulsos à medida que a rotação do pulsar "varre" o feixe através do céu.

Desde que Jocelyn Bell Burnell, Anthony Hewish e colegas descobriram os pulsares através da sua emissão de rádio na década de 1960, foram identificados mais de 2000 destes objetos exóticos. No entanto, permanecem muitos mistérios sobre os pulsares, incluindo a sua diversidade de comportamentos e a natureza das estrelas que os formam.

Novos dados do Chandra estão a ajudar a resolver algumas dessas questões. Uma equipa de astrónomos confirmou que o remanescente de supernova Kes 75, localizado a cerca de 19.000 anos-luz da Terra, contém o mais jovem pulsar conhecido da Via Láctea.

A rápida rotação e o forte campo magnético do pulsar geraram um vento de matéria energética e partículas de antimatéria que fluem para longe do pulsar quase à velocidade da luz. Este vento pulsar criou uma grande bolha magnetizada de partículas altamente energéticas chamada nebulosa de vento pulsar, vista como a região azul que rodeia o pulsar.

Nesta composição de Kes 75, os raios-X de alta energia observados pelo Chandra são de cor azul e destacam a nebulosa de vento pulsar em redor do pulsar, enquanto os raios-X menos energéticos aparecem com tom roxo e mostram os detritos da explosão. Uma imagem ótica do SDSS (Sloan Digitized Sky Survey) revela estrelas no campo.

Os dados do Chandra obtidos em 2000, 2006, 2009 e 2016 mostram mudanças na nebulosa de vento pulsar com o passar do tempo. Entre 2000 e 2016, as observações do Chandra revelam que a orla externa da nebulosa de vento pulsar expande-se incrivelmente a 1 milhão de metros por segundo.

Esta alta velocidade pode ser devida à nebulosa de vento pulsar que se expande para um ambiente de densidade relativamente baixa. Especificamente, os astrónomos sugerem que está a expandir-se para uma bolha gasosa soprada por níquel radioativo formado na explosão e expelido à medida que esta explodiu. Este níquel também alimentou a luz da supernova, à medida que se decompôs em gás ferroso difuso que encheu a bolha. Se assim for, isto dá aos astrónomos uma visão do coração da explosão estelar e dos elementos que criou.

A taxa de expansão também diz aos astrónomos que Kes 75 explodiu há cerca de cinco séculos, a partir da perspetiva da Terra (o objeto está a cerca de 19.000 anos-luz de distância, mas os astrónomos referem-se a quando a sua luz terá chegado à Terra). Ao contrário de outros remanescentes de supernova desta época, como Tycho e Kepler, não existem evidências conhecidas de registos históricos de qualquer observação da explosão que deu origem a Kes 75.

Porque é que Kes 75 não foi vista da Terra? As observações do Chandra, juntamente com observações anteriores por outros telescópios, indicam que a poeira e o gás interestelar que preenchem a nossa Galáxia são muito densas na direção da estrela condenada. Este fator teria tornado a supernova demasiado fraca para observar da Terra há vários séculos atrás.

O brilho da nebulosa de vento pulsar diminuiu 10% entre 2000 e 2016, concentrado principalmente na região norte, com uma diminuição de 30% num nó brilhante. As rápidas mudanças observadas na nebulosa de vento pulsar Kes 75, bem como a sua estrutura invulgar, apontam para a necessidade de modelos mais sofisticados da evolução das nebulosas de vento pulsar.

O artigo que descreve estes resultados foi publicado na The Astrophysical Journal e está disponível online.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico (The Astrophysical Journal)
Observatório de raios-X Chandra
Astronomy
Space Daily
PHYSORG
COSMOS
Discover
Astrobiology Magazine

Kes 75:
Simbad

Nebulosa de vento pulsar (PWN):
Wikipedia
Catálogo de PWNs

Pulsares:
Wikipedia
Animação de um pulsar (em formato Quicktime)
Catálogo ATNF de Pulsares

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
BEPICOLOMBO DESCOLA PARA INVESTIGAR OS MISTÉRIOS DE MERCÚRIO
A missão ESA-JAXA BepiColombo, até Mercúrio, descola a partir do Porto Espacial Europeu em Kourou.
Crédito: 2018 ESA-CNES-Arianespace
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A missão ESA-JAXA BepiColombo a Mercúrio descolou num Ariane 5, a partir do Porto Espacial Europeu em Kourou, às 01:45:28 GMT de 20 de outubro, para a sua emocionante missão de estudar os mistérios do planeta mais interior do Sistema Solar.

Os sinais da nave espacial, recebidos no centro de controlo da ESA em Darmstadt, na Alemanha, através da estação de monitorização terrestre de Nova Nórcia, às 02:21 GMT, confirmaram que o lançamento foi bem-sucedido.

O BepiColombo é um empreendimento conjunto entre a ESA e a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão, a JAXA. É a primeira missão europeia a Mercúrio, o menor e menos explorado planeta do Sistema Solar interior, e a primeira a enviar duas aeronaves para fazer medições complementares do planeta e do seu ambiente dinâmico, ao mesmo tempo.

"O lançamento de BepiColombo é um enorme marco para a ESA e a JAXA, e grandes sucessos estão ainda por vir," afirma Jan Wörner, Diretor-Geral da ESA.

"Além de completar a desafiante viagem, esta missão retornará uma enorme recompensa científica. É graças à colaboração internacional e às décadas de esforços e conhecimentos de todos os envolvidos no projeto, e à construção desta incrível máquina, que estamos agora no caminho para investigar os mistérios do planeta Mercúrio."

"Parabéns pelo lançamento bem-sucedido do Ariane 5 transportando BepiColombo, a missão conjunta de exploração de Mercúrio da ESA-JAXA," diz Hiroshi Yamakawa, Presidente da JAXA.

Impressão de artista da sonda BepiColombo na sua configuração de cruzeiro, com Mercúrio no plano de fundo. Na sua viagem de 7,2 anos até ao planeta mais interior do Sistema Solar, BepiColombo vai passar pela Terra uma vez, duas por Vénus e seis por Mercúrio antes de entrar em órbita.
O MTM (Mercury Transfer Module) é visto aqui com os seus motores iónicos em funcionamento e com os seus painéis solares estendidos, que medem aproximadamente 30 metros de ponta a ponta. O painel solar de 7,5 metros da MPO (Mercury Planetary Orbiter), no meio, é visto quase de lado, estendendo-se no topo. A MMO (Mercury Magnetospheric Orbiter) está escondida no interior do escudo de calor.
BepiColombo é uma missão conjunta entre a ESA e a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão, a JAXA.
A imagem de Mercúrio é baseada em dados da missão Mariner 10 da NASA.
Crédito: nave - ESA/ATG medialab; Mercúrio: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Gostaria de expressar a minha gratidão pela excelente realização das operações de lançamento. A JAXA tem grandes expectativas de que as subsequentes observações detalhadas sobre a superfície e o interior de Mercúrio nos ajudem a entender melhor o meio ambiente do planeta e, em última análise, a origem do Sistema Solar, incluindo o da Terra."

BepiColombo é composta por duas sondas científicas: a Sonda Planetária de Mercúrio (MPO) da ESA e a Sonda Magnetosférica de Mercúrio da JAXA. O Módulo de Transferência de Mercúrio (MTM), construído pela ESA, transportará as sondas para Mercúrio usando uma combinação de propulsão elétrica solar e sobrevoos de assistência à gravidade, com um sobrevoo na Terra, dois em Vénus e seis em Mercúrio, antes de entrar em órbita em Mercúrio em 2025.

"Há uma longa e emocionante estrada à nossa frente antes que BepiColombo comece a recolher dados para a comunidade científica," diz Günther Hasinger, Diretor de Ciência da ESA.

"Esforços como a missão Rosetta e as suas descobertas inovadoras, mesmo anos após a sua conclusão, já nos mostraram que missões complexas de exploração científica valem a pena."

As duas sondas científicas poderão também operar alguns dos seus instrumentos durante a fase de cruzeiro, proporcionando oportunidades únicas para recolher dados cientificamente valiosos em Vénus. Além disso, alguns dos instrumentos projetados para estudar Mercúrio de uma maneira particular podem ser usados de maneira completamente diferente em Vénus, que tem uma atmosfera espessa em comparação com a superfície exposta de Mercúrio.

"BepiColombo é uma das missões interplanetárias mais complexas que já voámos," afirma Andrea Accomazzo, Diretor de Voo da ESA para a missão BepiColombo.

A carenagem do veículo de lançamento Ariane 5 é descido sobre a plataforma que contém a nave BepiColombo.
Crédito: ESA - Manuel Pedoussaut
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Um dos maiores desafios é a enorme gravidade do Sol, o que torna difícil colocar uma aeronave numa órbita estável ao redor de Mercúrio. Temos de travar constantemente para garantir uma queda controlada em direção ao Sol, com os propulsores de iões a fornecer o baixo impulso, necessário durante longos períodos da fase de cruzeiro."

Outros desafios incluem o ambiente de temperatura extrema que a aeronave irá suportar, que vai de -180ºC a mais de 450ºC - mais quente do que um forno de pizza. Muitos dos mecanismos das naves espaciais e revestimentos exteriores não tinham sido previamente testados em tais condições.

O design geral dos três módulos da aeronave também reflete as condições intensas que estes enfrentarão. Os grandes painéis solares do módulo de transferência têm de ser inclinados no ângulo certo para evitar danos de radiação, enquanto ainda fornece energia suficiente para a aeronave. Na MPO, o radiador largo significa que a aeronave pode eficientemente remover o calor dos seus subsistemas, bem como refletir o calor e voar sobre o planeta em altitudes mais baixas do que já haviam sido alcançadas anteriormente. O Mio de oito lados gira 15 vezes por minuto para distribuir uniformemente o calor do Sol sobre os seus painéis solares, para evitar o superaquecimento.

"Ver a nossa aeronave descolar para o espaço é o momento pelo qual todos esperávamos," diz Ulrich Reininghaus, Diretor de Projetos na missão BepiColombo da ESA. "Superámos muitos obstáculos ao longo dos anos, e as equipas estão felizes por ver agora BepiColombo no encalço do intrigante planeta Mercúrio."

O MPO (Mercury Planetary Orbiter), órbita interior, e o MMO (Mercury Magnetospheric Orbiter), órbita exterior, nas suas órbitas elípticas polares em torno de Mercúrio.
O MPO vai operar numa órbita de 2,3 horas a partir de uma altitude de 480 x 1500 km acima da superfície do planeta; o MMO vai demorar 9,3 horas a orbitar o planeta na sua órbita de 590 x 11640 km.
Crédito: ESA/ATG medialab
(clique na imagem para ver versão maior)

 

Alguns meses antes de chegar a Mercúrio, o módulo de transferência será descartado, deixando as duas sondas científicas - ainda ligadas uma à outra - para serem capturadas pela gravidade de Mercúrio.

A sua altitude será ajustada usando os propulsores da MPO, até que a órbita polar elíptica desejada da MMO seja alcançada. Então, a MPO irá separar-se e descer para a sua própria órbita usando os seus propulsores.

Juntas, as sondas farão medições que revelarão a estrutura interna do planeta, a natureza da superfície e a evolução das características geológicas - incluindo o gelo nas crateras sombreadas do planeta - e a interação entre o planeta e o vento solar.

"Um aspeto único desta missão é ter duas aeronaves a monitorizar o planeta a partir de dois locais diferentes ao mesmo tempo: isso é realmente fundamental para entender os processos ligados ao impacto do vento solar na superfície de Mercúrio e o seu ambiente magnético," acrescenta Johannes Benkhoff, cientista do projeto BepiColombo da ESA.

"BepiColombo basear-se-á nas descobertas e questões levantadas pela missão Messenger da NASA para fornecer a melhor compreensão da evolução de Mercúrio e do Sistema Solar até o momento, que por sua vez será essencial para entender como os planetas que orbitam perto das suas estrelas em sistemas de exoplanetas se formam e evoluem, também."

Os objetivos científicos da missão BepiCOlombo abrangem todos os aspetos do planeta e do seu ambiente. De um modo geral, isso será alcançado estudando os seguintes temas:

  • A origem e evolução de um planeta perto da sua estrela-mãe;
  • A estrutura e composição do interior do planeta;
  • Características e origem do seu campo magnético interno;
  • Processos de superfície, como crateras, atividade tectónica, depósitos polares e vulcanismo;
  • A estrutura, composição, origem e dinâmica da exosfera de Mercúrio;
  • A estrutura e dinâmica da magnetosfera de Mercúrio;
  • A Teoria da Relatividade Geral de Einstein (fazendo medições precisas da órbita e posição da nave).

Crédito: ESA
(clique na imagem para ver versão maior)

 

Links:

Cobertura da missão BepiColombo pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
12/10/2018 - Conheça a missão europeia BepiColombo

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
ESA Euronews - Missão BepiColombo: À Descoberta de Mercúrio
Os Pontos Altos do Lançamento da BepiColombo (ESA via YouTube)
Astronomy
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Mercúrio:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

BepiColombo:
ESA
JAXA
Wikipedia

Sonda MESSENGER:
NASA 
JHUAPL
Wikipedia

 
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