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Edição n.º 1531
09/11 a 12/11/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 09/11: 313.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1934 nascia Carl Sagan.

Carl Sagan começou a sua carreira na ciência da vida no Universo como assistente do prémio Nobel da medicina H. J. Muller nos anos 50. Conhecedor, tanto de Astronomia como de Biologia, as suas contribuições para o estudo da ciência planetária são a fundação da pesquisa atual. "Cosmos", a série televisiva original, ganhou vários prémios Emmy e Peabody. O livro, foi o livro científico mais vendido de sempre. O seu romance "Contacto" foi trazido para o cinema através da Warner Bros. Teve um papel fundamental nas sondas MarinerViking e Voyager, pelas quais recebeu a medalha de Feito Científico Excecional da NASA (duas vezes) e a medalha de Notável Seviço Público. Cofundador da Sociedade Planetária. Dr. Sagan recebeu o prémio Pulitzer, a medalha Oersted e muitos outros prémios - incluindo dezoito graduações de colégios e Universidades americanas - pelas suas contribuições à Ciência, literatura, educação e conservação do ambiente. Sagan teve o título de Professor David Duncan de Astronomia e Ciências Espaciais e foi diretor do Laboratório de Estudos Planetários na Universidade de Cornell. O prémio Masursky da Sociedade Astronómica Americana cita "as suas extraordinárias contribuições no desenvolvimento da ciência planetária". Morreu a 20 de dezembro de 1996. Hoje faria 84 anos.
Em 1967, a NASA lança a nave não-tripulada Apollo 4, no topo do primeiro foguetão Saturno V.
Em 2005, lançamento da missão europeia Venus Express
Observações: O finíssimo Crescente da Lua situa-se muito baixo acima de Júpiter durante o lusco-fusco. Mercúrio, mais ténue, está para a esquerda. Binóculos ajudam.

Dia 10/11: 314.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1695, nascia John Bevis, médico e astrónomo inglês, conhecido por ter descoberto a Nebulosa do Caranguejo em 1731.
Em 1970 era lançada a sonda lunar Lunokhod 1.

Em 2008, após mais de cinco meses em Marte, a NASA declara a missão Phoenix como terminada depois da perda de comunicações com o "lander".
Observações: A "estrela" que brilha para cima e para a esquerda da Lua, ao anoitecer, é Saturno, atualmente 4075 vezes mais distante.

Dia 11/11: 315.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1572, Tycho Brahe observa uma nova no céu.

Isto é uma prova contra a teoria de Aristóteles que os céus são imutáveis.
Em 1875 nascia Vesto Slipher, astrónomo americano que, principalmente com os telescópios de 60" e 100" do Mt. Wilson, foi o primeiro a fotografar espectros de galáxias e a medir os seus desvios para o vermelho, o que levou à descoberta da expansão do Universo por Edwin Hubble.
Em 1966, lançamento da Gemini 12. Foi o 10.º e o último voo do Projeto Gemini. Demonstrou que os astronautas podiam trabalhar fora da nave espacial.
Observações: Esta noite a Lua encontra-se muito perto de Saturno (1º de separação), ambos os astros baixos a sudoeste ao anoitecer.

Dia 12/11: 316.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, é lançada a sonda Venera 2 (USSR), com objectivo Vénus
Em 1980, a sonda Voyager 1 faz a sua maior aproximação de Saturno.
Em 1981, lançamento STS-2 do vaivém Columbia, marcando a primeira vez que um veículo tripulado é lançado para o espaço duas vezes.
Em 2014, o "lander" Philae, libertado pela sonda Rosetta da ESA, alcança a superfície do Cometa 67P/C-G.

Observações: Tem notado o movimento da Lua em relação às estrelas de fundo e ao planeta Saturno? Esta noite a Lua encontra-se para cima e para a esquerda de Saturno.

 
CURIOSIDADES

A Via Láctea tem várias galáxias pequenas ligadas gravitacionalmente. Existem 59 galáxias pequenas confirmadas até 420 kiloparsecs (1,4 milhões de anos-luz) da Via Láctea, mas podem não estar necessariamente em órbita e algumas até podem orbitar outras galáxias satélites. As únicas visíveis a olho nu são a Grande e a Pequena Nuvens de Magalhães.
 
ASTRÓNOMOS REVELAM CRESCIMENTO DE BURACOS NEGROS EM COLISÕES GALÁCTICAS

Espreitando através de paredes espessas de gás e poeira que rodeiam os núcleos desordenados de galáxias em fusão, os astrónomos estão a obter a sua melhor visão, até à data, de pares íntimos de buracos negros supermassivos enquanto marcham em direção à coalescência em mega buracos negros.

Uma equipa de investigadores liderada por Michael Koss da Eureka Scientific Inc. em Kirkland, Washington, realizou o maior levantamento dos núcleos de galáxias próximas no infravermelho, usando imagens de alta-resolução obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA e pelo Observatório W. M. Keck no Hawaii. As observações do Hubble representam mais de 20 anos de instantâneos do seu vasto arquivo.

"Ver os pares de núcleos de galáxias em fusão associados com estes buracos negros gigantescos tão próximos foi bastante surpreendente," afirma Koss. "No nosso estudo, vemos dois núcleos galácticos quando as imagens foram tiradas. Não podemos argumentar contra; é um resultado muito 'limpo', que não depende da interpretação."

As imagens também fornecem uma visualização detalhada de um fenómeno que deve ter sido mais comum no início do Universo, quando as fusões de galáxias eram mais frequentes. Quando as galáxias colidem, os seus buracos negros monstruosos podem libertar grandes quantidades de energia na forma de ondas gravitacionais, o tipo de ondulação no espaço-tempo que só recentemente foi detetada por experiências inovadoras."

Estas imagens revelam o estágio final de uma união entre um par de núcleos galácticos nos núcleos confusos de galáxias em colisão. A imagem da esquerda, obtida pelo instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) do Hubble, mostra a galáxia em fusão NGC 6240. Uma ampliação dos dois núcleos brilhantes desta união galáctica pode ser visto à direita. Esta visão, obtida no infravermelho, atravessa a nuvem densa de poeira e gás que rodeia as duas galáxias em colisão e revela os núcleos ativos. Os buracos negros gigantes nestes núcleos estão a crescer rapidamente à medida que devoram gás empurrado pela fusão. O rápido crescimento dos buracos negros ocorre durante os últimos 10 a 20 milhões de anos da fusão.
Crédito: NASA, ESA e M. Koss (Eureka Scientific, Inc.)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O novo estudo também fornece uma antevisão do que provavelmente acontecerá no nosso próprio "quintal" cósmico, daqui a vários milhares de milhões de anos, quando a nossa Via Láctea se combinar com a vizinha Galáxia de Andrómeda e os seus respetivos buracos negros centrais se fundirem.

"As simulações computacionais de colisões galácticas mostram que os buracos negros crescem mais rapidamente durante os estágios finais de fusões, perto do momento em que os buracos negros interagem, e é isso que encontrámos no nosso levantamento," comenta Laura Blecha, da equipa de investigação e da Universidade da Flórida em Gainesville. "O facto de que os buracos negros crescem cada vez mais depressa à medida que as fusões avançam diz-nos que os encontros galácticos são realmente importantes para a nossa compreensão de como esses objetos se tornaram monstruosamente grandes."

Uma fusão galáctica é um processo lento que dura mais de mil milhões de anos, quando duas galáxias, sob o impulso inexorável da gravidade, dançam uma na direção da outra antes de finalmente se unirem. As simulações revelam que as galáxias levantam muito gás e muita poeira enquanto se submetem a esta colisão em câmara lenta.

O material ejetado forma muitas vezes uma cortina espessa em redor dos centros das galáxias coalescentes, protegendo-os da observação no visível. Parte desse material também cai nos buracos negros situados nos núcleos das galáxias em fusão. Os buracos negros crescem rapidamente enquanto devoram o seu alimento cósmico e, sendo vorazes comedores, fazem com que o gás em queda brilhe intensamente. Este rápido crescimento ocorre durante os últimos 10 a 20 milhões de anos antes da união. As imagens do Hubble e do Keck captaram visões detalhadas deste estágio final, quando os buracos negros inchados estão separados por apenas 3000 anos-luz - praticamente um abraço em termos cósmicos.

Não é fácil encontrar núcleos galácticos tão próximos um do outro. A maioria das observações prévias de galáxias em colisão capturaram os buracos negros coalescentes em estágios iniciais, quando estavam aproximadamente 10 vezes mais longe um do outro. O estágio final do processo de fusão é muito elusivo porque as galáxias estão envoltas em poeira e gás e requer observações de alta-resolução no infravermelho, comprimento de onda este que consegue atravessar as nuvens e identificar as posições dos dois núcleos em fusão.

A equipa procurou em primeiro lugar buracos negros ativos e visualmente obscurecidos examinando 10 anos de dados de raios-X do BAT (Burst Alert Telescope) acoplado ao Telescópio Neil Gehrels Swift da NASA, um observatório espacial de alta energia. "O gás que cai nos buracos negros emite raios-X e o seu brilho indica-nos a rapidez a que o buraco negro cresce," explicou Koss. "Eu não sabia se íamos encontrar fusões escondidas, mas nós suspeitávamos, com base em simulações de computador, que estariam em galáxias densamente encobertas. Por isso, tentámos espiar através da poeira com as imagens mais nítidas possíveis, na esperança de encontrar buracos negros coalescentes."

Imagens de outras quatro galáxias em colisão, juntamente com ampliações dos seus brilhantes núcleos coalescentes, vistas por baixo de instantâneos do Hubble de NGC 6240. A imagem da esquerda de cada par, mostrando as galáxias em fusão, foi obtda pelo Pan-STARRS (Panoramic Survey Telescope and Rapid Response System). A imagem da direita, que mostra os núcleos brilhantes, foi obtida no infravermelho próximo pelo Observatório W. M. Keck no Hawaii, usando óticas adaptativas para melhorar a nitidez. Os núcleos de cada imagem do Hubble e do Keck estão separados por mais ou menos 3000 anos-luz - praticamente um abraço em termos cósmicos. A existirem pares de buracos negros, estes vão provavelmente fundir-se ao longo dos próximos 10 milhões de anos para formar um buraco negro ainda mais massivo. Estas observações fazem parte do maior levantamento dos núcleos de galáxias vizinhas usando imagens de alta-resolução no infravermelho próximo obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble e pelo Observatório Keck. A distância média das galáxias estudadas ronda os 330 milhões de anos-luz.
Crédito: NASA, ESA e M. Koss (Eureka Scientific, Inc.); Observatório W. M. Keck; Pan-STARRS
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Os investigadores vasculharam o arquivo do Hubble, identificando aquelas fusões galácticas que avistaram nos dados de raios-X. Usaram então a visão supernítida e no infravermelho próximo do Observatório Keck para observar uma amostra maior de buracos negros produtores de raios-X não encontrados no arquivo do Hubble.

"Já tinham sido realizados estudos para procurar estes buracos negros em íntima interação, mas o que realmente possibilitou este estudo em particular foram os raios-X que podem romper o casulo de poeira," afirma Koss. "Nós também observámos um pouco mais longe no Universo, para que pudéssemos examinar um volume maior de espaço, dando-nos uma maior probabilidade de encontrar buracos negros mais luminosos e de rápido crescimento."

A equipa teve como alvo galáxias a uma distância média de 330 milhões de anos-luz da Terra. Muitas das galáxias são semelhantes em tamanho à Via Láctea e à Galáxia de Andrómeda. A equipa analisou 96 galáxias do Observatório Keck e 385 galáxias do arquivo do Hubble encontradas em 38 diferentes programas de observação deste telescópio espacial. As galáxias da amostra são representativas do que os astrónomos encontrariam ao realizar uma pesquisa em todo o céu.

Para verificar os seus resultados, a equipa de Koss comparou as galáxias do levantamento com outras 176 galáxias do arquivo do Hubble que não possuem buracos negros com crescimento ativo. A comparação confirmou que os núcleos luminosos do censo dos investigadores de galáxias poeirentas em interação são, de facto, uma assinatura de pares de buracos negros em rápido crescimento que se dirigem para uma colisão.

Quando os dois buracos negros supermassivos em cada um destes sistemas finalmente se juntarem, daqui a milhões de anos, os seus encontros produzirão fortes ondas gravitacionais. As ondas gravitacionais produzidas pela colisão entre dois buracos negros de massa estelar já foram detetadas pelo LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory). Observatórios como o planeado LISA (Laser Interferometer Space Antenna) da NASA/ESA serão capazes de detetar as ondas gravitacionais de baixa frequência de fusões de buracos negros supermassivos, que são um milhão de vezes mais massivos do que aqueles detetados pelo LIGO.

Futuros telescópios infravermelhos, como o planeado James Webb da NASA e uma nova geração de telescópios terrestres gigantes, fornecerão uma análise ainda melhor das colisões de galáxias empoeiradas, medindo as massas, a taxa de crescimento e a dinâmica de pares de buracos negros íntimos. O telescópio Webb poderá também ser capaz de observar no infravermelho médio para descobrir mais interações galácticas tão encapsuladas em gás e poeira espessa que até mesmo o infravermelho próximo não pode penetrar.

Os resultados da equipa foram publicados na edição online de 7 de novembro da revista Nature.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade de Maryland (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Nature)
EurekAlert!
Scientific American
ScienceDaily
SPACE.com
PHYSORG

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Ondas gravitacionais:
Wikipedia
Astronomia de ondas gravitacionais - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Observatório W. M. Keck:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Swift:
NASA
Wikipedia

LIGO:
Página oficial
Caltech
Advanced LIGO
Wikipedia

 
COLISÕES CÓSMICAS: SOFIA DESVENDA A MISTERIOSA FORMAÇÃO DOS ENXAMES ESTELARES

O Sol, tal como todas as estrelas, nasceu numa gigantesca nuvem de gás e poeira molecular. Pode ter tido dezenas ou até centenas de irmãs estelares - um enxame - mas essas companheiras iniciais estão agora espalhadas pela Via Láctea. Embora os remanescentes deste evento de formação em particular se tenham dispersado há muito, o processo de nascimento estelar continua ainda hoje dentro da nossa Galáxia e além. Os enxames estelares são concebidos nos corações de nuvens oticamente escuras onde as primeiras fases de formação têm permanecido historicamente escondidas da nossa vista. Mas estas nuvens frias e empoeiradas brilham intensamente no infravermelho, de como que telescópios como o SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy) podem começar a revelar estes segredos de longa data.

Os modelos tradicionais afirmam que a força da gravidade pode ser a única responsável pela formação de estrelas e aglomerados estelares. Observações mais recentes sugerem que os campos magnéticos, a turbulência ou ambos estão também envolvidos e podem até dominar o processo de formação. Mas o que desencadeia os eventos que levam ao nascimento de enxames estelares?

Ilustração da formação de um enxame estelar a partir da colisão de nuvens moleculares turbulentas, que aparecem como sombras escuras em frente do fundo estelar galáctico.
Crédito: NASA/SOFIA/Lynette Cook
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Usando o instrumento do SOFIA conhecido como GREAT (German Receiver for Astronomy at Terahertz Frequencies), os astrónomos encontraram novas evidências de que os enxames estelares se formam através de colisões entre nuvens moleculares gigantes.

Os resultados foram publicados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

"As estrelas são alimentadas por reações nucleares que produzem novos elementos químicos," comenta Thomas Bisbas, investigador de pós-doutorado da Universidade da Virgínia, em Charlottesville, EUA, autor principal do artigo que descreve estes novos resultados. "A própria existência de vida na Terra é o produto de uma estrela que explodiu há milhares de milhões de anos, mas ainda não sabemos como essas estrelas - incluindo o nosso próprio Sol - se formam."

Os investigadores estudaram a distribuição e o movimento do carbono ionizado em torno de uma nuvem molecular onde as estrelas podem formar-se. Parecem haver dois componentes distintos de gás molecular a colidir um com o outro a velocidades superiores a 32.000 km/h. A distribuição e velocidade dos gases moleculares e ionizados são consistentes com as simulações de colisões de nuvens, que indicam que os enxames de estrelas se formam à medida que o gás é comprimido na onda de choque criada quando as nuvens colidem.

Ilustração das nuvens moleculares rodeadas por invólucros atómicos, em verde, que foram detetadas pelo SOFIA via emissão de carbono ionizado. O deslocamento espacial e os movimentos desses invólucros confirmam as previsões de simulações de colisões de nuvens.
Crédito: NASA/SOFIA/Lynette Cook
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Estes modelos de formação estelar são difíceis de avaliar em termos observacionais," realça Jonathan Tan, professor da Universidade Chalmers de Tecnologia em Gotemburgo, Suécia, e da Universidade da Virgínia, investigador principal do artigo. "Estamos num ponto fascinante do projeto, onde os dados que estamos a obter com o SOFIA podem realmente testar as simulações."

Embora ainda não haja consenso científico sobre o mecanismo responsável por impulsionar a formação de enxames de estrelas, estas observações do SOFIA ajudaram os cientistas a dar um passo importante para desvendar o mistério. Este campo de pesquisa continua ativo e os dados fornecem evidências cruciais a favor do modelo de colisão. Os autores esperam que as futuras observações testem este cenário para determinar se o processo de colisão de nuvens é único para esta região, mais difundido, ou até mesmo um mecanismo universal para a formação de enxames estelares.

"O nosso próximo passo é usar o SOFIA para observar um número maior de nuvens moleculares que formam aglomerados estelares," acrescenta Tan. "Só então podemos entender quão comuns são as colisões de nuvens no desencadeamento do nascimento estelar na nossa Galáxia."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
PHYSORG

Enxames estelares:
SEDS
Wikipedia

Formação estelar:
Wikipedia

SOFIA:
NASA
USRA
DLR
Wikipedia

 
ALMA E MUSE DETETAM FONTE GALÁCTICA

Observações levadas a cabo pelo ALMA e dados obtidos pelo espectrógrafo MUSE montado no VLT do ESO revelaram uma enorme fonte de gás molecular alimentada por um buraco negro situado no coração da galáxia mais brilhante do enxame Abell 2597 — o ciclo galáctico completo de entrada e saída de material que alimenta esta vasta fonte cósmica nunca tinha sido antes observado num único sistema.

A uns meros mil milhões de anos-luz de distância da Terra, num enxame de galáxias próximo chamado Abell 2597, situa-se uma enorme fonte galáctica. Uma equipa de investigadores observou um buraco negro massivo localizado no coração de uma galáxia distante a lançar uma enorme quantidade de gás molecular frio para o espaço, o qual cai seguidamente no buraco negro tal qual um dilúvio intergaláctico. A entrada e saída de material de uma tal fonte cósmica tão vasta nunca tinha sido antes observada ao mesmo tempo, estando a ocorrer nos 100.000 anos-luz mais internos da galáxia mais brilhante do enxame Abell 2597.

"Este é possivelmente o primeiro sistema no qual encontramos evidências claras tanto de entrada de gás molecular no buraco negro como de saída ou lançamento através de jatos que o buraco negro possui," explica Grant Tremblay do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e antigo bolseiro do ESO, que liderou este estudo. "O buraco negro supermassivo situado no centro desta galáxia gigante atua como uma bomba mecânica instalada na fonte."

Imagem composta do enxame de galáxias Abell 2597 onde podemos ver uma corrente de gás a jorrar como uma fonte, alimentada pelo buraco negro supermassivo situado na galáxia central. Os dados ALMA estão representados a amarelo e mostram gás frio. Os dados obtidos com o instrumento MUSE montado no VLT do ESO estão a vermelho e mostram gás de hidrogénio quente na mesma região. A cor azul-violeta corresponde ao gás quente ionizado extenso observado pelo Observatório de raios X Chandra.
Os dados ALMA mostram o material a cair no buraco negro e os dados MUSE mostram material a jorrar deste objeto.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), Tremblay et al.; NRAO/AUI/NSF, B. Saxton; NASA/Chandra; ESO/VLT
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Tremblay e a sua equipa usaram o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para determinar a posição e seguir o movimento de moléculas de monóxido de carbono no seio da nebulosa. Descobriu-se que estas moléculas frias, com temperaturas tão baixas como menos 250-260º C caem em direção ao buraco negro. A equipa usou também dados do instrumento MUSE montado no VLT do ESO (Very Large Telescope) para encontrar gás mais quente — e que está a ser lançado pelo buraco negro sob a forma de jatos.

"O aspeto único deste trabalho é que se trata de uma análise muito detalhada da fonte usando dados tanto do ALMA como do MUSE," explica Tremblay. "Estas duas infraestruturas, quando combinadas, tornam-se incrivelmente poderosas."

Estes dois conjuntos de dados dão-nos uma imagem completa do processo: o gás frio cai em direção ao buraco negro, "acendendo" o buraco negro e fazendo com que este lance jatos de plasma incandescente muito rápidos para o espaço. Estes jatos saem, portanto, do buraco negro sob a forma de uma extraordinária fonte galáctica. Sem possibilidade de escapar da forma gravitacional galáctica, o plasma arrefece, abranda e eventualmente volta a cair no buraco negro, onde o ciclo recomeça.

Observações levadas a cabo pelo ALMA e dados obtidos pelo espectrógrafo MUSE montado no VLT do ESO revelaram uma enorme fonte de gás molecular alimentada por um buraco negro situado na galáxia mais brilhante do enxame Abell 2597 — a primeira fonte deste tipo a ser detctada.
Esta imagem é uma composição a cores criada a partir de dados do DSS2 (Digitized Sky Survey) e mostra a região que rodeia o enxame Abell 2597. O campo mede aproximadamente 2.4 x 2.0 graus.
Crédito: ESO/Digitized Sky Survey 2; reconhecimento: Davide De Martin
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Esta observação sem precedentes pode dar-nos muita informação sobre o ciclo de vida das galáxias. A equipa pressupõe que este processo pode ser, não apenas bastante comum, como também essencial para percebermos a formação galáctica. Apesar da entrada e saída de gás molecular frio terem sido já previamente detetadas, esta é a primeira vez que ambas são detetadas num só sistema, tratando-se por isso da primeira evidência de que ambas fazem parte do mesmo processo vasto.

Abell 2597 situa-se na constelação de Aquário e o seu nome provém da sua inclusão no catálogo de enxames de galáxias ricos de Abell. Este catálogo inclui ainda enxames como o enxame da Fornalha, o enxame de Hércules e o enxame de Pandora.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
NRAO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico (The Astrophysical Journal)
ESOcast 182 (ESO via YouTube)
YaleNews
EurekAlert!
SpaceDaily
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Science alert
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Abell 2597:
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Buraco negro:
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Buraco negro supermassivo (Wikipedia)

ALMA:
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ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
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VLT:
ESO
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ESO:
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Uma equipa internacional, liderada pela astrofísica Carolina von Essen, usou o espectrógrafo OSIRIS acoplado ao GTC (Gran Telescopio Canarias) para estudar a composição química de um planeta cuja temperatura de equilíbrio planetário ronda os 3200º C. WASP-33, o sistema estrela-planeta protagonista desta investigação, situa-se a cerca de 380 anos-luz da Terra. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 6188: Os Dragões de Ara
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Tian Lee
 
As formas escuras com orlas brilhantes que voam pela poeirenta NGC 6188 medem dezenas de anos-luz. A nebulosa de emissão pode ser encontrada perto do limite de uma grande nuvem molecular escura na direção da constelação do hemisfério sul de Ara (Altar), a aproximadamente 4000 anos-luz de distância. Nascidas naquela região há apenas alguns milhões de anos, as jovens estrelas massivas embebidas na associação Ara OB1 esculpem as formas fantásticas e alimentam o brilho nebular com ventos estelares e intensa radiação ultravioleta. A recente formação estelar, propriamente dita, foi desencadeada por ventos e explosões de supernova, de gerações anteriores de estrelas massivas, que varreram e comprimiram o gás molecular. Com dados de imagem do Observatório Chilescope, foi usada uma paleta de cores falsas do Hubble para criar esta linda imagem de campo largo, que mostra a emissão dos átomos de enxofre, hidrogénio e oxigénio em tons de vermelho, verde e azul. O campo de visão abrange cerca de quatro luas cheias, o que corresponde a mais ou menos 150 anos-luz à distância estimada de NGC 6188.
 

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