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  Astroboletim #1585  
  17/05 a 20/05/2019  
     
 

24/05/19 - Noites Astronómicas em Tavira
21:30-22:30 - Enquanto nos despedimos de algumas constelações de outono/inverno vamos aproveitar para dar as boas vindas a algumas constelações de primavera/verão assim como ao gigante planeta do nosso Sistema Solar, Júpiter. Esta atividade é gratuita.
Local: Forte do Rato
Informações e incrições:
281 326 231; 924 452 528; geral@cvtavira.pt (pré-inscrição obrigatória; a realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo de participantes)

 
     
 
Efemérides

Dia 17/05: 137.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1836 nascia J. Norman Lockyer, descobridor do elemento hélio em 1868. J. N. L. fazia estudos espectrais do Sol quando atribuíu linhas desconhecidas de absorção ao novo elemento, só "descoberto" na Terra em 1891. 

Sir Lockyer também é conhecido como o Pai da Arqueoastronomia. Foi um dos primeiros a propôr cientificamente que Stonehenge era um observatório astronómico e que as pirâmides do Egipto e as grandes catedrais Cristãs medievais foram construídas ao longo de orientações astronómicas importantes.
Em 1882 foi descoberto um cometa em fotografias da coroa solar tiradas durante um eclipse total; o cometa nunca mais foi visto. Provavelmente era um "suicida", em rota de colisão com o Sol.
Em 1969, a soviética Venera 6 começa a sua descida pela atmosfera de Vénus, enviando dados atmosféricos antes de ser destruída pela pressão.
Observações: A Lua, quase Cheia, brilha na ténue constelação de Balança. Os binóculos ajudam a ver Beta Librae através do luar, quase 5º para a esquerda da Lua, e a ver Alpha Librae a metade da distância mas para baixo e para a direita do nosso satélite natural. Alpha Librae é uma estrela dupla fácil de ver através de binóculos.

Dia 18/05: 138.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1048, nascia Omar Khayyám, astrónomo, matemático, filósofo e poeta persa. Foi um dos grandes astrónomos da época medieval, que contribuiu muito para a reforma do calendário e que por vezes é tido como proponente da teoria heliocêntrica.
Em 1711, nascia Ruder Josip Boscovic, físico, astrónomo, matemático, filósofo, diplomata, poeta, teólogo e padre jesuita, da república de Ragusa (atualmente Croácia). Produziu um percursor da teoria atómica e fez muitas contribuições para a astronomia, incluindo o primeiro procedimento geométrico para a determinação do equador de um planeta em rotação e da computação da órbita de um planeta. Em 1753, descobriu a ausência de atmosfera na Lua
Em 1910, a Terra passa pela cauda do cometa Halley.
Em 1969 era lançada a Apollo 10, a quarta missão tripulada do programa Apollo, que foi a segunda a orbitar a Lua.

A Apollo 10 detém o recorde da maior velocidade já atingida por um veículo tripulado: 39.896 km/h. Este foi atingido durante o regresso da Lua a 26 de maio de 1969.
Em 2005, uma segunda foto do Hubble confirmava que Plutão tinha mais duas luas: Nix e Hidra. Atualmente, conhecem-se cinco no total.
Observações: Eclipse de Ganimedes, entre as 02:33 e as 05:18.
Ocultação de Ganimedes, entre as 04:52 e as 07:27.
Lua Cheia, pelas 22:11. A Lua nasce por volta do pôr-do-Sol. Após o anoitecer, brilha por cima da cabeça de Escorpião.

Dia 19/05: 139.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961, a Venera 1 torna-se o primeiro objeto feito por humanos a passar por outro planeta, Vénus.

A sonda tinha perdido o contacto com a Terra um mês antes e não enviou nenhuns dados de volta.
Em 1971, lançamento da sonda Mars 2 (União Soviética). A 27 de novembro do mesmo ano, alcança Marte e continua a enviar dados até 1972. Era suposto também aterrar um "lander", mas colidiu com a superfície devido a uma avaria nos foguetes de travagem.
Observações: Vega é a estrela mais brilhante a este-nordeste depois do anoitecer. Cerca de 14º (punho e meio à distância do braço esticado) para cima e para a esquerda de Vega está Eltanin, o nariz do Dragão. A uma distância menor, mas para cima e para a esquerda de Eltanin, estão as três estrelas mais ténues da cabeça de Dragão, também chamada Lozenge. O nariz de Dragão aponta sempre para Vega. Parece despertar-lhe alguma curiosidade.

Dia 20/05: 140.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1498, Vasco da Gama chegava a Calicut (India) numa viagem de exploração equivalente na época às modernas odisseias espaciais.

Em 1964, descoberta da radiação cósmica de fundo em microondas, por Robert Woodrow Wilson e Arno Penzias.
Em 1990, o Telescópio Espacial Hubble envia as suas primeiras fotografias. No entanto, foi descoberta uma falha no espelho principal, o que reduziu a capacidade do telescópio em focar e durante três anos os astrónomos só obtiveram imagens desfocadas do universo, apesar destas serem muito melhores do que as imagens obtidas a partir do solo. 
Observações: Depois da meia-noite e até ao amanhecer, observe a Lua e o planeta Júpiter, situados para cima da constelação de Escorpião, movendo-se e subindo de sudeste para sul com o passar da noite. Júpiter é o ponto brilhante para a esquerda do nosso satélite natural.

 
     
 
Curiosidades


A sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA completou anteontem a sua 60.000 órbita em torno de Marte. Em média, demora 112 minutos a orbitar o planeta, a uma velocidade de mais ou menos 3,4 km/s.

 
 
   
Planetas pequenos e resistentes com maior probabilidade de sobreviver à morte das suas estrelas

De acordo com uma nova investigação da Universidade de Warwick, os planetas pequenos e resistentes, repletos de elementos densos, têm a melhor probabilidade de evitar serem esmagados e engolidos quando a sua estrela-mãe morre. A nova investigação foi publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Os astrofísicos do Grupo de Astronomia e Astrofísica de Warwick modelaram a probabilidade de diferentes planetas serem destruídos pelas forças de maré quando as suas estrelas hospedeiras se tornam anãs brancas e determinaram os fatores mais significativos que decidem se evitam a destruição ou não.

O seu "guia de sobrevivência" para exoplanetas pode ajudar os astrónomos a localizar potenciais exoplanetas em torno de estrelas anãs brancas, enquanto uma nova geração de telescópios ainda mais poderosos está a ser desenvolvida para procurá-los.

 
Um asteroide quebrado pela forte gravidade de uma anã branca formou um anel de partículas de poeira e detritos em órbita do remanescente estelar.
Crédito: Universidade de Warwick/Mark Garlick
 

A maioria das estrelas como o nosso Sol acabarão ficando sem combustível, encolherão e tornar-se-ão anãs brancas. Alguns corpos em órbita, que não são destruídos neste ambiente cataclísmico instigado quando a estrela expele as suas camadas exteriores, serão então submetidos a mudanças nas forças de maré à medida que a estrela colapsa e se torna superdensa. As forças gravitacionais exercidas em qualquer planeta em órbita seriam intensas e potencialmente os arrastariam para novas órbitas, chegando mesmo a empurrar alguns deles para fora dos seus sistemas solares.

Ao modelar os efeitos da mudança na gravidade de uma anã branca com corpos rochosos em órbita, os investigadores determinaram os fatores mais prováveis que farão com que um planeta se mova para dentro do "raio de destruição" da estrela; a distância da estrela onde um objeto mantido unido apenas pela sua própria gravidade se desintegrará devido às forças de maré. Dentro do raio de destruição formar-se-á um disco de detritos planetários.

Embora a sobrevivência de um planeta esteja dependente de muitos fatores, os modelos revelam que quanto mais massivo um planeta, maior a probabilidade de que seja destruído por interações de maré.

Mas a destruição não é certa, com base apenas na massa, e depende parcialmente da viscosidade, uma medida da resistência à deformação: exo-Terras com baixa viscosidade são facilmente engolidas mesmo que habitem até cinco vezes a distância entre o centro da anã branca e o raio de destruição. A lua de Saturno, Encélado - frequentemente descrita como uma "bola de neve suja" - é um bom exemplo de um planeta homogéneo com baixíssima viscosidade.

As exo-Terras com alta viscosidade são facilmente engolidas somente se residirem até duas vezes a distância entre o centro da anã branca e o seu raio de destruição. Estes planetas seriam compostos inteiramente por um núcleo denso de elementos mais pesados, com uma composição similar ao planetesimal de metais pesados descoberto recentemente por outra equipa de astrónomos da Universidade de Warwick. Esse planetesimal evitou ser engolido porque é tão pequeno quanto um asteroide.

O Dr. Dimitri Veras, do Departamento de Física da Universidade de Warwick, disse: "O artigo é um dos primeiros estudos dedicados a investigar os efeitos de maré entre as anãs brancas e os planetas. Este tipo de modelagem terá uma relevância crescente nos próximos anos, quando corpos rochosos adicionais provavelmente forem descobertos perto de anãs brancas."

"O nosso estudo, embora sofisticado em vários aspetos, trata apenas planetas rochosos homogéneos que são consistentes na sua estrutura. Um planeta com várias camadas, como a Terra, seria significativamente mais complexo de modelar, mas estamos a investigar a viabilidade de também fazer isso."

A distância à estrela, tal como a massa do planeta, tem uma correlação robusta com a sobrevivência ou com a imersão. Haverá sempre uma distância segura da estrela e essa distância segura depende de muitos parâmetros. Em geral, um planeta rochoso homogéneo que resida a uma distância da sua anã branca equivalente a um-terço da distância entre Mercúrio e o Sol, garantidamente consegue evitar ser engolido pelas forças de maré.

O Dr. Veras acrescentou: "O nosso estudo leva os astrónomos a procurar planetas rochosos perto - mas ainda fora - do raio de destruição da anã branca. Até agora, as observações concentraram-se nesta região interior, mas o nosso estudo demonstra que os planetas rochosos podem sobreviver a interações de maré com a anã branca de uma maneira que empurra os planetas ligeiramente para fora.

"Os astrónomos também devem procurar assinaturas geométricas em discos de detritos conhecidos. Estas assinaturas podem ser o resultado de perturbações gravitacionais de um planeta que reside muito perto, mas ainda fora do raio de destruição. Nestes casos, os discos teriam sido formados mais cedo pela fragmentação de asteroides que periodicamente se aproximam e entram no raio de destruição da anã branca."

// Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)
// Sociedade Astronómica Real (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
09/04/2019 - Fragmentos de um planeta sobrevivem à destruição da sua estrela
25/09/2018 - Analisada a única anã branca orbitada por fragmentos planetários 
13/11/2015 - O halo resplandecente de uma estrela zombie

Anãs brancas:
Wikipedia
NASA

 
   
Primavera em Plutão: uma análise ao longo de 30 anos

Sempre que passa em frente de uma estrela, Plutão fornece informações preciosas sobre a sua atmosfera, preciosas porque as ocultações de Plutão são raras. A investigação realizada por investigadores do Observatório de Paris, ao longo de várias décadas, foi publicada dia 10 de maio de 2019 na revista Astronomy & Astrophysics. Interpretada à luz dos dados recolhidos em 2015 pela sonda New Horizons, permite refinar os parâmetros físicos essenciais para uma melhor compreensão do clima de Plutão e para prever futuras ocultações do planeta anão.

Tal como a Terra, a atmosfera de Plutão é essencialmente composta por azoto, mas a comparação para aí.

Situado para lá de Neptuno, Plutão leva 248 anos a completar uma órbita em torno do Sol. Durante o ano plutoniano, a sua distância ao Sol varia muito, de 30 a 50 UA, levando a ciclos sazonais extremos.

Com temperaturas superficiais extremamente baixas, inferiores a -230º C, há um equilíbrio sólido-gasoso, onde uma ténue atmosfera de essencialmente azoto coexiste com depósitos de gelo à superfície. Atualmente, estima-se que o vapor de azoto esteja estabilizado a uma pressão de mais ou menos 1,3 pascal (ao passo que na Terra a pressão é de cerca de 100.000 Pa).

 
Vista global, colorida, de Plutão, obtida a 450.000 km de distância.
Crédito: NASA/JHUAPL-SwRI
 

Dada a obliquidade (o ângulo formado entre o eixo polar e o plano orbital) do planeta anão, 120 graus, os polos de Plutão enfrentam sucessivamente um dia permanente durante várias décadas, e depois uma noite permanente. Isto leva a um ciclo complexo de redistribuição dos seus materiais voláteis como azoto, metano e monóxido de carbono. Assim sendo, Plutão teve o seu equinócio em 1988, antes de passar pelo periélio (a 30 UA) em 1989. Desde então, o planeta anão afastou-se continuamente do Sol até alcançar 32 UA em 2016, o que representa uma perda de 25% da sua insolação média.

Ingenuamente, era esperada uma queda acentuada na pressão atmosférica. De facto, o equilíbrio gasoso-sólido do azoto impõe que para cada grau Kelvin perdido à superfície, a pressão diminua por um fator de dois.

Mas ocorre o exato oposto. A prova é fornecida pelo artigo publicado na Astronomy & Astrophysics de dia 10 de maio, que analisa uma dúzia de ocultações estelares observadas ao longo de quase 30 anos, durante a primavera no hemisfério norte de Plutão: a pressão atmosférica aumentou por um fator de três entre 1988 e 2016.

 
Pressão atmosférica à superfície de Plutão como função do tempo, entre 1988 e 2238.
Crédito: Meza et al.; Astronomy & Astrophysics
 

Este cenário paradoxal já era considerado pelos modelos climáticos globais de Plutão desde a década de 1990, mas sem certeza, apenas como um cenário entre muitos outros. Vários parâmetros importantes do modelo permaneciam por restringir pelas observações.

Estas observações das ocultações estelares a partir da Terra, juntamente com dados recolhidos durante a passagem da New Horizons da NASA por Plutão em julho de 2015, permitem agora descrever um cenário muito mais preciso.

 
Um olhar mais de perto: apenas 15 minutos depois da sua maior aproximação de passado dia 14 de julho de 2015, a sonda New Horizons olhou para trás em direção ao Sol e capturou esta imagem do aproximar do pôr-do-Sol perto de montanhas e planícíes geladas que se estendem para lá do horizonte de Plutão. A área lisa da planície Sputnik Planum (direita) é flanqueada a oeste (esquerda) por montanhas com até 3500 metros de altura, incluindo o informalmente denominado Norgay Montes no pano da frente e Hillary Montes na linha do horizonte. Para a direita, a este de Sputnik, terreno mais rugoso é cortado por glaciares. A retroiluminação destaca mais de uma dúzia de camadas na ténue mas larga atmosfera de Plutão. A imagem foi obtida a uma distância de 18.000 km de Plutão; a cena mede 380 km de largura.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
 

A New Horizons mapeou a distribuição e a topografia do gelo à superfície do planeta anão, revelando uma vasta depressão com mais de 1000 km de diâmetro e 4 km de profundidade, localizada perto do equador entre as latitudes 25º S e 50º N, de nome Sputnik Planitia. Esta depressão retém uma parte do azoto disponível na atmosfera, formando um glaciar gigantesco que é o verdadeiro "coração" do clima do planeta anão, pois regula a circulação atmosférica por meio da sublimação do azoto.

Em adição, as ocultações estelares permitem restringir a inércia térmica do subsolo no modelo, explicando a mudança de fase de trinta anos entre a transição para o periélio (1989) e o aumento da pressão ainda observado hoje em dia. O subsolo armazenou o calor e está a restaurá-lo gradualmente. As ocultações também restringem a fração de energia solar devolvida ao espaço (albedo de Bond) do azoto gelado e a sua emissividade.

Finalmente, estas observações eliminam a possibilidade da presença de um reservatório de azoto no hemisfério sul (atualmente em noite permanente), que produziria um máximo de pressão muito mais cedo do que o observado (curva magenta na figura).

Este estudo é uma boa ilustração da complementaridade entre as observações terrestres e espaciais. Sem a passagem da New Horizons, a distribuição do gelo e a topografia permaneceriam desconhecidas, e sem a monitorização a longo prazo da atmosfera, os modelos climáticos de Plutão não poderiam ser restringidos.

Previsão de ocultações futuras

Finalmente, as ocultações também fornecem 19 posições de Plutão entre 1988 e 2016, com uma precisão inigualável de alguns milissegundos de arco no céu. Tal precisão, possível graças à segunda versão de dados da missão europeia Gaia, permite que os autores calculem efemérides de Plutão com a mesma precisão para a próxima década.

Assim, será possível observar outras ocultações por Plutão e monitorizar o seu clima... os modelos teóricos indicam que a atmosfera de Plutão está atualmente perto da sua expansão máxima. As observações futuras podem confirmar ou refutar esta previsão. Será que vamos em breve ver o começo desse lento declínio, que deverá reduzir por um fator de 20 a pressão atmosférica de Plutão no final, e cobrir a sua superfície com uma fina camada de "geada branca"?

// Observatório de Paris (comunicado de imprensa)
// Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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A Lua está a encolher e a produzir sismos

A Lua está a encolher à medida que o seu interior arrefece, tendo ficado 50 metros mais "magra" ao longo das últimas centenas de milhões de anos. Assim como uma uva fica enrugada quando se transforma em passa, a Lua ganha rugas ao encolher. Ao contrário da pele flexível de uma uva, a crosta superficial da Lua é quebradiça, por isso fragmenta-se à medida que o satélite encolhe, formando "falhas de pressão" onde uma secção da crosta é empurrada para cima sobre uma parte vizinha.

"A nossa análise fornece a primeira evidência de que estas falhas ainda estão ativas e provavelmente a produzir, ainda hoje, sismos lunares, à medida que a Lua continua gradualmente a arrefecer e a encolher," disse Thomas Watters, cientista sénior do Centro de Estudos da Terra e Planetários do Museu Nacional do Ar e do Espaço do Smithsonian em Washington, EUA. "Alguns destes tremores podem ser bastante fortes, mais ou menos cinco na escala de Richter."

Estas escarpas de falha assemelham-se a pequenas escarpas em forma de degraus quando vistas a partir da superfície lunar, normalmente com dezenas de metros de altura e estendendo-se por vários quilómetros. Os astronautas Eugene Cernan e Harrison Schmitt tiveram que ziguezaguear o seu rover lunar ao subir a face do penhasco da falha Lee-Lincoln durante a missão Apollo 17 que aterrou no vale Taurus-Littrow em 1972.

 
Imagem do vale Taurus-Littrow obtida pela sonda LRO da NASA. O vale foi explorado em 1972 pelos astronautas da missão Apollo 17, Eugene Cernan e Harrison Schmitt. Eles tiveram que ziguezaguear o seu rover lunar ao subir a face do penhasco da falha Lee-Lincoln que corta este vale.
Crédito: NASA/GSFC/Universidade Estatal do Arizona
 

Watters é o autor principal de um estudo que analisou dados de quatro sismómetros colocados na Lua pelos astronautas das Apollo usando um algoritmo, ou programa matemático, desenvolvido para identificar locais de sismos detetados por uma esparsa rede sísmica. O algoritmo deu-nos uma estimativa melhor dos locais dos tremores lunares. Os sismómetros são instrumentos que medem o tremor produzido por sismos, registando o tempo de chegada e a força de várias ondas sísmicas a fim de obter uma estimativa da sua localização, chamada epicentro. O estudo foi publicado dia 13 de maio na revista Nature Geoscience.

Os astronautas colocaram os instrumentos na superfície lunar durante as missões Apollo 11, 12, 14, 15 e 16. O sismómetro da Apollo 11 só operou durante três semanas, mas os quatro restantes registaram 28 sismos lunares a baixa profundidade - o tipo esperado para estas falhas - de 1969 a 1977. Os tremores variaram entre 2 a 5 na escala de Richter.

Usando as estimativas revistas de localização do novo algoritmo, a equipa descobriu que oito dos 28 sismos superficiais estavam até 30 km de falhas visíveis nas imagens lunares. Isto é próximo o suficiente para atribuir os sismos às falhas, uma vez que a modelagem da equipa mostra que esta é a distância em que se espera que ocorra forte oscilação, dado o tamanho destas escarpas de falha. Além disso, a nova análise descobriu que seis dois oito sismos lunares ocorreram quando a Lua estava no seu apogeu ou lá perto, que é o ponto orbital mais distante da Terra. É aqui que os stresses adicionais das marés da gravidade da Terra causam um pico no stress total, tornando os eventos de deslizamento ao longo destas falhas mais prováveis.

 
Esta proeminente falha lunar é uma das milhares descobertas em imagens do instrumento LROC (Lunar Reconnaissance Orbiter Camera). A escarpa de falha é como degraus na paisagem lunar (setas que apontam para a esquerda) formados quando a crosta perto da superfície é empurrada, é quebrada e empurrada para cima ao longo de uma falha à medida que a Lua se contrai. Na imagem podem ser vistos campos de pedregulhos, manchas de solo ou rególito relativamente brilhante, na face da escarpa e no terreno por trás (setas que apontam para a direita).
Crédito: NASA/GSFC/Universidade Estatal do Arizona/Smithsonian
 

"Nós achamos que é muito provável que estes oito tremores tenham sido produzidos por falhas que se acumularam quando a crosta lunar foi comprimida pela contração global e pelas forças de maré, indicando que os sismómetros das Apollo registaram a Lua a encolher e que a Lua ainda é tectonicamente ativa," disse Watters. Os investigadores correram 10.000 simulações para calcular a probabilidade de uma coincidência produzir tantos sismos perto das falhas em redor da altura de maior stress. Descobriram que é inferior a 4%. Adicionalmente, enquanto outros eventos, como os impactos de meteoroides, podem produzir tremores, esses criam uma assinatura sísmica diferente da dos sismos provocados pelos eventos de falha.

Outra evidência de que estas falhas estão ativas vem de imagens altamente detalhadas da Lua obtidas pela sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA. O instrumento LROC (Lunar Reconnaissance Orbiter Camera) registou mais de 3500 escarpas de falha. Algumas dessas imagens mostram deslizamentos de terra ou pedregulhos no fundo de manchas relativamente brilhantes nas encostas de falhas ou em terrenos próximos. A radiação solar e espacial escurece gradualmente o material à superfície lunar, de modo que áreas mais brilhantes indicam regiões recentemente expostas ao espaço, como esperado de um recente sismo que faz deslizar material por um penhasco. Os exemplos de campos de rochas novos podem ser encontrados nas encostas de uma escarpa de falhas no aglomerado Vitello e exemplos de possíveis características brilhantes estão associados com falhas que ocorrem perto das crateras Gemma Frisius C e Mouchez L. Outras imagens recolhidas pelo LROC mostram rastos de quedas de rochas, que seriam de esperar se a falha desliza e o sismo resultante provoca deslizamentos de rochas. Estas marcas são evidências de um sismo recente porque devem ser apagadas relativamente depressa, em termos de escalas de tempo geológico, pela chuva constante de impactos de meteoroides na Lua. Os rastos de pedregulhos perto de falhas na bacia de Schrödinger foram atribuídos a quedas recentes de rochas induzidas por tremores lunares.

 
O vale Taurus-Littrow é o local de pouso da missão Apollo 17 (asterisco). Cortando o vale, logo acima do local de aterragem, está a escarpa da falha Lee-Lincoln. O movimento da falha é provavelmente a fonte de inúmeros sismos lunares que despoletaram eventos no vale. 1) grandes deslizamentos de terra nas encostas do Maciço Sul que decoram rochas e rególito (poeira) relativamente brilhantes. 2) pedregulhos que rolaram pelas encostas do Maciço Norte, deixando marcas à superfície. 3) Deslizamentos nas encostas sudeste.
Crédito: NASA/GSFC/Universidade Estatal do Arizona/Smithsonian
 

Adicionalmente, um dos epicentros revistos está a apenas 13 km da escarpa Lee-Lincoln atravessada pelos astronautas da Apollo 17. Os astronautas também examinaram pedregulhos e rastos de rochas na encosta do Maciço Norte, perto do local de pouso da missão. Um grande deslizamento de terra no Maciço Sul, que cobriu o segmento sul da escarpa Lee-Lincoln, é mais uma evidência de possíveis terremotos gerados por eventos de deslize de falhas.

"É incrível ver como os dados de há quase 50 anos e da missão LRO foram combinados para avançar a nossa compreensão da Lua, sugerindo locais de missões futuras dedicadas ao estudo dos processos internos da Lua," disse John Keller, cientista do projeto LRO no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.

Tendo em conta que a LRO fotografa a superfície lunar desde 2009, a equipa gostaria de comparar imagens de regiões com falhas específicas em diferentes épocas para ver se há alguma evidência de atividade recente de um sismo lunar. Adicionalmente, "estabelecer uma nova rede de sismómetros à superfície lunar tem que ser uma prioridade para a exploração humana da Lua, tanto para aprender mais sobre o interior da Lua como para determinar os riscos dos sismos lunares," disse Renee Weber, sismóloga planetária do Centro de Voo Espacial Marshall da NASA em Huntsville, Alabama, EUA.

A Lua não é o único mundo no nosso Sistema Solar a encolher com a idade. Mercúrio tem enorme falhas - com até 1000 quilómetros de comprimento e mais de 3 km de altura - que são significativamente maiores do que as da Lua, indicando que encolheu muito mais do que o nosso satélite natural. Dado que os mundos rochosos se expandem quando aquecem e contraem quando arrefecem, as grandes falhas de Mercúrio revelam que provavelmente era quente o suficiente para ficar completamente fundido após a sua formação. Os cientistas que tentam reconstruir a origem da Lua querem saber se lhe aconteceu o mesmo, ou se ao invés esteve apenas parcialmente derretida, talvez com um oceano de magma sobre um interior profundo de aquecimento mais lento. O tamanho relativamente pequeno das escarpas de falha na Lua está em linha com a contração mais subtil esperada para um cenário parcialmente fundido.

A NASA vai enviar a primeira mulher, e o próximo homem, para a Lua em 2024. Estes astronautas vão usar um sistema de aterragem tripulado a partir da estação Gateway situada em órbita lunar, e pousar no polo sul da Lua. A agência espacial norte-americana estabelecerá missões sustentáveis até 2028 e depois planeia utilizar o que até aí aprendeu para seguir até Marte.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Maryland (comunicado de imprensa)
// Museu Nacional do Ar e do Espaço do Smithsonian (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Geoscience)

 


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Usando o poder combinado de dois telescópios no Hawaii, astrónomos obtiveram imagens nítidas e sem precedentes de um distante sistema planetário que se parece com uma versão bebé do nosso Sistema Solar. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - Jovem enxame estelar Trumpler 14, pelo Hubble
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESAJ. Maíz Apellániz (IoAoA Espanha); Reconhecimento: N. Smith (U. Arizona)
 
Porque é que o enxame estelar Trumpler 14 tem tantas estrelas brilhantes? Porque é muito jovem. Muitas estrelas do enxame formaram-se apenas nos últimos 5 milhões de anos e são tão quentes que emitem raios-X detetáveis. Em aglomerados mais velhos, a maioria das estrelas com esta idade já morreu - tipicamente explodindo sob a forma de supernova - deixando para trás estrelas mais fracas e avermelhadas. Trumpler 14 abrange cerca de 40 anos-luz e está situado a aproximadamente 9000 anos-luz de distância na fronteira da famosa Nebulosa Carina. Um olho perspicaz pode identificar dois objetos invulgares nesta imagem de Trumpler 14 obtida em 2006 pelo Telescópio Espacial Hubble. Primeiro, uma nuvem escura logo para a esquerda do centro pode ser um sistema planetário tentando formar-se antes de ser destruído pelos ventos energéticos das estrelas massivas de Trumpler 14. O segundo é o arco em baixo e à esquerda, que uma hipótese sustenta ser a onda de choque supersónica de uma estrela veloz ejetada há 100.000 anos a partir de um enxame estelar completamente diferente.
 
   
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