28/06/19 - Noites Astronómicas em Tavira
22:00 - No dia 28 de junho, no Forte do Rato, realiza-se mais uma sessão de Noites Astronómicas em Tavira. Nesta sessão será possível identificar algumas constelações que nos farão companhia nas noites quentes de Verão. Teremos a oportunidade de observar os planetas gigantes gasosos do nosso sistema solar, Júpiter e as suas luas galileanas assim como Saturno e os seus anéis. Esta atividade é gratuita. Local:Forte do Rato Informações e incrições: 281 326 231; 924 452 528; geral@cvtavira.pt (pré-inscrição obrigatória; a realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo de participantes)
Efemérides
Dia 11/06: 162.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1723 nascia Johann Georg Palitzsch, astrónomo alemão que observaria em 1758 o regresso do cometa Halley, tal como previsto por Edmond Halley em 1705.
Em 1867, nascia Charles Fabry, físico francês que se especializou em ótica e interferometria. Em 1913, demonstrou que o ozono na atmosfera superior é responsável por filtrar a radiação ultravioleta do Sol.
Em 2004, a sonda Cassini-Huygens faz a sua maior aproximação a Febe.
Em 2008, lançamento do Telescópio Espacial de Raios-Gama Fermi.
Em 2013, lançamento do Shenzhou 10, a quinta missão tripulada da China e a segunda e última até ao laboratório espacial Tiangong-1, com 3 taikonautas a bordo e duração de 15 dias. Observações: Espiga brilha para baixo e para a esquerda da Lua esta noite. A mais do dobro da distância, mas para cima e para a esquerda da Lua, está a ainda mais brilhante Arcturo.
Dia 12/06: 163.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1843, nascia David Gill, astrónomo escocês, famoso pela sua medição de distâncias astronómicas. Redeterminou a distância ao Sol com um grau de precisão tão elevado que o valor foi usado em almanaques até 1968.
Em 1967 era lançada a Venera 4 que seria a primeira sonda a enviar dados da atmosfera de outro planeta (Vénus) para a Terra.
Em 2004, um meteorito condrito de 1,3 kg atinge uma casa em Ellserslie, Nova Zelândia, provocando grandes danos mas nenhuns ferimentos. Observações: Agora Espiga está para baixo e para a direita da Lua, e Arcturo brilha para cima dos dois astros.
Dia 13/06: 164.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1831 nascia James Clerk Maxwell, físico escocês que formulou uma série de equações que descrevem a eletricidade, magnetismo e ótica como manifestações do mesmo fenómeno, nomeadamente, o campo eletromagnético.
Em 1983 a sonda Pioneer 10 torna-se o primeiro artefacto humano a abandonar o sistema planetário solar, quando passa para lá da órbita de Neptuno (o planeta mais longínquo do Sol na altura).
Em 2010, a cápsula da sonda Hayabusa, contendo partículas do asteroide 25143 Itokawa, regressa à Terra. Observações: Ocultação de Io, entre as 00:27 e as 02:42.
Eclipse de Io, entre as 00:30 e as 02:47.
O verão está a apenas 8 dias de distância e o Triângulo de Verão já é visível a este depois do cair da noite.
A sua estrela do topo é a brilhante Vega. Deneb é a estrela mais brilhante para baixo e para a esquerda de Vega (a 2 ou 3 punhos à distância do braço esticado). Procure Altair a uma distância maior mas para baixo e para a direita de Vega.
Planck não encontra evidências novas de anomalias cósmicas
As anisotropias do fundo cósmico de micro-ondas, observadas pela missão Planck da ESA.
É um instantâneo da luz mais antiga do nosso cosmos, impresso no céu quando o Universo tinha apenas 380.000 anos. Mostra pequenas flutuações de temperatura que correspondem a regiões com densidades ligeiramente diferentes, representando as "sementes" de todas as estruturas futuras: as estrelas e galáxias de hoje.
A primeira imagem da sequência mostra as anisotropias na temperatura da CMB à mais alta resolução obtida pelo Planck. Na segunda, as anisotropias de temperatura foram filtradas para mostrar principalmente o sinal detetado em escalas que rondam os 5º no céu. A terceira imagem da sequência mostra as anisotropias de temperatura filtradas com uma indicação da direção da fração polarizada da CMB.
Uma pequena fração da CMB é polarizada - vibra numa direção preferida. Este é o resultado do último encontro desta luz com eletrões, antes de começar a sua viagem cósmica. Por esta razão, a polarização da CMB retém informação acerca da distribuição da matéria no Universo inicial, e o seu padrão no céu segue o padrão das pequenas flutuações observadas na temperatura da CMB.
Estas imagens são baseadas em dados da divulgação de Legado do Planck, a divulgação final de dados da missão, publicada em julho de 2018.
Crédito: ESA/Colaboração Planck
O satélite Planck da ESA não encontrou novas evidências para as intrigantes anomalias cósmicas que apareceram no seu mapa de temperatura do Universo. O estudo mais recente não exclui a potencial relevância das anomalias, mas significa que os astrónomos precisam de trabalhar ainda mais duro para entender a origem destas intrigantes características.
Os últimos resultados do Planck vêm de uma análise da polarização da Radiação Cósmica de Fundo em Micro-ondas (CMB - Cosmic Microwave Background) - a luz mais antiga da história cósmica, libertada quando o Universo tinha apenas 380.000 anos.
A análise inicial do satélite, divulgada em 2013, concentrou-se na temperatura dessa radiação no céu. Isto permite que os astrónomos investiguem a origem e evolução do cosmos. Embora tenha confirmado em grande parte a imagem padrão de como o nosso Universo evolui, o primeiro mapa do Planck também revelou uma série de anomalias que são difíceis de explicar dentro do modelo padrão da cosmologia.
As anomalias são características ténues no céu que aparecem em grandes escalas angulares. Não são definitivamente artefactos produzidos pelo comportamento do satélite ou pelo processamento de dados, mas são fracas o suficiente para que possam ser variações estatísticas - flutuações que são extremamente raras, mas não totalmente descartadas pelo modelo padrão.
Alternativamente, as anomalias podem ser um sinal de "nova física", o termo usado para processos naturais ainda não reconhecidos que estenderiam as leis conhecidas da física.
Sumário da história de quase 14 mil milhões de anos do Universo, mostrando em particular os eventos que contribuíram para a radiação cósmica de fundo em micro-ondas.
O cronograma da secção superior da ilustração mostra uma impressão de artista da evolução do cosmos em larga escala. Os processos variam entre a inflação, a breve era de expansão acelerada do Universo quando tinha apenas uma pequena fração de um segundo, a libertação da CMB, a forma mais antiga de luz do Universo, impressa no céu quando o cosmos tinha apenas 380.000 anos; e da "Idade das Trevas" até ao nascimento das primeiras estrelas e galáxias, que reionizaram o Universo quanto tinha apenas algumas centenas de milhões de anos, até ao presente.
Pequenas flutuações quânticas geradas durante o período inflacionário são as sementes das estruturas futuras: as estrelas e galáxias de hoje. Depois do fim da inflação, as partículas de matéria escura começaram a aglomerar-se em torno destas sementes cósmicas, construindo lentamente uma teia cósmica de estruturas. Mais tarde, depois da libertação da CMB, a matéria normal começou a cair na direção destas estruturas, eventualmente dando origem às estrelas e galáxias.
As imagens circulares na secção inferior mostram ampliações de alguns processos microscópicos que tiveram lugar durante a história cósmica: desde pequenas flutuações geradas durante a inflação, até à sopa densa de luz e partículas que preencheram o Universo jovem; passando pela última dispersão de luz pelos eletrões, que deram origem à CMB e à sua polarização, até à reionização do Universo, provocada pelas primeiras estrelas e galáxias, que induziram polarização adicional na CMB.
Crédito: ESA
Para investigar ainda mais a natureza das anomalias, a equipa do Planck analisou a polarização da CMB, que foi revelada após uma análise cuidadosa de dados multifrequência, desenhada para eliminar fontes de emissão de micro-ondas no plano da frente, incluindo gás e poeira da nossa própria Via Láctea.
Este sinal é a melhor medição, até à data, dos chamados modos-E de polarização da CMB e remonta ao tempo dos primeiros átomos formados no Universo e à libertação da CMB. Foi produzido pela forma como a luz se espalhou através das partículas de eletrões pouco antes de os eletrões se unirem em átomos de hidrogénio.
A polarização fornece uma visão quase independente da CMB, de modo que se as anomalias também aí aparecessem, isto aumentaria a confiança dos astrónomos de que podem ser provocadas por nova física, em vez de serem falhas estatísticas.
Embora o Planck não tenha sido originalmente construído para se concentrar na polarização, as suas observações foram usadas para criar os mapas mais precisos, até ao momento, da polarização da CMB. Estes foram publicados em 2018, melhorando consideravelmente a qualidade dos primeiros mapas de polarização do Planck, divulgados em 2015.
Mapa da amplitude da polarização da CMB, conforme observado pelo satélite Planck da ESA. Embora as flutuações da CMB estejam presentes e tenham sido observadas pelo Planck até escalas angulares muito pequenas, estas imagens foram filtradas para mostrar principalmente o sinal detetado em escalas razoavelmente grandes no céu, mais ou menos 5 graus - em comparação, a Lua Cheia abrange cerca de meio-grau no céu.
Nestas grandes escalas, várias anomalias podem ser observadas na temperatura da CMB - estas são características difíceis de explicar dentro do modelo padrão da cosmologia, que se baseia na suposição de que o Universo, a larga escala, tem as mesmas propriedades quando observado em todas as direções.
A anomalia mais séria é um déficit no sinal observado em grandes escalas com aproximadamente 5 graus, que é mais ou menos 10% mais fraca do que o previsto. Outras características anómalas são uma discrepância significativa do sinal, como observado nos dois hemisférios opostos do céu (os dois hemisférios são delineados pela curva grande, mais ou menos em forma de U, o Norte estando no centro) e uma chamada "mancha fria" - uma mancha grande e de baixa temperatura com um perfil de temperatura invulgarmente íngreme (a localização desta mancha é delineada perto do canto inferior direito).
Tais anomalias não foram detetadas, pelo menos em qualquer nível significativo, nas observações do Planck da polarização da CMB.
Uma comparação entre o mapa superior, mostrando a medição total do Planck - compreendendo tanto o sinal quanto o ruído - com o mapa de baixo, mostrando apenas o ruído, indica que algumas características anómalas podem estar presentes, como por exemplo uma assimetria de potência entre os dois hemisférios, mas não são estatisticamente convincentes.
A ausência de anomalias estatisticamente significativas nos mapas de polarização não exclui a potencial relevância daquelas vistas na temperatura, mas torna ainda mais difícil entender a origem destas características intrigantes.
As regiões cinzentas dos mapas foram mascaradas na análise para evitar a emissão residual de primeiro plano da nossa Via Láctea ou de fontes extragaláticas que afetam os resultados cosmológicos.
Crédito: ESA/Colaboração Planck
Quando a equipa do Planck analisou estes dados, não viram nenhum sinal óbvio das anomalias. Na melhor das hipóteses, a análise, publicada a semana passada na revista Astronomy & Astrophysics, revelou algumas pistas fracas de que algumas das anomalias podem estar presentes.
"As medições da polarização do Planck são fantásticas," diz Jan Tauber, cientista do projeto Planck da ESA.
"No entanto, apesar dos excelentes dados que temos, não vemos nenhum traço significativo de anomalias."
Assim sendo, isto parece fazer com que as anomalias sejam mais provavelmente acasos estatísticos, mas na verdade não descarta a nova física porque a natureza pode ser mais complicada do que imaginamos.
Até agora, não há hipótese convincente do novo tipo de física que pode estar a provocar as anomalias. Pode ser que o fenómeno responsável só afete a temperatura da CMB, mas não a polarização.
Deste ponto de vista, apesar da nova análise não confirmar a ocorrência de nova física, coloca importantes restrições sobre ela.
A anomalia mais séria que apareceu no mapa de temperatura da CMB é um déficit no sinal observado em grandes escalas angulares no céu, mais ou menos 5 graus - em comparação, a Lua Cheia abrange cerca de meio grau. Nestas grandes escalas, as medições do Planck são cerca de 10% mais fracas do que o modelo padrão da cosmologia poderia prever.
Mapa da amplitude da polarização da CMB, conforme observado pelo satélite Planck da ESA. Embora as flutuações da CMB estejam presentes e tenham sido observadas pelo Planck até escalas angulares muito pequenas, estas imagens foram filtradas para mostrar principalmente o sinal detetado em escalas razoavelmente grandes no céu, mais ou menos 5 graus - em comparação, a Lua Cheia abrange cerca de meio-grau no céu.
Nestas grandes escalas, várias anomalias podem ser observadas na temperatura da CMB - estas são características difíceis de explicar dentro do modelo padrão da cosmologia, que se baseia na suposição de que o Universo, a larga escala, tem as mesmas propriedades quando observado em todas as direções.
A anomalia mais séria é um déficit no sinal observado em grandes escalas com aproximadamente 5 graus, que é mais ou menos 10% mais fraca do que o previsto. Outras características anómalas são uma discrepância significativa do sinal, como observado nos dois hemisférios opostos do céu (os dois hemisférios são delineados pela curva grande, mais ou menos em forma de U, o Norte estando no centro) e uma chamada "mancha fria" - uma mancha grande e de baixa temperatura com um perfil de temperatura invulgarmente íngreme (a localização desta mancha é delineada perto do canto inferior direito).
Uma comparação entre o mapa superior, mostrando a medição total do Planck - compreendendo tanto o sinal quanto o ruído - com o mapa de baixo, mostrando apenas o ruído, indica que as características anómalas não são, claramente, artefactos, pois estão presentes no sinal e não no ruído.
Tais anomalias não foram detetadas, pelo menos em qualquer nível significativo, nas observações do Planck da polarização da CMB.
A ausência de anomalias estatisticamente significativas nos mapas de polarização não exclui a potencial relevância daquelas vistas na temperatura, mas torna ainda mais difícil entender a origem destas características intrigantes.
As regiões cinzentas dos mapas foram mascaradas na análise para evitar a emissão residual de primeiro plano da nossa Via Láctea ou de fontes extragaláticas que afetam os resultados cosmológicos.
Crédito: ESA/Colaboração Planck
O Planck também confirmou, com alta confiança estatística, outras características anómalas que haviam sido sugeridas em observações anteriores da temperatura da CMB, como uma discrepância significativa do sinal, como observado nos dois hemisférios opostos do céu, e uma chamada "mancha fria" - uma mancha grande e de baixa temperatura com um perfil de temperatura invulgarmente íngreme.
"Nós dissemos, à época, que a primeira divulgação do Planck testaria as anomalias usando os seus dados de polarização. O primeiro conjunto de mapas de polarização suficiente limpos para este propósito foi lançado em 2018, agora temos os resultados," diz Krzysztof M. Górski, um dos autores do novo artigo, do JPL da NASA, Caltech, EUA.
Infelizmente, os novos dados não avançaram o debate, pois os resultados mais recentes não confirmam nem negam a natureza das anomalias.
"Temos alguns indícios de que, nos mapas da polarização, poderia haver uma assimetria de potência semelhante à que é observada nos mapas de temperatura, embora permaneça estatisticamente pouco convincente," acrescenta Enrique Martínez González, também coautor do artigo, do Instituto de Física da Cantábria em Santander, Espanha.
Embora vá haver uma análise mais profunda dos resultados do Planck, é improvável que produza resultados significativamente novos sobre este tema. O caminho óbvio é progredir para uma missão dedicada especialmente construída e otimizada para estudar a polarização da CMB, mas está pelo menos 10 a 15 anos de distância.
"O Planck deu-nos os melhores dados que teremos, pelo menos, durante uma década," diz o coautor Anthony Banday do Instituto de Pesquisa em Astrofísica e Planetologia em Toulouse, França.
Missão espacial TESS descobre cinco estrelas raras
Variações de brilho da estrela roAp TIC 237336864, observada pelo satélite TESS. O brilho da estrela varia com duas escalas de tempo diferentes. A variação do brilho na escala mais longa (cerca de 4,2 dias), representada no gráfico principal, permite identificar o período de rotação e resulta da passagem de manchas químicas pela linha de visão do observador, à medida que a estrela roda. No destaque vê-se a variação do brilho na escala mais curta (cerca de 7,4 minutos), resultante das sucessivas expansões e contrações da estrela que se repetem com o período característico das oscilações desta estrela.
Crédito: Daniel Holdsworth (Instituto Jeremiah Horrocks, U. de Central Lancashire)
Uma equipa internacional, liderada pela investigadora do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) Margarida Cunha, recorreu a técnicas asterossísmicas para procurar oscilações num subgrupo de cinco mil estrelas, entre as 32 mil observadas em cadência curta nos primeiros 2 setores (aproximadamente, os 2 primeiros meses de operações científicas) do satélite TESS da NASA, e descobriu cinco raras estrelas roAp. Estes resultados5 foram aceites para publicação na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
As estrelas peculiares de oscilação rápida, ou estrelas roAp, são objetos estelares raros. Constituem um subgrupo das estrelas peculiares magnéticas (estrelas Ap), estas últimas caracterizadas por manchas químicas onde a abundância de terras-raras, em particular dos elementos Si, Cr, Eu, pode ser até um milhão de vezes superior à presente no Sol. As estrelas Ap têm campos magnéticos fortes e uma pequena fração das mesmas, as roAp, oscilam com frequências semelhantes às observadas no Sol.
Nestes dados, a equipa encontrou o mais rápido oscilador roAp, que completa uma pulsação a cada 4,7 minutos. Duas destas cinco estrelas são particularmente desafiadoras à luz do conhecimento atual da área, uma porque é menos quente do que a teoria prevê para estrelas roAp e a outra porque oscila com uma frequência inesperadamente alta.
Representação artística de uma estrela Ap de oscilação rápida (roAp), com pormenores a destacar a sua complexidade. A diversidade de fenómenos físicos que ocorrem nas suas camadas exteriores faz das estrelas roAp autênticos "tubos de ensaio" para os modelos de física estelar.
Crédito: Victoria Antoci (Centro de Astrofísica Estelar, Universidade de Aarhus)
Margarida Cunha, a primeira autora do artigo (IA e Universidade do Porto) explica a importância de estudar estas estrelas: "Os dados do TESS mostram que as estrelas roAp são raríssimas, representando menos de 1% de todas as estrelas de temperatura semelhante. A importância da sua descoberta reside no facto de elas serem autênticos laboratórios estelares. Permite-nos testar teorias relativas a fenómenos físicos fundamentais no contexto da evolução das estrelas, tais como a difusão de elementos químicos e a sua interação com campos magnéticos intensos."
Ao fazer uma análise detalhada de 80 estrelas previamente conhecidas por serem quimicamente peculiares, a equipa descobriu ainda 27 novas variáveis rotacionais Ap. Nestes casos, o brilho varia à medida que cada estrela roda, devido à passagem de manchas químicas pela linha de visão do observador.
Para Daniel Holdsworth, do Instituto Jeremiah Horrocks da Universidade de Central Lancashire, estas observações do TESS: "permitem-nos estudar este tipo raro de estrelas de uma forma homogénea. Podemos finalmente comparar cada estrela com as restantes, sem precisar de tratar os dados de uma forma especial. Com a continuação da missão TESS, que irá fazer uma cobertura quase total do céu, teremos a capacidade de descobrir muitas mais estrelas peculiares. A comparação entre elas vai permitir-nos testar e refinar os mais recentes modelos teóricos, que tentam explicar a origem das oscilações."
Imagem artística do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard/NASA
A equipa também obteve dados fotométricos de alta precisão para sete estrelas roAp, conhecidas previamente a partir de observações terrestres. Para quatro destas estrelas, foi ainda possível restringir o ângulo de inclinação (o ângulo de inclinação é o ângulo definido pelo eixo de rotação da estrela e a direção do observador.) e a obliquidade magnética (ângulo definido pelo eixo de rotação e o eixo do campo magnético da estrela). Margarida Cunha, membro do comité executivo do TESS Asteroseismic Science Consortium (TASC) acrescenta: "Os processos físicos que levam à segregação de elementos químicos, como a difusão, estão entre os mais difíceis de modelar no contexto da física estelar. Esta descoberta de novas estrelas roAp pelo TESS, assim como a observação a partir do espaço de estrelas deste tipo previamente conhecidas, serão fundamentais para avançar o conhecimento nesta matéria."
Para Victoria Antoci, do Centro de Astrofísica Estelar da Universidade de Aarhus: "É fascinante perceber que temos hoje mais estrelas do tipo roAp suficientemente brilhantes para serem seguidas a partir de telescópios relativamente acessíveis, localizados na Terra. Para compreendermos a física destas estrelas na sua totalidade, é importante complementar os dados que agora temos com informação sobre os seus campos magnéticos e sobre a composição química das suas atmosferas. Estas estrelas têm campos magnéticos fortes, que podem ir até 25 kiloGauss, ou seja, cerca de 250 vezes a intensidade dos ímanes que temos nos nossos frigoríficos."
Estes novos resultados só se tornaram possíveis com o TESS porque este satélite observa continuamente as estrelas por períodos de pelo menos 27 dias e sem a interferência da atmosfera da Terra, algo que não é possível aos observatórios à superfície do nosso planeta.
A todo o gás: GTC deteta ventos poderosos produzidos por um buraco negro supermassivo
Os ventos de um buraco negro "varrem" o gás das galáxias.
Crédito: ESA/ATG medialab
Os buracos negros supermassivos nos centros de muitas galáxias parecem ter uma influência básica nas suas evoluções. Isto acontece durante uma fase em que o buraco negro está a consumir o material da galáxia em que reside a uma grande velocidade, crescendo em massa ao fazê-lo. Durante esta fase, dizemos que a galáxia tem um núcleo ativo (AGN, "active galactic nucleus).
O efeito que esta atividade tem sobre a galáxia hospedeira é conhecido como feedback AGN e uma das suas propriedades são os ventos galácticos: este é o gás do centro da galáxia que é expelido pela energia libertada pelo núcleo ativo. Estes ventos podem atingir velocidades de até milhares de quilómetros por segundo e nos AGNs mais energéticos, por exemplo, nos quasares, podem limpar os centros das galáxias impedindo a formação de novas estrelas. Mostrou-se que a evolução da formação estelar ao longo de escalas de tempo cosmológicas não pode ser explicada sem a existência de um mecanismo regulador.
Para estudar estes ventos em quasares utilizou-se o espectrógrafo infravermelho EMIR acoplado ao GTC (Gran Telescopio Canarias). O EMIR é um instrumento completamente desenvolvido no Instituto de Astrofísica das Canárias, construído para estudar os objetos mais frios e mais distantes do Universo, analisando a luz infravermelha. Desde junho de 2016 que está instalado no GTC, depois de passar por uma fase exaustiva de testes nas oficinas da Divisão de Instrumentos da sede do IAC em La Laguna.
Os dados obtidos desde então têm sido utilizados para produzir vários artigos científicos dos quais o mais recente é o estudo do quasar obscurecido J1509 + 0434, publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society Letters e produzido por uma equipa internacional liderada pela investigadora do IAC Cristina Ramos Almeida. Este quasar está no Universo local e é um análogo dos quasares mais distantes e muito mais numerosos onde o feedback AGN deve estar a afetar seriamente a formação de novas estrelas.
"O EMIR permitiu-nos estudar os ventos do gás ionizado e molecular deste quasar usando o espectro infravermelho. Esta análise é muito importante porque nem sempre mostra propriedades semelhantes, o que nos diz muito sobre como estes ventos são produzidos e como afetam as suas galáxias hospedeiras," explica Ramos Almeida. O estudo deste e de outros quasares locais permitirá entender o que estava a acontecer nas galáxias quando eram mais jovens e quando estavam a formar as suas estruturas que vemos hoje.
Com base nos novos dados obtidos com o EMIR, a equipa descobriu que o vento ionizado é mais rápido do que o vento molecular, atingindo velocidades de até 1200 km/s. No entanto, seria o vento molecular a esvaziar os reservatórios de gás da galáxia (até 176 massas solares por ano). "Novas observações com o ALMA vão permitir confirmar esta estimativa," explicou José Acosta Pulido, investigador do IAC e coautor deste estudo.
O próximo passo é observar uma amostra completa de quasares próximos obscurecidos com o EMIR para estudar os seus ventos ionizados e moleculares. Os cientistas também querem investigar as populações estelares das suas galáxias hospedeiras. Isto permitirá confirmar diretamente o feedback AGN na evolução das galáxias.
Novo estudo reduz dramaticamente a busca por vida avançada no Universo (via UC Riverside)
Os cientistas podem ter que repensar as suas estimativas de quantos planetas para lá do nosso Sistema Solar podem albergar uma diversidade rica de vida. Num novo estudo, a equipa descobriu que uma acumulação de gases tóxicos nas atmosferas da maioria dos exoplanetas torna-os impróprios para a vida complexa como a conhecemos. Ler fonte
Marte na Terra - o que vem aí? (via ESA)
Está a ser desenvolvida uma campanha de recolha de amostras marcianas e posterior envio para a Terra para análise nos melhores laboratórios terrestres - mas a escolha e armazenamento de amostras, em Marte, é apenas uma parte dessa campanha extensiva que está a ser planeada pelos "designers" da missão e pelos cientistas. Ler fonte
O que é aquela mancha negra em Júpiter? Ninguém tem a certeza. Durante a última passagem da Juno da NASA em torno de Júpiter, a sonda fotografou uma nuvem invulgarmente escura chamada informalmente de Abismo. Os padrões de nuvens circundantes mostram que o Abismo está no centro de um vórtice. Dado que as características escuras na atmosfera de Júpiter tendem a ser mais profundas que as características mais claras, o Abismo pode realmente ser o buraco profundo que parece - mas sem mais evidências isto permanece conjetura. O Abismo é rodeado por um complexo de nuvens sinuosas e outrossistemas de tempestades, alguns dos quais são cobertos por nuvens coloridas de alta altitude. A imagem em destaque foi capturada no mês passado, enquanto a Juno passava apenas a cerca de 15.000 quilómetros do topo das nuvens de Júpiter. A próxima passagem da Juno, perto de Júpiter, está prevista para o próximo mês de julho.
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